segunda-feira, 9 de abril de 2018

LULA, SEUS QUEIXUMES E OUTRAS ABERRAÇÕES DO CENÁRIO POLÍTICO




O criminoso de Garanhuns é réu em 7 ações penais (ou em dez, segundo ele próprio afirmou no discurso do último sábado). Foi condenado em primeira instância 9 anos e meio de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro (no caso envolvendo o tríplex no Guarujá, a que ele se referiu no mesmo discurso como “meu apartamento”), teve a pena aumentada para 12 anos e 1 mês na segunda instância e, depois de ver naufragarem seus pedidos de habeas corpus, foi alvo de um mandado expedido pelo juiz Sérgio Moro por determinação do TRF-4. E o que acontece?

Acontece que o farsante tripudiou da PF (ou passou a mão na bunda dos policiais, como bem definiu um jornalista da Jovem Pan News), limpou o rabo com a ordem de prisão (como disse outro jornalista de não me lembro qual emissora), cagou na cabeça da Justiça (como estou dizendo eu) e, do alto de sua empáfia, estabeleceu quando e onde se entregaria, não sem antes protagonizar um dramalhão de deixar mortos de inveja os melhores novelistas mexicanos. O prazo de 24 horas que lhe foi concedido por deferência ao cargo que ele um dia ocupou expirou às 17 horas da última sexta-feira. Mesmo assim, o ex-presidente permaneceu entocado na sede do sindicato dos metalúrgicos do ABC, juntamente com um bando de comparsas que o estimulavam a esticar a corda ao máximo (na esperança de que alguma instância do Judiciário relaxasse a prisão iminente do criminoso condenado).

A pantomima seguiu noite adentro. Na manhã de sábado, após a celebração de uma bizarra missa negra ― supostamente em homenagem ao 68º aniversário natalício da ex-primeira dama vermelha, falecida em fevereiro do ano passado ―, escancarou-se a agonia da seita do inferno, cujo sumo pontífice está fadado a discursar nos próximos anos somente para pecadores juramentados reunidos no pátio da cadeia. Como bem salientou Augusto Nunes, a exploração de cadáver juntou no mesmo palanque um Lula quebrado, os medonhos requebros de DilmaGleisi Hoffmann e seu sorriso de Miss Simpatia da população carcerária e outras abjeções. Nenhum dos presentes, incluindo os padres, seria capaz de recitar a segunda parte do credo. Deus deve ser mesmo brasileiro. Só isso explica o motivo de a pequena multidão não ter sido fulminada por algum dos raios bíblicos que, em outros séculos, dizimavam concentrações de pecadores irrecuperáveis.

O demiurgo discursou para os militontos como se realmente precisasse convencê-los, a despeito de essa patuleia ser incapaz de vislumbrar um único ato espúrio na sua “prodigiosa biografia” ― como também é incapaz de encontrar o próprio rabo usando as duas mãos e uma lanterna. Já para as pessoas racionais que tiveram paciência para ouvir o ramerrão do petista com um mínimo de atenção, o amontoado de mentiras que permeou sua conversa mole para boi dormir foi um verdadeiro insulto, sobretudo quando ele reafirmou seu orgulho de ser o único presidente do Brasil sem um diploma universitário ― esquecendo-se de que divide essa “honra” com Café Filho. Ou quando disse que o Brasil foi “o último país a ter uma universidade” ― na verdade, a Escola de Cirurgia da Bahia, criada em 1808, passou formalmente à condição de universidade em 1937, enquanto que a primeira universidade de Angola data de 1962, a da Etiópia, de 1950, e a da Arábia Saudita, de 1956.

O molusco parlapatão também vomitou seu inconformismo com o Power Point canhestro de Deltan Dallagnol, que, segundo ele, teria dito que o Partido dos Trabalhadores é uma organização criminosa criada para roubar o Brasil. Na verdade, o que Dallagnol disse foi: “O que nós vemos é um partido político, o PT, buscando arrecadar recursos para se perpetuar no poder” e “Não se julga aqui a adequação de sua [do PT] posição de mundo, de sua ideologia, mas se avalia se a agremiação se envolveu, por meio de seus diversos prepostos, em crimes específicos”.

