domingo, 3 de julho de 2016

ELEIÇÕES MUNICIPAIS ― REVISITANDO O LAMENTÁVEL CENÁRIO PAULISTANO  

Há cerca de um mês, eu comentei aqui quão deplorável vem sendo a administração petista à frente da prefeitura de São Paulo e teci algumas considerações sobre o lamentável cenário sucessório, onde se vê uma renca de desqualificados disputando o gabinete mais importante do Edifício Matarazzo (também conhecido como Palácio do Anhangabaú). Mas achei por bem voltar agora ao assunto à luz de uma mais recente pesquisa do IBOPE INTELIGÊNCIA, segundo a qual Celso Russomano mantém franca liderança na disputa, com 26% das intenções de voto.

A despeito do repudio dos paulistanos por sua lamentável gestão, de ser alvo de questionamentos por parte do TCM e do Ministério Público, de figurar como investigado na Lava-Jato, de ter sido “eleito” o pior entre os prefeitos das oito maiores capitais brasileiras e de sua gestão ser considerada tão ruim quanto as de Celso Pitta, Luiza Erundina e Gilberto Kassab (mais detalhes aqui, aqui, aqui, e aqui), Fernando Haddad  é candidato à reeleição e conta com 7% das intenções de voto, o que o posiciona em 4º lugar. Mas na lista dos rejeitados, o “prefeito maravilha” ganha disparado: metade dos pesquisados declarou que não cravaria seu nome nas urnas.

Martha Suplicinho ― que deixou o PT para se filiar ao PMDB, não conseguiu se livrar da pecha de petista e ainda passou a ser considerada “traidora” pela ignara militância vermelha ― ficou em 2º lugar, tanto intenções de voto (10%) quanto na rejeição. Logo atrás trotam a macróbia Luiza Erundina ― que Deus nos livre e guarde ― e João Doria, “cria” do governador tucano Geraldo Alckmin. Os demais concorrentes (Andrea Matarazzo, Marco Feliciano, Delegado Olim, Major Olímpio, Roberto Trípoli, Laércio Benco e Levy Fidelix) não obtiveram resultados expressivos, e nada indica que esse quadro vá mudar significativamente nos próximos três meses.

Russomano ganhou destaque na mídia graças ao quadro PATRULHA DO CONSUMIDOR, exibido pela TV Record, onde aparece como defensor ferrenho dos direitos do povo e blá, blá, blá. Muita gente torce o nariz para esse tipo de programa, mas é inegável que a exposição beneficiou o deputado no pleito de 2014 ― quando ele foi eleito com mais de 1,5 milhão de votos ― e o ajuda a manter a dianteira na disputa pela prefeitura de Sampa. Mas nem tudo são flores.

De acordo com a delação de Pedro Correa no âmbito da Lava-Jato, Russomano teria se beneficiado do mensalão (é acusado de ter recebido regularmente remessas de dinheiro entre 2003 e 2011), e corre o risco de ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa e ter sua candidatura inviabilizada por uma condenação por peculato. De acordo com a sentença, os salários de uma funcionária da produtora do deputado foram bancados pela câmara no período de 1997 a 2001; a decisão foi objeto de recurso, mas o STF ainda não se pronunciou.

ObservaçãoRodrigo Janot quer condenar Russomanno por ter empregado em sua produtora, entre 1997 e 2001, uma funcionária cujo salário era pago pela Câmara. Tudo bem. Mas o que dizer de Fernando Haddad, que recebeu 30 milhões de reais em propinas, de acordo com depoimentos dados por delatores ao próprio Janot? Se o primeiro tem de ser punido, o segundo tem de ser preso!

E viva o povo paulistano. 
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