domingo, 26 de março de 2017

E O QUE VOCÊS FIZERAM JUNTOS?

No editorial da revista IstoÉ desta semana, o jornalista Carlos José Marques fala sobre a alma viva mais honesta do Brasil e sua estrambótica pupila e sucessora ― para conferir, clique aqui ―, inspirado no qual eu escrevi o texto a seguir:

Dilma e Lula continuam insultando a inteligência dos brasileiros. Enquanto o comandante máximo da ORCRIM elege como picadeiro para suas intrujices o banco dos réus e palanques nos cafundós do nordeste (tradicional reduto petista devido à profusão de eleitores menos favorecidos do ponto de vista socioeconômico e, portanto, menos esclarecidos), sua pupila e sucessora faz um tour pela Europa e elege os grandes salões para praticar seu francês de galinheiro em pronunciamentos que fazem corar de vergonha não só seus compatriotas, mas também platéia nativa que se dá ao trabalho de aparecer para ouvi-la desfiar uma coletânea de asnices, tais como atribuir a maior crise da história do Brasil à sua deposição, e esta, ao “golpe desfechado pelos traidores contra uma presidenta eleita democraticamente pelo voto popular”. Foi nauseante ouvir essa senhora perorar asnices baseadas em sua tortuosa linha de raciocínio, deturpar os fatos,  reconhecer que o caos econômico, político e moral que nos aflige se deve às escolhas erradas que ela e sua imprestável equipe de assessores levaram a efeito nos 5 anos 4 meses e 12 dias em que estiveram à frente do governo. A mulher chegou mesmo a dizer literalmente: “vocês acham que alguém investe em um país em que parte da oposição pede o impeachment da presidenta? Eles [os responsáveis pelo impeachment] construíram algo irresponsável, a insegurança do Brasil. Hoje a economia se deteriora”.

Sobre essa estapafúrdia pantomima: Não foi “parte da oposição” que gerou o seu impeachment. A quase totalidade do Congresso, apoiada por milhões de brasileiros que foram às ruas ― em maioria ensurdecedora, cujos panelaços e buzinaços não deixariam negar ―, que afastou a anta vermelha do poder por obra e graça de improbidades administrativas notórias. Mas ela parece ter deletado da memória os números devastadores de PIBs negativos sob sua gestão, os 12 milhões de trabalhadores que empurrou para o desemprego, os repiques da inflação, o descontrole nas contas públicas, a destruição das empresas e o caos, fruto de suas inconsequentes escolhas. A pergunta é: com seu habitual “modo de negação”, Dilma pretende enganar a quem? Na Suíça, que prima pela rigidez de princípios e qualidade de vida, disse a estocadora de vento, para assombro geral: “duvido que vão continuar chamando o PT de corrupto daqui para frente”. E ainda falou em risco de adiamento das eleições do ano que vem e ameaça de mudanças de regras para condenar Lula.

Difícil saber de onde essa senhora tira as ilações com que difama o Brasil, afronta a democracia, escarnece das instituições e tripudia da inteligência alheia (e só poderia ser da alheia, pois inteligência, ao que parece, é um dos muitos atributos que faltam à ex-grande-chefa-toura-sentada. Mas, convenhamos: embora esteja longe de superar o mestre, o pouco que aprendeu, ela aprendeu com o melhor. Senão vejamos:

Na primeira audiência em que depôs como réu por tentar atrapalhar investigações da Lava-Jato, Lula fez da sessão um espetáculo. Disse ser vítima de perseguição, tripudiou de indagações, atribuiu à intriga da oposição os favores que teria ganho em um triplex, nas reformas do sítio (que não é dele) e nos gordos dividendos recebidos por palestras a empresas que, em troca, lhe pediam favores pouco republicanos. Afirmou que não existe organização criminosa no PT ― trata-se apenas de uma definição de juízes da mais alta corte, o que o ofende ―, negou qualquer influência na indicação daqueles que saquearam as empresas do Estado, fez troça quando indagado sobre seus rendimentos ― põe aí R$ 50 mil; afinal, com a profusão de amigos a socorrê-lo quando precisa, ele não saberia mesmo dizer de onde vem seu sustento e reclamou de levantar todo dia com medo de ser preso.
O molusco abjeto não reconhece seus malfeitos. A seu ver, bom seria mesmo se tudo isso fosse esquecido.

Dias após o interrogatório, como se nada tivesse acontecido, lá estava ele novamente no palanque, rinchando contra a reformas da Previdência ― como se o rombo no caixa do Estado não tivesse crescido espantosamente em pouco mais de uma década de PT no poder. Valem mesmo as promessas eleitoreiras a arrebanhar massa de manobra para colocá-lo mais uma vez no comando da farra. Lula aspira ao papel de “salvador da pátria” contra o “governo ilegítimo”. Não toma jeito. E a culpa de quem ainda acredita nele.
Sua insolência é ré em cinco ações penais, duas das quais na 13ª Vara Federal de Curitiba, a cargo do juiz Sérgio Moro, e outras mais estão por vir, a julgar pelo que já vazou acerca dos pedidos de abertura de inquérito que Janot encaminhou ao ministro Fachin, atual relator da Lava-Jato no STF.

ObservaçãoLista de Janot, segundo o jornalista José Simão, não é lista, é excesso de bagagem. Aliás, diz o “Macaco Simão” que a Lava-Jato agora se chama Lava-Rabo (entenda porque neste vídeo; dura poucos minutos, mas vale cada segundo).   

Em recente entrevista a Ricardo Boechat, no jornal da Band News, o procurador Deltan Dallagnol, um dos principais operadores da Lava-Jato, disse que pelo menos uma dessas ações deverá ser julgada ainda neste semestre (confira a íntegra aqui ou assista a uma versão resumida seguindo este link).

Torçamos para que não demore. Afinal, já está mais do que na hora.

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