sábado, 22 de julho de 2017

MAIS SOBRE IMPRESTÁVEIS



Pressionado pelo rombo no orçamento e pela dificuldade em fechar as contas deste ano, o presidente mais impopular da nossa história e sua equipe econômica (que, curiosamente, é a mais eficiente dos últimos 15 anos) resolveram que a solução não é controlar os gastos públicos, mas, sim, aumentar impostos, ou seja, mandar a fatura para os contribuintes, que, embora não suportem mais ver a cara do Temer, terão de pagar do bolso pelos votos favoráveis ao presidente na CCJ e no plenário da Câmara (e essa é só a primeira denúncia; se Janot cumprir o que prometeu, duas outras virão antes de setembro, quando então as negociações espúrias deverão se repetir).

Resumo da ópera: O governo dobrou o PIS/COFINS sobre os combustíveis, propiciando um aumento de R$ 0,41 no litro da gasolina, R$ 0,20 no do dieses e R$ 0,19 no do álcool (que era isento desse tributo). Fazendo uma “conta de padeiro”, encher o tanque com gasolina ficará R$ 25 mais caro ― considerando a capacidade média de 50 litros. Com álcool, a bordoada é menor ― cerca de R$ 10 ―, o que torna mais atrativa a opção por esse combustível (e como os postos podem estipular livremente seus preços e ninguém ainda revogou a Lei da Oferta e da Procura, o provável aumento da demanda certamente resultará em novos aumentos de preço para o consumidor final, até porque, no Brasil, os efeitos da livre-concorrência costumam ser inibidos pela prática de cartelização.

Mudando de pato para ganso, por determinação do juiz Sérgio Moro a eterna alma viva mais honesta do Universo teve mais R$ 9 milhões bloqueados pelo BrasilPrev (fundo de previdência do Banco do Brasil), relativos a um plano empresarial da LILS (empresa de palestras de Lula). O molusco indigesto marcou presença na manifestação realizada ontem à noite, na mais paulista das avenidas, que, a despeito do frio, conseguiu ocupou um quarteirão e meio!  E isso com dois carros de som e mortadela à vontade para os mercenários de sempre. A do Rio reuniu cerca de 500 pessoas, e a de Brasília, fiasco ainda maior, algo em torno de 150 participantes. Quem compareceu ouviu a cantilena de sempre em confronto aberto com a realidade. A saber:

Lula: "Esse é o primeiro ato, eles sabem que nós vamos conquistar eleições diretas para o povo brasileiro". (Não há o que conquistar. Primeiro porque já temos eleições diretas regulares ― as próximas, em 2018. Segundo porque o PT, de fato, não as deseja para já. Não está preparado para enfrentá-las. Prefere Temer, fraco, até o fim do mandato que era de Dilma.)

Lula: “Se a PF, o Ministério Público e o juiz Sérgio Moro tiverem uma prova de que recebi cinco centavos, por favor, me desmoralizem, me prendam”. (A sentença de Moro que condenou Lula é recheada de provas, mas o petralha e seus apoiadores abilolados jamais as reconhecerão, como até hoje não reconhecem que o mensalão do PT existiu e que mensaleiros foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal com base em fartas provas.)

Gleisi Hoffmann, presidente do PT: "Se querem ganhar do Lula, ganhem nas urnas, ganhem nos votos". (Pelo que fez ou deixou de fazer, foi Lula que cavou a própria situação de eventualmente não poder ser candidato caso a segunda instância da Justiça confirme a decisão de Moro. Ele é réu em mais quatro processos, e a denúncia que acrescentará mais um à conta deve ser aceita a qualquer momento).

Lindbergh Farias: “Eles não estão nem aí se o Brasil está voltando para o mapa da fome". (A maior recessão econômica da história do Brasil, que desempregou mais de 14 milhões de pessoas, é obra do primeiro e do segundo governo de Dilma. Foi a recessão que devolveu à miséria muitos que haviam se livrado dela durante os dois governos de Lula).
Para fechar com chave de ouro: Paulo Okamoto, presidente do INSTITUTO LULA, que foi absolvido por falta de provas no processo em que seu chefe foi condenado a 9 anos de seis meses de prisão, recorreu da sentença. É mole?

Com Blog do Noblat.

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