sábado, 29 de julho de 2017

POPULARIDADE DE MICHEL TEMER CAI ABAIXO DO C* DO CACHORRO

CORRUPÇÃO NO BRASIL É COMO LENÇO DE PAPEL. VOCÊ PUXA UM E SAI UM MONTE.

A capital da República tupiniquim merece mesmo o epíteto de Brasilha da Fantasia. Fisicamente localizado no planalto central, o Distrito Federal mais parece um exoplaneta, de onde é impossível enxergar o que se passa no resto do país. Veja o leitor que nosso conspícuo presidente, em sua recente viagem à Alemanha, chegou a dizer que não existe crise econômica no Brasil (?!), a despeito dos quase 14 milhões de desempregados contabilizados nas últimas pesquisas.

Falando em pesquisas, a mais recente, realizada ANTES DO AUMENTO DOS COMBUSTÍVEIS, dá conta de que a avaliação do governo Temer vai de mal a pior. Seus índices de impopularidade superam os de Sarney no ápice da hiperinflação e rivalizam com os de Dilma às vésperas do julgamento do impeachment. Uma proeza invejável, mas que não surpreende, até porque, com os políticos que estão aí, não há nada tão ruim que não possa piorar.

Falando em Temer e sua desditosa antecessora, as semelhanças entre ambos estão cada vez mais evidentes. Quando estava cai-não-cai, a anta vermelha tentou comprar votos dos parlamentares para escapar da cassação ― na verdade, Lula montou um balcão de trocas de cargos e verbas por votos ― mas não funcionou, e ela levou um merecido pé na bunda. Temer se valeu do mesmo expediente no mês passado, quando liberou quase R$ 2 bilhões em emendas parlamentares, para comprar o apoio das marafonas da Câmara ― políticos que se vendem como damas da noite em zonas de baixo meretrício. É certo que conseguiu votos suficientes para mudar seu destino na CCJ, mas nada garante que conseguirá o mesmo resultado no próximo dia 2, quando o quórum necessário para iniciar a votação é de 342 deputados.

Observação: Nunca é demais lembrar que Michel Temer afirmou enfaticamente que o inquérito no STF seria o território onde ele provaria sua inocência, e que iria determinar agilidade nas apurações, e coisa e tal, mas o que vem fazendo desde então é mover mundos e fundos (principalmente fundos) para sepultar a denúncia.

Dilma chegou à presidência de carona com a popularidade de Lula, que a escolheu para manter o trono aquecido até poder se candidatar novamente. Isso porque José Dirceu e Antonio Palocci já não “estavam disponíveis” (por motivos que todos nós conhecemos), e Marina Silva dificilmente se deixaria manobrar como a anta vermelha.

Assim, Dilma, que sem saber atirar virou modelo de guerrilheira, sem ter sido vereadora virou secretária municipal, sem passar pela Assembleia Legislativa virou secretária de Estado, sem estagiar no Congresso virou ministra, sem ter inaugurado nada de relevante fez pose de gerente de país, sem saber juntar sujeito e predicado virou estrela de palanque, adicionou a seu invejável currículo o fato de, sem ter tido um único voto na vida, virar candidata a presidente da República e, pior, ser eleita em 2010 e reeleita em 2014 (isso é o que acontece quando um país não prioriza a educação).

Temer formou-se advogado, especializou-se em Direito Constitucional e iniciou a carreira política como secretário de Segurança Pública de São Paulo, em 1985. No ano seguinte, elegeu-se deputado constituinte pelo PMDB, foi reeleito deputado federal, presidiu a Câmara por três vezes e o partido durante mais de 15 anos. Foi escolhido por Lula para ser vice de Dilma quando Henrique Meirelles ― que era presidente do Banco Central e hoje, por uma dessas ironias do destino, comanda a pasta da Fazenda ― enfrentou forte resistência dentro do próprio PMDB. Permaneceu como vice ― um vice decorativo, como ele próprio costumava dizer ― durante os quase 2.000 dias em que a mulher sapiens ocupou a presidência, compactuando com todos os seus malfeitos e se beneficiando do dinheiro sujo que irrigou ambas as campanhas, notadamente a de 2014.

Com Eduardo Cunha ― então presidente da Câmara e hoje hóspede involuntário do complexo médico penal de Pinhais, em Curitiba ―, Temer articulou o impeachment da presidenta. Com o afastamento dela, em maio de 2016, assumiu interinamente o comando da nação. Foi efetivado cerca de 3 meses depois, quando a desinfeliz acabou sendo devida e definitivamente expelida do Planalto, e foi esse o momento em que  perdeu sua primeira grande chance de renunciar.

Amanhã eu conto o resto.

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