sábado, 16 de julho de 2016

PODER JUDICIÁRIO ― CONFIAR DESCONFIANDO

Dias atrás, o presidente do STF, Ricardo Lewandowskienviou ofício ao juiz Moro pedindo informações sobre atos que permitiram e divulgaram gravações de conversas de Lula com diversos políticos, dirigentes partidários e sindicais nas investigações da Operação Lava-Jato
O pedido decorre de uma ação protocolada por advogados do petista, que, apontando “usurpação de competência” ― pelo fato de algumas pessoas envolvidas gozarem do direito a foro privilegiado, como era o caso do ex-ministro Jaques Wagner ―, postulam a anulação da validade, como prova, das gravações. Em outras palavras, a intenção do capo di tutti i capi é, se não puder mesmo evitar ser investigado e julgado, pelo menos que o seja na esfera do STF ― embora, vale lembrar, ele não tenha direito a foro privilegiado.
ObservaçãoOs grampos não foram utilizados na instrução dos processos na Lava-Jato. A intenção do juiz Moro era mostrar à nação como Lula e Dilma agiam nos bastidores. O petralha até pode conseguir que as gravações sejam barradas, mas isso não o livrará das garras do que ele batizou de “República de Curitiba”. Daí se vê que, em termos de estratégia, Moro dá de lavada no presidente do STF. 
Relembrando: Lewandowski, amigo pessoal da “Famiglia Lula”, adotou postura de advogado de defesa durante o julgamento do mensalão, e desde então sua presença no STF é uma mancha à imagem de independência da instituição. Como reação espontânea, a sociedade resolveu criar bonecos do ministro, como já havia feito com o Pixuleco de Lula e com os bonecos de Dilma e Cunha. Mas mexer com o todo-poderoso ministro, isso não pode! Aí a liberdade de expressão vai para as cucuias. Prova disso é o STF ter determinado à PF que investigue e responsabilize os manifestantes que inflaram bonecos de Lewandowski e Rodrigo Janot, durante ato na Avenida Paulista, em 19 de junho passado. O ofício é assinado pelo secretário de segurança do Supremo, Murilo Maia ― subordinado a Lewandowski ― e endereçado ao diretor-geral da PF, Leandro Daiello.
No documento, Maia pede, “em caráter de urgência”, medidas para que os responsáveis por inflarem os bonecos sejam “chamados à responsabilidade” e que a PF empenhe “todos os esforços” para interromper “nefasta campanha difamatória contra o Chefe do Poder Judiciário, de maneira a que esses constrangimentos não mais se repitam”.
Até quando Lewandowski vai permanecer no STF? Ele jamais deveria estar lá, pois, assim como Dias Toffoli, ele é próximo demais da turma petista. No mínimo, ambos deveriam ter se dado por impedidos para julgar o PT nos casos do mensalão e petrolão. Mas não o fizeram. E continuam dando sinais de partidarismo e também autoritarismo, como no caso dos bonecos. É um STF maculado, o que nunca é bom para o país.
(Clique aqui para ler o artigo original no blog de Rodrigo Constantino).
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