quinta-feira, 21 de junho de 2018

SOBRE A ABSOLVIÇÃO DE GLEISI E O EFEITO SUSPENSIVO DA CONDENAÇÃO DE LULA



Na última terça-feira, a 2ª Turma do STF avançou noite adentro para absolver, por unanimidade, a presidente da quadrilha vermelha, Gleisi Hoffmann, e seu marido, o ex-ministro petralha Paulo Bernardo, da acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e por 3 votos a 2, de falsidade ideológica eleitoral (crime popularmente conhecido como “caixa 2).

O processo contra o casal petralha chegou à Corte em março de 2015 e foi recebido pela segunda turma, também por unanimidade, no final de setembro de 2016. A denúncia, fundamentada nas delações premiadas do ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, do doleiro Alberto Youssef e do advogado Antonio Pieruccini, foi considerada “insuficiente” para embasar uma condenação.

Narizinho é alvo de outras duas denúncias da PGR: uma envolvendo o núcleo político do PT, sob a acusação de que a sigla recebeu propina por meio da utilização da Petrobras, do BNDES e o Ministério do Planejamento, e outra que trata de uma linha de crédito entre Brasil e Angola, que teria servido de base financeira à corrupção na campanha da senadora ao governo do Paraná em 2014.

Na próxima terça-feira, véspera do jogo do Brasil contra a Sérvia, essa mesma turma julgará mais um recurso da defesa de Lula, que pede a concessão de efeito suspensivo da condenação que levou o molusco abjeto à prisão.

Há quem veja a absolvição de Gleisi como um ensaio derradeiro do elenco que prepara para o próximo dia 26 o ato mais audacioso da interminável ópera dos infames. Se os ministros acharam as caudalosas provas que afogaram no pântano do Petrolão a presidente do PT, o maridão e um comparsa, podem fazer de conta que Lula é mesmo a alma viva mais pura do planeta e, portanto, tirá-lo da cadeia.

De acordo com Augusto Nunes, a opção pela miopia malandra levou a bancada dos libertadores de delinquentes a atropelar o Código Penal e absolver a “menina” que, segundo Roberto Requião, “queria ser freira para ajudar os pobres”. Essa espécie de miopia não é uma disfunção visual, mas uma decorrência de fraturas no caráter. Se Lula for absolvido no dia 26, a 2ª Turma deixará de ser um tribunal para se transformar no departamento jurídico do grande Clube dos Cafajestes. Caso se consume essa afronta ao país que pensa e presta, os juízes de araque vão descobrir que podem muito, mas não podem tudo. Mesmo num Brasil infestado de vigaristas verbosos, ainda existem juízes de verdade. Existem também milhões de cidadãos honrados, todos decididos a apressar o sepultamento da canalhice hegemônica.

Para outros analistas, porém, dificilmente o pedido da defesa do criminoso de Garanhuns será acolhido, em que pese a absolvição de Gleisi. Até porque o assunto já se esgotou com a decisão do plenário da corte de negar habeas corpus ao paciente. Se o julgamento não se encerrar numa única sessão, a decisão ficará para agosto, devido ao recesso de meio de ano do Judiciário.

Gleisi se safou no STF, mas Lula deve continuar a cadeia. Uma coisa é desmontar as denúncias de Rodrigo Janot, outra coisa é reverter uma pena imposta por Sergio Moro e corroborada por todos os desembargadores do TRF-4 e todos os ministros do STJ.

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