sexta-feira, 8 de setembro de 2017

FERIADÃO DA VERGONHA DE SER BRASILEIRO

A DESVANTAGEM DO CAPITALISMO É A DISTRIBUIÇÃO DESIGUAL DE RIQUEZAS; A VANTAGEM DO SOCIALISMO É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. 

O feriadão da independência adentra pelo final de semana prolongado, e eu sigo aqui, na linha da vergonha nacional, escândalo após escândalo. A coisa chegou a tal ponto que, sempre que a gente acha que já viu de tudo, um fato novo ainda mais estarrecedor mostra como estávamos enganados. Mas estarrecedores, mesmo, são os detalhes, os pequenos senões que nos escapam quando olhamos somente a grande figura. E, como diz um velho ditado alemão, o Diabo mora nos detalhes.

Nunca foi preciso ser gênio investigativo para inferir que sempre houve algo de podre por trás do projeto de poder do PT e de seu folclórico líder ― ora hexa-réu e virtual hóspede compulsório do sistema penal brasileiro ― nem tampouco clarividente para intuir que um governo chefiado por um “poço de virtudes”, como Dilma, não poderia daria certo. Difícil mesmo é saber com certeza as razões que levaram o molusco eneadáctilo a gestar, parir e aturar sua criatura por tanto tempo. Especula-se que ela sabia demais, pois, como revelou o ex-ministro petista Antonio Palocci em seu depoimento ao juiz Moro, na tarde de ontem, desde os tempos em que foi nomeada ministra de Minas e Energia de Lula, Dilma participou ativamente dos malfeitos orquestrados pelo populista parlapatão e seus paus-mandados.

Palocci está negociando um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava-Jato, mas prontificou-se a colaborar espontaneamente com a Justiça. Durante o depoimento, ele reconheceu ser o “Italiano” das planilhas do departamento de propina da Odebrecht, confessou ter praticado crimes na Petrobrás e entregou Lula e Dilma ― que continuam negando todas as acusações e, a despeito da clareza meridiana das evidências, protestando inocência num batido ramerrão que, convenhamos, já encheu o saco.

Palocci revelou também que foi responsável pela conta do PT e de Lula com a Odebrecht, confessou o esquema, citou reuniões com o ex-presidente e estimou que a reserva do PT teria alcançado R$ 300 milhões, e que a de Lula, identificado como “Amigo”, a R$ 40 milhões. Segundo ele, houve um acerto entre Odebrecht e o governo Lula para a prática de atos de ofício que beneficiassem a empresa em troca de propinas ― um “pacote de vantagens”, tanto de negócios para empresa como valores para o partido. Isso porque a eleição de Dilma preocupou a cúpula da Odebrecht, e para comprar a boa-vontade do novo governo, sobretudo a influência de Lula na gestão da sucessora, a empresa montou o pacote com a compra do terreno do Instituto Lula e do sítio em Atibaia, além de disponibilizar cerca de R$ 300 milhões em vantagens indevidas (para utilização em campanhas ou para fins partidários/pessoais).

O que há de estarrecedor nisso? Nada, a não ser a cara-de-pau desse povo, que insiste em negar as evidências, e da “ingenuidade” de seus baba-ovos, que parecem acreditar em sua sacrossanta inocência. Mas se tem gente que ainda acha que Elvis não morreu...

ATUALIZAÇÃO

Na manhã desta sexta-feira, em Salvador, a PF prendeu o ex-ministro Geddel Vieira Lima (que já cumpria prisão domiciliar, mas sem tornozeleira, já que o dispositivo está em falta na secretaria de administração penitenciária da Bahia).

No mandado de prisão, o juiz Vallisney de Souza, da 10ª Vara Federal de Brasília, levou em conta os indícios reunidos pela PF sobre a associação do peemedebista baiano com os R$ 51 milhões apreendidos num apartamento supostamente usado pelo político como “bunker”.

Geddel havia sido preso no dia 3 de julho, suspeito de atrapalhar investigações no âmbito da Operação Cui Bono, mas deixou a Papuda para cumprir prisão domiciliar por determinação do TRF-1 ― medida que cheira a maracutaia, pois o propósito era diminuir o desconforto do ex-ministro para evitar um possível acordo de delação.

Amanhã a gente continua. Até lá.

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