sábado, 12 de setembro de 2026

SOBRE A EXPANSÃO DO UNIVERSO

ONE FLEW EAST, ONE FLEW WEST, ONE FLEW OVER THE CUCKOO'S NEST.

Ao analisar dados envolvendo um tipo específico de explosão estelar, um grupo de pesquisadores anunciou ter confirmado a noção — há muito aceita — de que o Universo está se expandindo em ritmo acelerado. O resultado do novo estudo difere de uma pesquisa publicada no ano passado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, segundo a qual a expansão cósmica não estaria mais acelerando.


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Bolsonaro, também conhecido como "refugo da escória da humanidade", guindou o pastor presbiteriano André Mendonça ao STF menos por seus conhecimentos jurídicos do que por sua alma "terrivelmente evangélica". Os pendores religiosos do apadrinhado afloraram nos últimos dias: Mendonça converteu o embate com o colega Alexandre de Moraes numa guerra santa do bem contra o mal, atiçando os fiéis com um vídeo postado nas redes sociais. "Estejam certos de que suas preces a Deus têm sido fundamentais..." 

Michelle Bolsonaro chamou-o o ministro "ungido do Senhor"; líderes religiosos passaram a cultuar sua coragem. De uns dias para cá, ele virou o sujeito cada vez menos oculto da campanha do filho de seu benfeitor e ganhou mais de 1 milhão de novos seguidores no Instagram.

O Supremo equilibrou-se por tanto tempo na beirada do vácuo que acreditou que o abismo, assim como o inferno da escatologia cristã, seria apenas uma ficção admonitória. De repente, a ficção tornou-se real: a suprema corte já pode ser dividida em duas fases: AC e DC. 

Antes do caos, dava jeito para tudo — de unha encravada a tentativa de golpe. Depois do caos, ficou sem jeito. Já não está à beira do abismo. Experimenta a vivência do abismo.

Cristãos genuínos têm muito respeito por Deus para considerá-lo responsável pela instrumentalização político-religiosa do Judiciário. Ao confiar em Deus na crise institucional, Mendonça conseguiu provar que o inferno existe — e não funciona.

Edson Fachin, presidente de turno do STF, Edson Fachin, diz que a gravidade da crise "não autoriza atalhos" e promete respostas "rigorosas", mas com "prudência e comedimento", demorando a perceber uma obviedade: em meio a grandes crises, quem mata o tempo é suicida. O magistrado ainda não esboçou o futuro, mas já virou espectador do pretérito passando diariamente sob seu bigode.

Flávio Dino não atropelou apenas Mendonça. Ao reintegrar Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos de diretor-geral e diretor de inteligência da PF, o ministro indicado por Lula trombou também com Fachin. Na prática, antecipou-se à decisão do chefe do Supremo sobre o recurso protocolado na véspera pela Advocacia-Geral da União.

Fachin poderia ter revogado a liminar de Mendonça, mas preferiu dar 72 horas para que o colega apresentasse suas contrarrazões. Ao se antecipar, Dino transformou Fachin em asterisco: continua compondo o enredo da crise, só que virou nota de rodapé.

Dino atendeu a um recurso atravessado por Andrei Rodrigues num inquérito explosivo. Trata da suspeita de desvio de verbas de emendas parlamentares para o filme Dark Horse. O chefe da PF argumentou que seu afastamento atrapalharia a investigação. Relator do caso, Dino deu razão ao delegado. O comitê do filho do capetão passou da celebração à preocupação. A sucessão presidencial passa pelos atalhos no Supremo.


A descoberta da equipe — que inclui dois ganhadores do Prêmio Nobel — baseou-se em dois conjuntos de dados diferentes de um tipo de explosão estelar chamada supernova do tipo Ia, utilizada para calcular vastas distâncias cósmicas. Esses eventos causam a destruição de um objeto chamado anã branca — o remanescente de uma estrela de massa baixa a intermediária no fim de seu ciclo de vida. Essas explosões têm aproximadamente a mesma luminosidade, mas o brilho observado muda dependendo da distância da Terra, o que as torna valiosas como marcos cósmicos de distância na investigação da estrutura do Universo.


Vale relembrar que o modelo cosmológico padrão se baseia na teoria do Big Bang, segundo a qual o Universo surgiu há aproximadamente 13,8 bilhões de anos e vem se expandindo desde então. Em 1998, cientistas revelaram que essa expansão está acelerando por conta de uma força invisível chamada energia escura.


