terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

ANDROID 17

CUIDADO COM OS ENGENHEIROS: ELES COMEÇARAM INVENTANDO A MÁQUINA DE COSTURA E TERMINARAM PELA BOMBA ATÔMICA.

Nem todos os smartphones Android suportam atualizações para versões mais recentes do sistema, e cada fabricante adota sua própria política e divulga a lista de modelos elegíveis somente quando a nova interface é lançada (confira em Samsung, Motorola e Xiaomi).

Se o Google seguir a tradição, o Android 17 deve ser lançado em junho, inicialmente para os usuários da linha Pixel 7 ou superior, que podem se inscrever no programa Android Beta para receber a atualização over-the-air. Quem não possui um Pixel ainda pode recorrer às imagens genéricas do sistema (GSI) ou emular o Android 17 no Android Studio, lembrando que o hardware ultrapassado dos aparelhos mais antigos pode não dar conta dos novos recursos e funções que acompanham essas atualizações.

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O Brasil vai de bem a melhor. Não bastasse o envolvimento de togas supremas no escândalo do Banco Master, o STJ abriu uma sindicância para investigar denúncias de assédio sexual apresentadas contra o ministro Marco Aurélio Buzzi. No STF, ao apregoar o código de ética, o ministro Fachin como que fala em corda em casa de enforcado. Moraes, ao rodar a toga na primeira sessão depois das férias, disse que magistrado "não pode fazer mais nada na vida", exceto "dar aulas e palestras" — que, segundo ele, "passaram a demonizar".

O ministro disse ainda que não há dúvida quanto ao impedimento de juízes julgarem casos em que parentes advoguem, mas não explicou que talentos especiais de sua mulher, Viviane, justificam o contrato de R$3,6 milhões mensais que assinou com o Master.

Toffoli — que ganhou a suprema toga em retribuição aos “bons serviços prestados a Lula e ao PT", mesmo tendo sido reprovado duas vezes seguidas em concursos para Juiz de Direito em São Paulo, disse que magistrados podem ser sócios de empresas privadas, desde que não sejam dirigentes. E, entre risos, faltou em "doar a herança para entidades de caridade caso tivesse pais empresários”, além de se pronunciar como se nada tivesse sido descoberto sobre a sociedade que seus familiares mantiveram com um fundo do Master num resort frequentado por ele com ares de proprietário.

Todas as pessoas são iguais perante a lei. É fácil saber o que é certo; difícil é fazer o certo. A questão é que certos magistrados se tornam piores quando se comportam como se estivessem acima da lei.

Um código de conduta não fabricará ministros mais éticos, mas pode ser útil para aqueles que não resistem à tentação de imaginar que tudo o que é rigorosamente proibido é ligeiramente permitido.


A Samsung garante até quatro atualizações de sistema para modelos lançados a partir de 2022 nas linhas Galaxy S, A, FE e alguns M. Os flagships e intermediários premium mais recentes — como os Galaxy S23, S24, A56, A36 e similares — prometem de cinco a sete anos de atualizações, dependendo do modelo. 

Na Motorola, a maioria dos aparelhos intermediários e top de linha (como os Edge e os Moto G mais recentes) recebe ao menos dois anos de atualizações do Android e até quatro anos de correções de segurança. O Edge 60 Fusion, por exemplo, deve estacionar na versão 17 do sistema, mas o Moto G75 estreou com a promessa de cinco anos de atualizações — algo inédito no catálogo da marca. 

A Xiaomi costuma oferecer de duas a três grandes atualizações para a maioria dos aparelhos. Modelos flagship recebem suporte mais longo, enquanto linhas de entrada, como Redmi e POCO, tendem a receber menos atualizações. No fim das contas, a promessa de atualizações longas soa ótima no material de marketing, mas a realidade continua sendo um jogo de paciência, loteria e calendário. 

