A RETA É O CAMINHO MAIS CURTO ENTRE DOIS PONTOS.
Depois que Steve Jobs revolucionou a telefonia celular com o lançamento do iPhone, a concorrência se viu forçada a promover seus dumbphones a smartphones.
Mais adiante, os telefoninhos inteligentes se tornaram verdadeiros computadores ultraportáteis, e hoje a maioria dos usuários só recorre a um PC de mesa ou portátil quando precisa de tela grande, teclado físico e mais poder de processamento do que os pequenos notáveis são capazes de oferecer.
Cerca de 70% dos smartphones usam atualmente o sistema Android, lançado pelo Google em 2008, enquanto 30% rodam o iOS — sistema proprietário desenvolvido pela Apple para seus iPhones (segundo dados do StatCounter referentes a junho de 2026).
A Microsoft perdeu o bonde da história ao não conseguir transformar o Windows Mobile numa alternativa capaz de enfrentar o Android e o iOS. Embora tivesse experiência no segmento móvel muito antes do iPhone, sua estratégia não acompanhou a velocidade da transformação provocada pelos smartphones de tela sensível ao toque, e seu sistema móvel, lançado em novembro de 2015, foi a derradeira tentativa de estabelecer uma plataforma móvel competitiva.
Em um mea-culpa pela falta de visão, Bill Gates disse em 2020 que “ALGUMA FALHA DA MINHA PARTE QUE FEZ A MICROSOFT NÃO SER O QUE O ANDROID É HOJE”.
O Windows Mobile não era um sistema ruim, mas tampouco era bom o bastante para fazer frente aos concorrentes. E havia um problema particularmente cruel: devido ao número reduzido de usuários, poucos desenvolvedores se interessavam em criar aplicativos para o sistema; e sem aplicativos ficava difícil conquistar novos usuários. É o velho círculo vicioso das plataformas.
Em setembro de 2013, Microsoft e Nokia anunciaram o acordo pelo qual a primeira compraria praticamente toda a divisão de dispositivos e serviços da segunda. A operação foi concluída em abril de 2014, quando o Windows Phone ainda ocupava uma posição relevante entre os sistemas móveis, mas não era o segundo colocado mundial — os dados citados pela própria Microsoft o colocavam em terceiro lugar, atrás de Android e iOS. Mas esse “casamento” não produziu os frutos esperados.
A Microsoft chegou a lançar uma variedade considerável de aparelhos Lumia, e fabricantes como HP, Acer e Lenovo apostaram na plataforma, mas o ecossistema nunca alcançou a escala necessária para enfrentar os dois gigantes já estabelecidos. Em outubro de 2017, Joe Belfiore, então executivo da Microsoft, confirmou que novos recursos e hardware para o Windows 10 Mobile deixariam de ser prioridade, citando justamente a baixa participação de mercado e a consequente falta de aplicativos de terceiros.
Assim, o sistema móvel da Microsoft acabou entrando para a história da informática como uma daquelas boas ideias que chegaram tarde demais à festa. A última versão, 1709, foi lançada em outubro de 2017, e o suporte oficial terminou em dezembro de 2019. Mas diz um velho ditado que não se pode ganhar todas, e que o bom general escolhe suas batalhas e reconhece a hora de recuar, para estar vivo no próximo embate.
Passando ao mote desta postagem, o Windows continua liderando com folga o mercado mundial de sistemas operacionais para computadores pessoais, bem à frente do macOS da Apple, que,, ocupa o segundo lugar, e anos-luz adiante de sistemas como o Linux e o ChromeOS, que dividem o restante do mercado.
Por outro lado, causa espécie o fato de um sem-número de usuários — notadamente os mais jovens — digitar com desenvoltura nos acanhados teclados virtuais dos celulares e se atrapalhar com o teclado físico de um notebook ou desktop.
