quarta-feira, 30 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 121ª PARTE

QUE A REALIDADE SEJA APENAS O PONTO DE PARTIDA PARA A NOSSA FICÇÃO.

Como vimos nos capítulos anteriores, algumas das teorias mais ousadas da física contemporânea admitem a existência de dimensões adicionais do espaço e até mesmo de outros universos coexistindo ao lado do nosso. Também vimos que, caso essas dimensões realmente existam, é possível que aquilo que percebemos como enormes distâncias esconda atalhos invisíveis para quem está confinado às quatro dimensões do espaço-tempo.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Quando não há alternativa, a decisão está tomada. Até aqui, a coragem dos candidatos favoritos ao Planalto revelou-se uma realidade fugidia, que desapareceu tão logo foram convidados a se expor em debates. Espremidos num empate técnico nas pesquisas, Bolsonarinho e o macróbio eneadáctilo foram intimados pelas circunstâncias a abandonar o comportamento de avestruz. 

No último domingo, o filho do presidiário confirmou que irá ao debate da Globo, na quinta-feira. Falou em timbre de desafio. "Estou chamando o Lula para o debate", disse, além de desdenhar de Ronaldo Caiado e Augusto Cury, que também estarão no debate: "Eu não tenho adversários concorrendo comigo, a não ser o Lula". Escalou o salto alto: "É ele que eu vou tirar da Presidência".

Seja qual for o desempenho, os dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas tendem a conservar os votos de suas respectivas tribos. Mas o embate da Globo, a três dias da eleição, será a última oportunidade para ambos tentarem seduzir o eleitorado não alinhado, fiel da balança. 

Ao confirmar presença no último debate do primeiro turno, Bolsonarinho torna incontornável a presença do postulante ao quarto mandato.. Ausentar-se agora premiaria o adversário com o monopólio do confronto, e a fuga poderia ser letal.


À primeira vista, essa ideia parece pertencer exclusivamente ao terreno da ficção científica. Afinal, como seria possível encurtar distâncias de bilhões de anos-luz sem violar o limite imposto pela velocidade da luz? Surpreendentemente, essa possibilidade surgiu não na literatura nem no cinema, mas da própria Relatividade Geral de Einstein.


Em 1935, Albert Einstein e Nathan Rosen perceberam que determinadas soluções das equações da Relatividade permitiam imaginar uma espécie de "ponte" ligando regiões muito distantes do espaço-tempo. Essas estruturas ficaram conhecidas como pontes de Einstein-Rosen e, mais tarde, ganharam um nome muito mais sugestivo: buracos de minhoca (ou buraco de verme, na tradução literal do inglês wormhole).


Os buracos de minhoca são soluções matemáticas das equações da Relatividade Geral que, em princípio, poderiam conectar dois pontos muito distantes do espaço — ou até dois instantes diferentes no tempo. Em vez de percorrer toda a distância entre dois lugares, uma espaçonave atravessaria um atalho criado pela própria geometria do espaço-tempo, reduzindo uma viagem que levaria milhões ou bilhões de anos a um intervalo muito menor.


Para visualizar essa ideia, imagine uma maçã aparentemente perfeita. Para quem caminha apenas sobre sua superfície, a menor distância entre dois pontos consiste em seguir ao longo da casca. Um "bicho de maçã", porém, pode escavar um túnel através do interior da fruta e chegar ao destino percorrendo um caminho muito menor. Segundo alguns modelos teóricos, algo semelhante poderia acontecer com o próprio Universo.


Mas nem tudo são flores nesse jardim. Segundo a Relatividade Geral, esses túneis seriam extremamente instáveis, tendendo a colapsar quase instantaneamente, antes que qualquer partícula conseguisse atravessá-los. Em outras palavras, mantê-los abertos representa um dos maiores desafios da física teórica.


É justamente aí que entra um dos conceitos mais curiosos dessa história: a chamada matéria exótica. Apesar do nome, ela não tem qualquer relação com alienígenas ou substâncias misteriosas produzidas por civilizações avançadas. Trata-se apenas da denominação dada a uma forma hipotética de matéria ou energia com propriedades muito diferentes das observadas na matéria comum, incluindo a possibilidade de apresentar densidade de energia negativa. Alguns fenômenos quânticos sugerem que efeitos desse tipo possam ocorrer em escalas microscópicas, mas ninguém sabe se seria possível reunir quantidade suficiente para estabilizar um buraco de minhoca.


É nesse ponto que a ciência se torna particularmente interessante. Em vez de afirmar categoricamente que essas estruturas existem ou não existem, ela reconhece os limites do conhecimento disponível. Os buracos de minhoca permanecem como soluções matemáticas perfeitamente legítimas, mas cuja existência física ainda aguarda confirmação experimental. A matemática permite sua existência; a natureza ainda não disse se concorda.


