domingo, 30 de abril de 2017

O ADIAMENTO DO DEPOIMENTO DE LULA EM CURITIBA

O adiamento do depoimento de Lula ao juiz Moro tem a ver com as manifestações que a petralhada tenciona realizar em Curitiba ou sinaliza que o molusco pode ser preso a qualquer momento? Eis aí uma boa pergunta. Oficialmente, a audiência foi remarcada para o próximo dia 10 porque o final de semana prolongado pelo feriado do dia do trabalhador contribuiria para que mais arruaceiros atendessem à convocação dos líderes vermelhos, o que dificultaria o trabalho dos agentes da PF e da SSP encarregados de garantir a segurança do evento. Por outro lado, há quem veja nisso uma maneira de ganhar tempo para coletar mais provas contra o réu.

Considerando que a audiência foi marcada em meados de março, não há que se falar em falta de tempo para a adoção das medidas preventivas por parte das autoridades policiais. E a despeito de a tigrada de sinapse estreita afirmar que Moro amarelou e até comemorar a desmoralização da Lava-Jato, qualquer um que tenha olhos, ouvidos e um par de neurônios funcionais percebe que a situação do molusco abjeto se agrava a cada dia que passa ― basta rever os depoimentos dos marqueteiros João Santana e Monica Moura e do empreiteiro Leo Pinheiro, que foram ouvidos pelo juiz Sergio Moro na semana passada.

Assim como os demais delatados pelos 77 da Odebrecht, o ex-presidente protesta inocência e nega as acusações com um fervor que beira ao fanatismo. Diz que o testemunho de Leo Pinheiro não merece crédito, pois o empreiteiro está negociando um acordo de colaboração com a Justiça. Por alguma razão não muito clara, o molusco desconsidera o fato de que o colaborador perde os benefícios avençados no acordo de delação se restar comprovado que mentiu em seu depoimento. Aliás, segundo o procurador Deltan Dallagnol, pode até ter havido omissões nas da Lava-Jato, mas jamais se registrou um único caso em que o colaborador tenha mentido.

O fato de Leo Pinheiro ter sido instruído por Lula a eliminar as provas que o ligassem ao pagamento de propinas envolvendo o tríplex do Guarujá foi narrado pelo depoente com todas as letras, mas não constitui prova suficiente para justificar a prisão do molusco abjeto no próximo dia 10. A menos que Lula perca o controle e afronte o magistrado ― ou que surjam provas robustas, Lula deve ser preso somente depois que a sentença de Moro for confirmada pelo TRF da 4ª Região, o que, pelo andar da carruagem, deve ocorrer entre o final deste ano e o início do próximo.

Moro tem mantido a fleuma, mesmo quando a defesa do molusco tenta tirá-lo do sério. Aliás, arrolar nada menos que 87 testemunhas é um acinte, mais uma chicana com fins eminentemente protelatórios. Em contrapartida, exigir que Lula compareça a cada um dos interrogatórios foi uma resposta à altura ― só não sei até que ponto isso têm amparo legal; se o magistrado insistir nessa condição, será acusado de perseguir o ex-presidente, como seus defensores vêm dizendo sempre que a oportunidade se lhes apresenta.

Para o sapo barbudo, ser condenado em segunda instância no ano que vem, a tempo de ser impedido de concorrer à presidência, seria sopa no mel para posar de vítima e evitar correr o risco de ser derrotado. Segundo Merval Pereira, ninguém sério leva a sério as pesquisas pra lá de tendenciosas da CUT/Vox Populi, que apontam o petralha como vencedor em primeiro turno. Isso não passa de pressão política contra sua prisão, e ainda que assim não fosse, é preciso ser muito ingênuo para acreditar que Lula, com todas essas acusações, especialmente depois das delações dos executivos da Odebrecht, conseguirá manter essa pretensa popularidade numa campanha presidencial acirrada como a que se aproxima. O que é grave é o ambiente de confronto que está sendo armado para o dia do interrogatório. Afinal, Lula é intocável? Está acima das leis?   

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