quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

BOM RÉVEILLON A TODOS (SEM RESSACA) E UM ÓTIMO 2016

Do ponto de vista do abuso do álcool, o Réveillon só perde para o Carnaval — e olhe lá —, e para quem não dispensa uma(s) birita(s) a ressaca pode ser cruel.

Dor de cabeça, tontura, fadiga e náuseas e outros desconfortos que o acometem quando você desperta na manhã seguinte à noite do porre não são provenientes dos canapés com validade vencida ou da azeitona estragada daquela maldita empadinha que você comeu antes de tomar litros de caipirinha, dúzias de latinhas de cerveja e, claro, taças e taças de espumante para saudar o ano novo — afinal, ninguém é de ferro, não é mesmo?

O desconforto costuma surgir de seis a oito horas após o consumo e a metabolização do álcool, e pode se estender por intermináveis 24 horas, com uma intensidade que varia de pessoa para pessoa, conforme a sensibilidade de cada um, de fatores psicológicos e do contexto sociocultural. E, claro, quanto mais álcool você ingerir, mais severamente será castigado na manhã seguinte.

Curiosamente, os sintomas só surgem após a eliminação do álcool pelo organismo, e mais intrigante ainda é o fato de não existir consenso na explicação do processo, embora a maioria dos especialistas o atribua ao aumento da concentração de substâncias inflamatórias e dos hormônios que regulam o sono, à alteração das taxas de glicose no sangue, e até mesmo à consequência dos “aditivos” embutidos nas bebidas alcoólicas. Seja como for, o troço é um porre! Literalmente.

Bebidas compostas por água e álcool (tais como vodca e gim) castigam menos que whisky, conhaque ou vinho, mas é importante atentar para a qualidade daquilo que você beber (vodcas como Popov e Príncipe Igor, por exemplo, nem pra fazer caipirinha).

A melhor maneira de evitar a ressaca é a abstinência, mas, na prática, essa preciosa recomendação não ajuda muita gente. Então, para evitar o vexame do pileque e minimizar o desconforto da ressaca, forre o estômago antes de beber, e beba moderadamente — o álcool é absorvido mais lentamente quando há alimento no estômago. Só tome cuidado para não errar na quantidade, ou você irá colocar tudo para fora no meio da festa.

Vale também intercalar suco, refrigerante ou água entre as doses de birita, não só para “diluir” o álcool, mas também para manter o organismo hidratado. Comer frutas ou algo gorduroso (miolo de pão besuntado com manteiga ou embebido em azeite de oliva) antes de beber pode ajudar.

A verdade é que não existem formulas milagrosas universais: a não ser que você entre em coma alcoólica — e aí deverá procurar um pronto-socorro —, o jeito é deixar o organismo processar naturalmente — ou regurgitar — o excesso de álcool. Nesse meio tempo, evite comidas ácidas, gordurosas ou de difícil digestão; torradas com mel ou geleia no café da manhã e uma sopa ou salada de legumes cozidos no almoço devem deixar você pronto pra outra.

Mas atenção: ressaca não se cura com mais álcool! Essa prática pode até ajudar a combater os sintomas no curto prazo — e servir de desculpa para tomais mais uma birita ao acordar, mesmo que você não esteja de ressaca. No entanto, mais hora, o nível de álcool no seu organismo vai ter que baixar mais cedo ou mais tarde. Para prevenir ressacas cruéis, daquelas que combinam dor de cabeça com boca seca, fadiga, tremores e outros desconfortos afins, a solução é não encher a cara. Na impossibilidade, evite misturar destilados com fermentados e, como já foi dito, beber de barriga vazia.

Se as medidas preventivas não bastarem, a ressaca irá castigá-lo no dia seguinte, e não há fórmulas milagrosas para combatê-la — a menos que você esteja em Las Vegas, onde existe o serviço Hangover Heaven (paraíso da ressaca, numa tradução livre), criado pelo médico Jason Burke: basta um telefonema para ser atendido por um ônibus que funciona como clínica itinerante e receber uma solução intravenosa com soro fisiológico, vitaminas B1 e B12, anti-inflamatórios, anti-náuseas e outras substâncias destinadas a ajudar na desintoxicação do organismo. O tratamento dura 45 minutos e custa de 90 a 150 dólares.

Para concluir, vale lembrar que a cafeína atua no sistema nervoso central, bloqueando os receptores de adenosina, de modo que pode atenuar os sintomas da ressaca. Já os analgésicos não atuam na causa do problema, embora possam aliviar aquela dor de cabeça mãe (evite, porém, medicamentos à base de paracetamol, pois, combinado com o álcool, esse componente judia ainda mais do fígado. A hidratação também pode atenuar o mal-estar, pois neutraliza a perda de água pela urina, diarreia ou vômito (que causam a famosa boca seca e o gosto de corrimão de escada de repartição pública). 

Enfim, beba com moderação e comece o ano mais bem disposto. Um ótimo réveillon a todos e até a próxima postagem.  
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