Suponhamos, porém, que um buraco de minhoca pudesse permanecer aberto. Se uma de suas extremidades fosse submetida a uma dilatação temporal diferente da outra — por exemplo, viajando a velocidades próximas à da luz ou permanecendo durante longo tempo sob intensa gravidade —, suas duas "bocas" deixariam de marcar o mesmo instante no tempo. Nesse caso, atravessar o túnel deixaria de ser apenas uma viagem pelo espaço para tornar-se também uma viagem no tempo.


Essa possibilidade foi estudada em detalhes pelo físico teórico Kip Thorne e seus colaboradores, do Caltech. Segundo seus cálculos, uma das extremidades do buraco de minhoca poderia ser transportada para as proximidades de uma estrela de nêutrons ou acelerada até velocidades relativísticas. Como o tempo transcorreria de forma diferente em cada extremidade, surgiria uma defasagem temporal entre elas. Se essa diferença fosse, por exemplo, de dez anos, alguém que atravessasse o túnel poderia emergir dez anos no futuro. E, fazendo o percurso inverso, retornaria ao passado — embora nunca pudesse chegar a um instante anterior à criação do próprio buraco de minhoca.


Naturalmente, tudo isso permanece no terreno das hipóteses. Até hoje, nenhum buraco de minhoca foi observado, e não sabemos sequer se o Universo permite que essas estruturas existam de forma estável. Ainda assim, elas representam uma consequência legítima das equações da Relatividade Geral e continuam sendo objeto de intensa investigação por parte dos físicos.


Atravessar um atalho espacial já seria um feito extraordinário, mas a física reserva uma surpresa ainda maior: dependendo da maneira como esses túneis se comportam, talvez eles não encurtem apenas as distâncias, mas também o próprio tempo.


É justamente nesse ponto que nossa história deixa de tratar apenas de geografia cósmica para entrar em um território onde passado, presente e futuro começam a perder seus significados habituais. Quando isso acontece, surgem alguns dos paradoxos mais intrigantes de toda a física — assunto do próximo capítulo.


Continua…

terça-feira, 29 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 120ª PARTE

QUANDO O ELEVADOR PARA EM OUTRO UNIVERSO.

Vimos no capítulo anterior que alguns modelos derivados da Teoria M admitem a possibilidade de nosso Universo ser apenas uma entre inúmeras "branas" coexistindo em um espaço de dimensões superiores. 


Embora permaneça sem confirmação experimental, essa hipótese amplia de maneira extraordinária nossa visão do cosmos. Afinal, se o Universo não for tudo o que existe, haveria alguma forma de atravessar a fronteira entre essas membranas cósmicas?


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Numa eleição, todo candidato é sua autoestima dividida pelo desprezo que desperta no eleitorado. No caso de Romeu Zema, a equação conduz a um resultado patológico. Zema é pressionado pelos correligionários do partido Novo a desistir em favor de Flávio Bolsonaro. Mas não dá o braço a torcer: "Levo a minha proposta até o final", disse ele no vídeo. "Derrotei já o PT duas vezes em Minas Gerais. E sou um candidato ficha limpa, sem rabo preso e que mais combate a corrupção, que é o grande câncer do Brasil".Só faltou Zema definir o seu conceito de fim. Na nova rodada da Quaest, Zema aparece com 1% das intenções de voto. A uma semana do primeiro turno, esse percentual cai como uma lápide sobre qualquer autoestima. Mas Zema, com a candidatura jurada de morte pelo eleitor, assegura que seu projeto político está cheio de vida.


À primeira vista, a resposta parece ser negativa. Se universos vizinhos existissem, nós já não os teríamos encontrado? Ocorre que essa objeção parte de uma suposição que talvez não seja verdadeira: a de que a menor distância entre dois pontos é sempre aquela que percebemos. Talvez a geometria do espaço seja muito mais surpreendente do que nossa intuição permite imaginar.


Para entender melhor, imagine duas folhas de papel colocadas sobre uma mesa. Um pequeno inseto desenhado sobre uma delas poderia caminhar indefinidamente por sua superfície sem jamais alcançar a outra. Agora imagine que alguém dobre as folhas até que dois pontos muito distantes fiquem praticamente encostados. Para o inseto, a travessia continuaria impossível; para quem observa de fora, bastaria um pequeno salto para passar de uma folha à outra. 


Talvez o espaço funcione de maneira semelhante. Se as dimensões adicionais previstas pela Teoria M realmente existirem, aquilo que percebemos como enormes distâncias pode esconder atalhos invisíveis para quem está confinado às quatro dimensões do espaço-tempo. Em outras palavras, dois pontos separados por bilhões de anos-luz poderiam estar muito mais próximos quando observados através de dimensões superiores.


Essa possibilidade não surge apenas da imaginação dos físicos, mas da própria estrutura matemática da teoria. As dimensões extras não seriam grandes extensões ocultas em algum lugar do cosmos, e sim dimensões compactificadas — enroladas sobre si mesmas em escalas tão diminutas que escapam completamente à nossa percepção.


