sábado, 21 de janeiro de 2017

BREVE: LULA LÁ ― EM CANA

Quando o assunto é salvar o próprio rabo, Lula não costuma se preocupar com os aliados (que o digam Dirceu, Delúbio, Genoíno, Bumlai, Palocci, Vaccari e a própria Dilma, entre tantos outros), e mesmo na condição de penta-réu ― e com Moro nos calcanhares ―, mantém-se fiel a seus hábitos; afinal, o lobo perde o pelo, mas não o vício. No intrincado jogo que o coloca cada vez mais perto da prisão, o molusco abjeto resolveu escalar um time de amigos igualmente enrolados na Justiça para retomar o poder no partido que ajudou a fundar e, mais adiante, mergulhou no inominável mar de podridão ― levando o PT a ser repudiado até mesmo por parte da militância cega e ignara que continuou lhe dando apoio durante o escândalo do mensalão.

A estratégia denota a mais profunda insensibilidade da “alma viva mais honesta do Brasil” ao clamor das ruas, das urnas e de setores do partido que clamam por uma reformulação profunda, com renovação total na maneira de fazer política. No entanto, segundo a revista ISTOÉ, trata-se a surdez de Lula é conveniente, pois disfarça o real objetivo que, para ele, é mais importante que o futuro do partido: lançar-se novamente candidato à presidência. Com esse propósito, o capo di tutti i capi vem se cercando de petralhas como Jaques Wagner, Lindbergh Farias e Paulo Okamoto, visando a confirmação de seu nome como pré-candidato pela legenda, e assim poder continuar vendendo a história de que as acusações contra ele não passam de uma conspiração para evitar seu “retorno triunfal”. E cara de pau para tanto não lhe falta, como não lhe faltou quando resolveu pateticamente chorar as pitangas com o Comitê de Direitos Humanos da ONU, mesmo ciente de que essa estratégia não lhe traria resultado prático algum, pois não cabe àquela entidade se intrometer em assuntos internos de um país soberano e democrata.

Observação: Segundo a porta-voz do Comitê, Elizabeth Throssell, o registro da petição submetida pelos advogados do ex-presidente foi mera formalidade, não antecipando, portanto, qualquer decisão sobre a admissibilidade ou os méritos da queixa (mais detalhes nesta postagem).

Nas Amarelas da última edição de VEJA, Maurício Moscardi Grillo, coordenador da Lava-Jato, ponderou que o “timing” para pedir a prisão preventiva de Lula se perdeu no momento em que Dilma o nomeou ministro da Casa Civil (como forma de restabelecer sua prerrogativa de foro). Em determinado momento, havia, sim, provas cabais de obstrução da Justiça (áudios e mais uma série de indícios) que justificariam o pedido de prisão. No entanto, a despeito de a nomeação não ter prosperado, quando Moro retirou o sigilo do processo o ministro Teori Zavascki avocou para o STF toda a investigação referente ao ex-presidente ― vale lembrar que, na época, Dilma ainda estava no poder e o sapo barbudo acabou se beneficiando do privilégio de sua pupila. Posteriormente, Zavascki entendeu que o caso deveria voltar às mãos do juiz Moro, mas Lula ficou fora do alcance da PF durante três meses, e os elementos que teriam justificado sua prisão naquela época, hoje não são tão robustos quanto assim.

A PF descartou temporariamente a prisão preventiva de Lula, mas, segundo O Antagonista, isso mudará tão logo se descubra uma conta no exterior relacionada ao esquema de corrupção comandado pelo petralha, o que, pelo visto, é mera questão de tempo. Embora não seja boa política contar com o ovo no c* da galinha, Maria Christina Mendes Caldeira, ex-esposa de Valdemar Costa Neto (condenado no mensalão), afirmou recentemente que Cunha e Lula “ganharam” diamantes em negócios escusos que fizeram na África, e que os guardaram em cofres em Portugal e no Uruguai ― como a Justiça brasileira não lhe deu garantia de vida, ela picou a mula para os EUA, onde as autoridades estão analisando o dossiê. As informações dão ISTOÉ, que não conseguiu contato com a socialite pelo celular nem sua advogada retornou as ligações da reportagem.

É público e notório que Lula se empenhou em fazer negócios em países africanos, beneficiando empreiteiras como a Odebrecht, tanto em Angola quanto em Moçambique, onde ficam as maiores reservas de diamantes do mundo. Cunha recebeu milhões em propinas em Benin, também na África, onde é acusado de ter intermediado a venda de um campo de petróleo para a Petrobras, o que ensejou sua prisão pela Lava-Jato. Lula é suspeito de ter negócios no Uruguai, onde a Lava-Jato investiga se ele é dono de uma mansão em Punta Del Este (cidade onde o ex-marido de Maria Christina ia jogar com frequência, no tempo em que o PT lhe dava grandes quantias para supostamente abastecer deputados do PP e PR que votavam a favor do governo na Câmara). 

Que Lula vai acabar na cadeia, isso são favas contadas. Na pior das hipóteses, teremos de esperar sua condenação pelo TRF da 4ª Região. A boa notícia e que, de acordo com um levantamento publicado recentemente na Folha sobre a taxa de sucesso da Lava-Jato em segunda instância, as decisões de Moro vêm sendo confirmadas e as penas por ele impostas, mantidas ou endurecidas. Até o momento, o magistrado condenou 83 pessoas; após analisar 23 apelações, o tribunal manteve as penas em 8 delas, e aumentou-as em outras 8 (apenas 4 réus foram absolvidos e 3 tiveram as sentenças abrandadas).

O ministro Zavascki deveria homologar o acordo de delação de Marcelo Odebrecht até o início de fevereiro, mas foi morto tragicamente na última quinta-feira, em condições bastante nebulosas. Entretanto, não se deve fazer acusações sem provas nem tirar conclusões sem elementos sólidos que as embasem. Melhor esperar a poeira baixar, acompanhar as investigações e o desenrolar dos acontecimentos. Mesmo assim, amanhã ou depois eu volto a discutir com vocês as perspectivas sobre a Lava-Jato (que não ficou comprometida com a morte do ministro, mas levou uma traulitada daquelas, até porque a celeridade na homologação da Delação do Fim do Mundo é crucial). Demais disso, a Camargo Corrêa vem negociando outra superdelação ― fala-se em 40 executivos dispostos a revelar o que sabem sobre propinas pagas a mais de 200 políticos!

Voltando ao príncipe das empreiteiras, Marcelo contou que usou dinheiro roubado da Petrobras para comprar o terreno do Instituto Lula e a cobertura do ex-presidente em São Bernardo do Campo. Tão logo seja homologado ― e esperemos que isso ocorra em breve ―, seu depoimento será apensado ao processo contra Lula, e Moro terá todos os elementos para julgar o recebimento de propina e a lavagem de dinheiro por parte do comandante máximo da ORCRIM, que, mesmo  será condenado antes do que se imagina.

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