Um estudo publicado em 2019 por pesquisadores da ETH Zürich, da Universidade de Cambridge e da Universidade de Aalto analisou mais de 37 mil usuários e descobriu que os jovens de 10 a 19 anos digitavam no celular cerca de 10 palavras por minuto mais rápido que a geração dos pais. Usando os dois polegares, a média chegou a aproximadamente 38 palavras por minuto — apenas cerca de 25% abaixo da velocidade observada em teclados físicos.
Um estudo de 2022 também chamou atenção para a forma como as novas gerações desenvolvem sua proficiência em digitação. Atualmente, boa parte dessa habilidade não vem mais de cursos formais de datilografia, mas da prática espontânea e prolongada. E há uma ironia deliciosa nisso: a geração chamada de “nativos digitais” pode ser extremamente competente em determinadas tecnologias digitais, mas completamente inepta em outras que nós, veteranos da informática, consideramos elementares.
Digitar rápido não significa dominar o computador. A molecada pode ter desenvolvido enorme competência em entrada de texto por touchscreen, mas carece das habilidades associadas ao ambiente de trabalho do computador tradicional: combinações de teclas, atalhos, navegação pelo texto com o teclado, uso de Shift, Ctrl, Alt etc., gerenciamento de arquivos e outras operações que não possuem equivalente intuitivo no celular. Alguns não sabem sequer copiar e colar utilizando os atalhos mais famosos da história da informática: Ctrl+C e Ctrl+V.
Concluída essa (não tão) breve introdução, relaciono a seguir sete atalhos para as edições 10 e 11 do Windows que podem mudar seu dia a dia sem exigir a instalação de programas de terceiros:
— Win+H ativa a digitação por voz do Windows. Em um campo de texto compatível, basta pressionar as duas teclas para abrir a ferramenta de ditado e começar a falar. É especialmente útil para e-mails, mensagens e rascunhos rápidos.
— Win+PrtScn captura a tela inteira e salva automaticamente a imagem na pasta Imagens > Capturas de Tela, em vez de simplesmente colocá-la na área de transferência. Assim, não é preciso pressionar PrtScn, abrir o Paint, colar a captura e só então salvá-la.
— Win+Shift+S abre a ferramenta de captura do Windows. A tela escurece e você pode selecionar a área desejada, inclusive em formato retangular, livre ou de janela, conforme a versão do sistema. O resultado é copiado automaticamente para a área de transferência.
— Win+ponto (.) abre o painel de emojis, GIFs e símbolos. É daqueles atalhos que parecem bobagem até o dia em que você precisa de um símbolo que não está à mão — e descobre que ele estava escondido atrás de duas teclas.
— Win+Ctrl+D cria uma nova área de trabalho virtual. Você pode alternar entre elas com Win+Ctrl+seta para a esquerda/direita e fechar a área de trabalho atual com Win+Ctrl+F4. É uma maneira bastante prática de separar, por exemplo, trabalho, navegação e vida pessoal sem ficar empilhando janelas umas sobre as outras.
— Win+Ctrl+Q abre a Assistência Rápida, recurso nativo do Windows que permite ajudar outra pessoa — ou receber ajuda — por meio de uma conexão remota. Naturalmente, isso não significa que você deva entregar o controle do computador ao primeiro desconhecido que aparece afirmando ser técnico da Microsoft: use o recurso apenas com pessoas em quem você confia.
— Win+D mostra imediatamente a área de trabalho, minimizando as janelas abertas. Pressione novamente e elas reaparecem exatamente como estavam. É provavelmente um dos atalhos mais simples e úteis do sistema da Microsoft.
Há ainda um daqueles atalhos que fazem você se perguntar como conseguiu viver sem ele: Win+seta para a esquerda/direita encaixa a janela ativa em uma das metades da tela e o próprio sistema sugere outras janelas para ocupar o espaço restante. É particularmente útil quando se precisa consultar um documento enquanto se trabalha em outro, por exemplo.
A moral da história é simples: quem conhece meia dúzia de atalhos não precisa necessariamente ser um expert do teclado. Basta saber onde apertar. Até porque, no mundo dos computadores, às vezes duas teclas bem escolhidas fazem um caminho muito mais curto do que uma dúzia de cliques.
