quinta-feira, 9 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 93ª PARTE

O DESEJO SINGULARMENTE HUMANO DE SER FAMOSO É NA VERDADE OUTRO TRAÇO SINGULARMENTE HUMANO: O MEDO DA MORTE. SER FAMOSO SIGNIFICA SER LEMBRADO DEPOIS DE MORRER, E A FAMA É UMA ESPÉCIE DE VIDA ETERNA.

Talvez a consciência seja apenas uma ilusão, mas explicar a experiência consciente em si é como tentar ver o próprio olho sem um espelho. A ciência descreve realidades objetivas, porém sem garantir fidelidade à "realidade lá fora".


Teorias como a da Informação Integrada de Tononi propõem medidas matemáticas para correlacionar estruturas cerebrais complexas com níveis de consciência, porém existe uma diferença crucial entre mapear como o cérebro processa visão, integra sensoriais e direciona atenção, e elucidar o que é ser consciente.


A questão que se coloca é: como decisões conscientes e intencionais podem surgir de um substrato físico, seja ele determinista ou aleatório?


Para ser compatível com o determinismo, o livre-arbítrio precisa ser redefinido como a capacidade de agir segundo nossas próprias razões e desejos, mesmo que esses motivos e desejos sejam determinados..


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Depois que Ratinho Jr desistiu de ser cabeça de chapa do PSD na disputa pela Presidência da República, pouca gente duvidava que Kassab escolheria Ronaldo Caiado em detrimento de Eduardo Leite. Dias atrás, o anúncio oficial encerrou, nas palavras do cacique do PSD, "uma etapa relevante de articulação interna, após a avaliação de diferentes nomes com desempenho consolidado em seus estados”.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o governador gaúcho reclamou que a escolha “mantém um ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o Brasil”, e que a definição do partido o decepcionou, embora tenha evitado confrontar diretamente a escolha. 

Herdeiro de uma tradicional oligarquia pecuarista do Centro-Oeste, Caiado é médico de formação, concorreu a presidente em 1989 por outra encarnação do PSD e está em seu segundo mandato à frente do governo de Goiás. Logo após ser anunciado, tratou de apresentar as diretrizes de sua campanha, centradas em anistia “ampla, geral e irrestrita” a Bolsonaro e aos demais golpistas de 8 de janeiro, além de dizer que seu objetivo é governar para que o PT “não seja mais opção no país”. 

O golpismo da direita permanece no centro da disputa eleitoral. Flávio Bolsonaro deu novas demonstrações de fazer o mesmo caminho que o pai presidiário — a quem Caiado defendeu em palanque e prometeu anistia.

Caiado é o candidato, mas sem o apoio total da legenda, e pode ser tudo, menos de ‘centro’. O anúncio de sua candidatura confirma o quanto as várias frentes de direita vêm ocupando espaços de poder, enquanto a esquerda vai se fechando numa bolha que não aponta para o futuro. Talvez seu maior ativo seja a experiência de gestão e os resultados positivos de seus sete anos como governador de Goiás.

Kassab liberou os diretórios, especialmente no Nordeste, para aderirem à reeleição de Lula, mas disse ter feito consultas às bases e concluído que Caiado tinha mais chance de unificar o partido, pois Leite enfrentaria mais resistência na direita, principalmente por sua posição mais crítica em relação ao bolsonarismo. 

No PT, as reações foram mistas. A ministra Gleisi Hoffmann disse que a eleição presidencial deve se manter polarizada, que Caiado tende a ocupar um espaço periférico na disputa, e que o atual cenário político dificulta o avanço de candidaturas fora dos polos consolidados.

A conferir. 


O universo newtoniano é determinista: conhecendo posições e velocidades de todas as partículas, o futuro é previsível. A mecânica quântica injeta aleatoriedade intrínseca, mas trocá-la por caos não gera liberdade — decisões randômicas são caóticas, não livres. Ela funciona sem ontologia de superposições; pode ser mera descrição operacional eficaz, como as equações de Maxwell capturam relações eletromagnéticas sem "entidades" reais..


Defensores do multiverso postulam infinitos universos com constantes variadas; nós, em um "ajustado", notamos o fine-tuning por viés antrópico. Alternativas sugerem que princípios matemáticos profundos fixam essas constantes, tornando só um universo lógico.


Se o universo requer observadores para "realizar-se" (como na interpretação participativa de Wheeler), e civilizações avançadas simulam realidades indistinguíveis — possivelmente bilhões —, estatisticamente vivemos em simulação, não na base. Mais radical: a consciência co-emerge com o cosmos num bootstrap quântico, onde observadores atualizam a realidade.


