quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

TV COM SUPORTE AO HDR. VALE A PENA?

SE NÃO É VANTAJOSO, NUNCA ENVIE SUAS TROPAS; SE NÃO LHE RENDE GANHOS, NUNCA UTILIZE SEUS HOMENS; SE NÃO É UMA SITUAÇÃO PERIGOSA, NUNCA LUTE UMA BATALHA PRECIPITADA.

O HDR (sigla de High Dynamic Range, ou Grande Alcance Dinâmico, em português) é um recurso relativamente comum em câmeras fotográficas digitais, inclusive de smartphones, que chega gora aos televisores com o propósito de aprimorar a experiência do usuário ao assistir a filmes, séries e outros conteúdos.

Conforme eu disse no post anterior, o 4K aprimora sobremaneira a exibição de imagens, proporcionando maior nitidez e brilho e menor variação de cores, ao passo que o HDR torna as imagens exibidas na tela da TV bem mais fiéis às que enxergamos no mundo real, ampliando sua gama de detalhes, enriquecendo as cores, produzindo brancos mais brilhantes, pretos mais escuros e tons de cinza mais bem definidos.

Em outras palavras, o conteúdo HDR em HDTVs HDR-compatíveis fica mais brilhante e mais escuro ao mesmo tempo; as diferenças entre o verde e o azul são mais nítidas, e as cores, mais profundas e vívidas, sem tons saturados e com detalhes finos em superfícies brilhantes mais “limpos”. Uma imagem do sol, por exemplo, tons amarelados e alaranjados bem definidos, você não verá apenas o borrão branco que é exibido pelos televisores com os padrões atuais.

Note que nem todos os aparelhos de TV de alta definição são capazes de reproduzir conteúdo em HDR, e nem todos os conteúdos são compatíveis com essa tecnologia. Em outras palavras, os ganhos proporcionados pelo HDR dependem de um compromisso conjunto da fonte do conteúdo e do aparelho de TV ― ou seja, de nada adianta investir pesado num televisor compatível com a tecnologia se o conteúdo a que você tem acesso não oferece a necessária contrapartida. Além disso, caso você pretenda assistir a filmes em discos Blu-ray gravados no novo formato, precisará comprar também um leitor ULTRA HD BLU-RAY ― como o Samsung UBD- K8500, por exemplo ―, que custa caro e é difícil de encontrar. 

Observação: O conteúdo HDR já está disponível em serviços de streaming como o Netflix (na série original Marco Polo, por exemplo), mas requer uma conexão de internet rápida e confiável ― se o fluxo não for bom, você não será capaz de ver o filme ou programa desejado em HDR, mesmo que ele esteja disponível e o seu televisor lhe ofereça suporte. Jogos de computador já apresentam essa tecnologia há algum tempo, e os consoles PS4 e Xbox One são capazes de aproveitar o HDR na reprodução de imagens de games desenvolvidos para tirar proveito do grande alcance dinâmico.

Televisores com suporte ao HDR são identificados por um selo criado para determinar padrões mínimos de qualidade e performance para TVs 4K. É possível encontrar modelos identificados tanto como HD Premium quanto como Dolby Visão, conforme o fabricante. O HDR10 é o padrão homologado pela Alliance UHD, enquanto que o Dolby Vision é um formato proprietário da Dolby. Embora os fabricantes de televisores, produtoras de conteúdo (como os Estúdios Disney, Fox e Warner) e serviços de streaming (como o Netflix) estejam apostando suas fichas no HDR, a prudência recomenda esperar essa tendência se firmar, para não correr o risco de investir pesado na “tecnologia errada” e depois se arrepender ― como aconteceu nos anos 1980, quando muita gente comprou VCRs BETAMAX e o formato que se tornou padrão de mercado foi o VHS, ou bem mais recentemente, com os televisores 3D.

A princípio, o HDR deverá ser mais comum em televisores LED, já que a tecnologia OLED ainda é refratária à implementação dessa técnica. Todavia, a LG já apresentou modelos OLED com HDR na CES 2016. Demais disso, embora o HDR esteja vinculado a TVs e monitores 4K, isso não significa que a indústria não possa integrá-lo a modelos com resolução Full HD, que são bastante procurados (e a integração da nova tecnologia nessas telas agregaria valor ao produto). Por outro lado, nenhum fabricante apresentou unidades com resolução 1080p e HDR na CES 2016, e como a feira não só antecipa lançamentos do ano todo, mas também aponta tendências para a indústria, a conclusão me parece óbvia.