Vista de longe, uma mangueira de jardim parece apenas uma linha, mas uma formiga caminhando sobre ela percebe algo que escapa ao observador distante: além de avançar para a frente ou para trás, ela pode contornar toda a circunferência da mangueira. Em outras palavras, a dimensão adicional sempre esteve ali; apenas permanecia invisível devido à escala.


Segundo alguns modelos da Teoria M, algo semelhante poderia ocorrer com o próprio Universo. As dimensões extras talvez influenciem o comportamento das partículas e até expliquem por que a gravidade é muito mais fraca que as demais forças fundamentais, como se parte de sua intensidade "vazasse" para dimensões às quais não temos acesso direto.


Convém ter em mente que tudo isso permanece no terreno das hipóteses. Até hoje, nenhuma evidência experimental confirmou a existência dessas dimensões adicionais, cuja detecção exigiria energias muito superiores às que conseguimos produzir atualmente — daí elas permanecerem como uma das grandes incógnitas da física contemporânea.


Supondo que essas dimensões realmente existam, talvez o espaço seja muito menos rígido do que imaginamos, e distâncias aparentemente intransponíveis poderiam esconder caminhos inesperados, invisíveis para quem observa apenas as quatro dimensões familiares. 


É justamente dessa possibilidade que nasce uma das ideias mais fascinantes da física moderna: a existência de atalhos através do espaço-tempo, conhecidos como buracos de minhoca — ou pontes Einstein-Rosen —, sobre os quais falaremos no próximo capítulo.


Continua…

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 120ª PARTE

HAY PERSONAS QUE, ADEMÁS DE NO HACERNOS COMPAÑÍA, NOS ROBAN LA SOLEDAD.

Vimos no capítulo anterior que a Teoria das Cordas busca unificar todas as forças fundamentais da natureza a partir de duas ideias ousadas: a de que todas as partículas são minúsculos filamentos de energia em permanente vibração; e a de que existem outras dimensões além das quatro conhecidas (três espaciais e uma temporal). Nesse contexto, o Universo seria uma gigantesca sinfonia em que cada modo de vibração das "cordas" corresponde a uma partícula diferente. 


A beleza matemática faz dessa proposta a principal candidata à tão sonhada Teoria de Tudo, mas o problema é que as hipotéticas cordas são tão pequenas que nenhuma tecnologia disponível é capaz de detectá-las — daí parte da comunidade científica considerá-la uma elegante construção teórica que carece de confirmação experimental. Nas versões atuais da Teoria das Supercordas, o Universo teria dez dimensões, e em sua formulação mais abrangente — conhecida como Teoria M — teria onze. Mas a pergunta que se coloca é: se essas dimensões existem, por que não conseguimos percebê-las?


Para entender melhor, imagine uma formiga caminhando sobre uma mangueira de jardim. Vista de longe, parece que ela só pode seguir adiante ou voltar para trás, mas ela pode igualmente andar ao redor da mangueira, explorando uma dimensão que passa despercebida para um observador distante. E a Teoria das Cordas sugere algo semelhante: as dimensões extras não estariam escondidas em algum lugar do cosmos, mas seriam extremamente pequenas e "enroladas" sobre si mesmas, tornando-se invisíveis na escala em que vivemos. 


Se essa hipótese estiver correta, o Universo pode ser muito mais complexo do que imaginamos, e é justamente nesse ponto que a história fica mais intrigante: se essas dimensões adicionais abrem caminho para uma das ideias mais fascinantes da física moderna, então a possibilidade de outros universos coexistirem ao lado do nosso é no mínimo plausível.


Até aqui, tratamos as dimensões extras apenas como um ingrediente necessário para que a Teoria das Cordas funcionasse, mas elas conduzem a uma consequência muito mais surpreendente: na Teoria M, as cordas deixam de ser os únicos protagonistas e passam a dividir o palco com objetos com várias dimensões, chamados branas (do inglês membranes), que podem ser imaginadas como superfícies que se estendem pelo espaço em diferentes números de dimensões.


Algumas branas se parecem com linhas, outras com folhas, outras ainda com volumes de dimensões superiores, impossíveis de visualizar intuitivamente. Segundo essa perspectiva, o próprio Universo pode ser uma dessas branas, ou seja, tudo o que conhecemos, das galáxias, estrelas, planetas, seres vivos e até nós mesmos — estaria confinado à superfície de uma gigantesca membrana cósmica mergulhada em um espaço de dimensões superiores.


Supõe-se que as branas podem coexistir muito próximas umas das outras em uma dimensão que não conseguimos perceber, e embora pareçam vizinhas em um espaço de dimensões superiores, são completamente inacessíveis para quem vive confinado dentro de uma delas — assim como duas páginas contíguas de um livro estão separadas por uma espessura minúscula, mas um personagem desenhado em uma das páginas jamais conseguiria atravessar para a outra.