Continua...

quarta-feira, 8 de abril de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — CONTINUAÇÃO

A HISTÓRIA É UM RIO CUJO CURSO É PERMEADO POR ILHAS DO TEMPO PELAS QUAIS PASSAMOS, MAS PARA AS QUAIS NÃO PODEMOS VOLTAR.  

Desde priscas eras que buscamos respostas — principalmente através da lente da religião — para mistérios como a natureza da consciência e da alma. Porém, a despeito de todo o avanço da ciência, ainda não sabemos o que é a consciência, se ela é criada e hospedada pelo cérebro ou como arranjos específicos de neurônios podem gerar experiências subjetivas, como a sensação do vermelho, o gosto do café ou a dor de uma perda.

Sabemos quais mecanismos cerebrais descrevem sinais elétricos e químicos, mas não por que tais sinais “sentem” algo por dentro. Há quem considere a consciência como uma substância distinta da matéria física, quem dá mais importância à organização funcional do que ao substrato físico, e quem acha que se trata apenas de uma ilusão. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Além da demora em se envolver na pré-campanha do enteado Flávio, a madrasta passou a desmontar enredos construídos por Carlos e Eduardo para dramatizar o roteiro em que o pai preso faz o papel de vítima. Três dias depois de o pitbull do clã trombetear nas redes que seu pai "continua enfrentando crises de soluços intermináveis e ininterruptas", Micheque montou seu púlpito no Instagram e deu graças a Deus pela evolução do quadro médico do marido.

Cinco dias antes, ela havia desossado uma patranha de Dudu Bananinha, que gravou um vídeo na CPAC (a conferência conservadora do trumpismo) dizendo que as imagens seriam vistas pelo pai no seu domicílio prisional. Numa postagem, a madrasta esclareceu: ainda que tivesse chegado, a filmagem do enteado não seria exibida ao marido: "Ele está proibido, por força de determinação judicial, de ter acesso a aparelhos celulares", disse ela, num inequívoco aceno a Xandão.

Micheque molha o tailleur para parecer mais útil a Bolsonaro que os filhos dele. Costuma evocar a Bíblia para sustentar que mulheres devem manter uma "submissão saudável" no lar. Já disse que "fazer comidinha gostosa para o marido e cuidar da casa não diminui a mulher."

Numa dinastia patriarcal, deve doer na alma dos varões a percepção de que a madrasta virou uma unha encravada nos pés de barro dos enteados. Cuidadora de mostruário, ela protege Bolsonaro até dos filhos. O eleitor bolsonarista é como que convidado a premiar com uma cadeira no Senado a submissão bíblica da dita-cuja.


A Teoria da Informação Integrada (IIT) sugere que a consciência emerge quando um sistema integra informações de forma específica, e que até sistemas simples podem apresentar níveis minúsculos de consciência. A Redução Objetiva Orquestrada sustenta que a consciência surge de processos quânticos nos microtúbulos neuronais, e que a função de onda aleatórias pode ser “orquestrada” por estruturas cerebrais, resultando em momentos discretos de consciência. Já o Panpsiquismo sustenta que uma propriedade tão fundamental quanto a massa ou a carga elétrica, e que a combina partículas elementares, dando origem a consciências mais elaboradas.


Devido à falta de suporte empírico robusto, os defensores dessas ideias são acusados de flertar com a pseudociência, mesmo porque o cérebro opera em temperaturas e condições que vão na contramão da coerência quântica. Mas o tempo não se comporta na física quântica como Einstein previu na relatividade geral


Embora as equações fundamentais da física sejam simétricas no tempo, a flecha do tempo está associada ao aumento da entropia (medida de desordem de um sistema). Mas as equações não mostram fluxo algum, por que o Universo começou em um estado de baixa entropia? E por que nos lembramos do passado, mas não do futuro?


Na gravidade quântica em loop, não existe um “tempo absoluto” correndo uniformemente, e a relatividade reforça essa ideia ao demonstrar que eventos simultâneos para um observador imóvel não o são para outro em movimento. Mas se não há um agora universal, então o passado, o presente e o futuro são igualmente reais, e nossa percepção de tempo não passa de uma ilusão neurológica bem convincente.


No mais famoso dos paradoxos quânticos, um gato em uma caixa permanece vivo e morto ao mesmo tempo até alguém verificar o estado de um átomo radioativo. Segundo a interpretação de Copenhague, a observação colapsa a superposição, mas não define o que conta como observação nem onde fica a fronteira que separa o mundo quântico do clássico.


