domingo, 11 de dezembro de 2016

A LENDA DE HARRY P. TER E ROBEWARTS ― Por Mentor Neto



A cada quatro anos, a entrada do Palácio do Planalto se transforma por algumas horas num portal que leva a um mundo escondido de nós, simples pagadores de tributos.

Nesse dia, políticos empurrando carrinhos com suas malas de dinheiro embarcam para uma jornada na mais famosa escola de Magos da Corrupção que já se conheceu: O mundo de Robewarts. O lugar onde aprenderão a nos ludibriar, roubar e enganar.

Robewarts é um edifício gigantesco, uma obra faraônica construída por uma importante empreiteira como presente para o Mago dos Magos. Aquele que foi o mais talentoso de que se tem notícia. O inigualável Harry P. Ter.

Conta a lenda que Harry P. Ter, ainda criança, dominava a arte de transformar tudo que comprava em empréstimos de amigos. E por falar em amigo, seu braço-direito, Dircione, aprendeu desde cedo a cooptar os colegas. Para isso, ele usava dinheiro que fazia aparecer com as palavras mágicas: Youseff, Offshoris, Dolaris! E, pimba, o coitado do companheiro menos talentoso aparecia em seu bolso.

Harry dirigiu a escola por décadas, até passar o bastão para sua melhor discípula, Dildore, que o substituiu na presidência de Robewarts. Mesmo sem o talento de seu mestre, ela era versada como ninguém em Desfaçateologia, e decidiu passar seus últimos anos ensinando a novos magos as mais nobres artes.

A rotina de Robewartz é muito parecida com a de qualquer escola. Cada aluno rapidamente descobre seus principais talentos e pode aperfeiçoá-los ao máximo. No pátio, um grupo de alunos aprende como transformar companheiros em laranjas enquanto outros treinam as técnicas de fingir-se de doente para escapar da cana.

Assim, a escola manteve por séculos a tradição de abrigar milhares de estudantes que passam seus dias aprimorando a magia do Enriquecimento Ilícito. Se alguém pudesse visitar a escola, escutaria dois alunos conversando:

– Amanhã tem prova de Subornologia e eu não vou passar…

– Mas você não tinha molhado a mão da professora?

– Tinha. Mas ela deu pra trás. Agora quer mais cinco mil, e meu dinheiro acabou.

– Não por isso rapaz! Toma aqui! ― e transforma sua cueca num maço de dinheiro, entrega para o amigo, e ambos riem a valer.

– Aproveita para gravar a hora que você der o dinheiro, assim você usa no trabalho de Chantageneses que o professor pediu ―, e pisca o olho, cúmplice.

Por séculos, tudo correu bem em Robewarts, até que surgiu o temível Valdemoro, decidido a acabar com a farra. Um por um, Valdemoro mandou para as trevas magos, alunos e professores, e Robewarts foi aos poucos perdendo seu brilho original. Até Dildore foi afastada do comando, e hoje faz seus truques apenas em festas de aniversário de amigos mais próximos, triste fim.

Valdemoro continua incansável em sua missão de destruir Robewarts e todos os seus Magos. E ele sabe que o pior ainda está por vir.

Chegará o dia do confronto final com Harry P. Ter, e quando esse dia chegar e eles tiverem finalmente que se enfrentar, apenas um sobreviverá.

2 comentários:

Martha disse...

Oi Fernando
Só você para me fazer rir muito hoje....muito obrigada!!!!!
Estou rindo até agora....
Impagável essa analogia!!!!
Vamos ver se o Valdemoro vai conseguir derrotar esse povo todo...o problema é que no livro ele é morto...aquele que não deve ser nomeado....
Bjs e obrigada sempre!!!!

Fernando Melis disse...

Oi, Martha.
Sou eu quem agradece, doutora.
Beijos, boa semana e até mais ler.