quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A FRAUDE DO GRANDPARENT (OU: O GOLPE DO NETO)

QUANDO PICANHA CRESCER EM ÁRVORES, AÍ, SIM, EU VOU ME TORNAR VEGETARIANO.

Você tem algum parente idoso? Fale com ele sobre a fraude Grandparent, mediante a qual vigaristas digitais roubam cerca de 3 bilhões de dólares por ano de pessoas da “terceira idade”.  Embora velho como a serra, essa maracutaia continua rendendo bons lucros aos cibervigaristas. Bob Gostischa, da empresa de segurança digital Avast, que é septuagenário, mas fareja fraudes a quilômetros de distância, foi alvo desse conto do vigário. “Se aconteceu comigo, deve acontecer também com outros idosos, já que pessoas de idade costumam ser mais fáceis de enganar”, diz ele, ao compartilhar a história no Blog da empresa. Confira:

Alguém telefona ou manda um email passando-se por neto ou neta da vítima. Na versão mais comum, a alegação é de que a pessoa foi presa por engano e precisa urgentemente de ajuda para pagar a fiança, ou está viajando e sofreu um acidente, mas o mote da vigarice é sempre o mesmo, ou seja, extorquir dinheiro do(a) idoso(a). Confira a transcrição da conversa telefônica :

Pessoa: Olá vovô, aqui é sua neta. Eu estou com laringite, por isso minha voz está diferente.
Bob: Com certeza não é minha neta. Que neta?
Pessoa: Como assim?
Bob: Eu tenho várias netas.
Pessoa: A sua neta mais velha.
Bob: Ah, sim. (Estranhando que ela não tenha dito seu nome). Está tudo bem?
Pessoa: Não.
Bob: Qual é o problema?
Pessoa: Estava visitando um amigo em Niagara Falls e, no caminho de casa, sofri um acidente de carro.
Bob: Você está bem?
Pessoa: Sim, ninguém se machucou.
Bob: E o carro?
Pessoa: O carro está bem. A mulher surgiu do nada e eu bati no carro dela, mas ela está bem.
Bob: Graças a Deus.
Pessoa: Sim, mas a polícia me perguntou se eu havia bebido. Eu disse que não, porque estava tomando medicação para laringite, mas não passei no teste do bafômetro e acabei na cadeia.
Bob: Eles deixaram você chamar um advogado?
Pessoa: Sim, mas eu preciso de dinheiro para a fiança. Você pode me enviar 500 dólares pela Western Union?
Bob: Vai ser difícil porque tivemos vários gastos com médicos e estamos apertados.
Pessoa: Por favor, vô, você não pode usar o seu cartão de crédito?
Bob: Desculpe, mas estão todos no limite.
Pessoa: Por favor, vô, eu não quero apodrecer na cadeia.
Bob: Desculpe querida, mas eu não posso… Não tenho dinheiro para te enviar.
Pessoa: click… desligou.

Bob completa dizendo que sua neta mais velha não tem idade para dirigir e dificilmente estaria viajando sem os pais, mas muita gente cai em fraudes como essa, especialmente se coloca o emocional à frente do racional e, claro, se tem mesmo uma neta. No ano passado, a CBS News entrevistou um ex-fraudador que aplicou esse golpe diversas vezes e, nos melhores dias, chegou a faturar US$10.000. Seus alvos eram preferivelmente pessoas com mais de 65 anos, porque elas saem menos de casa, são mais acessíveis e fáceis de engabelar. Se o vigarista passar uma boa conversa e envolvê-las emocionalmente, elas fazem qualquer coisa que ele lhes pedir.

O FBI recomenda não se deixar levar pela pressão da urgência e, antes de qualquer outra coisa, tentar entrar em contato com o neto ou a neta ou com outra pessoa que possa confirmar a veracidade das informações. Na dúvida, deve-se procurar a polícia para pedir orientação. Aqui no Brasil, a Polícia Federal tem uma divisão específica para tratar de golpes pela internet e crimes virtuais — o Centro de Monitoramento do Serviço de Repressão a Crimes Cibernéticos —, que recebe denúncias por meio do e-mail internet@dpf.gov.br.

Fique esperto.
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