Enquanto o aroma do Android 17 já perfuma a cozinha do Google, muita gente ainda está esperando o 16 chegar ao prato — no mundo Android, as atualizações seguem menos como direito adquirido e mais como aquele convite que diz “a gente te liga”.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 75ª PARTE

CONHECER O FUTURO É UMA OBSESSÃO HUMANA.

Poucos conceitos da física teórica são tão intrigantes quanto o do espaço-tempo, cuja semente foi plantada quando Einstein introduziu na Teoria da Relatividade Geral a ideia de que o espaço e o tempo estão intrinsecamente entrelaçados e formam uma estrutura dinâmica que estrelas, buracos negros e outros objetos supermassivos curvam como alguém pulando numa cama elástica.

O tecido do espaço-tempo é como uma malha tridimensional na qual o espaço representa o comprimento, a largura e a altura, e o tempo, uma dimensão adicional, perpendicular às três dimensões espaciais. As implicações desse conceito vão além da mera descrição da gravidade, e são cruciais para a compreensão de fenômenos como a expansão do Universo, as ondas gravitacionais e a própria natureza do tempo.

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Quando ordenou à PF que vasculhasse gavetas e computadores da 13ª Vara de Curitiba, Toffoli imaginava encontrar novas pás de cal para jogar na sepultura em que o Supremo enterrou a reputação do ex-juiz Sérgio Moro. Mas uma reportagem de Daniela Lima revelou que os agentes recolheram um vídeo em que Tony Garcia disse à juíza Gabriela Hardt, então sucessora de Moro na 13ª Vara, que não era mero delator, mas informante do ex-juiz, e que acabou se tornando "agente infiltrado do Ministério Público".

Nesse enredo, o material recolhido no baú da 13ª Vara arrastaria para a cova, além do ex-juiz, o Ministério Público e a própria Polícia Federal, pois ficaria entendido que a República de Curitiba não era apenas uma metáfora. Se Garcia estiver certo, a promiscuidade veio pelo menos 20 anos antes da Lava-Jato.

Os buracos negros são considerados máquinas do tempo naturais, mas a tecnologia de que dispomos não permite construir espaçonaves capazes de ir até eles — para chegar a Gaia BH1, por exemplo, que fica a cerca de 15 trilhões de quilômetros da Terra, seria preciso viajar 18 meses na velocidade da luz (1,08 bilhão de quilômetros por hora). Mas a pergunta é: seria realmente possível avançar rumo ao futuro ou retornar ao passado?

Talvez sim. À luz das equações relativísticas de Einstein, a distorção causada pelos buracos negros aproxima dois pontos do espaço-tempo como as margens de uma folha de papel dobrada ao meio. Por outro lado, são os hipotéticos buracos de minhoca que funcionam como atalhos cósmicos. Uma vez que o tempo é relativo — ou seja, passa mais rápido ou mais devagar dependendo da velocidade do observador e dos efeitos da gravidade —, um relógio próximo ao horizonte de eventos de um buraco negro avança mais devagar do que os de outro, mais distante. O filme Interestelar ilustra isso perfeitamente: a nave se aproxima de um buraco negro, mas não perto o bastante para ser capturada por sua gravidade, e depois e retorna à Terra anos no futuro.

Acredita-se que a distorção criada pelos buracos negros produza curvas fechadas do tipo tempo, que, em tese, permitiriam retornar ao passado (até o momento em que o buraco negro surgiu). Mas isso exigiria cruzar o horizonte de eventos a uma velocidade superior à da luz, o que afronta as leis da física clássica. Ademais, os astronautas estariam sujeitos ao efeito conhecido como espaguetificação, no qual os átomos de seus corpos seriam enfileirados e espiralados rumo ao vazio.

Embora as equações de Einstein sugiram que as viagens no tempo são matematicamente possíveis, a distância entre a teoria e a prática permanece abissal. Por enquanto, as máquinas do tempo naturais do Universo continuam sendo objetos de fascínio científico e especulação, pois ainda há muito a descobrir sobre a verdadeira natureza do espaço-tempo.

