terça-feira, 18 de outubro de 2016

SISTEMAS OPERACIONAIS ― Final (aleluia!!!)

O MUNDO NÃO ESTÁ AMEAÇADO PELAS PESSOAS MÁS, E SIM POR AQUELAS QUE PERMITEM A MALDADE.

Para finalizar esta novela, vale recapitular o que vimos sobre o processador com o auxílio de duas analogias que eu usei largamente nos meus primeiros escritos sobre TI, há quase 20 anos (muita água rolou por baixo desde então, é verdade, mas elas ainda cumprem sua função didática com maestria). 

A primeira compara o PC a uma orquestra, na qual o processador faz o papel de maestro, e salienta que uma boa apresentação não depende só de um regente competente, mas também de músicos qualificados, afinados e integrados entre si. Bons músicos podem até suprir ― ou disfarçar ― as limitações de um maestro chinfrim, mas não o inverso ― por mais que o maestro se descabele, a incompetência da equipe comprometerá inexoravelmente o concerto. Resguardadas as devidas proporções, o mesmo se dá em relação ao PC, que depende de uma configuração equilibrada, com componentes adequados e bem dimensionados. Por exemplo, uma CPU de primeiríssima é subutilizada quando o subsistema de memórias é lento ― ou subdimensionado, situação em que a CPU passa a depender da memória virtual, que é baseada no HD (é como o disco rígido é milhares e milhares de vezes mais lento do que a RAM, a conclusão é óbvia).

Moral da história: mais vale um sistema equilibrado com uma CPU mediana do que um maestro de altíssimo gabarito regendo uma orquestra composta por elementos desafinados e mal-ajambrados.
A segunda analogia visa facilitar o entendimento da dinâmica entre o processador, as memórias e o disco rígido. Vamos a ela: Imagine o PC como um escritório, e a CPU como um funcionário extremamente diligente, mas sem iniciativa própria. Durante o expediente, esse hipotético funcionário atende a telefonemas, recebe e transmite informações e instruções, elabora cartas e relatórios, responde e-mails, e por aí afora ― tudo quase ao mesmo tempo. No entanto, se algum elemento indispensável ao trabalho não está sobre a mesa, nosso pobre e assoberbado colaborador perde um bocado de tempo escarafunchando gavetas abarrotadas e estantes desarrumadas (quem mandou você não desfragmentar seu disco rígido?). E a situação fica ainda pior quando ele tem de abrir espaço na mesa (já atulhada) para acomodar outros livros e pastas, sem mencionar que, depois, precisa arrumar tudo de novo antes de retornar à tarefa interrompida (aos desatentos, vale frisar que a escrivaninha corresponde à memória cache; as gavetas à RAM; as estantes ao HD e a "abertura de espaço" à memória virtual).

Antes de encerrar, cabem mais algumas considerações:

No caso dos computadores pessoais, que é o que mais nos interessa, o SO fica gravado na memória de massa do sistema computacional (HD ou SSD) e dali é carregado para a RAM quando o PC é ligado, depois que o BIOS realiza o boot e outras tarefas de inicialização. Claro que ele não é carregado inteiro — ou não haveria espaço que chegasse —, mas dividido em páginas (pedaços do mesmo tamanho) ou segmentos (pedaços de tamanhos diferentes), que são transferidos para a memória e devolvidos para o disco, conforme as necessidades.

Na pré-história da computação pessoal, as máquinas não tinham sistema operacional, devendo ser programadas pelo usuário para executar as tarefas ― coisa que exigia conhecimentos avançados e, consequentemente, desestimulava o uso de computadores por quem não fosse “do ramo”. Mas o DOS facilitou enormemente esse trabalho, embora ainda fosse um sistema primário e difícil de operar (se comparado com as versões mais recentes do Windows e outros sistemas concorrentes, como o Linux e o Mac OS). Ainda assim, sua interface baseada em linha de comando exigia a memorização de um vasto leque de combinações de letras, símbolos, números e acrônimos que obedeciam a uma sintaxe pré-definida, e bastava um erro de digitação para a instrução não ser acatada e o sistema exibir uma mensagem de erro ou de comando inválido. Um tormento!

