quarta-feira, 7 de setembro de 2016

OPERAÇÃO GREENFIELD, LÉO PINHEIRO E A JARARACA PETRALHA



A Semana da Pátria começou mal para Leo Pinheiro. O ex-chefão da OAS tornou a ser preso nesta segunda-feira, depois de ser levado coercitivamente a depor na Operação Greenfield, que apura crimes contra fundos de pensão de estatais.

A prisão preventiva foi decretada pelo juiz federal Sérgio Moro, sob o argumento de que é difícil controlar iniciativas do empresário para obstrução das investigações com ele cumprindo pena em regime de prisão domiciliar. Moro lembrou ainda em despacho que ele já havia sido condenado por ter pago pelo menos R$ 29,2 milhões em propinas em contratos da Petrobras e é acusado em outras três ações em andamento, além de ser investigado em inquérito que apura suposto pagamento de vantagens indevidas ao ex-presidente Lula ― caso que envolve a reforma do famoso tríplex no Guarujá, cuja propriedade o petralha nega de pés juntos.

Pinheiro, que havia sido preso na 7ª Fase da Lava-Jato, em novembro de 2014, e colocado em prisão domiciliar pelo STF em abril do ano passado, vinha negociando um acordo de delação premiada que não só feria mortalmente o ex-presidente Lula, mas também associava a OAS a uma reforma milionária na mansão cinematográfica do ministro Dias Toffoli. Depois que Veja publicou detalhes sobre esse acordo, as tratativas foram suspensas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot (confira nesta postagem).

Na recém-deflagrada Operação Greenfield ― nome que, no jargão do mercado financeiro, designa investimentos em projetos de empresas que ainda não se realizaram ―, foram expedidos 127 mandados de busca e apreensão, condução coercitiva e bloqueio de R$ 8 bilhões em bens de 103 pessoas físicas e jurídicas em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Amazonas e no Distrito Federal, dentre as quais, além de Leo Pinheiro, destacam-se os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da holding que comanda a JBS e a Friboi, o ex-tesoureiro petralha João Vaccari Neto ― que cumpre pena em Curitiba ― e Walter Torre Junior, fundador e CEO da Construtora WTorre.

Falando na jararaca petralha, um artigo publicado no site do Valor Econômico informa que a ofensiva contra a petista na Lava-Jato será dividida em pelo menos três denúncias. A primeira, que será oferecida ainda este mês, deverá apontar delitos como corrupção e lavagem de dinheiro e abordar a questão do tríplex no Guarujá e o armazenamento do butim que Lula trouxe de Brasília no final de seu segundo mandato, que teriam sido bancadas pela OAS. Além do ex-presidente e da ex-primeira dama, serão denunciados Leo Pinheiro (olha ele aí de novo), Paulo Gordilho ― executivo da OAS ― e Paulo Okamotto ― presidente do Instituto Lula. As outras duas denúncias têm a ver com a reforma do sítio Santa Bárbara e o uso da Lils Palestras, Eventos e Publicações pelo petista para recebimento de pagamentos feitos por sete empresas envolvidas no Petrolão, e devem ser oferecidas até o final do ano.

O fatiamento da acusação é uma estratégia processual recorrente na Lava-Jato e visa evitar que o processamento penal seja demorado. Demais disso, se as tratativas de delação premiada forem retomadas e o empreiteiro realmente se tornar delator, as informações e provas eventualmente indicadas por ele poderão ser juntadas a uma acusação futura a ser promovida contra a “alma viva mais honesta do Brasil” ― que, nunca é demais lembrar, já reponde a processo na 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília por integrar uma suposta trama para obstruir a Lava-Jato, mediante tentativa de compra do silêncio do ex-diretor de Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró.

E “o cara” ainda faz pose de pré-candidato à presidência nas eleições de 2108.


ATUALIZAÇÃO: Um dia depois de ser preso, o ex-presidente da OAS mudou de estratégia e pediu ao juiz Sérgio Moro para prestar novo depoimento na ação que investiga pagamento de propinas ao ex-senador Gim Argello, visando barrar a CPMI da Petrobras e impedir que fossem convocados executivos de empresas fornecedoras da estatal. Para mais detalhes, siga o link http://link.blog.br/comentarios/leo-pinheiro-decide-finalmente-falar-com-moro-106830

2 comentários:

Martha disse...

Oi Fernando
Eu fico receosa vendo tudo isso...
Tem tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo e muita gente apoiando o PT e seus líderes, que fica difícil.
Pra vc ter uma ideia, só nessa semana, no hospital, dois pacientes se manifestaram a favor do impeachment do Temer, com pena da Dilma e ao mesmo tempo, me falando que o Lula nos surpreendeu....quase tive um tiricotico....socorro!!!
Fica difícil evoluir com tanta gente crédula...
Muito trabalho de conscientização em relação ao nosso povo....
Oremos!!!
Bjs e obrigada sempre!!!

Fernando Melis disse...

Oi, Martha.
Também eu estou preocupado com o resultado desse imbróglio monumental. No entanto, ouvindo opiniões assim ou assado, acho que realmente a coisa vai ficar como está. Até porque já houve "circo" demais e remexer na merda, agora, seria desacreditar ainda mais o Brasil aos olhos do mundo.
Segue excerto de uma postagem que eu devo publicar amanhã, lá na minha comunidade de política:
Para o advogado-geral da União, Fábio Medina Osório, o fatiamento da votação do impeachment de Dilma é irreversível e não deve ser revisto pelo STF. Em entrevista à Folha, ele disse que a solução do Senado de cassar o mandato da petista e manter seu direito de exercer funções públicas é uma “questão de mérito” e, portanto, uma página virada, que não pode ser apreciada pela Corte. Do seu ponto de vista, o Senado era quem tinha a palavra final sobre esse julgamento quanto ao mérito, e o mérito envolvia também essa questão do fatiamento, e por isso não deve mais ser revisto.
“Se olharmos a jurisprudência do STF quanto à revisão do mérito dos julgamentos, eu diria que o Supremo não deve rever. Entendo que o fatiamento remete ao mérito do julgamento, já que foi debatido com senadores e pactuado dentro do Senado. Se violou ou não a Constituição, é uma matéria interna corporis, e a tendência é não modificar. Não se pode aceitar qualquer resquício de discurso de que tenha havido golpe, porque o impeachment transcorreu dentro do Estado Democrático de Direito. A oposição amadurecerá e criará outro tipo de discurso para o enfrentamento político”, arrematou o AGU.