segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Viva o povo brasileiro!

Depois de mais de uma década discutindo medidas para aprimorar a segurança dos nossos plugues e tomadas, o Conselho Nacional de Metrologia definiu um novo padrão a ser utilizado por todos os aparelhos elétricos e eletroeletrônicos fabricados no Brasil. Após analisar os terminais elétricos utilizados em diversos países, os “pilotos de prova de escrivaninha” - como dizia o saudoso Ferreira Netto - resolveram criar um novo e inusitado formato, que já vem sendo jocosamente chamado de “jabuticaba”.

Observação: Até alguns anos atrás, tínhamos apenas tomadas de dois pontos, adequadas à maioria dos aparelhos utilizados aqui por estas bandas, mas a popularização dos PCs levou o mercado a oferecer opções compatíveis com plugues 2P+T (fase e neutro + terra). Entretanto, ou invés de providenciar tomadas de três pontos e ligá-las adequadamente, muitos usuários simplesmente utilizam adaptadores ou “castram” o terceiro pino do plugue com um alicate de corte. Para piorar, alguns “curiosos” ligam o pólo terra da tomada a um cano metálico da rede hidráulica ou fazem uma "ponte" para aproveitar o aterramento da própria rede elétrica, acarretando o risco de um belo curto-circuito.

Embora sejam redondos, os três pinos dos novos plugues não se encaixam nos orifícios das tomadas de três pontos convencionais; para complicar, o formato sextavado dos conectores exige que as tomadas sejam compatíveis (a pretexto de prevenir choques decorrentes de inversão na conexão); para piorar, o tamanho dos pinos e orifícios varia conforme a amperagem: tomadas de 10 A, menos potentes, têm diâmetro de 4 mm, ao passo que as de 20 A, utilizadas em aparelhos como micro-ondas, têm 4,8 mm.
A substituição de todos os conectores por modelos do novo padrão deve ser um processo dispendioso e aborrecido – sem mencionar que o INMETRO tenciona proibir a venda de adaptadores dentro de três anos! Demais disso, os resultados pretendidos só serão alcançados se as instalações elétricas dos imóveis passarem por uma reforma completa e bem planejada, já que, além de um aterramento responsável (com introdução de hastes metálicas no solo), a fiação e as tomadas devem ser adequadas ao consumo dos aparelhos conectados a cada terminal.
Na prática, é provável que essa nova regra estimule gambiarras e favoreça marreteiros e fabricantes de fundo de quintal: na opinião do presidente do Sindicato do Comércio Varejista e Material Elétrico, Eletrodomésticos e Iluminação no Estado de São Paulo, “a NBR 14 136 causa prejuízos ao consumidor e não traz benefício algum em relação ao padrão universal em uso há décadas no Brasil”.
Daqui a pouco, algum luminar da nossa tecnocracia vai achar que é melhor rosquear lâmpadas no sentido anti-horário, obrigando-nos todos a substituir os soquetes dos pontos de luz de nossas casas.
E viva o povo brasileiro!
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