Em momento algum Dallagnol proferiu a frase que lhe foi atribuída, como também jamais disse ― nem ele nem qualquer outro procurador da Lava-Jato ― que “não precisava de provas [para denunciar Lula] porque tinha convicções”. Isso é mais uma balela em defesa da tese abilolada de que o petralha teria sido condenado sem provas. A frase atribuída ao procurador é na verdade uma interpretação de outras que foram ditas na entrevista coletiva que sucedeu a apresentação da denúncia contra Lula (assista aos vídeos que acompanham esta reportagem para conferir o conteúdo na íntegra). A propósito, a denúncia do MPF não citou o PT como uma organização criminosa; na ocasião, foi dito apenas que existia uma organização criminosa da qual Lula seria o chefe e que incluía diretores da Petrobras e políticos de diversos partidos.

Lula desafiou procuradores e seus asseclas, o juiz federal Sérgio Moro e os desembargadores do TRF-4 para um debate sobre as provasque embasaram as investigações que levaram à sua condenação. Rosnou que o MPF e a PF mentiram ao atribuírem a ele o tríplex no condomínio Solaris, pivô de sua sentença a 12 anos e um mês de prisão, que não os perdoa por darem à sociedade a ideia de que ele, Lula, é ladrão, e por permitirem que fossem feitos “pixulecos no Brasil inteiro, que passou a chamá-lo e a seus cúmplices de “petralhas”.

A pantomima de quase uma hora (cuja transcrição você pode acessar a partir deste link) começou com uma longa saudação a políticos, sindicalistas e artistas que estavam no carro de som. O parlapatão incorrigível chegou mesmo a desejar sucesso a alguns políticos que já se declararam candidatos na eleição de 2018 ― se não foi efeito do marafo, certamente foi uma “revelação divina” de que sua trajetória política está próxima do final. Relembrou episódios das greves de 1979 e 1980 para dizer que “mais importante do que vencer é consolidar visões políticas”, e daí partiu para um impiedoso ataque à imprensa, no qual criticou emissoras de televisão, jornais, revistas e rádios do interior, chegando a citar nominalmente as redes Bandeirantes, Record e Globo, o jornal “O Globo” e a revista “Veja” (talvez porque ninguém tenha lido para ele os editorias de Época e IstoÉ). Na sequência, voltou a se declarar inocente e a criticar duramente o Ministério Público e o Judiciário, reafirmou que não está acima da Justiça, mas que acredita “numa Justiça justa, que decide com base na prova concreta”, reforçando a ideia de que tanto os procuradores do MPF quanto os juízes não promoveram julgamentos técnicos, mas sim politizados e destinados a agradar a opinião pública. Como se não bastasse, defendeu a “regulamentação da mídia” (logo ele, que combateu o regime militar) e exortou suas milícias paramilitares a espalhar o terror pelo país.

O besteirol foi encerrado depois que o demiurgo disse que se entregaria, mas que ninguém seria capaz de prender suas ideias. “Eu vou lá [para a prisão] com a crença de que vão descobrir o que tenho dito todo dia. Eles não sabem que o problema deste país não se chama Lula, chama-se vocês, a consciência do povo. Não adianta tentar evitar que eu ande por este país. Porque tem milhões de Boulos, de Manuelas e Dilmas para andar por mim. [...] Meu coração baterá pelo coração de vocês. São milhões de corações...

Depois de incitar os militontos a fazerem protestos e ocupações pelo país, tomar as ruas e queimar pneus para defender seu legado, Lula reafirmou que provará sua inocência ― o que me parece um tanto falacioso, pois o sevandija já foi condenado por nada menos que 9 magistrados (sem contar os que rejeitaram seu pedido de habeas corpus ao STF) e é réu em outras 6 ações criminais (que estão em diferentes fases processais), isso sem mencionar as investigações em curso, que podem virar denúncias e resultar em mais processos contra ele.

O PT de Lula deixou a roupagem “paz & amor” ― conferida por Duda Mendonça, que aboliu o lema “A luta continua, companheiros” porque luta lembra baderna ― para se tornar um partido não mais de greve e piquete, mas de confundir o Estado consigo próprio, de hegemonia absoluta conquistada na força, de adoração absoluta e incondicional ao líder. É preciso ter em mente que o que ocorreu neste final de semana, mais do que a prisão de um ex-presidente da República, foi a prisão de um criminoso julgado e condenado por ter cometido ilegalidades durante e após o exercício do cargo.

Em suma, Lula é falso como uma nota de R$ 3.

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