Brasília está "fervendo" devido ao “episódio Jucá” ― aliás, eu publiquei uma postagem sobre o passado nebuloso desse senador pernambucano (tinha de ser conterrâneo do sapo barbudo, né?) antes mesmo do afastamento da anta, quando o dito-cujo assessorava o (então futuro) presidente interino na composição do novo ministério. Mas nem só de Jucá vive o cenário político verde-amarelo, e ainda que eu deva voltar a esse assunto oportunamente, achei por bem manter o cronograma das postagens, pois esta dá continuidade ao que foi expendido na anterior. Dito isso, vamos ao que interessa.

DILMA não precisa de conselhos, muito menos dos meus, até porque é mestra em errar sozinha. Mas se eu pudesse lhe enviar um recado daqui do abismo da minha insignificância, diria a ela que pusesse as barbichas de molho, pois sua deposição definitiva implicará, dentre outras coisas, na perda do foro privilegiado, e assim, à semelhança do que já acontece com seu abominável predecessor e mentor, ela não só ficará ao alcance da Lava-Jato e do juiz Sergio Moro, mas também estará sujeita a processos (tanto aqui quanto nos EUA) por participação nos episódios espúrios da refinaria de PASADENA e da GENESIS.

Como o leitor deve estar lembrado, a Petrobrás pagou US$360 milhões por metade de uma refinaria que um ano antes havia sido comprada pela empresa belga ASTRA OIL por US$40,5 milhões. Para piorar, uma decisão judicial condenou a estatal tupiniquim a comprar a outra metade da sucata, o que resultou num prejuízo de US$ 1,18 bilhão. Ressalte-se que, na ocasião, Lula era presidente da República, e Dilma, presidente do Conselho de Administração da Petrobrás ― de 2003 a 2010, quando era ministra de Minas e Energia (2003-2005) e ministra-chefe da Casa Civil (2005-2010).

Como de costume, a dupla de petralhas negou conhecimento da maracutaia. Dilma, aliás, atribuiu o monumental prejuízo a “riscos subestimados e decisões equivocadas”, afirmou que o negócio só foi aprovado porque “cláusulas fundamentais lhe eram desconhecidas”, e botou a culpa em Nestor Cerveró, que, curiosamente, não foi punido, mas promovido a diretor financeiro da BR Distribuidora. Mais adiante, o “Lindinho” ― como Cerveró era chamado por seus comparsas devido à blefaroptose ― declarou aos investigadores da Lava-Jato que a campanha de Lula à reeleição teria sido financiada com propina paga pelo contrato dos navios-sonda Petrobras 10.000 e Vitória 10.000, que custaram US$1,2 bilhão (valor equivalente ao da compra da igualmente inútil refinaria de Pasadena).

Observação: Ainda que realmente tivessem sido ludibriados, ― o que se admite apenas para efeito de argumentação ―, Lula e Dilma estariam reconhecendo sua total inadequação aos cargos que ocupavam. Por outro lado, acreditar nessa falácia, como parece ser o caso da abilolada militância petista, demonstra uma indescritível ingenuidade ou, para usar um termo mais adequado a esse grupelho, uma burrice a toda prova.

Alguns defendem que a responsabilidade pela desastrosa compra de uma refinaria sucateada deveria ser dividida entre todos os integrantes do Conselho de Administração da Petrobras, mas até mesmo esses reconhecem que a principal responsável foi Dilma, que comandava com mão-de-ferro o setor energético e não só sabia de tudo como também avalizava todas as ordens vindas do alto comando da Petrobras (leia-se José Sérgio Gabrieli) e do Palácio do Planalto (leia-se Luiz Inácio Lula da Silva).

Já a questão da GEMINI― nebulosa parceria entre a Petrobras e a White Martins para produzir e comercializar gás natural liquefeito (GNL) ― é ainda mais delicada, mas, por questão de espaço, vou deixar para abordá-la na próxima postagem (ou numa próxima postagem, melhor dizendo).

Em tempo: Acompanhar o verdadeiro caleidoscópio que que se transformou o cenário político nacional está ficando mais difícil a cada dia. Ontem mesmo pela manhã eu criei um texto sobre Jucá, mas outros compromissos me impediram de publicá-lo longo em seguida. No final da tarde, todavia, depois da repercussão das gravações envolvendo o indigitado, a postagem perdeu todo o sentido ― e eu perdi todo o trabalho que tive com sua elaboração. Coisas do Brasil.