Se isso estiver correto, é possível que existam inúmeros universos, cada qual com suas próprias propriedades físicas. Alguns poderiam ser praticamente idênticos ao nosso, e outros, tão diferentes que nem mesmo átomos ou estrelas conseguiriam existir. 


Vale salientar que tudo isso permanece no campo das hipóteses. Até o momento, não existe qualquer evidência experimental da existência de branas ou de outros universos. Trata-se de uma consequência matemática de alguns modelos da Teoria M, ainda distante de uma confirmação observacional. Como acontece com tantas ideias da física de fronteira, a elegância da teoria é inegável, mas a natureza ainda não revelou se ela corresponde à realidade. Por outro lado, a simples possibilidade de o Universo ser apenas uma entre inúmeras "membranas" cósmicas já basta para ampliar nossa perspectiva. 


Achávamos que a Terra fosse o centro de tudo até descobrirmos que ela é apenas um planeta entre bilhões. Agora, surge a hipótese de nosso Universo ser apenas um entre incontáveis outros. E, se isso parece extraordinário, espere pelo próximo capítulo, porque a viagem está apenas começando.


Continua…

domingo, 27 de setembro de 2026

MACARRÃO TRADICIONAL VS MACARRÃO INSTANTÂNEO (MIOJO)

NEM TUDO QUE RELUZ É OURO E NEM TUDO QUE BALANÇA CAI.

O macarrão se tornou a peça chave da dieta dos italianos no século XIII, depois que Marco Polo o trouxe da China, e chegou ao Brasil no começo do século passado, juntamente com o queijo, o vinho e outros produtos típicos da Itália.


O famigerado macarrão instantâneo japonês (Miojo é marca, mas virou sinônimo do produto) se tornou popular por ter preço baixo, vida útil longa, não requerer outros ingredientes além de água, ficar pronto em 3-5 minutos e ser oferecido em diversos sabores. 


Como nada é perfeito, essa gororoba é pré-frita, seu teor de sódio pode chegar a 1,5 g por pacote — mais da metade da recomendação diária —, e o que lhe falta em valor nutricional sobra em conservantes, aditivos artificiais e gorduras saturadas.


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Sujeito oculto da sucessão de 2026, Jair Bolsonaro tentou voltar à cena na última quarta-feira, pedindo ao ministro Nunes Marques que suspendesse sua prisão domiciliar, de modo a poder circular livremente enquanto o tribunal não julga o pedido de revisão criminal da condenação que lhe impôs mais de 27 anos de prisão por liderar o complô do golpe. 

Menos de três horas depois, a defesa do preso deu meia-volta, desistindo do pedido, mas o vaivém produziu uma baixa no time de advogados do presidiário. O causídico Marcelo Bessa, que assinou o pedido de liberdade, deixou a equipe de defensores do "mito" preso. 

O curto-circuito que levou à saída do doutor foi reduzido a "uma reavaliação da estratégia da defesa". O movimento não apagou a impressão de que a soltura de Bolsonaro, além de esdrúxula, seria um escárnio. Esdrúxulo porque, até aqui, não surgiu nenhum fato novo capaz de desconstruir as provas que levaram à condenação de Bolsonaro. A solicitação de revisão criminal deu entrada no Supremo em 8 de maio. Escolhido como relator por sorteio, Nunes Marques requisitou manifestação da PGR, que se posicionou contra o pedido em 16 de junho. A liberação de Bolsonaro mediante uma liminar que antecipa uma decisão que cabe ao plenário do Supremo. Daí o escárnio.

Bolsonaro tentou retornar ao palco eleitoral a dez dias do primeiro turno da eleição presidencial. Deu sinal de vida num instante em que a autoridade de Alexandre de Moraes, relator do caso do golpe, derrete no caldeirão do Master. A manobra pareceu menos jurídica do que política, já que ele se reposicionaria em cena envergando sua fantasia de vítima. 

Um detalhe ajudou a comprometer o enredo: a toga de Nunes Marques, indicado ao Supremo por Bolsonaro, também está manchada por vínculos promíscuos com Daniel Vorcaro.


Já o macarrão tradicional (tanto fresco quanto seco) tem menos conservantes e aditivos, pouco sódio, cozinha em 8-12 minutos, é muito mais saudável e pode ser combinado com vegetais ou outros ingredientes nutritivos, deixando a refeição mais balanceada e apetitosa. Um molho de tomate como manda o figurino não fica pronto em menos de 2 horas, mas é possível prepará-lo com antecedência e guardar na geladeira por até 7 dias (ou no freezer por até 3 meses).


