quarta-feira, 30 de novembro de 2016

MULTAS MAIS CARAS A PARTIR DE NOVEMBRO ― ESPELHE SEU CELULAR COM A CENTRAL MULTIMÍDIA E EVITE PONTOS NA CARTEIRA E MORDIDAS NO BOLSO

A MAIORIA DAS PESSOAS IMAGINA QUE O IMPORTANTE, NO DIÁLOGO, É A PALAVRA. ENGANO: O IMPORTANTE É A PAUSA. É NA PAUSA QUE DUAS PESSOAS SE ENTENDEM E ENTRAM EM COMUNHÃO.

Pegando um gancho no post de ontem, lembro a meus caríssimos leitores que, a partir do último dia 1º, as multas de trânsito tiveram seus valores revistos e atualizados ― em meio à uma crise econômica que torna o momento bem pouco oportuno para o governo meter a mão mais fundo no bolso da população. Além do aumento, houve mudanças de categoria, como no caso da multa para quem usa o celular enquanto dirige ― infração que passou a ser considerada “gravíssima”, implicando em 7 pontos a mais na carteira de motorista e R$ 293,47 a menos no bolso.

De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito, a intenção dos reajustes não é aumentar a arrecadação (nossa!, será que alguém iria pensar isso?), mas até aí morreu Neves. O que importa mesmo é saber que a lei não proíbe falar ao celular através do sistema de espelhamento com a central multimídia do veículo. Nessa hipótese, você sabe quem está ligando pela tela multimídia e atende (ou derruba) a chamada pressionando um botão no volante, por exemplo. Se atender, ouvirá a voz do interlocutor pelo sistema de som do veículo, e sua voz será transmitida por um pequeno microfone, estrategicamente posicionado para esse fim.

Vale salientar que isso não se aplica ao viva voz do celular, já que aí é preciso manusear o aparelho para fazer ou atender as ligações ― no espelhamento, geralmente é possível fazer ligações por comando de voz, o que, em tese, dispensa o motorista de tirar as mãos do volante. Também é proibido usar fones de ouvido (seja para falar ao telefone, seja para ouvir música), já que a legislação que regulamenta o assunto é explícita nesse sentido.   

Enfim, se seu carro oferece a possibilidade de espelhamento, não deixe de habilitá-la. Já bastam as “infrações” registradas por radares fotográficos e lombadas eletrônicas (algumas delas quando se está a menos de “absurdos” 50 km/hora), instalados em pontos previamente selecionados com vistas a alimentar indústria da multa e penalizar os infelizes proprietários de veículos, que já pagam um absurdo de IPVA, taxa de licenciamento, seguro obrigatório e outros que tais.

RODRIGO CONSTANTINO X REINALDO AZEVEDO

Admiro ― ou será que admirava? ― o colunista Reinaldo Azevedo, ex-colega de VEJA. Estivemos juntos algumas vezes, todas em momentos de bate-papo agradável. Além disso, aprecio seu estilo de escrever, e costumava concordar com a maioria das coisas, tanto que vivia o citando em meu blog, sem me importar com a ausência de recíproca. Não sou muito vaidoso, e prefiro focar na causa e nos resultados.

Acompanhei sua estranha guinada à esquerda (ou para longe da Lava-Jato) com alguma curiosidade, sempre preservando o benefício da dúvida. Lia e relia seus textos com boa fé, tentando refletir sobre os argumentos. Cheguei a questionar se não haveria um bom ponto neles, se eu é que poderia estar equivocado.

Num dos textos que escrevi, disse que o seu apreço ao legalismo parecia excessivo, mas que eventualmente eu mesmo poderia migrar nessa direção caso a Lava-Jato assumisse ares de justiceira extralegal. Mas estamos longe disso, muito longe!