Observação: Cerca de 95% do Universo é composto por matéria escura e energia escura. Em outras palavras, tudo o que conhecemos, observamos e conseguimos explicar representa meros 5% do cosmos. Todavia, enquanto a matéria escura aumenta a atração gravitacional, mantendo as galáxias coesas, a energia escura — uma das maiores incógnitas do universo — produz um efeito gravitacional repulsivo em grandes escalas, acelerando a expansão cósmica.


Além da matéria e da energia escuras, o Universo reúne matéria comum — estrelas, planetas, gás e poeira, por exemplo —, que corresponde a 5% de seu conteúdo total. Já a matéria escura, conhecida por suas influências gravitacionais sobre galáxias e estrelas, representa 27%, e a energia escura, 68%.


Os autores do estudo de 2025 — que também saiu na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society — concluíram que a energia escura está enfraquecendo e parou de acelerar a expansão do Universo. O astrofísico Young-Wook Lee, da Universidade Yonsei (Coreia do Sul), defendeu as descobertas da sua equipe e disse que os principais argumentos apresentados pelos pesquisadores no novo estudo têm "falhas metodológicas graves ou levam a conclusões que são internamente inconsistentes por sua própria lógica". Já os pesquisadores do novo estudo expressaram confiança na metodologia e nas conclusões que confirmam a aceleração.


Vale destacar que as galáxias não estão se movendo a velocidades superluminais, mesmo porque isso iria de encontro (e não ao encontro) das teorias de Einstein, segundo as quais nada contendo matéria pode se mover mais rápido que a luz.  


Para entender melhor, imagine o cosmos como uma bexiga de borracha e as galáxias como as letras da inscrição "Feliz Aniversário". Conforme a bexiga é inflada, a distância entre as letras aumenta, não por elas mudarem de lugar, mas por acompanharem a expansão do látex.


A natureza física da energia escura permanece desconhecida, mas o recém-inaugurado Observatório Vera Rubin, no Chile, e o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman podem fornecer algumas respostas.


Por último, mas não menos importante, vale relembrar que as teorias científicas mais aceitas atualmente se baseiam no modelo cosmológico padrão, que se baseia no Big Bang. Apesar do nome, o nascimento do Universo não teria sido uma explosão, mas uma grande expansão que perdura até hoje. Dois anos depois de publicar a Teoria da Relatividade Geral, Einstein propôs um modelo de universo estático e introduziu a constante cosmológica para equilibrar a gravidade e evitar um colapso gravitacional. 


Uma década mais tarde, Edwin Hubble observou que as galáxias estavam se afastando — evidência de que o cosmos estava, de fato, em expansão. Na mesma época, Georges Lemaître deduziu que algo que estava se expandindo deveria ter sido menor em algum momento.


A possibilidade de retornar ao instante em que toda a vastidão do Universo estava concentrada em uma massa extremamente quente e densa deu origem à hipótese do "átomo primordial", segundo a qual o tempo e o espaço só passaram a existir quando esse "átomo primitivo" começou a se expandir. 


A proposta ganhou tração em 1948, quando George Gamow propôs que o Universo primordial era extremamente quente e denso, condição na qual os primeiros elementos químicos teriam sido sintetizados — ou "cozidos" a partir de uma "sopa de partículas fundamentais", deixando como resquício uma radiação de fundo que permeia o cosmos até hoje.

 

No mesmo ano, Fred Hoyle, Thomas Gold e Hermann Bondi levantaram a hipótese de que o Universo não tinha começo nem fim, pois era constantemente "reabastecido" com matéria nova, gerada em todos os lugares e momentos. Durante uma palestra, Hoyle ironizou a ideia de um surgimento cósmico repentino, dizendo que toda a matéria fora criada em um "grande estrondo", num momento específico do passado remoto. 


A ironia pegou, e o termo Big Bang foi rapidamente adotado pela imprensa, mas ignorado por físicos e astrônomos, já que o fenômeno descrito não seria uma explosão no sentido tradicional, mas o início de uma expansão cósmica que começou há quase 14 bilhões de anos e cujos efeitos ainda podem ser observados por meio do desvio para o vermelho na luz das galáxias distantes — indicando que elas continuam se afastando de nós.


A despeito da imprecisão, o nome Big Bang se espalhou pelo mundo como um bordão irresistível. Em 1993, a revista Sky and Telescope organizou um concurso para substituir o nome e recebeu 13.099 sugestões de 41 países, mas nenhuma convenceu a banca de jurados, que incluía Carl Sagan, e o nome permaneceu.

