domingo, 17 de julho de 2016

CURTAS, MAS LAPIDARES...

Jamais desviei um único centavo do patrimônio público para meu enriquecimento pessoal ou de terceiros”. (Dilma, o egun mal despachado do Alvorada, na carta que alguém escreveu e José Eduardo Cardozo leu na Comissão de Impeachment do Senado, jurando que nunca fez o que fizeram 99% dos “cumpanhêros” ao seu redor);
Eu não sou propriamente uma pessoa cujos aspectos positivos são realçados”. (Idem, na entrevista à Agência Pública, ensinando que essa mania nacional de só enxergar aspectos negativos visíveis impede que o brasileiro aprenda a valorizar aspectos positivos que ela não tem);
O discurso dele cai como uma luva para demonstrar que esse processo foi, o tempo todo, movido por desvio de poder e vingança”. (José Eduardo Cardozo, ex-advogado-geral da União rebaixado a bacharel particular de Dilma, sobre a renúncia de Cunha, confirmando que é o aluno mais esforçado do Curso Intensivo de Besteirol da Professora Marilena Chauí);
Não poderia servir o local […] como um verdadeiro bunker imune a ações de busca autorizadas pelo juiz natural. […] Sendo a diligência alusiva tão somente a Paulo Bernardo, é totalmente descabido invocar a imunidade parlamentar ou prerrogativas das Casas Parlamentares” (Rodrigo Janot, em parecer encaminhado ao STF rebatendo os argumentos da Mesa Diretora do Senado, que havia questionado a busca e apreensão no apartamento funcional em que moram o ex-ministro Paulo Bernardo e a senadora Gleisi Hoffmann, do PT do Paraná).
O Brasil não é do PT, não é do Lula nem da camarilha que roubou o dinheiro do povo. O país é nosso”. (Hélio Bicudo, jurista, co-fundador do PT e um dos autores do pedido de impeachment contra a presidanta afastada).
A Polícia do DF finalmente indiciou o presidente da CUTVagner Freitas, por incitação ao crime. Em 2015, essa criatura convocou a militância a “pegar em armas” para defender mandato de Dilma. Mil vezes mais grave que sarcasmo de Bolsonaro.
Ficava esdrúxulo que a senhora presidente usasse o aparato governamental para fazer campanha contra o governo”. (Michel Temer, em entrevista à VEJA, sobre o uso de aviões da FAB pela afastada para participar de um movimento chamado algo como “mulheres guerrilheiras contra o governo e contra o golpe”).
Tiroteio intenso na noite de quarta no município de Duque de Caxias ― no Rio de Janeiro… “pacificado”, claro. Denivaldo Silva, 41, foi executado na frente de mulher e filho no estacionamento do Caxias Shopping. Vídeo da execução mostra os dois assassinos vestidos com camisas da polícia.
JandiraMolon e Freixo, que tratam bandidos como vítimas da sociedade, são os candidatos ideais para agravar insegurança do Rio de Janeiro.
Não tão curta, mas igualmente lapidar:
Quem aplaude a Lava Jato não pode bater palmas para Cunha. Gente decente não tem bandido de estimação” ― Título de um artigo do jornalista Augusto Nunes, que eu reproduzo a seguir:
Os democratas antipetistas que choram a iminente morte política de Eduardo Cunha precisam se livrar imediatamente desse surto de esquizofrenia ética. Brasileiros decentes não têm bandidos de estimação, reitera esta coluna há mais de sete anos. Inimigos da corrupção não podem ser indulgentes com um oficial condecorado do maior esquema corrupto de todos os tempos. Quem aplaude a Lava-Jato não pode bater palmas para um dos mais atrevidos bucaneiros do Petrolão. Como todos os beneficiários da ladroagem institucionalizada pela era da canalhice, Cunha deve ser punido pelos crimes que praticou quando era um bom companheiro de Lula e Dilma.