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domingo, 22 de fevereiro de 2026

FILÉ À PARMEGIANA COM FETTUCCINE NA MANTEIGA

QUANDO ESTIVER TRISTE, CANTE. VOCÊ PERCEBERÁ QUE SUA VOZ É PIOR QUE SEUS PROBLEMAS. 

O filé à parmegiana é um bife empanado, frito por imersão e coberto com molho de tomate temperado e queijo muçarela. O nome não tem relação com a região italiana de Parma, mas sim com uma receita feita originalmente com berinjela gratinada. Ele combina com arroz branco (ou arroz à grega) e fritas, mas também vai bem com fettuccine passado na manteiga e polvilhado com parmesão ralado.


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Lula não tem ideia de como vai retirar sua popularidade do vermelho. Mesmo assim, recebeu os ministros Moraes, Mendes, Dino e Zanin na intimidade da Granja do Torto e lecionou que debater código de ética numa hora dessas é oferecer material para os críticos. Disse ainda que a opinião pública está cansada, vigilante e exigente, recomendou mais cautela e menos exposição pública e sugeriu aos togados que freassem Toffoli.

A efeméride serviu para mostrar que, além de não ser parte da solução, Lula se tornou parte do problema ao pular na trincheira anti-código de ética sem dizer uma mísera palavra sobre os negócios da família Toffoli com um fundo do banco falido e sobre o contrato de R$129 milhões da mulher de Moraes, Viviane Barci.

Magistrado que tricota com presidente fora dos autos vira centrão de togado, e presidente problemático que mete a colher em crise alheia toca trombone sob telhado de vidro.


Você vai precisar de:


— 400g de massa tipo fettuccine; 


— 1/2 xícara de manteiga; 


— 1 xícara de queijo parmesão ralado; 


— 200g de muçarela fatiada ou ralada;


— 1/2 xícara de água do cozimento da massa;


— 800g de filé mignon em bifes de 1 cm de espessura;


— 2 ovos;


— 1 xícara de farinha de rosca; 

 

—1 xícara de farinha de trigo; 


—1 ½ xícara de molho de tomate;


—900ml de óleo de girassol; 


— Sal e pimenta do reino a gosto.


Encha uma panela grande com água, ferva em fogo alto, cozinhe o macarrão al dente (siga as instruções da embalagem) escorra e reserve.


Enquanto espera o forno pré-aquecer a 220ºC, quebre e bata os ovos, despeje a farinha de rosca em um prato raso e a farinha de trigo no outro, acomode os bifes em uma travessa, tempere com sal e pimenta, passe-os na farinha de trigo, bata para retirar o excesso, passe nos ovos, deixe escorrer e passe na farinha de rosca, apertando bem para que a casca não desgrude durante a fritura.


Observação: É importante passar o bife primeiro na farinha de trigo — para absorver o excesso de umidade e fazer com que o ovo cole com mais facilidade —, retirar o excesso de farinha, passar no ovo, escorrer bem e só então passar na farinha de rosca — ou farinha panko, que garante aquela crocância saborosa na receita final.


Frite os bifes um de cada vez — para evitar que o óleo esfrie — durante 40 segundos de cada lado ou até que dourem. Retire com uma escumadeira e coloque em um prato forrado com papel toalha.


Cubra o fundo de um refratário com molho de tomate, acomode os bifes fritos, espalhe mais molho por cima, acrescente a muçarela ralada e leve-os ao forno por 20 minutos ou até gratinar. Quando faltarem 5 minutos para retirar os bifes do forno, derreta a manteiga numa frigideira grande em fogo médio, junte a massa, 1/2 xícara de água do cozimento e o parmesão ralado, mexa bem e sirva quente.


Esse prato harmoniza bem com vinhos tintos e equilibrados, como o Chianti ou o Corbelli Sangiovese. Rótulos com notas frutadas, como o Malbec e o Cabernet Sauvignon também são ótimas escolhas, pois conseguem complementar os sabores da mussarela e do molho de tomate ao mesmo tempo que harmonizam com a textura da carne empanada.