 

Hoyle demonstrou que todos os elementos que compõem o Universo estão sendo "cozidos" no caldeirão das estrelas desde sempre, e que a vida deveria ser uma ocorrência comum no cosmos. A ideia não soava absurda para a comunidade científica — segundo o especialista em poeira estelar Ashley King, quase todos os elementos do corpo humano foram forjados em estrelas, muitos deles ejetados por sucessivas supernovas. Mas Hoyle foi mais além, sustentando que inúmeras epidemias estariam associadas à passagem de meteoritos cujas partículas trariam vírus à Terra. 


Essa tese foi vista como mais compatível com os 19 romances de ficção científica de Hoyle do que com seu trabalho acadêmico, e ele acabou entrando para a história como o homem que batizou uma teoria na qual ele mesmo nunca acreditou.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 118ª PARTE

EM CASA DE ENFORCADO NÃO SE FALA EM CORDA.

Vimos que encontrar uma “teoria de tudo”, capaz de explicar todas as forças da natureza e reconciliar a relatividade geral com a mecânica quântica, seria o equivalente científico do Santo Graal, da Pedra Filosofal e do mapa do tesouro descobertos na mesma escavação arqueológica.


A física moderna trata elétrons, quarks e outras partículas como pontos sem estrutura interna, em contraste com a antiga ideia de que a matéria fosse composta por partículas fundamentais indivisíveis. Mas a Teoria das Cordas propõe algo radicalmente diferente. Segundo ela, as partículas fundamentais não seriam pontos, e sim minúsculas cordas unidimensionais vibrando em frequências diferentes.


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Não é institucionalmente saudável o engajamento de candidatos na defesa e no ataque a juízes supremos. Do jeito que a coisa vai mal na cena política, dá vontade de dormir agora para só acordar em 2030.Um traço comum entre implicados e citados nos escândalos em tela é o fato de se sentirem autorizados a não dar explicações ao público que os sustenta nos respectivos postos com votos e impostos.

Alguns estão sendo cobrados pelo presidente do STF a fazê-lo com prazos determinados. Outros se escoram no aconselhamento de estrategistas políticos para evitar dar munição aos adversários e aguardar a poeira baixar com o fim das disputas eleitorais.

O pior que pode acontecer é um daqueles acertos não escritos adiar o enfrentamento das suspeitas para depois das eleições a fim de alegadamente não deixar o ambiente mais tumultuado do que já está. A segunda pior coisa já acontece: candidatos a cargos eletivos engajados nas fileiras de Alexandre de Moraes e André Mendonça. Um, o demônio a ser expurgado; outro, o "ungido do Senhor". Paulo Gonet, no papel de autoengavetador na PGR, ainda não encontrou defensores.

O terceiro mal que espreita e acirra a crise é a atuação de magistrados na exposição da refrega interna, como fez o ministro Flávio Dino ao confrontar publicamente a manifestação de Edson Fachin em defesa do fim do inquérito sem-fim das fake news. Além de ferir a autoridade da presidência da corte, Dino oficializa a divisão do tribunal em torcidas semelhantes àquelas que degradam a cena política.

Se já transitávamos pelo terreno da desesperança e do desagrado com a disputa entre dois candidatos repudiados e concorrentes que não inspiram como alternativa, agora pisamos no pântano da distorção total: o Supremo em litígio com juízes no centro da refrega política servindo à orientação de votos.Só se viu algo parecido em algum lugar algum entre aqueles em que a normalidade está em vigor para além das aparências e formalidades. 

Uma solução haverá de ter, ainda que leve tempo e requeira a condução de outros personagens que não os atuais em cena. Francamente, dá vontade de dormir e acordar em 2030.


Assim como uma corda de violão produz notas distintas dependendo da forma como vibra, essas cordas microscópicas produziriam diferentes partículas: uma vibração corresponderia a um elétron; outra, a um quark; outra, a um fóton; e assim por diante. Em vez de um universo feito de “bolinhas” fundamentais, teríamos um universo construído a partir de padrões de vibração.


A grande promessa dessa teoria é unificar todas as forças da natureza em uma única estrutura matemática, já que ela não só consegue descrever naturalmente partículas e forças quânticas, como também inclui algo extremamente importante: uma partícula compatível com o gráviton, o hipotético mediador quântico da gravidade. Em outras palavras, ela parece oferecer um caminho para reconciliar a gravidade de Einstein com o mundo quântico.


