segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Pai dos burros

Quando comprei meu 386 (ou teria sido o 486?), com o Windows 3.11 for Workgroups, a Microsoft fornecia um manual respeitável – com centenas de páginas recheadas de informações preciosas sobre o sistema, e conquanto algumas fossem um tando nebulosas, era preciso digeri-las “na marra”, já que inexistiam outras opções de pesquisa.
Já a impressora matricial que eu usava na época, comprada de segunda mão, veio sem manual – e a despeito das dicas oferecidas pelo proprietário anterior, eu apanhei um bocado para me familiarizar com aquela infeliz. E mesmo não sendo totalmente leigo em questões de tecnologia, acho que sem o “caderno” que veio com meu primeiro VCR eu jamais teria conseguido acertar o relógio, programar uma gravação ou assistir ao telejornal enquanto o aparelho gravava um filme de outra emissora.
Por ignorar solenemente o manual, muita gente acaba subutilizando o produto – qualquer que seja ele, de um automóvel a uma “simples” câmera digital –, já que para acessar recursos e funções avançadas é preciso dominar menus e comandos nem sempre intuitivos. E isso vale também para celulares e smartphones (tema abordado na semana passada), cujo leque cada vez maior de serviços e menus bastante complexos não é acompanhado pelos manuais impressos, cada vez mais espartanos. 
De livros, os manuais passaram a simples “folhetos” que exaltam o óbvio – recomendando carregar a bateria antes de colocar o telefone em uso, como se fosse possível utilizá-lo sem essa providência elementar –, mas não ensinam a configurar uma chamada falsa ou bloquear ligações indesejadas, por exemplo. Há casos em que um arquivo PDF (incluído no próprio aparelho ou num CD de drivers e aplicativos adicionais) preenche algumas lacunas, mas em outros é preciso recorrer ao site do fabricante ou vasculhar a Web em busca de tutoriais detalhados. 
Em face do exposto, eu reuni algumas dicas sobre o Android, que, ao contrário do iPhone OS da Apple, é um sistema de código aberto e altamente personalizável. Elas são baseadas na versão 2.0, mas costumam funcionar também nas demais. Confira:

·         Para otimizar seus widgets, pressione um ponto vazio da tela até que o menu pop-up seja exibido, e então configure as opções disponíveis (ou faça uma busca no Android Market para baixar outros apps que sejam do seu interesse – existem milhares delas). No mesmo menu, selecionando Atalhos > Contatos, você pode escolher aqueles para os quais liga mais freqüentemente e, a partir daí, acessá-los com apenas um toque (basta selecionar Pastas, escolher uma das opções disponíveis – ou criar uma pasta personalizada – e arrastar para dentro dela os contatos, apps ou quaisquer outros atalhos).
·         Para renomear uma pasta, abra-a, mantenha o dedo sobre a barra de título e faça as modificações desejadas. Para copiar e colar um texto, toque qualquer área de entrada de texto e siga as instruções – numa página da web, por exemplo, toque na tecla Menu e escolha a opção Mais/Selecione o texto.
·         Hotkeys (atalhos rápidos) para fazer de tudo, desde dar zoom em uma webpage até abrir um programa; para consultar a lista completa, clique aqui http://www.pcworld.com/businesscenter/article/184656/android_keyboard_shortcuts_all_the_hotkeys_you_need.html.
·         Se seu teclado virtual incomodar, toque nele e arraste para baixo; se quiser ver a data atual, toque no canto superior direito da tela.
·         Para transferir arquivos do computador para o telefone, conecte os dispositivos com o cabo USB e, na janela “CONECTADO POR USB”, toque no botão “SAÍDA USB” (o aparelho será exibido como um drive externo e você só precisará arrastar e soltar os arquivos).
·         Se quiser copiar facilmente os favoritos do navegador do PC para o smartphone, baixe do Android Market o app MyBookmarks.
·         Para evitar ligações incomodativas, direcione-as para a caixa postal – abra o perfil do chato na lista de contatos, pressione o botão Menu, toque em Editar e marque a opção “Enviar direto para o correio de voz” (no final da tela de opções). Essa mesma tela permite customizar os toques para cada contato da sua lista; selecione a opção Campainha e faça os ajustes desejados.
·         Para usar arquivos MP3 como ringtones, crie uma nova pasta no cartão de memória, nomeie-a como “ringtones” e copie seus MP3 para lá – eles irão aparecer automaticamente na lista de opções (pastas nomeadas “alarms” ou “notifications” terão o mesmo efeito em alarmes e notificações). Para fazer edições mais rebuscadas, baixe o app gratuito RingDroid, que facilita a seleção de trechos de arquivo de MP3 para utilização como ringtones ou sons do sistema.
·         O navegador nativo do Android não é sua única opção. O Dolphin Browser, por exemplo, oferece navegação em abas, comandos por gestos e a opção de zoom multitoque. Outras alternativas bacanas são o Opera Mini e o Skyfire 2.0.
·         Para proteger seu telefone, acesse o menu principal, escolha Tela e Segurança, Bloqueio de Segurança, Tipo de Bloqueio de Segurança, Bloqueio por Desenho e siga as instruções para definir o padrão que funciona com senha. Para backups de suas informações, experimente o app MyBackup ou o SMS Backup.
·         Ajuste o modo como o aparelho se comporta com o Locale – aplicativo que permite criar perfis customizados para praticamente quaisquer circunstâncias, baseadas em data, local ou outras condições. Assim, seu telefone pode mudar automaticamente para o modo silencioso quando você chega ao trabalho ou aumentar o brilho da tela durante a noite.
·         Edite o Dicionário para incluir o seu e outros nomes, que assim irão aparecer no recurso autocompletar quando você começar a digitá-los. Para tanto, acesse “Idioma e Texto”, no menu Configurações.

Para concluir, caso você já não disponha do manual do seu aparelho (seja ele qual for) e não tenha conseguido uma cópia no site do fabricante, acesse http://www.safemanuals.com/ (repositório com mais de um milhão de manuais de quase quatro mil marcas diferentes – pena que o número de guias em português ainda seja reduzido).
Uma ótima semana a todos e até amanhã, se Deus quiser.
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