Para os tradicionalistas, macarrão se come com molho ao sugo, feito com tomates frescos ou pelados. A versão básica surgiu por volta do século XVIII, quando o tomate passou a ser amplamente utilizado na região sul da Itália, e se tornou a base para molhos mais complexos, como bolonhesa (com carne moída), putanesca (com alcaparras, azeitonas e aliche), arrabiata (com alho, azeite e muita pimenta), entre outros.

 

O espaguete é o formato de macarrão mais popular e consumido em todo o mundo (entre 30% e 50% de participação no mercado, conforme a região). Eu prefiro talharim, fettuccine, farfalle, e até fusilli, mas, como dizia minha avó, o que seria do verde se todos gostassem somente do amarelo? Além disso, qualquer desses formatos vai bem com molho ao sugo, como na receita a seguir, que é a mais simples que conheço: 

 

1) Em uma panela média, aqueça o azeite de oliva;

 

2) Adicione a cebola e alho picados e refogue por 2-3 minutos;

 

3) Acrescente o tomate pelado e cozinhe em fogo médio por 15 minutos;

 

4) Tempere com sal e uma pitada de açúcar e mexa bem para misturar os sabores;

 

5) Transfira o macarrão (cozido al dente) do escorredor para a panela do molho e misture bem;

 

6) Coloque a massa numa travessa, acrescente folhas de manjericão fresco e polvilhe queijo parmesão ralado a gosto.

 

Dica: Cozinhe a massa por um minuto a menos do tempo indicado na embalagem, ou ela passará do ponto enquanto estiver sendo misturada com o molho.


Bom apetite.

sábado, 26 de setembro de 2026

ASTEROIDE CAPAZ DE LIBERAR ENERGIA EQUIVALENTE À DE 22 BOMBAS NUCLEARES ENTRA NO RADAR DA NASA

HÁ MALES QUE VÊM PARA O BEM. O RESTO VEM DO ESPAÇO SIDERAL..

Uma imagem divulgada pela NASA mostra o asteroide Bennu durante a missão OSIRIS-REx, que tem cerca de 500 metros de diâmetro e é capaz de liberar uma energia equivalente à de 22 bombas nucleares em caso de impacto com a Terra. 


Bennu cruza periodicamente a órbita terrestre e sua trajetória é acompanhada há anos por cientistas. Segundo os cálculos mais recentes, a data que concentra a maior probabilidade de um eventual impacto é 24 de setembro de 2182.


Isso está longe de significar que uma colisão seja esperada: de acordo com a Nasa, a probabilidade total de Bennu atingir a Terra até o ano de 2300 é de aproximadamente 1 em 1.750, ou 0,057%. Já para 24 de setembro de 2182, a chance é de cerca de 1 em 2.700, equivalente a 0,037%. Em outras palavras, há mais de 99,9% de probabilidade de que o impacto não aconteça.


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Apesar dos rumores, a postura omissa do presidente do Congresso em relação ao escândalo do Master nunca foi devidamente explicada. Davi Alcolumbre ignorou os pedidos de instalação de uma CPI para apurar o caso, recusou-se a responder a um ofício sobre eventuais entradas de Vorcaro nas dependências do Senado, negou-se a fornecer à Polícia Federal a lista de visitantes do gabinete do senador Jaques Wagner, suspeito de receber propina, e sempre desconversa quando indagado sobre o nível de suas relações com o ex-banqueiro. 

Mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro iluminam essa zona de sombra revelando que Alcolumbre é um amigo fraterno, um irmão, um parceiro fiel com quem o dono do Master podia contar a qualquer tempo, a qualquer hora, para qualquer coisa. Entre os dois, a intimidade ia muito além do limite da camaradagem. O senador recorria ao banqueiro até para resolver questões prosaicas, como tentar identificar a fonte de um jornalista, ao passo que o banqueiro recorria ao senador quando precisava abrir certas portas. Festas e encontros privados fortaleceram essa conexão.

Em junho passado, pouco depois de Davi Alcolumbre inviabilizar a criação da CPI no Congresso, uma reportagem de VEJA revelou detalhes de uma proposta de delação premiada que a defesa de Daniel Vorcaro encaminhou à Polícia Federal. Nela, entre outras revelações, o banqueiro se oferecia para falar sobre pagamentos feitos ao senador numa conta secreta aberta no exterior. Em troca de benefícios, o dono do Master prometia revelar o caminho de 30 milhões de dólares repassados a Alcolumbre por serviços prestados pelo político. O acordo de colaboração, no entanto, não foi aceito. Na época, o parlamentar disse que as informações eram falsas e, numa reunião com os colegas, negou até mesmo conhecer o banqueiro. Na última quarta-feira, quatro meses depois da ofensiva de Alcolumbre contra a criação de uma CPI, o ministro Cristiano Zanin negou um recurso para a instalação da comissão de inquérito sob o argumento de que não se comprovou omissão do presidente do Senado em apurar o escândalo financeiro e suas ramificações políticas. Em paralelo, seu colega Luiz Fux abriu prazo para que o presidente do Congresso se manifeste sobre um pedido do partido Novo para que se tornem públicos os registros de entrada e saída no Senado de diversas pessoas, incluindo Daniel Vorcaro. 

