sábado, 1 de julho de 2017

JUNHO TERMINA COM AÉCIO DE VOLTA AO SENADO E OTRAS COSITAS MÁS

Terminou ontem o primeiro semestre de um ano que, no réveillon passado, prometia ser um oásis no deserto. Afinal, não haveria uma nova Dilma depois de 2016, nem outro governo como o dela, que já se foi tarde. Além disso, esperava-se que a deposição da anta vermelha e a derrocada de seu nefando partido resolvesse boa parte dos problemas da nação.

Observação: Apesar da guinada da Lava-Jato em direção a partidos como PMDB e PSDB, o PT ainda é, de longe, o partido mais associado à corrupção, segundo levantamento da Ipsos neste mês. De acordo com o instituto, 64% dos entrevistados afirmaram que o partido da estrela é mais associado à corrupção na Lava-Jato; 12% citaram o PMDB e 3% o PSDB.

Mas não se imaginava que Joesley Batista viria a abalar (ainda mais) os pilares da nossa (já combalida) republiqueta de bananas, ou que Temer ― e Aécio, a grande esperança dos antipetistas ― fosse tão corrupto quanto o próprio Lula (ou quase, porque o molusco eneadáctilo é um páreo duro). Ou que a ação do PSDB contra a chapa Dilma-Temer fosse julgada antes das eleições de 2018, e que a cachoeira de provas elencadas pelo ministro Herman Benjamin seria enterrada pelo presidente do TSE e seus cupinchas, para quem o que hoje é uma banana, amanhã ser uma laranja.

Seis meses se passaram, e o que temos hoje? Temos um presidente que entrará para a história não como o cara que reconduziu o Brasil à trilha do crescimento, mas como o primeiro presidente denunciado por corrupção no exercício do cargo. Temos um ex-governador que foi feito réu depois de Lula, e enquanto o petralha permanece empacado no quinto processo e aguarda a primeira sentença, o político carioca se tornou réu em outros 11 processos e foi condenado numa delas a mais de 14 anos de prisão.

Temos políticos do mais alto escalão confabulando em plena luz do dia para salvar seus abjetos rabos, para se candidatarem nas próximas eleições e não perderem a boquinha e o foro privilegiado. Temos um penta-réu, pré-hóspede do sistema penitenciário tupiniquim e campeão absoluto em rejeição popular, que quer voltar à presidência para “livrar o Brasil da corrupção”. Temos um Congresso afundado até os beiços na lama e no descrédito, onde os presidentes das duas Casas Legislativas ― e potenciais substitutos de Michel Temer na presidência da República ― são investigados pela Lava-Jato por práticas nada republicanas.

Lamentavelmente, não temos uma oposição efetiva (e não me venham falar no PSDB) nem lideranças emergentes capazes de desbancar macróbios como Sarney, FHC e outros “caciques” com décadas de janela e anos de vão de porta na putaria da política. Não temos magistrados a quem possamos confiar cegamente a guarda da Constituição Federal ― haja vista o papelão do presidente do TSE, que também integra o STF, no julgamento da chapa Dilma-Temer, ou a concessão de habeas corpus a assassinos condenados, como no caso do ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes, solto por decisão monocrática do ministro Marco Aurélio ― o mesmo ministro que, na manhã de ontem, rejeitou monocraticamente o pedido de prisão preventiva feito pela PGR contra o senador Aécio Neves e, consequentemente, restituiu-lhe o mandato parlamentar ― isso às vésperas do recesso do Judiciário, que começa hoje e se estende por todo o mês de julho. 

Isso sem falar na soltura do mentor intelectual do Mensalão, o guerrilheiro de araque José Dirceu, tido pela patuleia como o “guerreiro do povo brasileiro”, concedida pelo voto de 3 dos cinco membros da 2ª Turma do STF a pretexto de uma suposta “cruzada” contra as prisões preventivas excessivamente prolongadas da Lava-Jato. Ou na decisão estapafúrdia do ministro Fachin, que tirou da alçada do juiz Moro 4 ações derivadas das delações da Odebrecht (3 contra Lula e 1 contra Eduardo Cunha) porque “elas não tinham relação como o Petrolão”.

Que o segundo semestre descortine um cenário mais alvissareiro para os cidadãos de bem, que sustentam essa farra à custa de impostos escorchantes e já não aguentam mais tanta corrupção.

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