sexta-feira, 16 de junho de 2017

A CONFRARIA DOS IMPRESTÁVEIS

O PSDB, conhecido por sua indecisão congênita, agora dá mostras de que a incoerência é outra de suas “virtudes”: depois de passar semanas ameaçando bater asas e voar, os tucanos (ou boa parte deles, pois a decisão nem de longe foi unânime) resolveram continuar apoiando o governo “até que surja algum fato novo” e, paradoxalmente, recorrer da sentença esdrúxula do TSE, que, por 4 votos a 3, ignorou o monumental elenco de provas reunidas pelo ministro-relator e, a pretexto de resguardar a governabilidade do país (ou outra justificativa igualmente estapafúrdia), salvou o mandato de Michel Temer e os direitos políticos da anta vermelha que o antecedeu na presidência da Banânia.

Romper com o governo prejudicaria a aprovação das reformas, justificam-se os líderes do tucanato. Mas o fato é que essa decisão não passa de uma tentativa de salvar o rabo do senador zumbi Aécio Neves ― que foi afastado por decisão do STF, mas continua assombrando o Congresso e recebendo salários e benefícios ― e de garantir o apoio do PMDB nas eleições de 2018 ― como se o PSDB fosse a alternativa aos corruptos PT e PMDB para os eleitores que estão fartos de tanta corrupção e anseiam por mudanças, e como se Geraldo Alckmin fosse realmente um nome de peso para disputar a presidência (claro que existe a possibilidade de João Doria concorrer, mas isso é outra história).

Falando em Aécio, sua irmã e “braço direito”, presa preventivamente desde 18 de maio, teve seu pedido de liberdade negado pela 1ª Turma do STF (o placar foi apertado; após o ministro Marco Aurélio, relator do agravo, e Alexandre de Moraes votarem pela revogação, o ministro Luís Roberto Barroso abriu divergência e foi seguido por Rosa Weber e Luiz Fux). No próximo dia 20, a mesma Turma deverá decidir o destino do senador tucano, que ainda não foi preso por prerrogativa do cargo (parlamentares só podem ser presos em flagrante delito e por crimes inafiançáveis).

Mudando de pato para ganso, mas sem deixar a avícola dos imprestáveis, o PT, que defende “diretas já” para escolher o substituto de Temer, elegeu por via indireta e com o beneplácito de Lula a sua nova presidenta ― como prefere ser chamada a senadora Gleisi Hoffmann e, antes dela, a anta vermelha que destruiu nossa economia e ora pugna por ser reconduzida ao cargo para “consertar o Brasil que Temer destruiu”. Gleisi, que venceu o senador Lindbergh Farias por 367 votos a 226, é ré no STF, investigada na Lava-Jato e citada por pelo menos 3 delatores da Odebrecht. Afinal, nada como um criminoso para chefiar uma organização criminosa.

E já que falamos em Lula, sua excelência deve estar se sentindo desprestigiada. Enquanto Sérgio Cabral foi preso preventivamente em novembro do ano passado, tornou-se réu pela primeira vez no mês seguinte, responde (como réu) a 10 processos e já foi agraciado com sua primeira sentença (a 14 anos e dois meses de prisão em regime fechado), o molusco indigesto, que se tornou réu pela primeira vez há um ano, ainda não passou do penta e continua livre, leve e solto. A despeito de o ex-diretor da Petrobras Rento Duque e o ex-presidente da OAS Leo Pinheiro tenham declarado, em depoimento ao juiz Sergio Moro, que foram incitados pelo petralha a destruir provas contra a ORCRIM ― e de essa prática caracterizar obstrução da Justiça ―, o eneadáctilo não teve a prisão decretada. Hello, ministério público, hello, juiz Moro!

Fecho esta revoltante lista de imprestáveis com uma breve alusão ao cangaceiro das Alagoas, o ex-presidente do Congresso e senador da República (pelo PMDB, como não poderia deixar de ser) Renan Calheiros ― um rebotalho do coronelismo nordestino que já foi denunciado 3 vezes, responde a dezenas de processos e procedimentos judiciais e agora é suspeito de receber propina na compra de um poço seco da Petrobras na África, mas, como Lulalalau, continua livre, leve e solto, agora fazendo oposição ao governo, de olho nas próximas eleições, até porque, como Renan bem sabe, o eleitorado nordestino não é grande fã de Michel Temer. Aliás, de uns tempos a esta parte o presidente é como leprosário: um mal necessário, mas que não faz sucesso em lugar nenhum.

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