Em um dos últimos registros em poder dos investigadores, o dono do Banco Master pergunta a Alcolumbre se ele tem notícias do “nosso amigo”. “Estou em Cima!!! Pressão!!!”, respondeu o senador. A sombra começa a se dissipar.


Os números resultam de um refinamento inédito dos cálculos da órbita do asteroide, obtido graças à missão OSIRIS-REx, lançada em 2016, que chegou a Bennu em 2018 e permaneceu por mais de dois anos estudando detalhadamente o objeto. Durante esse período, a sonda mediu sua forma, massa, rotação, composição e outros fatores que influenciam sua trajetória ao redor do Sol.


Em outubro de 2020, a missão realizou uma operação histórica ao coletar amostras da superfície do asteroide. O material retornou à Terra em 24 de setembro de 2023 e continua sendo analisado. Além de fornecer pistas sobre a formação do Sistema Solar, as amostras ajudam a compreender melhor as propriedades físicas de Bennu e os efeitos que podem alterar sua órbita ao longo do tempo.


Outro momento considerado decisivo ocorrerá em 2135, quando Bennu fará uma aproximação significativa da Terra. Essa passagem não oferece risco de colisão, mas a gravidade do planeta poderá modificar levemente a órbita do asteroide, e a intensidade dessa alteração determinará suas trajetórias nas décadas seguintes e permitirá atualizar as estimativas de risco para os séculos futuros.


Além da gravidade exercida pelos planetas, a órbita de Bennu sofre influência do chamado efeito Yarkovsky — fenômeno provocado pela absorção e posterior emissão de calor pelo asteroide. Embora produza uma força muito pequena, ela é suficiente para alterar lentamente sua trajetória ao longo de décadas e séculos. As observações da OSIRIS-REx permitiram que esse efeito fosse calculado com muito mais precisão.


Segundo a Nasa, esse avanço representa um marco para os programas de defesa planetária. Quanto mais precisamente a órbita de um asteroide potencialmente perigoso for conhecida, maior será a capacidade de prever aproximações futuras e, se necessário, desenvolver estratégias para evitar uma colisão.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

IDENTIFICADO O MATEMÁTICO QUE VIVEU HÁ MAIS DE MIL ANOS E ELABOROU CÁLCULOS SOBRE MOVIMENTOS PLANETÁRIOS

A MATEMÁTICA É A LINGUAGEM COM QUE O UNIVERSO FOI ESCRITO — GALILEU GALILEI

Há muito tempo se sabia que os maias possuíam conhecimentos sofisticados em astronomia e matemática, mas desconheciam quem eram os responsáveis por esses trabalhos. Agora, uma equipe de arqueólogos conseguiu atribuir uma dessas fórmulas a um indivíduo chamado Sak Tahn Waax (algo como "Raposa de Peito Branco", numa tradução livre). 


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Lula usou o discurso na Assembleia Geral da ONU para mirar o público interno e listar temas que têm dominado a campanha no Brasil. Despejando seus inevitáveis garranchos verbais para o mundo, o eterno Demiurgo de Garanhuns falou para o eleitorado brasileiro e, a 12 dias do primeiro turno, retirou do paiol um armamento antigo: o fator democrático. "A democracia está novamente em xeque", declarou. Sem mencionar Trump, incorporou-o à retórica ao dizer que o regime é atacado por "inimigos internos e externos".

À sua maneira, o macróbio eneadáctilo admitiu que o desejo de permanecer no Planalto desafia os ventos: "Existe, em todo o mundo, um anseio legítimo por mudanças", reconheceu. Em seguida, ponderou: "Mudar não é retroceder". Disse que os eleitores vão às urnas em 4 de outubro não para escolher um presidente, mas para "decidir entre democracia e negacionismo".

Há quatro anos, o apelo à democracia rendeu ao molusco uma vitória magra sobre Bolsonaro. Contra um adversário que atacou as vacinas numa pandemia e as urnas numa eleição, venceu por 2 milhões de votos. Imaginou que Flávio Bolsonaro, o filho do capitão, seria o adversário dos sonhos, mas descobriu que ele aparece nas pesquisas como rival competitivo. 

Ironicamente, o petista guerreia contra o retrocesso em 2026 com um armamento de 2022. A questão agora é saber se seus objetivos eleitorais serão alcançados.


Como aponta a National Geographic, a inscrição foi encontrada na estrutura conhecida como 10K-2 — uma pequena sala retangular descoberta em Xultún, famosa desde 2012 por preservar pinturas murais e dezenas de pequenos textos matemáticos escritos nas paredes. Agora, uma análise detalhada revelou que o penúltimo glifo traz a frase “che-he-na”, interpretada como "assim diz..." ou "é dito por...", e o último registra o nome Sak Tahn Waax. 