Bom apetite. 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 77ª PARTE

A IMAGINAÇÃO É MAIS IMPORTANTE QUE O CONHECIMENTO.

John Michell e Pierre-Simon Laplace propuseram em 1783 e 1796, respectivamente, a existência de "estrelas escuras", mas o conceito moderno de buraco negro surgiu da Relatividade Geral, teorizada por Einstein em 1915. Karl Schwarzschild encontrou a solução matemática em 1916, mas, ironicamente, foi quem Einstein popularizou o tema — inclusive na ficção científica — seis décadas antes de o telescópio Event Horizon capturar a imagem real de uma singularidade existente na galáxia Messier 87, a 53 milhões de anos-luz da Terra (cerca de 503,5 quatrilhões de quilômetros).

Observação: A despeito do que já foi dito sobre buracos negros nesta sequência, revisitar o assunto em nível de detalhes pode esclarecer eventuais dúvidas remanescentes, mesmo porque não é fácil entender o que ocorre dentro do horizonte de eventos — ou ponto sem retorno — desses estranhos corpos celestes. 


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A crise em nossas mais altas cortes ganhou a aparência de uma tempestade perfeita. No Supremo, atualmente acossado pelo escândalo do Master, a maioria dos ministros resiste à edição de um código de ética; no STJ, denúncias de assédio contra o ministro Marco Buzzi, adicionaram um fator sexual a uma ziquizira que submetia a corte ao desgaste de uma investigação da PF sobre venda de sentenças nos gabinetes de três dos seus ministros.

Afastado cautelarmente de suas atividades por tempo indeterminado, Buzzi perdeu acesso ao gabinete e ao carro oficial, mas manteve intacto o salário de R$44 mil mensais e ficou liberado para dedicar 100% do seu tempo à saúde e à formulação da defesa que terá que apresentar à sindicância do STJ, ao CNJ, e ao STF, que analisa as denúncias sob a ótica criminal.

No âmbito administrativo, a pena máxima é a aposentadoria compulsória, com remuneração integral, já que o acusado só perde o salário se for condenado criminalmente. Portanto, espera-se que os fatos prevaleçam sobre o corporativismo.


A força gravitacional dos buracos negros resulta da quantidade absurda de massa que eles concentram numa região extremamente pequena. Quando essa densidade se torna infinita, a gravidade e outras grandezas físicas tendem igualmente ao infinito. Como as leis da física clássica não se aplicam a esses "infinitos", surgem singularidades no espaço-tempo. 


Alguns físicos ainda duvidam da existência de buracos negros supermassivos — talvez porque reconhecer a existência de singularidades implica aceitar que a física tem um limite. Mas ainda que não seja possível ver um buraco negro diretamente (pois nem mesmo a luz escapa de seu horizonte de eventos), não faltam evidências de que eles existem, de pistas matemáticas a detecções indiscutíveis.


Um artigo publicado por Stephen Hawking e Roger Penrose, amplamente aceito pela comunidade científica, demonstra que qualquer objeto submetido a um colapso gravitacional extremo tende a formar uma singularidade ao se transformar em um buraco negro. Nas estrelas, esse colapso é temporariamente contido porque os átomos de elementos leves, como hidrogênio e hélio, passam por fusão nuclear contínua, produzindo uma pressão dirigida de dentro para fora. A gravidade, por sua vez, atua no sentido oposto, comprimindo a matéria e impedindo que a estrela se desintegre.


Observação: Quando o “combustível” do núcleo estelar se esgota, a pressão interna diminui, mas a massa e a gravidade continuam pressionando a matéria em direção ao centro da estrela. Quando essa massa ultrapassa 20 massas solares, a gravidade cria um poço gravitacional do qual nem mesmo a luz consegue escapar. Tudo isso acontece em segundos, mas resulta numa explosão de raios gama tão poderosa quanto toda a energia liberada pela estrela ao longo de toda sua vida. 