Atualmente, os sistemas operacionais (e muitos aplicativos, por que não dizer) são obras de engenharia computacional compostas por milhões de linhas de código ― o Seven, têm 40 milhões de linhas; o Office 2013, cerca de 50 milhões; e o Mac OS X “Tiger”, quase 90 milhões ―, o que aumentou barbaramente o consumo de recursos de hardware (sobretudo no que concerne a poder de processamento e espaço nas memórias física e de massa), mas a evolução tecnológica fez a sua parte: enquanto os PCs do final dos anos 90 contavam com 4 ou 8 MB de memória e algumas dezenas de MB de espaço no HD (isso mesmo, MEGABYTES), qualquer máquina atual, mesmo de entrada de linha, já conta com 2, 3 ou mais GIGABYTES de RAM e 500GB a 1TB de espaço em disco.

Observação: A título de curiosidade, o Windows, em suas primeiras edições, era disponibilizado em disquetes de 1.44 MB (13 disquinhos no Win95, se não me falha a memória). Com a popularização das leitoras de mídia óptica, todavia, tanto ele quanto os aplicativos comerciais passaram a ser fornecidos em CDs e, mais adiante, em DVDs. Afinal, seriam necessários cerca de 2.100 disquetes para abrigar os arquivos de instalação do Windows 7 ― imagine a trabalheira e o tempo necessário à instalação do sistema a partir deles disquinhos ―, e bastaria um disquinho embolorar ou desmagnetizar para comprometer todo o conjunto.

Para encerrar, resta dizer que os sistemas operacionais modernos devem muito a dois pioneiros: Unix ― “pai” das distribuições Linux e primeiro sistema multitarefa, multiusuário e direcionado à computação em rede ―, que foi criado por Ken Thompson para uso pessoal e aprimorado posteriormente nos laboratórios da BELL e da AT&T, nos anos 1970; e o XEROX PARK, responsável por diversas evoluções tecnológicas de grande impacto na indústria da computação, dentre as quais a interface gráfica e o uso do mouse (mesmo assim, os computadores da Xerox fossem um retumbante fracasso comercial, sobretudo pelo preço elevado e por não usarem processadores padrão).

LULA E SUA CAPIVARA

A “capivara” (jargão policial para folha corrida) de Lula não para de crescer. Além de réu por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e tentativa de obstrução da Justiça, o petralha foi denunciado também por participação em organização criminosa. Uma ficha e tanto.
Na denúncia apresentada na semana passada, o dito-cujo carcará é acusado pelo MPF de ter cometido crime de lavagem de dinheiro nada menos que 44 vezes, conforme relatou O Globo.

As falcatruas remetem a operações de empréstimos do BNDES para financiar obras da Odebrecht no exterior, notadamente em Angola, com contratos fraudulentos que, segundo O Estado, podem chegar a R$ 30 milhões, dos quais R$ 4 milhões podem ter ido parar no bolso da “alma viva mais honesta do Brasil”.

As denúncias foram divididas em dois blocos: uma parte apura ilícitos cometidos quando o lalau já havia deixado a Presidência da República ― época em que teria praticado crime de tráfico de influência ―, e a outra quando ele ainda ocupava o cargo ― crime de corrupção passiva. A nova denúncia carrega os mesmos traços das investigações anteriores, além de envolver parentes de Lula no recebimento de benefícios ilícitos e uso de estruturas do Estado, em especial as polpudas linhas de financiamento do BNDES, para encher os bolsos do petralha e de sua família.

Desta vez, o artífice das maracutaias é o “sobrinho torto” Taiguara Rodrigues dos Santos, e até plano de saúde de um irmão de Lula pode ter entrado na conta da propina. As novas irregularidades ora investigadas pelo MP vão tão longe que o BNDES decidiu alterar seus procedimentos referentes a financiamentos no exterior, suspendendo repasses de US$ 4,7 bilhões relacionados a contratos de empreiteiras em nove países, como Cuba, Venezuela e Angola. Na lista do Banco, estão 25 operações que podem ter funcionado como sorvedouro de dinheiro público nos governos do PT. O valor envolvido representa quase metade da carteira de exportação de serviços da instituição ― segundo o TCU, das operações feitas nos últimos dez anos, 82% foram direcionadas à Odebrecht.

Foi nesta montanha de dinheiro que Lula nadou de braçada e agora corre o risco de se afogar, sufocado por sua prodigiosa “capivara”.

Era isso, pessoal. Agradeço a paciência e espero que tenham gostado.

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2 comentários:

Martha disse...

Oi Fernando
Excelente finalização da matéria!!!!
Melhor, impossível.....
As analogias são ótimas....
Oremos pela alma viva mais honesta do Brasil!!!!
Bjs e obrigada sempre!!!!

Fernando Melis disse...

Oi, Martha.
Valeu doutora.
Quanto à alma viva em questão, que apodreça no inferno.
Beijos.