Após identificar a assinatura, a equipe concluiu que os glifos registram equações matemáticas relacionadas aos ciclos de Vênus e Marte — um dos principais interesses dos astrônomos maias. Os cálculos permitiam acompanhar um período de 2.920 dias, correspondente a cinco ciclos completos de Vênus. A partir das datas registradas na parede, os pesquisadores estimam que a fórmula tenha sido elaborada em 781 d.C..


O texto chama atenção por ser composto praticamente apenas de números e operações matemáticas, sem narrativas históricas ou descrições de acontecimentos, algo incomum nas inscrições maias. "Não havia substantivos, não havia verbos; não se tratava de descrever um evento. Era pura matemática", afirmou Heather Hurst, diretora do Projeto San Bartolo-Xultun no sítio arqueológico e coautora do estudo, em entrevista à National Geographic.


Os arqueólogos acreditam que a sala funcionava como um espaço de trabalho para especialistas em astronomia. Segundo os pesquisadores, as inscrições nas paredes podem representar uma etapa de preparação para informações que posteriormente seriam registradas em códices — os livros produzidos pelos maias em papel feito da casca de árvores.


Até hoje, os nomes preservados pelas inscrições maias pertenciam quase exclusivamente a reis, sacerdotes e governantes. Por isso, o extraordinário desta descoberta é que, pela primeira vez, foi possível identificar nominalmente um cientista maia — alguém cujo trabalho era produzir conhecimento matemático e astronômico, e não exercer poder político ou religioso.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 119ª PARTE

O TEMPORA, O MORES…

O otimista é um ingênuo e o pessimista, um chato; melhor mesmo é ser um realista esperançoso, que reconhece os fatos, inclusive os desagradáveis, não fecha os olhos diante de estatísticas desfavoráveis e resultados preocupantes, mas tampouco transforma probabilidades em certezas. 


Entretanto, existe uma diferença enorme entre dizer "a situação é complicada" e dizer "está tudo perdido", pois a primeira frase descreve um cenário; a segunda decreta um destino.


Essa postura é muito próxima do método científico: em vez de partirem do pressuposto de que tudo vai dar certo ou vai dar errado, os pesquisadores formulam hipóteses, reúnem evidências, reveem conclusões quando surgem novos dados e seguem investigando enquanto a resposta não é conhecida.


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Ganhar a eleição já no primeiro turno é a meta de todos os candidatos. Sonho quase impossível, considerando que, das últimas nove disputas presidenciais, só duas foram decididas na etapa inicial — em 1994 e 1998 —, e isso porque FHC surfou no ocasional fator da unidade nacional em torno do combate à inflação e da estabilidade econômica. Em 2002, a eleição do macróbio que ora postula o quarto mandato — e cujos garranchos verbais milhões de brasileiros não suportam mais ouvir — introduziu na cena o antagonismo materializado no conceito do "nós contra eles", cuja continuidade se traduziu na reação do "eles contra nós" e tornou o debate político refém de duas forças políticas conduzidas pela afeição ou rejeição da maioria dos brasileiros. Essa dinâmica reduziu a possibilidade de construção de consensos mínimos e minou a probabilidade de as eleições presidenciais serem resolvidas na primeira etapa. Lula não conseguiu liquidar logo a fatura, mesmo quando estava nos píncaros da popularidade. É de se imaginar que tenha sido vítima do próprio veneno ao jogar na divisão, apostando na hipótese de a maioria se perfilar ao lado dele. Os índices de mais de 80% de aprovação ao fim do segundo mandato não se traduziram em apoio suficiente para repetir o feito de FHC, que apostou num projeto coletivo de economia estável enquanto Lula se apoiou no culto à própria personalidade. Insistiu nessa toada no terceiro mandato, a despeito das evidências de fadiga dessa matéria-prima, subestimou a oposição aos seus planos de continuidade eterna, dentro e fora do universo político. Agora, apresenta-se ao presidente um dilema. O molusco eneadáctilo se vê como grande líder, mas não lidera uma saída para a crise institucional, arrisca-se a encerrar a carreira com uma derrota vexaminosa para o herdeiro do golpista condenado. E, se ganhar, não está apto a oferecer ao Brasil nada além da promessa de "fazer mais" do mesmo.

Em qualquer dos cenários, o que se vê adiante é estrada escura e um caminho deserto.


Mutatis mutandis, a mesma premissa embasa esta série, até porque em vez de afirmar que viajar no tempo é possível ou impossível, prefiro convidar o leitor a acompanhar o que a física realmente diz, distinguindo fatos, hipóteses e especulações: em última análise, uma postura de curiosidade disciplinada, não de crença, na qual o otimista aposta sem olhar as cartas, o pessimista desiste antes do embaralhar, e o realista esperançoso joga sabendo que pode ganhar ou perder, e só descobrirá o resultado se permanecer na mesa.