As ondas gravitacionais — ondulações no espaço-tempo causadas por eventos cataclísmicos que percorrem todo o Universo — são indícios ainda mais concretos da existência dos buracos negros, já que instrumentos sofisticados, como o LIGO, podem detectar essas ondas, permitindo que os cientistas descrevam os objetos que lhes deram origem.


Estrelas binárias que orbitam umas às outras em espiral tendem a se tornar buracos negros que continuam existindo em dupla, e a interação gravitacional entre eles cria ondulações no espaço-tempo antes mesmo de uma eventual colisão. Em um sistema com mais de duas estrelas binárias, uma se torna um buraco negro e a outra continua em sua forma original ou se se transforma em anã branca.


Existem muitos tipos de galáxias ativas — como quasares, seyfert e radiogaláxias — cada qual com uma intensidade de radiação emitida. A maioria dos astrônomos acredita que esse fenômeno seja causado por buracos negros supermassivos, e que uma a cada dez galáxias ativas produza um jato relativístico de partículas energéticas perpendicular ao disco e em direções opostas. Embora a Via Láctea não seja uma galáxia ativa, o fato de as estrelas mais próximas do seu núcleo girarem a até 8% da velocidade da luz sugere que elas orbitam algo extremamente pequeno e massivo. 


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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

A ROLEX É MESMO TUDO ISSO?

EXISTEM FAKE NEWS QUE PARECEM FATOS E FATO QUE PARECEM FAKE NEWS.

Uma matéria publicada pelo portal O Antagonista sob o título “ROLEX É TUDO ISSO MESMO?” inspirou esta postagem. Primeiro, porque sempre fui apaixonado por relógios (a propósito, sugiro ler a sequência iniciada nesta postagem); segundo, porque minha humilde coleção inclui um Rolex Oyster Perpetual GMT-Master automático e um Omega Seamaster Diver 300M (Goldeneye 007) movido à quartzo.

No jargão da relojoaria, o mecanismo interno do relógio se chama calibre, e o anel que circunda o mostrador, bisel (ou catraca, se for rotativo). A proteção que recobre o mostrador atende por cristal, e as funções acessórias (como calendário, fases da lua etc.), por complicação. O botão lateral que serve para dar corda e acertar a hora e o calendário é conhecido como coroa, e o tempo durante o qual o mecanismo permanece funcionando sem precisar de corda, como reserva de marcha.


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Os alertas da ministra Cármen Lúcia soaram mais alto do que a bateria da Acadêmicos de Niterói. "A festa de Carnaval não pode ser fresta para ilícitos", avisou ela na semana passada.

Janja foi substituída na última hora por Fafá de Belém, e o carro alegórico em que a primeira-dama desfilaria foi precedido por uma ala de passistas adornada por um estandarte em que se lia: "Solte sua Janja".

A letra do samba-exaltação glorificou Lula e enalteceu sua agenda, mas não pediu voto. O verso sobre "13 noites e 13 dias" falou da migração da família Silva para São Paulo, mas não mencionou que o número identifica o PT na urna. O refrão com o slogan das campanhas foi tratado como manifestação cultural, não eleitoral, e Bolsonaro foi retratado na avenida como um palhaço vestido de presidiário, mas não houve menção a Flávio, primogênito e candidato do "mito" encarcerado.

Da Sapucaí, a guerra retórica transferiu-se para as redes sociais, onde o bolsonarismo prevaleceu sobre o petismo em visualizações e o tom foi predominantemente negativo para o pré-candidato à reeleição — daí o empenho do Planalto em reduzir os danos.

Lula e o PT não foram punidos pela Justiça Eleitoral, mas a Acadêmicos de Niterói terminou a apuração mais de dois pontos atrás da penúltima colocada e disputará a Série Ouro em 2027. Paralelamente, a mais recente pesquisa Quaest deu conta de que 57% do eleitorado acham que o petista não merece um quarto mandato.

Pelo visto, a homenagem que resultou no rebaixamento da Escola pode retirar votos do homenageado no minoritário bloco dos eleitores independentes, vistos como decisivos no tira-teima das urnas de 2026.