Quem luta pela dedetização do Congresso não pode ser clemente com um oportunista compulsivo que demorou um ano para enxergar razões jurídicas que justificassem o afastamento de Dilma. Na presidência da Câmara, Cunha recusou vários pleitos semelhantes até aceitar o pedido de impeachment subscrito por Hélio Bicudo e Janaína Paschoal. Só mudou de ideia quando constatou que lhe seria útil na batalha pela preservação do próprio mandato ─ e do direito de ir e vir ─ endossar abertamente a demissão da governante desgovernada, uma urgência nacional reclamada pela ampla maioria dos brasileiros e exigida nas ruas por milhões de manifestantes.
O Congresso sempre acaba querendo o que o povo quer. Da mesma forma que será chancelado no Senado com ou sem o apoio de Renan Calheiros, o impeachment acabaria obtendo o aval da Câmara fosse quem fosse o presidente. Mas é verdade que, pela primeira vez, os devotos de Lula toparam com um oponente que, a exemplo do chefão da seita, é capaz de tudo (até fazer a coisa certa) para ganhar qualquer disputa em que se mete. “É por isso que digo que Cunha é o meu bandido predileto”, disse o ex-deputado Roberto Jefferson na entrevista concedida ao Roda Viva, em 11 de abril, às vésperas da votação do impeachment. “Ele é um desafeto à altura do presidente Lula e desse grupo de poder do PT, que pratica qualquer crime: crime fiscal, de obstrução da Justiça, de tentativa de suborno de testemunhaO Eduardo é um pistoleiro que saca como o Lula. Saca rápido, atira pelas costas, atira de tocaia, atira com dossiê, trapaceia no jogo de pôquer, faz igualzinho. E se bobear, como a turma do PT faz, assalta o banco da cidade” (mais detalhes neste vídeo ). Para Jefferson, o ex-presidente da Câmara era o homem certo no cargo certo na hora certa ─ e sem substitutos visíveis. “O Fernando Henrique, por exemplo, é pessoa de outro nível, não saberia jogar. É briga de foice no escuro. Vale tudo, puxão de cabelo, dedo no olho. O Eduardo sabe jogar esse jogo, e joga muito bem”.
O jogador sem escrúpulos nem limites venceria de novo, previu Jefferson. Mas pela última vez. “Ele vai ser afastado pelo Supremo Tribunal Federal, não tenho dúvida. E a missão dele na Câmara estará exaurida no instante em que o painel der o resultado do impeachment. Todos os partidos que têm compromisso com ele vão dizer: ‘Amigo, viemos até aqui, à beira da sua sepultura, mas nós não podemos pular dentro com você. Agora é o seu caminho”. A renúncia ao comando da Câmara confirmou que o caminho vai chegando ao fim.
Desmatada pela Lava-Jato, essa estrada percorrida pelo ex-chefão da Câmara leva a um Brasil sem vagas, sem paciência e sem estômago para LulasDilmasCunhas e outras obscenidades. Este é um país ainda nos trabalhos de parto. Mas já parece bem mais agradável que o que vai morrendo neste ano de 2016.
(“Pérolas” extraídas da coluna de Augusto Nunes e do blog de Felipe Moura Brasil).

2 comentários:

Martha disse...

Oi Fernando
Memorável esse post!!!!
É isso mesmo...não se pode compactuar com ninguém que esteja fazendo mal ao Brasil...inegável a importância dele no processo de impeachment mas acabou aí e ponto.
Vamos continuar tentando fazer a maior limpeza ética que pudermos....
E isso começa com nossa própria conduta no dia a dia....
Como bem diz meu pai: os políticos somos nós!!!!
Bjs e obrigada sempre!!!!!

Fernando Melis disse...

Oi, Martha.
Concordo com você e com o senhor seu pai. Às vezes, passa-me pela cabeça que a pergunta certa sobre os políticos é "como eles foram parar lá", ou por outra, "quem os colocou lá" (através do voto).
Mas mais vale acender uma vela que amaldiçoar a escuridão. Acho que estamos no caminho certo. Tateando no escuro, naturalmente, mas no caminho certo.
Beijo grande, obrigado por mais essa, e até a próxima.