Não há aqui qualquer pretensão de oferecer receitas para a felicidade ou frases de efeito, mas apenas uma constatação bem-humorada sobre a condição humana: vivemos sem garantias, porém com escolhas. E, enquanto houver escolhas, sempre fará sentido seguir em frente.


Feitas essas considerações, voltemos à nossa viagem, começando por dizer que, até aqui, tratamos o universo como um palco composto por três dimensões espaciais e uma temporal — um modelo que, durante mais de um século, descreveu com extraordinária precisão praticamente tudo o que observamos. Mas e se ele estiver incompleto? E se existirem outras dimensões ocultas de nossos sentidos, tão pequenas que passam despercebidas?


Embora possam soar como ficção científica, essas possibilidades estão no coração de uma das mais ousadas construções da física moderna: a Teoria das Cordas, que nasceu da tentativa de unificar todas as forças fundamentais da natureza, mas exige algo que desafia profundamente nossa intuição: a existência de dimensões adicionais do espaço. Segundo ela, todas as coisas do universo são compostas por filamentos de energia que vibram como as cordas de um violão, criando diferentes modos de vibração que supostamente correspondem às diversas partículas fundamentais da natureza.


Nessa analogia, o universo seria uma gigantesca sinfonia, na qual cada 'nota' daria origem a uma partícula diferente, mas dificuldade de provar a existência de algo tão minúsculo divide a comunidade científica: alguns pesquisadores consideram a Teoria das Cordas a candidata mais promissora à tão sonhada teoria de tudo, enquanto outros argumentam que, sem previsões passíveis de verificação experimental, ela corre o risco de permanecer mais próxima de uma elegante construção matemática do que de uma teoria física propriamente dita.


Vale ressaltar que, enquanto a Relatividade Geral descreve o universo em quatro dimensões (três espaciais e uma temporal), a Teoria das Cordas exige dimensões adicionais para que sua estrutura matemática permaneça consistente. Nas versões atuais da Teoria das Supercordas, são necessárias dez dimensões, e em sua formulação mais abrangente, conhecida como Teoria M, esse número sobe para onze, sendo sete ocultas à nossa percepção, cujas diferentes formas de vibração corresponderiam, entre outras partículas, aos fótons — partículas da luz — e aos grávitons, partículas hipotéticas que surgiriam numa descrição quântica da gravidade.


A Teoria das Cordas impressiona os físicos pela elegância, pela simetria de suas formulações matemáticas e por apontar para algo profundo sobre a estrutura do universo. No entanto, nosso primeiro impulso é reagir com incredulidade. Afinal, basta olhar ao redor para percebermos que vivemos em um universo com três dimensões espaciais, às quais o tempo assoma como uma quarta dimensão. Onde, então, estariam as dimensões adicionais? E se elas realmente existem, por que não conseguimos percebê-las?


A resposta começa por uma constatação curiosa: nossos sentidos não são árbitros absolutos da realidade. Durante milênios, acreditamos que a Terra era imóvel, que o Sol girava ao seu redor e que o espaço e o tempo eram absolutos. Cada uma dessas certezas acabou sendo revista à medida que novas observações e teorias ampliaram nossa compreensão do universo. Não seria a primeira vez que a natureza se revelaria mais complexa do que nossa intuição permitia imaginar.


É justamente aí que entra uma das analogias mais conhecidas da física teórica. Imagine uma formiga caminhando sobre uma longa mangueira de jardim. Vista de muito longe, a mangueira parece apenas uma linha. Para quem a observa à distância, existe apenas uma direção possível: para frente ou para trás. A formiga, entretanto, enxerga uma realidade diferente. Além de avançar ao longo da mangueira, ela pode contorná-la, caminhando em torno de sua circunferência. Em outras palavras, a formiga percebe uma dimensão que passa despercebida ao observador distante.


Segundo a Teoria das Cordas, algo semelhante poderia acontecer conosco. As dimensões adicionais não seriam grandes extensões ocultas em algum lugar do cosmos, mas dimensões extraordinariamente pequenas, "enroladas" sobre si mesmas — tão diminutas que escapam completamente à nossa percepção e aos instrumentos atualmente disponíveis. É por isso que, embora vivamos imersos nelas, temos a impressão de existir em apenas três dimensões espaciais.


Essa ideia recebeu o nome de compactificação. Em termos simples, significa que certas dimensões não desapareceram nem deixaram de existir; apenas permanecem compactadas em escalas tão minúsculas que, para todos os efeitos práticos, tornam-se invisíveis.


Se isso já parece difícil de imaginar, as dimensões extras são apenas o começo. No próximo capítulo, veremos que algumas versões da Teoria das Cordas abrem caminho para algo ainda mais surpreendente: outros universos coexistindo ao lado do nosso.


Continua…