Mas nem tudo são flores: a teoria só funciona matematicamente se o universo tiver mais dimensões do que percebemos no cotidiano — dez ou onze dimensões, conforme a versão. Se percebemos apenas três dimensões espaciais e uma temporal, seria porque as hipotéticas dimensões extras estariam compactadas em escalas microscópicas, enroladas sobre si mesmas como pequenos tubos ou formas geométricas extremamente diminutas.


Nessa visão, em cada ponto do nosso espaço tridimensional haveria, “dobrado” sobre si mesmo, um espaço adicional de várias dimensões, tão pequeno que nenhum microscópio ou acelerador atual conseguiria sondá‑lo. A forma exata dessas dimensões escondidas — muitas vezes modeladas por estruturas matemáticas chamadas variedades de Calabi‑Yau — poderia determinar quais partículas e forças existem, como se a geometria invisível do cosmos fosse a partitura que rege a sinfonia das interações fundamentais.


À medida que a teoria foi sendo desenvolvida, os físicos perceberam que não havia apenas uma versão de Teoria das Cordas, mas cinco versões diferentes, todas matematicamente consistentes. Essa aparente “proliferação de teorias” levou à conjectura de que todas seriam apenas faces distintas de uma teoria mais profunda e abrangente, batizada de M‑theory — o “M” já foi interpretado como “membrana”, “mãe” ou simplesmente “mistério”.


Na M‑theory, em vez de apenas cordas unidimensionais, entram em cena objetos de dimensões maiores, chamados branas: membranas bidimensionais, “peles” tridimensionais e assim por diante. Nosso próprio universo poderia ser uma brana de dimensão elevada flutuando em um espaço de onze dimensões, com as partículas e forças que conhecemos confinadas a essa “membrana cósmica”, enquanto a gravidade, mais tímida, se espalharia também pelo “volume” extra‑dimensional.


Se isso for verdade, efeitos ligados às dimensões extras — como pequenas fugas de gravidade para fora da nossa brana ou interações com outras branas — poderiam, em princípio, deformar o espaço‑tempo de maneiras exóticas. Em cenários ainda especulativos, colisões entre branas, túneis através de dimensões adicionais ou geometrias mais complexas poderiam abrir espaço para atalhos cósmicos, buracos de minhoca estabilizados e, quem sabe, formas de “navegar” pelo tempo tão estranhas quanto as próprias equações que as permitem.


Trata‑se de uma teoria matematicamente elegante, que inspirou avanços importantes na física teórica, embora ainda não haja evidências experimentais diretas de que essas cordas ou branas realmente existam, já que as escalas de energia necessárias para observá‑las seriam muito maiores do que as alcançadas pelos aceleradores de partículas atuais. Isso faz com que a teoria seja admirada por muitos físicos e criticada por outros, que a consideram fruto de filosofia especulativa.


Roger Penrose, por exemplo, não esconde seu ceticismo: para ele, uma teoria que multiplica dimensões e universos possíveis sem produzir previsões claras e testáveis corre o risco de se afastar da física e se aproximar demais da matemática pura. Em sua visão, seguir empilhando hipóteses elegantes sem confrontá‑las decisivamente com a realidade pode ser um desvio de rota na busca por uma descrição realmente profunda do cosmos.


Mesmo sem confirmação experimental, a ideia central da teoria é fascinante. Ela sugere que a diversidade do universo não nasce de partículas fundamentalmente diferentes, mas de diferentes modos de vibração de uma mesma entidade básica. De certo modo, é como descobrir que toda a matéria do cosmos é, no fundo, uma espécie de música microscópica tocada em cordas invisíveis.


Quando os físicos tentam quantizar a gravidade usando partículas pontuais, as equações produzem infinidades matemáticas difíceis de controlar. As cordas, por terem extensão espacial, suavizariam essas divergências. Não obstante, uma teoria científica precisa fazer previsões testáveis, e há quem diga que a Teoria das Cordas e suas extensões “podem ser brilhantes demais para o nosso microscópio”, ao menos por enquanto.


Continua…

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

ESTRELAS QUE ENGOLIRAM PLANETAS

NENHUM TELESCÓPIO ALCANÇA A DISTÂNCIA DE UM PENSAMENTO DETERMINADO.

Uma questão que intriga os cientistas é se existem buracos negros capazes de engolir galáxias inteiras.


Embora não haja consenso, a opinião dominante é de que essa possibilidade é desprezível, e a razão é basicamente uma questão de escala e de mecânica orbital.


Mesmo os buracos negros mais colossais, com massas bilhões de vezes superiores à massa solar, são minúsculos quando comparados às galáxias que os hospedam (algo como 0,1% a 0,5% da massa do bojo de sua galáxia). Isso já dá uma pista de como a hierarquia de escalas é desproporcional, embora o fator decisivo seja orbital.