Resumo da ópera: Melhor ir devagar com o andor, que o santo é de barro. Como eu costumo dizer, “os pioneiros são reconhecidos pela flecha espetada no peito”― pense nisso antes de abrir a carteira e sacar seu poderoso cartão de crédito.
Com conteúdo da OFICINA DA NET e do portal TECHTUDO

ENTRE IMBRÓGLIOS E QUIPROQUÓS.

O Planalto acompanhou apreensivo as manifestações do último domingo, e só respirou aliviado após constatar que o alvo dos protestos não era o chefe do Executivo, mas os presidentes da Câmara e do Senado. Mesmo assim, visando resguardar seu terno bem talhado dos respingos da caca, Temer tentou demover Renan Calheiros de avalizar as medidas anticorrupção aprovadas à sorrelfa pela Câmara na última quarta-feira ― o que, na avaliação da presidente do Supremo, agravaria ainda mais a crise entre os Poderes. Mas o presidente do Senado se manteve irredutível, e Temer preferiu não insistir, “em respeito à independência dos Poderes”.  

No final da tarde de ontem, porém, o senador alagoano foi apeado da presidência do Congresso por uma decisão monocrática de Marco Aurélio Mello. Resta agora saber se o plenário do STF manterá ou não a liminar do ministro.

Observação: No início do mês passado, durante o julgamento de uma ação movida pela Rede para impedir que réus em processos penais ocupem cargos que os coloquem na linha sucessória da presidência da República, Dias Toffoli pediu vistas do processo e obstruiu a votação quando 6 ministros já se haviam posicionado a favor proibição. Toffoli tem até o próximo dia 21 para devolver os autos, mas ninguém leva isso muito a sério no Supremo, e como o Judiciário entra em recesso véspera... Já viu, né?

Manter Renan na presidência do Senado contribui para a péssima imagem do Legislativo, até porque o senador é investigado em 12 inquéritos ― 8 dos quais no âmbito da Lava-Jato ― e réu em um deles, por crime de peculato (desvio de verba pública para uso pessoal). Rodrigo Maia, por seu turno, teve a imagem “arranhada” por avalizar a maracutaia tramada durante a madrugada do último dia 30, quando a qual a Câmara desconstruiu o relatório do deputado Onyx Lorenzoni e enxertou emendas revanchistas e espúrias de parlamentares no assim chamado “pacote anticorrupção”.

Tanto Renan quanto Maia são íntimos de Michel Temer, e uma crise em torno deste último preocupa especialmente o Planalto, na medida em que compete ao presidente da Câmara acolher ou rejeitar pedidos de impeachment contra o presidente da República. Ambos disseram achar legítimas as manifestações do último domingo ― pelo menos da boca para fora ―, e a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República salientou o comportamento exemplar dos manifestantes e a importância de os Poderes da República estarem sempre atentos às reivindicações da população. Mas a verdade é que a classe política quer ― e muito ― impor limites à atuação de juízes e procuradores, notadamente diante da temida Delação do Fim do Mundo.

Nesse cenário conturbado, tanto Temer quanto a nação estão entre a cruz e a caldeirinha, pois a PEC 241, pautada para votação na semana que vem, precisa ser aprovada. Se o petralha Jorge Viana aproveitar o afastamento de Renan para mudar a pauta do Senado e quebrar o Brasil, o PT vai apanhar novamente nas ruas e nas urnas, mas o maior perigo, neste momento, é Renan retomar o comando do Congresso e sair atirando para todos os lados.

Minutos atrás, Veja noticiou em seu site que Renan se recusou a assinar a notificação judicial que o informa de seu afastamento e costurou uma decisão em que a Mesa Diretora do Senado se recusa a cumprir, de forma imediata, a liminar do ministro Marco Aurélio. Uma segunda versão mais branda foi redigida em seguida, como se para não afrontar (ainda mais) o Judiciário e escancarar o embate institucional já colocado. Jorge Viana, primeiro vice-presidente e sucessor de Renan, só assinou o documento depois que ressalva de que “a Mesa não tomaria qualquer providência relativa ao cumprimento da decisão monocrática” foi retirada do texto.

