sábado, 15 de agosto de 2015

SOBRE OS PROTESTOS DE AMANHÃ

As manifestações ocorridas em junho de 2013, cujo gatilho foi supostamente o aumento de R$ 0,30 nos preços do transporte público, levaram milhões de pessoas às ruas para cobrar providências do governo – aliás, uma parcela minoritária pugnava pela gratuidade do transporte, como se esse serviço não tivesse custos (atender um pedido dessa natureza levaria o erário a bancar integralmente a conta, ou seja, a despesa com transporte seria rateada entre todos os ”contribuintes”, independentemente de eles usarem ou não o serviço). Mas é importante salientar que, além da questão do transporte (que de certa forma foi gota que levou o copo a transbordar), a população exigia do governo mais educação, saúde e segurança pública, buscando consertar problemas criados pelo Estado mediante um fortalecimento ainda maior do próprio Estado.

De uns tempos a esta parte, porém, a coisa mudou de figura. O principal anseio da população (ou o que mais se evidencia) passou a ser a diminuição do Estado, consubstanciada na redução da carga tributária, da burocracia, do número de ministérios e do funcionalismo. O “ajuste fiscal”, da maneira como vem sendo implementado, transfere o ônus do governo para o cidadão. Não dá mais para suportar tantos encargos, nem – muito menos – tanta corrupção, já que uma parte substancial dos recursos arrecadados é mal versada, como deixam claras as maracutaias trazidas à tona pela Operação Lava-Jato.

Mas nem só de impostos vive o intervencionismo do governo. Desde a promulgação da Carta Magna de 1988, foram criadas quase 5 milhões de novas leis, medidas provisórias, decretos e emendas constitucionais para reger a vida do cidadão, e algumas, de tão absurdas, viraram piada: em Vila Velha (ES), um vereador propôs uma lei para impedir que as noivas se casem na igreja sem calcinha?! Aliás, foi também no Espírito Santo que outra “sumidade” resolveu proibir a presença do saleiro nas mesas de restaurantes, lanchonetes e afins, como forma (pasmem), com o fito de prevenir a hipertensão arterial, como se os cidadãos fossem incapazes ou perfeitos idiotas (talvez alguns sejam, já que votaram em políticos como esses).

Mudando de pato para ganso, a corrupção institucionalizada, o fato de o país ter sob investigação Eduardo Cunha e Renan Calheiros (presidentes, respectivamente, da Câmara e do Senado), de os desdobramentos revelados pelos agentes da PF levarem a crer que a caca não tardará a respingar no Macunaíma dos pobres e no poste que sua (então) invejável popularidade lhe permitiu nos impingir reto acima – que também estão sob suspeita – é que deve levar, mais uma vez, milhões de pessoas às ruas de todo país neste domingo (16). 

Como ponderou o festejado jornalista Reinaldo Azevedo em seu blog, na postagem deste sábado, “As pessoas sensatas deveriam torcer para que, neste domingo, houvesse nas ruas muitos e muitos milhões, um troço realmente acachapante, a indicar para Dilma que não dá mais. Isso também poderia evidenciar aos políticos que é chegada a hora (...) A pior coisa que poderia acontecer seria o insucesso do protesto. A presidente não teria o que fazer com ele. Seria um indicador não de otimismo, mas de desalento e de descrença, o que costuma anteceder decisões coletivas desastradas. Não há como o povo na rua, neste domingo, ser o problema. Ele só pode ser a solução. É a continuidade do governo que nos lança no escuro, não a sua interrupção.”

Bom fim de semana a todos e que Deus nos ajude.
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