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Noutros tempos, o 7 de Setembro era o sagrado Dia da Independência. Sob Bolsonaro, a data tornou-se alerta de golpe. Hoje, virou comício. Mas não deve mexer significativamente nos ponteiros das pesquisas.

Lula acionou clarins gastos, que ele toca desde o ano passado. Na noite de domingo, num discurso transmitido em rede nacional, disse que "defender a independência é defender a soberania" e que o Brasil "não será colônia de ninguém". 

Espelhando-se no pai, Flávio Bolsonaro apimentou o ato convocado para a Avenida Paulista e adicionou ao "fora Lula" o "fora Moraes". Atira pedras no magistrado sob um telhado de vidro. Pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro — valor da mesma magnitude dos R$ 131 milhões do contrato firmado entre o Master e o escritório de Viviane Barci, a mulher de Moraes.

Nos gráficos das pesquisas eleitorais, as linhas que representam candidatos rivais são como mandíbulas de jacaré. Quando a diferença aumenta, a boca se abre. Quando diminui, ela se fecha. Nas sondagens mais recentes, o molusco macróbio e o primogênito do refugo da escória da humanidade aparecem estatisticamente empatados no segundo turno. Mas a visão de ambos sobre a força eleitoral do 7 de Setembro pode ser apenas ilusão de ótica; o jacaré não deve bocejar. Talvez nem soluce.

A campanha de Lula é assombrada pelo espírito do Curupira — figura lendária do folclore brasileiro, o Curupira é um moleque que vive na floresta, tem os cabelos avermelhados e os pés virados para trás. Entre maio e julho, o petista abriu oito pontos de vantagem sobre o rival na simulação de segundo turno da Quaest. Desde então, só deu marcha à ré. A distância caiu para zero. No levantamento desta segunda-feira, 7 de Setembro, os dois aparecem empatados em 41%. O jacaré fechou a boca.

Lula recua com dois espinhos nos pés: endividamento e corrupção. O percentual de eleitores que dizem ter muitas dívidas (28%) voltou ao patamar de maio, mês em que foi lançado o Desenrola 2. Desde a semana passada, a menção à corrupção como maior problema do país saltou seis pontos — de 14% para 20%. O tema só perde para a violência no ranking das preocupações do eleitor.

Não bastasse o efeito Lulinha, o candidato ao quarto mandato agora receia ser atingido por estilhaços da vidraça de Alexandre de Moraes. Entrementes, fingindo que não pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, Bolsonarinho ajustou seu bordão, colando no "fora Lula" um "fora Moraes".

A síndrome do Curupira corrói também o índice de avaliação de Lula. Em julho, o saldo entre sua aprovação e a desaprovação estava positivo em um ponto percentual. Agora, está sete pontos no vermelho. A 26 dias do primeiro turno, é uma péssima notícia para quem reivindica uma re-re-re-reeleição.


A grande maioria das estrelas de uma galáxia segue órbitas estáveis e de longa duração em torno do centro galáctico, e o mesmo vale para a maior parte do gás e da poeira interestelar — exceto, claro, pela fração que está sendo ativamente perturbada, em colisão, ou caindo em direção ao centro por perda de momento angular (que é uma fração pequena, mas não nula). Por outro lado, a gravidade não é uma força de "sucção" — ela rege órbitas. Para algo cair num buraco negro, esse algo precisa perder momento angular, e isso normalmente exige um evento dissipativo (colisão, atrito com gás, perturbação gravitacional de outra estrela) que retire energia orbital. Sem isso, a matéria simplesmente continua girando, possivelmente por bilhões de anos.


Os buracos negros supermassivos surgem durante fusões entre galáxias, quando dois buracos negros centrais eventualmente coalescem, somando massas — mas isso ainda está longe de "engolir uma galáxia". Mesmo cenários dramáticos, como o destroçamento de uma estrela que se aproxima demais (os chamados tidal disruption events), afetam objetos isolados, não a galáxia como um todo.