Diante da turbulência provocada por esse monumental imbróglio, a primeira sessão de discussão da PEC dos Gastos, que estava prevista para esta terça-feira, acabou sendo suspensa. O plenário do STF deverá se pronunciar amanhã, mas, se em maio deste ano a nossa mais alta Corte suspendeu o mandato do réu Eduardo Cunha e o afastou da Presidência da Câmara porque ele estava obstruindo a Justiça, agora o réu Renan Calheiros, que tentava obstruir a Justiça na Presidência do Senado, também precisa ser afastado. Ou não?

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O ABACAXI DE TEMER ― E A ANGÚSTIA DA NAÇÃO BRASILEIRA

Como se não bastasse a herança maldita dos 13 anos de administração petista, o desemprego nas alturas, a inflação descontrolada e as perspectivas de crescimento do PIB sendo revistas (para baixo) mês após mês, Michel Temer precisa agora se preocupar em reconduzir Renan Calheiros à presidência do Congresso para aprovar sem percalços a PEC dos Gastos.

Marco Aurélio Mello justificou sua posição lembrando que o Supremo tinha decidido por maioria absoluta que um réu não poderia ocupar cargo na linha sucessória da Presidência ― leia a seguir um excerto de seu despacho:

Os seis ministros concluíram pelo acolhimento do pleito formalizado na inicial da arguição de descumprimento de preceito fundamental, para assentar não poder réu ocupar cargo integrado à linha de substituição do Presidente da República. O tempo passou, sem a retomada do julgamento. Mais do que isso, o que não havia antes veio a surgir: o hoje Presidente do Senado da República, senador Renan Calheiros, por oito votos a três, tornou-se réu, e mesmo diante da maioria absoluta já formada, continua na cadeira de presidente do Senado, ensejando manifestações de toda ordem, a comprometerem a segurança jurídica”. 

Embora Jorge Viana ― virtual sucessor de Renan na presidência do Senado ― tenha declarado publicamente que não vai se precipitar, fontes próximas a ambos dão conta de que, embora compreensivo dos riscos, o petralha, por puro revanchismo, pretende, sim, suspender a pauta de votações dos projetos de interesse do governo. Como se vê, o que menos preocupa nossa abjeta classe política são os interesses da Nação.

Resta saber agora como se posicionará o plenário do STF. Na avaliação de Reinaldo Azevedo, devemos torcer por Renan (ruim com ele, pior sem ele), pois depô-lo da presidência do Senado será entregar o comando ao PT: a menos de quatro meses do fim do mandato, não haverá nova eleição; Viana seguirá presidente até fevereiro, e, se quiser, poderá mudar da agenda quando faltam apenas nove dias para o recesso ― e já avisou que não se compromete com a votação da PEC 241. Em suma: ao tentar depor Renan, o ministro Marco Aurélio dá sobrevida à agenda do PT, que foi derrotada no Congresso, no tribunal e nas ruas.

Já para Merval Pereira, colunista político de O Globo, o governo tem maioria, Viana tem limites para adiar a votação e o regimento, para enquadrá-lo. Demais disso, mesmo podendo manobrar para adiar a votação da PEC, não combina com o senador ficar apenas 15 dias na presidência e bagunçar o país.


Vamos continuar acompanhando para ver quem tem razão.

Confira minhas atualizações diárias sobre política em www.cenario-politico-tupiniquim.link.blog.br/

2 comentários:

Martha disse...

Oi Fernando
Não conhecia essa tecnologia e não sei se minha TV é compatível...
Quanto ao restante: como você mesmo disse no post...se ficar o bicho pega e se correr o bicho come...
O Brasil precisa ser passado a limpo....
Triste momento para todos onde a instabilidade reina , além da corrupção desvairada...é preciso muita cautela...
Bjs e obrigada sempre!!!!

Fernando Melis disse...

E enquanto isso, mais uma jabuticaba é parida, num acordão entre os três Poderes, para preservar o mandato de Renan Calheiros e sua permanência na presidência da Câmara Alta e, ao mesmo tempo, retirá-lo da linha sucessória presidencial, como se a prerrogativa de responder pela presidência da Banânia na falta de Temer e de Rodrigo Maia fosse uma prerrogativa inerente à pessoa de Renan, e não ao cargo de presidente do Senado.
Durma-se com um barulho desses, mas entenda melhor "os porquês" na postagem que eu publiquei há pouco, em edição extraordinária.
Beijos.