Por isso fui vendo o massacre de Reinaldo Azevedo nas redes sociais em silêncio, lamentando e cada vez encontrando menos razão para defendê-lo. Em sua coluna na Folha, esse limite do obsequioso silêncio foi ultrapassado. Em respeito aos meus leitores, preciso me posicionar, tenho de reagir.

Reinaldo simplesmente compara a atuação de Sergio Moro com a de Robespierre na Revolução Francesa, e ainda diz que Lula não fez um governo de esquerda. Como assim?! Era “populista” e “ladrão”, mas não de esquerda? Balela! Esse discurso falso só interessa à própria esquerda, mais especificamente aos tucanos da velha guarda que pretendem substituir o PT na defesa do esquerdismo. O socialista José Serra que o diga. Azevedo escreve:

Tampouco me incomoda a figura de Lula, que tanto rancor desperta na extrema-direita boçal: porque operário na origem, porque supostamente ignorante, porque nordestino, porque padece de idiopatia gramatical, porque é eneadáctilo… A propósito: Geddel Vieira Lima tem dez dedos. Lula ainda é uma das maiores inteligências políticas do Brasil. Sua trajetória prova isso. De resto, nunca foi esquerdista. Tampouco fez um governo de esquerda. O que matou o PT foi o misto de populismo e roubalheira. O primeiro levou a economia para o buraco. A outra minou-lhe a reputação. E, sim, era Lula o chefe inconteste da equação”. 

Por que reduzir tanto o papel sombrio de Lula na podridão em que o Brasil se encontra hoje? Por que compará-lo a um Geddel Vieira? Este, por acaso, quase se tornou o Chávez brasileiro, o Fidel Castro da terra brasilis? O que matou o PT foi um misto de populismo e roubalheira, sim, mas também com sua visão esquerdista de mundo! Ignorar isso é má-fé ou desinformação. E tenho dificuldade de ver Reinaldo Azevedo como alguém ignorante.

O projeto lulopetista tem tudo a ver com o esquerdismo, com uma visão de mundo em que o estado assume um papel cada vez maior, controlador, intervencionista, “justiceiro social”. Como dissociar isso da esquerda? Por que fazer esse esforço? Reinaldo diz:

Causavam-me ainda repúdio a contaminação ideológica de organismos de Estado como Ministério Público, Defensorias e Judiciário; a transformação das universidades públicas em aparelhos do partido; a permanente crispação que buscou dividir o país entre ‘nós (eles) e eles (nós)’; a determinação de eliminar os adversários, não apenas de vencê-los; as ações concretas e objetivas que buscavam instaurar, na prática, um regime de partido único no país, ainda que as siglas fossem se multiplicando”.

Mas, ora bolas, ele está descrevendo justamente as táticas esquerdistas de chegada e permanência no poder! Foi assim na Argentina, na Venezuela, na Bolívia, no Equador… E depois diz que isso não tem nada com a esquerda? Abana o rabo como um cachorro, late como um cachorro, mas não é cachorro? É gato? É pato?

Voltando à Lava-Jato, Reinaldo se diz um liberal defensor do Estado de Direito, um legalista purista, mas esquece que o poder Executivo, em conluio com o Legislativo, está tentando barrar a lei, operar na sombra para impedir o avanço no combate à corrupção. O que a maioria dos políticos atuais quer é impunidade!
Só alguém com um termômetro muito mal calibrado pode estar mais preocupado hoje com eventuais excessos de Sergio Moro e Deltan Dallagnol do que com os esquemas dos grandes partidos no Congresso, com apoio do Planalto, para enterrar a Lava-Jato. Em que mundo vive? Reinaldo conclui:

Não darei a demiurgos os seus dez meses de Terror Salvacionista. Já tiveram a chance de dizer a que vieram, durante a Revolução Francesa, entre setembro de 1793 e julho de 1794. Não foi bacana. Meu apoio à Lava Jato, nos limites da lei e da Constituição, é incondicional. Meu liberalismo não admite um período de autoritarismo profilático. Liberalismo assim é coisa de abestado”.