Os buracos negros supermassivos engordam por dois caminhos, nenhum deles parecido com o de um predador faminto. O primeiro é o acréscimo paciente de gás, que espirala lentamente disco adentro — processo capaz de acender um núcleo galaticamente ativo, ou até um quasar, mas que mal arranha a quantidade de matéria disponível na galáxia. O segundo se dá nas fusões entre galáxias, quando os buracos negros centrais de cada uma, depois de uma dança gravitacional que pode levar éons, acabam coalescendo e somando suas massas. De qualquer forma, isolados ou combinados, esses processos seguem a anos-luz de distância de qualquer coisa parecida com "engolir uma galáxia inteira


Por outro lado, existe uma exceção teórica de prazo extremamente longo: em uma escala de tempo muito além da idade atual do universo (estimativas especulativas falam em 1019 - 1020 anos), e interações gravitacionais cumulativas poderiam, em princípio, ejetar a maior parte das estrelas de uma galáxia ou fazê-las espiralar para o centro — um processo de "relaxamento" dinâmico de longuíssimo prazo. Mas isso é qualitativamente diferente de um buraco negro "puxando" tudo para si de forma ativa; é mais um efeito coletivo e gradual do sistema como um todo, e permanece no campo da extrapolação teórica.


Concluído esse (não tão) breve preâmbulo, passamos ao tema central desta postagem, que tem a ver com uma nova técnica desenvolvida por cientistas da USP que identifica estrelas que engoliram planetas. Além disso, segundo os pesquisadores, sistemas solares estáveis como o nosso talvez sejam menos comuns do que se imaginava, o que impacta o surgimento de vida complexa.


O estudo analisou um sistema binário formado por duas estrelas muito semelhantes entre si — chamadas HD 129171 e HD 129209 — ambas com características físicas, químicas e de atividade magnética semelhantes às do nosso Sol. Em princípio, estrelas binárias como essas deveriam apresentar praticamente a mesma composição química, pois nasceram ao mesmo tempo e da mesma nuvem molecular (aglomerados de poeira e gás que funcionam como berçários estelares). Não obstante, os pesquisadores encontraram diferenças significativas entre elas.


Os cientistas já suspeitavam que algumas estrelas poderiam incorporar planetas ou fragmentos planetários, mas o diferencial do novo trabalho foi demonstrar pela primeira vez que diferenças na abundância de berílio em estrelas binárias podem funcionar como marcadores confiáveis desse processo.


A estrela HD 129171 apresenta enriquecimento em elementos refratários — ou seja, que normalmente condensam em estado sólido e constituem planetas rochosos. Isso sugere fortemente que ela engoliu material planetário ao longo de sua evolução. 


O berílio possui uma característica importante: ele não é fabricado no “coração” das estrelas ao longo de sua evolução. Por isso, a assinatura desse elemento na luz que a estrela emite indica a presença de material rochoso – como restos de planetas – supostamente "engolido" muito tempo depois de ela ter se formado.


A maioria dos elementos químicos têm sua origem na nucleossíntese primordial — a formação dos primeiros núcleos atômicos nos minutos iniciais logo após o Big Bang — ou na nucleossíntese estelar — o processo de fusão nuclear que ocorre no interior das estrelas ao longo de suas vidas —, mas o berílio e o boro surgem principalmente por um processo chamado ‘espalação cósmica’, no qual partículas de alta energia fragmentam núcleos mais pesados, como carbono, nitrogênio e oxigênio, produzindo elementos mais leves. O lítio também é produzido principalmente por espalação, embora uma quantidade ínfima tenha surgido na nucleossíntese primordial e possa surgir também, em circunstâncias especiais, em alguns tipos de estrelas.


Para realizar o estudo, a equipe utilizou dados obtidos com o espectrógrafo UVES, instalado no Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul, no Chile. As observações mostraram que a HD 129171 possui abundância significativamente maior de elementos refratários – como ferro, magnésio, silício, cálcio e titânio – em comparação com sua companheira HD 129209. Além disso, a estrela apresenta excesso tanto de lítio quanto de berílio — padrão compatível com a ingestão equivalente a mais de 11 vezes a massa da Terra de material rochoso. Esse material pode ter vindo de um único grande planeta ou da soma de vários corpos menores, mas, no caso de estrelas semelhantes ao Sol, a mistura interna é tão eficiente que a assinatura química final não permite distinguir esses cenários.


Os cientistas também discutiram os mecanismos dinâmicos capazes de levar planetas a cair em suas estrelas hospedeiras, entre os quais as interações gravitacionais entre planetas, perturbações produzidas por estrelas companheiras e processos de migração orbital. Uma implicação importante do estudo diz respeito à possível raridade de sistemas solares estáveis, como o nosso, com planetas gigantes em órbitas externas quase circulares e planetas rochosos em órbitas internas estáveis. Além desses sistemas não surgirem com frequência, poucos análogos de Júpiter em órbitas comparáveis à do gigante gasoso do nosso sistema solar foram observados até agora.


