quarta-feira, 9 de novembro de 2016

DE OLHO NO RANSOMWARE

AQUELE QUE SE EMPENHA EM RESOLVER AS DIFICULDADES RESOLVE-AS ANTES QUE ELAS SURJAM. AQUELE QUE SE ULTRAPASSA A VENCER OS INIMIGOS TRIUNFA ANTES QUE AS SUAS AMEAÇAS SE CONCRETIZEM.

O termo RANSOMWARE (ransom = resgate) designa uma modalidade de ataque digital que criptografa arquivos e pastas (ou o HD inteiro) da vítima e estipula um resgate (a ser pago em bitcoins) para liberar o acesso.

Segundo Marcus Almeida, gerente de Inside Sales & SMB da Intel Security, essa técnica, conhecida desde os anos 1990, aumentou 169% em 2015 ― com quase 6 milhões de casos identificados mundo afora ― por conta da impossibilidade de rastrear as moedas virtuais e do expressivo aumento da oferta de pacotes de “Ransomware as a Service” na deep web (submundo da internet).

Os ataques ― que podem ser direcionados tanto a consumidores quanto a empresas de todos os portes ―, se subdividem em seis etapas. Na primeira (distribuição), os cibercriminosos se valem do phishing scam (variação mal-intencionada do spam) para disseminar o binário malicioso através de links fraudulentos, anexos de email ou downloads feitos a partir de sites comprometidos, e a despeito da profusão de informações alertando contra o phishing, um em cada quatro destinatários abre as mensagens e, desses, um em cada 10 segue o link ou acessa o anexo suspeito.

O segundo passo é a infecção. O binário chega ao computador do usuário e realiza procedimentos não raro sofisticados para levar adiante seus propósitos maliciosos. Apenas pra que se tenha uma ideia, o CryptoWall 3 gera um identificador de computador exclusivo, certifica um “reboot de sobrevivência” mediante a instalação de um programinha que é executado durante a reinicialização, desativa cópias e sistemas de reparação e recuperação de erro do Windows, neutraliza programas de defesa, invade o explorer.exe e o svchost.exe e recupera o endereço IP externo.

O terceiro passo é a comunicação, quando a praga se comunica com os servidores de chave de criptografia para obter a chave pública necessária à encriptação dos dados; o quarto é a pesquisa de arquivos ― quando o ransomware busca arquivos importantes e que não possam ser facilmente replicados, como os de extensões .jpg, .docx, .xlsx, .pptx, e .pdf; o quinto é a criptografia, quando o malware move e renomeia os arquivos e os torna inacessíveis; e o último é o pedido de resgate, que geralmente se dá mediante a exibição de um aviso, na tela da máquina infectada, exigindo “x” bitcoins em troca da chave que “destranca” os arquivos sequestrados.

Note que saber como funciona um ataque de ransomware é essencial para criar estratégias capazes de barrar a ação da praga antes que ela consiga criptografar seus dados. Amanhã eu conto o resto. Até lá.

Para surpresa geral ― e desgosto de muitos, e não só nos EUA ―, a democrata Hillary Clinton acabou derrotada pelo republicano Donald Trump, numa eleição que visava escolher o candidato “menos pior” (situação, aliás, com a qual o eleitor tupiniquim está mais que acostumado). Só que Trump não era o menos pior: a mera possibilidade de sua vitória derrubou o mercado futuro em Dow Jones e bolsas na Ásia (na abertura do pregão pela manhã no continente) e derrubou a cotação do peso mexicano ao valor mais baixo de sua história. Mesmo que o porra-louca tenha abrandado seu discurso de campanha, dizendo agora que “é hora de nos unirmos como um povo só. Prometo que serei o presidente para todos os EUA. Vamos renovar o sonho americano. Nosso país tem um tremendo potencial. Nossos homens e mulheres não serão mais esquecidos”, é difícil prever que bicho vai dar. Volto ao assunto com mais vagar em outra oportunidade. Agora, meu pitaco político de hoje:

A LAVA-JATO, COMAROFF E OS CAMARADAS

Na última sexta-feira, 4, a FOLHA publicou uma entrevista com John Comaroff, antropólogo marxista de Harvard, que defende o afastamento de Sergio Moro dos processos contra Lula. Esse luminar sul-africano de sobrenome eslavo avalia que Lava-Jato viola a lei para criar “presunção de culpa” do ex-presidente, razão pela defende a substituição do juiz Sergio Moro para dirimir questionamentos sobre sua isenção nas ações que pesam contra o petista.

Eu estou tentando entender o caso. Meus colegas aqui em Harvard não conseguem compreender. Há fatos que perturbam a audiência internacional”, afirmou a sumidade. E concluiu: “O país possui um sistema legal robusto. Não há necessidade de se violar a lei”.

A reportagem qualifica o entrevistado como “especialista em lawfare, termo definido pelo uso da lei para fins políticos, que vem sendo consultado pelos advogados de Lula”. Na verdade, ele deixou bem clara sua postura de consultor da defesa ― e que, portanto, que tem lado. Em teoria, ele pode até ser remunerado por sua tentativa de criminalizar a Lava-Jato.

Isso é pressfare, termo definido pelo uso da imprensa para fins políticos. Mas pode esperar que o bando vermelho vai aplaudir. Viva a boçalidade.

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