O movimento mecânico é considerado o estado da arte da alta relojoaria suíça e envolve centenas de peças minúsculas que trabalham em harmonia a despeito da gravidade, do magnetismo e das variações de temperatura. Já o mecanismo a quartzo — que revolucionou a relojoaria na década de 1960 — é composto basicamente de um circuito eletrônico e uma bateria.


O quartzo (dióxido de silício) é largamente utilizado em construções (na forma de areia) e na fabricação do vidro (de janelas, garrafas, etc.). Suas propriedades piezoelétricas fazem-no vibrar 32.768 vezes por segundo e captada por eletrodos e "interpretada" por um circuito integrado (CI). 


Nos modelos mecânicos, a chamada "mola principal" é enrolada quando "damos corda ao relógio" e libera energia conforme se distende. A quantidade de energia acumulada movimenta a "roda de balanço" e faz o mecanismo funcionar.


Os relógios automáticos não deixam de ser movidos à corda, pois seus marcadores de tempo são basicamente os mesmos dos modelos manuais. A diferença é que o movimento natural do pulso aciona uma roda de balanço, gera a energia que é acumulada pelo tambor e movimenta as engrenagens que acionam os ponteiros e mudam a data no calendário.


É possível dar corda na maioria dos mecanismos manuais girando a coroa no sentido horário — mas convém tomar cuidado para não forçar a mola além desse ponto, pois o conserto irá custar muito mais que uma simples troca da bateria nos modelos a quartzo.


A certificação COSC (Controle Oficial Suíço de Cronômetros) admite uma variação de -4/+6 s/dia para mecanismos à corda (manual ou automática), de modo que 3 minutos para mais ou para menos por mês estão dentro da "normalidade". Já a Rolex considera normal uma variação de -2/+2 segundos por dia — coisa que meu Omega leva leva cerca de um ano para acumular.


Tecnicamente, um segundo corresponde a 1/60 do minuto e tem 1.000 milissegundos ou 0,0166667 minutos, mas essa definição prática não leva em conta as complexidades envolvidas na definição científica do segundo, que são baseadas em transições atômicas e padrões de frequência.


Em 1967, a 13ª CGPM definiu o segundo como a duração de 9.192.631.770 períodos da radiação correspondente à transição entre os dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133. Em 1997, acrescentou-se que essa definição se refere a um átomo de césio em repouso, a uma temperatura de zero grau Kelvin, e em 2019 fixou-se o valor numérico da frequência de transição hiperfina do césio (ΔνCs) como sendo exatamente 9.192.631.770 Hz — base para todos os relógios atômicos modernos.


Com manutenção adequada, meu Rolex GMT-Master II pode funcionar perfeitamente por décadas a fio, ao passo que o Omega Seamaster à quartzo depende de componentes eletrônicos que se degradam e tendem a se tornar impossíveis de substituir com o tempo.


É por isso que relógios de grife mecânicos mantêm seu valor e os melhores modelos à quartzo depreciam como qualquer outro eletrônico. Ademais, as trocas de bateria tornam a caixa permeável a água e/ou poeira quando o relojoeiro não substitui o-ring (anel de vedação) por um novo antes de recolocar a tampa. 


A certificação Superlative Chronometer vem do tempo em que a precisão mecânica era crucial (navegação, aviação, mergulho profissional). Hoje, ela tem mais a ver com tradição e excelência em manufatura — ou seja, a fama não vem da precisão absoluta (superada pelo quartzo há 50 anos), mas da complexidade técnica, durabilidade secular, valor como objeto de arte mecânica e símbolo de status. 


No fim das contas, as obras de arte da Rolex e outras grifes renomadas podem até atrasar ou adiantar alguns segundos por dia, mas jamais perdem a pose. Já os Omega e outros modelos da alta relojoaria movidos a quartzo primam pela pontualidade, mas perdem a aura a nobreza que muita gente ainda insiste em confundir com precisão.