Sistemas binários são muito comuns na Via Láctea. Estimativas atuais indicam que aproximadamente metade das estrelas da nossa galáxia possui uma companheira gravitacional, e como ambas se formam praticamente ao mesmo tempo e a partir da mesma nuvem molecular, diferenças químicas entre elas constituem um forte indício de que processos posteriores – como a ingestão de planetas – alteraram sua composição original.


Isso pode ter implicações diretas para a existência de vida complexa, que não só precisaria de bilhões de anos para surgir e evoluir, como também o planeta teria que permanecer em uma órbita suficientemente estável para sobreviver a perturbações gravitacionais importantes. 


Resumo da ópera: Se as diferenças químicas observadas em estrelas binárias fossem causadas por heterogeneidades na nuvem primordial que lhes deu origem, isso exigiria revisão de modelos atualmente aceitos sobre formação estelar. Os resultados obtidos pela equipe favorecem, porém, a hipótese de ingestão planetária.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 117ª PARTE

A INCERTEZA QUE ESVOAÇA DESGRAÇA MAIS DO QUE A PRÓPRIA DESGRAÇA.

Vimos que a possibilidade de viajar no tempo é admissível à luz da física, mas não à luz da lógica: segundo a conjectura de proteção cronológica, o próprio universo impede ações que criem paradoxos ou alterem o futuro. 


Pode-se argumentar que isso não passa de teoria, mas a existência dos buracos negros, proposta no século XIX, permaneceu no campo das loterias até 2019, quando foi confirmada com a publicação das imagens do M87* que o Event Horizon Telescope havia capturado dois anos antes.


Observação: Einstein não foi o primeiro a propor a existência dos buracos negros, mas foi sua Teoria da Relatividade Geral que tornou o tema tão popular.


Vimos também que a ciência ainda não conseguiu explicar satisfatoriamente a queda das maçãs, o brilho das estrelas, o funcionamento dos átomos e o espaço-tempo, e que as duas teorias mais bem-sucedidas da história da física descrevem o universo de maneiras muito diferentes. De um lado está a relatividade geral, formulada por Einstein em 1915, que explica com precisão o macrocosmo, e do outro a mecânica quântica, que rege o comportamento das partículas elementares, dos átomos e das forças que atuam no microcosmo. A questão é que elas descrevem o universo de maneiras muito diferentes. 


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O ato de 7 de Setembro em Brasília virou um "palanque de constrangimentos" em meio à crise institucional no STF, visto que a comemoração do Dia da Independência reuniu os presidentes dos Três Poderes e expôs tensões entre autoridades. 

Todos os ministros da Corte foram convidados. No ano passado, eles não compareceram devido ao julgamento de Bolsonaro; neste, apenas Edson Fachin, presidente do Supremo, deu o ar de sua graça. 

Além de Lula e de Fachin, marcaram presença os presidentes da Câmara e do Senado. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, está às turras com o advogado-geral da União, Jorge Messias, mas ambos subiram, embora não se tenham cumprimentado.

Alcolumbre também está em pé de guerra com o chefe da PF, após seu nome ter sido suscitado em um relatório apócrifo da inteligência que serviu de base para o pedido de investigação do ministro André Mendonça pelo colega Alexandre de Moraes, que vivem uma guerra aberta devido ao caso Master.

O cenário reforçou o caráter excepcional do evento, ocorrido num momento em que o Supremo vive "uma crise institucional inédita", com contornos políticos em meio à disputa eleitoral na qual o molusco eneadáctilo tenta a reeleição. Aliás, houve uma assessoria jurídica para que não houvesse nenhuma extrapolação que pudesse ser depois motivo de ação na justiça eleitoral contra a campanha do xamã petista.


Na relatividade geral, a gravidade não é uma força convencional, mas uma deformação da própria geometria do espaço-tempo; na mecânica quântica, todas as interações são descritas em termos de partículas e campos quânticos sujeitos a probabilidades e flutuações aleatórias. O problema surge quando se tenta aplicar simultaneamente as duas teorias em ambientes extremos — como o interior de um buraco negro ou os instantes iniciais do Big Bang. Nesse contexto, as equações entram em conflito, como se dois mapas perfeitamente corretos da mesma cidade deixassem de coincidir quando colocados um sobre o outro.


Considerando que o universo é um só, seria de supor que uma única descrição fundamental explicasse todos os seus fenômenos. Como a natureza parece obedecer a duas coleções diferentes de regras dependendo da escala observada, os cientistas buscam desenvolver uma "Teoria de Tudo", que seja capaz de unificar todas as forças da natureza e explicar simultaneamente o mundo do infinitamente grande e do infinitamente pequeno.