Lamento, mas coisa de abestado é usar a energia, o espaço na imprensa e os neurônios para combater a Lava-Jato, como se ela estivesse agindo fora dos limites da lei, e ainda fazer isso em nome do liberalismo, como se a turma da nova direita estivesse toda clamando por justiceiros, déspotas esclarecidos, e não pelo próprio cumprimento da lei, que está ameaçado por conta dos parlamentares corruptos! 

Diante disso tudo, pergunto: Reinaldo Azevedo está mesmo defendendo apenas a lei, o Estado de Direito, os interesses do Brasil, ou teria outro interesse mais obscuro por trás dessa batalha que ele resolveu travar? Pois parece que ligou uma motosserra e a apontou na direção de Moro. Serra, serra e serra, até dividir o povo do lado de cá, que deveria estar unido no propósito de impor, de fora para dentro, as mudanças necessárias e inadiáveis na política nacional, endireitando assim o país. Serra…


Confira minhas atualizações diárias sobre política em www.cenario-politico-tupiniquim.link.blog.br/

2 comentários:

Martha disse...

Oi Fernando
Eu hoje recebi um vídeo justamente sobre o uso de celular ao volante com um depoimento emocionante...acho que o vídeo é inglês.Muito bom mesmo...
As pessoas estão " fora da casinha "....
Quanto ao restante: não acompanho o Reinaldo Azevedo e não sei o que tem falado. Acho apenas que essa confusão chamada Brasil está deixando todo mundo descompensado. O negócio está feio mesmo....
Como já te disse antes: não acredito em discurso de direita e esquerda em pleno século XXI. Acredito em conflito de interesses apenas...
Infelizmente a única " ideologia " deveria ser governar com ética para todos....
Bjs e obrigada sempre!!!!

Fernando Melis disse...

Oi, Martha.
Sempre admirei o Reinaldo e, da mesma forma que o Rodrigo, estranhei sua "guinada à esquerda", que cheguei a comentar de passagem em postagens publicadas na comunidade há alguns meses (quando eu disse que o conspícuo jornalista, radialista e escritor vinha dando uma no cravo e outra na ferradura). Mas o estranhamento entre os dois (Rodrigo e Reinaldo) pode ter outras nuances. Só que o contexto atual está recheado de questões mais importantes, como a aprovação, na madrugada de ontem, do pacote de medidas anticorrupção, que pouca semelhança guardou com o texto original, criado a partir da proposta do MPF.
Os parlamentares não tiveram peito para aprovar uma ampla anistia ao caixa 2 eleitoral, como boa parte deles desejava. Mas isso não os impediu de aproveitar o ensejo para retaliar o Judiciário, incorporando ao texto emendas que preveem punição para magistrados e membros do ministério público. E o pior que o imprestável Renan Calheiros, aquele que urdiu com os petralhas e o ministro do STF Ricardo Lewandowski o fracionamento da pena imposta à Dilma no julgamento do impeachment, queria por que queria aprovar com urgência, também no Senado, a excrescência aprovada pelo plenário da Câmara. Felizmente, a proposta foi derrubada e o tema voltará a ser discutido antes de tornar a ser votado.
A lição que se tira disso tudo é que a velha política tenta se manter dominante, a despeito da avalanche de denúncias que indicam que o modelo está completamente desmoralizado - caquético e falido, na avaliação do próprio Renan, que é alvo de 11 ou 12 processos no STF (são tantos que já nem sei ao certo o número exato).
Em última análise, o que nossos ínclitos parlamentares querem é aproveitar bons projetos (como o das medidas anticorrupção) para atender a interesses próprios, e, no caso do Senado, constranger o Judiciário, ou, como bem sintetizou a ministra Carmem Lucia, “criminalizar a Jurisdição é fulminar a democracia”.
Vamos continuar acompanhando e protestando contra as pizzas das madrugadas.
Beijos e até mais ler.