sexta-feira, 29 de julho de 2016

A APOSENTADORIA COMPULSÓRIA DAS LÂMPADAS INCANDESCENTES

IDADE NÃO É SINÔNIMO DE SABEDORIA; MUITOS VELHOS NÃO PASSAM DE OBTUSOS LONGEVOS.

Há pouco mais de um mês, a venda de lâmpadas incandescentes foi proibida (as de 60 W ou inferiores, pois as demais já haviam sumido das prateleiras há tempos), e os estabelecimentos que não se adequarem às novas regras, sujeitos a multas que podem chegar a R$1,5 milhão!

Observação: Uma lâmpada fluorescente gasta 75% menos energia do que uma lâmpada incandescente de luminosidade equivalente economia que chega a 85% com uma lâmpada de LED. A troca das lâmpadas incandescentes começou em 2012, com a proibição da venda de modelos com mais de 150 W; no ano seguinte, foi a vez das de potência entre 60 W e 100 W, e em 2014, das lâmpadas de 40 W a 60 W. Neste ano, a proibição se estende também à produção e importação de lâmpadas incandescentes de 25 W a 40 W, cuja fiscalização passará a ocorrer a partir 2017.

A restrição foi estabelecida pela Portaria Intermunicipal 1.007/2010, com vistas a minimizar desperdícios de energia elétrica, mas é mais uma ingerência de um governo incompetente na vida dos incompetentes que elegeram seus representantes.

Como bem lembrou Rodrigo Constantino, o Estado trata o cidadão como se fosse um idiota, alguém totalmente dependente dessa “preciosa entidade clarividente, onisciente e onipresente” para saber o que é bom e o que não é para si mesmo. Nos EUA, segundo o jornalista, veem-se motoqueiros sem capacete ― o que é “um absurdo” na opinião dos paternalistas, embora menos perigoso do que pelo Rio, haja vista os índices de violência na Cidade Maravilhosa, e nem por isso as pessoas foram proibidas de andar por lá. 

Mas explicar algo tão banal para os paternalistas tupiniquins é um desafio e tanto (e para alguns americanos também, pois infelizmente a coisa vem piorando por lá, como David Harsanyi mostra em seu livro O Estado Babá). No Brasil, as pessoas acham que cabe ao estado regular tudo, do sal no restaurante até a maneira como o pão francês deve ser vendido. E pobre daquele desalmado perdulário sem consciência ecológica que quiser pagar mais para ter uma lâmpada que considere melhor ou mais bonita. Não pode! Pecador dos infernos! Estúpido! Toma aqui essa multa milionária que é para aprender a valorizar mais os discursos ecoterroristas do Al Gore e da Marina Silva!

Não bastasse o governo brasileiro criar aquela tomada ridícula de três pinos ― que, como a jabuticaba, só existe no Brasil ―, ainda se arroga o direito de decidir qual a lâmpada que cada um pode ter em casa ou no trabalho. É um povo bovino mesmo, que olha para o estado como um papai autorizado a cuidar de todos nós. O brasileiro médio jamais vai entender o pensamento básico de Ronald Reagan: “O governo existe para nos proteger contra terceiros; ele vai além de suas funções quando tenta nos proteger de nós mesmos”.

Mas não fique triste, leitor. As coisas sempre poderiam ser piores. O governo poderia impor luz de velas para poupar ainda mais energia. Ou, se o PT continuasse no poder, poderíamos chegar à situação venezuelana, e nem ter mais como acender a luz, seja incandescente, seja aquela dos ecochatos…

E como hoje é sexta-feira:

Um menino foi roubar jabuticaba no quintal do vizinho. Vendo a criança em cima do pé, o dono da casa falou:
– Moleque, desce daí ou vou contar para o seu pai!!!
E o menino respondeu:
– Aproveite que ele está alí no outro pé!!!


Bom final de semana a todos.

2 comentários:

Martha disse...

Oi Fernando
Excelente post!!!
Para complementar: a visão de Montesquieu....
Uma lei prescritiva (positiva) é imposta pelo Estado. Esta lei é diferente da lei moral, por que é mais forte. Montesquieu monta uma TIPOLOGIA DE GOVERNO, apoiado em uma análise das causas – uma análise de causas sociais. Na história de todos os governos, Montesquieu dividia-os em:

República

Monarquia

Despotismo

E sempre haveria um sentimento (um sentimento humano, já que o governo é feito por homens, sendo o Estado um ser juridicamente construído) correspondente ao tipo de governo; no caso da República seria a VIRTUDE; na Monarquia a HONRA e no Despotismo o MEDO. Montesquieu desenvolve a separação dos poderes, criada pelos estóicos e estudada por Aristóteles. O poder deve limitar o poder, para efetivar a LIBERDADE. Essa é a condição para o respeito às leis e para a segurança dos cidadãos: nenhum poder pode ser ilimitado.
Bjs e obrigada sempre!!!!!

Fernando Melis disse...

Oi, Martha.
Excelente lição, doutora.
Obrigado por mais essa participação. Hoje (sábado) e amanhã, mais sobre o cenário político; na segunda-feira, voltaremos ao nosso tema habitual, e nele permaneceremos até o próximo final de semana.
Beijos e até mais ler.