quinta-feira, 27 de agosto de 2015

COMPUTADOR À PROVA DE VÍRUS. SERÁ POSSÍVEL?

AS LEIS SÃO INSTRUMENTOS DO ESTADO PARA CONTROLAR A SOCIEDADE, AO PASSO QUE A CONSTITUIÇÃO É O INSTRUMENTO DA SOCIEDADE PARA CONTROLAR O ESTADO.

Ao contrário do que muita gente imagina, o vírus de computador não surgiu com a popularização da Internet. Os primeiros registros teóricos de programas capazes de seu auto-replicar (fazer cópias de si mesmos) remontam aos anos 50, conquanto o termo "vírus" só tenha entrado para o léxico da informática em 1983, quando um pesquisador da Universidade da Califórnia chamado Fred Cohen respaldou sua tese de doutorado no estudo de pragas eletrônicas criadas experimentalmente (para saber mais, acesse minha sequência de postagens Antivírus - A História).

Observação: Nem toda praga digital é um vírus, mas todo vírus é uma praga digital. Os programas maliciosos são diferenciados a partir de suas características (tipo, modus operandi, propósito, etc.) e divididos em vírus, worms, trojans, spywares, etc. e suas respectivas variações. Não existe consenso entre as empresas de segurança digital em relação ao número total de MALWARES (de MALicious sofWARE), já que as metodologia utilizadas para catalogá-los varia, mas as estimativas mais otimistas apontam centenas de milhares, enquanto que as mais pessimistas, dezenas de milhões.

Até alguns anos atrás, dispor de um antivírus responsável, ativo e atualizado era suficiente para proteger o computador, mas a diversificação das ameaças passou a exigir arsenais de defesa mais rebuscados, com aplicativos de firewall, antispyware e módulos capazes de emitir alertas contra sites inseguros, links maliciosos e inibir a ação de rootkits, keyloggers, hijackers e que tais. Para piorar, por mais eficaz que seja seu mecanismo de proteção, ele jamais será totalmente "idiot proof" (termo que significa "à prova de idiotas" numa tradução literal, mas é usado para definir algo que "proteja o usuário de si mesmo").

Para encurtar a conversa, desde meus primeiros escritos sobre TI que venho afirmando sistematicamente que segurança absoluta é história da Carochinha, mas isso porque eu não conhecia o DEEP FREEZE STANDARD, cujo funcionamento me faz lembrar um filme de que gosto muito, chamado "Feitiço do Tempo", no qual
um mal-humorado repórter meteorológico (Bill Murray) é encarregado, pela quarta vez consecutiva, de cobrir uma festividade interiorana chamada de "Dia da Marmota". Depois de pernoitar na cidadezinha devido a uma nevasca, o repórter se vê revivendo a cada manhã o mesmo dia da festa, como se o tempo tivesse deixado de passar (clique aqui para assistir).

Voltando ao programinha em tela, pode-se dizer que ele é uma versão aprimorada da restauração do sistema do Windows, mas com uma diferença importantíssima: ao invés de agir por demanda do usuário, o Deep Freeze cria uma "imagem congelada" das definições e configurações do computador e as recarrega a cada boot.

Observação: Para quem não sabe ou não se lembra, as versões 9x do Windows já contavam com o scanreg/restore, que permitia desfazer ações mal sucedidas e neutralizar suas consequências indesejáveis. No entanto, um número significativo de usuários desconhecia essa solução ou não se valia dela, até porque era preciso executá-la via prompt de comando. Quando desenvolveu o Win ME, a Microsoft criou a Restauração do Sistema, que foi mantida nas edições subsequentes do sistema é bem mais fácil de usar, pois pode ser acessada através da sua interface gráfica. Essa ferramenta cria backups das configurações do Registro e de outros arquivos essenciais ao funcionamento do computador em intervalos regulares e sempre que alguma modificação abrangente é detectada (note que esses "pontos de restauração" também podem ser criados manualmente pelo usuário). Assim, se o PC se tornar instável ou incapaz de reiniciar, o usuário pode comandar sua reversão para um ponto anterior ao surgimento do problema ─ mas é recomendável torcer para que tudo dê certo, já que em alguns casos o resultado não é exatamente o esperado.  

Além blindar o sistema contra a ação danosa de códigos maliciosos e desfazer eventuais reconfigurações levadas a efeito pelo usuário (ou usuários, se houver mais do que um), o Deep Freeze neutraliza eventuais atualizações e reconfigurações, desfaz instalações de aplicativos, anula a criação de novos arquivos e impede a edição dos pré-existentes. Em outras palavras, tudo volta a ser a ser como antes no Quartel de Abrantes toda vez que o usuário liga o computador.

Resumo da ópera: O Deep Freeze não é gratuito, mas pode ser testado por 30 dias sem custo algum. Embora ele seja particularmente útil em máquinas públicas (de escolas, bibliotecas, lanhouses, cibercafés, etc.), você pode instalá-lo no seu PC, mas tenha em mente que isso significa perpetuar o sistema nos moldes memorizados pelo aplicativo. Se ainda assim você quiser experimentar, crie uma nova partição no HD para poder salvar e editar novos arquivos (veja mais detalhes sobre como fazer isso na sequência de 5 postagens iniciada por esta aqui). Também será possível instalar novos softwares e atualizar o sistema e os apps pré-existentes, mas, para tanto, será preciso desabilitar a proteção. Fica a critério (e por conta e risco) de cada um.

Abraços, um ótimo dia a todos, e até a próxima, se Deus quiser.   
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