A Teoria de Tudo seria o equivalente científico do Santo Graal, da Pedra Filosofal e do mapa do tesouro na mesma escavação arqueológica. Todavia, a despeito dos bilhões de dólares investidos e de algumas das mentes mais brilhantes da história envolvidas na busca, essa teoria ainda não foi encontrada. Mas isso não impediu os físicos de produzirem hipóteses extraordinárias em escala industrial, como veremos no próximo capítulo.


Antes de encerrar, relembro que as viagens no tempo são o fruto mais cobiçado (e ainda não alcançado) da árvore da relatividade, e que não faltam teorias sobre voltar no tempo como nos filmes de ficção científica. No entanto, faltam respostas para muitas perguntas sobre a verdadeira natureza do tempo: será que ele existe realmente ou é apenas um artifício criado quando nossos antepassados perceberam padrões no amanhecer e no anoitecer, nas fases da Lua e nas mudanças sazonais. Mal comparando, seria como aprender a dirigir automóveis quando existiam somente carroças de tração animal. 


Como bem observou o filósofo austro-britânico Ludwig Wittgenstein, os problemas filosóficos surgem quando a linguagem sai de férias. A física pode ser um excelente exemplo disso: ao longo do último século, palavras familiares como tempo, existir e atemporal foram reaproveitadas em contextos técnicos sem que se examinasse o significado que elas carregam na linguagem cotidiana, levando a uma confusão generalizada sobre o que esses termos realmente significam.

 

Na filosofia da física, particularmente em uma visão conhecida como eternalismo, a palavra "atemporal" dá a ideia de que o tempo não flui nem passa, que todos os eventos são igualmente reais dentro de uma estrutura quadridimensional conhecida como Universo em bloco. Mas se tudo o que acontece ao longo da eternidade é igualmente real e todos os eventos já estão lá, o que realmente significa dizer que o espaço-tempo existe? 


Para entender essa questão, é preciso ter em mente que "existência" é um modo de ser e "ocorrência", de acontecer. Imagine que há um elefante ao seu lado. Você provavelmente diria “o elefante existe”, e poderia descrevê-lo como um objeto tridimensional. Agora imagine um elefante puramente tridimensional que aparece na sala por um instante e desaparece como um fantasma. Esse elefante não existe realmente no sentido comum, mas simplesmente acontece.


Um elefante existente perdura ao longo do tempo, e o espaço-tempo cataloga cada momento de sua existência como uma linha de universo quadridimensional. Já o elefante imaginário que acontece é apenas uma fatia espacial desse tubo; um momento tridimensional. Mas e o espaço-tempo? Será que ele perdura, tem seu próprio conjunto de momentos “agora”, ou é apenas a variedade de todos os eventos que acontecem ao longo da eternidade?


Se imaginarmos que todos os eventos ao longo da história “existem” dentro do Universo em bloco, então poderíamos perguntar: quando o próprio bloco existe? Se não se desenrola nem muda, ele existe atemporalmente? Se sim, então estamos sobrepondo outra dimensão do tempo a algo que deveria ser atemporal no sentido literal. 

 

Para entender isso melhor, imagine uma estrutura de cinco dimensões, sendo três espaciais e duas temporais. Em tese, o segundo eixo temporal permite dizer que o espaço-tempo quadridimensional existe exatamente da mesma forma que normalmente pensamos que um elefante na sala existe dentro das três dimensões do espaço que nos rodeiam — que catalogamos como espaço-tempo quadridimensional. 


Nesse ponto, saímos da física estabelecida, que descreve o espaço-tempo apenas através de quatro dimensões e somos levados a outro problema: falar sobre o que significa a existência do espaço-tempo sem reintroduzir o tempo por uma porta conceitual que a física não reconhece é como tentar descrever uma música que existe de uma só vez — sem jamais ser tocada, ouvida ou desdobrada no tempo —, ou querer saber o que existe ao norte do Polo Norte.


OBSERVAÇÃO: Nosso blog — criado em 9 de setembro de 2006 para embasar a criação
do livro
BLOGS&WEBSITES da minha saudosa COLEÇÃO GUIA FÁCIL INFORMÁTICA
—, sopra hoje sua vigésima velinha. Todavia, tendo vista a conjuntura geral e as eleições de outubro em particular, não vejo motivo para grandes comemorações.


Continua...