O princípio da Decoerência preenche essa lacuna afirmando que o ambiente “mede” o sistema o tempo todo e destrói superposições macroscópicas quase instantaneamente, e a teoria dos Muitos Mundos, que o Universo se divide em duas realidades — numa, o gato vive; na outra, ele morre. 


A questão que se coloca é: será que o próprio gato não é capaz de observar a si mesmo e colapsar sua própria função de onda?


Continua...

terça-feira, 7 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 92ª PARTE

MODELOS CIENTÍFICOS NUNCA SÃO PROVADOS NUM SENTIDO ABSOLUTO, APENAS CONQUISTAM ACEITAÇÃO À MEDIDA QUE EXPLICAM E PREVÊEM OBSERVAÇÕES MELHOR DO QUE OS MODELOS ALTERNATIVOS.

A ciência acumula um vasto conhecimento sobre o cérebro, mas ainda patina ao tentar explicar como arranjos específicos de neurônios geram experiências subjetivas — a sensação vibrante do vermelho, o aroma terroso do café ou a dor lancinante de uma perda, por exemplo. Sabemos que os mecanismos cerebrais envolvem sinais elétricos e químicos disparando em redes neurais complexas, mapeadas por técnicas como ressonância magnética funcional (fMRI) e eletroencefalografia. No entanto, a razão pela qual esses processos “sentem” algo por dentro, em primeira pessoa, permanece um mistério. Esse é o chamado “problema difícil da consciência”, proposto pelo filósofo David Chalmers em 1995, que distingue os mecanismos objetivos (o “fácil”) das vivências qualitativas (os qualia). A busca por uma “ponte” entre a física e a consciência humana divide cientistas e filósofos. Dualistas, como René Descartes em sua versão clássica, veem a mente como uma substância imaterial distinta da matéria, enquanto funcionalistas argumentam que o que importa é a organização de informações e computações, independentemente do substrato físico — um cérebro, silício ou até um enxame de neurônios artificiais. Já os eliminativistas radicais, como Daniel Dennett, tratam a consciência subjetiva como ilusão, um truque narrativo do cérebro para sobreviver. Outras abordagens emergentes, como a teoria da Informação Integrada (IIT), de Giulio Tononi, propõem que a consciência surge do grau de integração de informações em sistemas complexos, mensurável matematicamente. Ainda assim, nenhuma explica por que essa complexidade produz o “teatro interno” da experiência.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A percepção de fadiga moral no chamado sistema é sempre pior para quem está no governo, que é a representação do "tudo isso que está aí", Daí se depreende que o derretimento da reputação nas e das instituições tende a cair na conta de Lula — a bananeira que já deu cacho — e nos apoiados por ele nos estados. Quanto à improvável terceira via, o governador Tarcísio, afilhado político do presidiário mais famoso desta banânia, precisa agradar aos radicais, o que prejudica a imagem de moderação a ser vendida ao eleitorado. Em contra partida, o primogênito do mico, também conhecido como senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias, fica livre para tecer sua pele de cordeiro.

Em meio a isso, Gilberto Kassab efetivou Ronaldo Caiado como candidato à Presidência pelo PSD, em detrimento de Eduardo Leite (Ratinho Jr. já havia desistido de moto próprio). O ungido ressalta os feitos de sua bem avaliada gestão em Goiás, mas peca por manter em cena a lógica do atrito em tese condenada pelo grupo.

Edição revista e piorada do pai, o senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias interessa a Lula até pouco tempo atrás como contraponto de palanque, mas seu crescimento nas pesquisas exige expertise estratégica mais elaborada do Palácio do Planalto. A julgar pelo primeiro lance de reação direta contra o filho do pai, falta pensamento estratégico nessa investida. Se acreditou mostrar-se superior ao não frequentar o mesmo evento que o adversário — falo da cerimônia de posse do presidente do Chile — errou na avaliação e criou uma situação de paridade que pode parecer desimportante, mas ganha relevância se examinado no contexto do plano para dar combate ao primogênito do aspirante a golpista.

Como não há nada tão ruim que não possa piorar, a crise de confiança que assola STF evidencia que saber jurídico não é suficiente para fazer frente a circunstâncias de natureza política. Em seu desnorteio na busca por uma porta de saída no labirinto em que se encontram, as togas divergem sobre as razões da erosão de imagem da Corte e dividem-se na escolha das maneiras de reagir.

A alguns parece melhor apostar no espírito de corpo, enquanto para outros prevalece a visão realista de que a solução reside na correção de condutas. Isso no ambiente interno do tribunal, porque fora dele há a percepção de que a situação exige atitude radical: o afastamento de Toffoli e Moraes.

Se não for por pedido voluntário de licença ou aposentadoria antecipada, acabará sendo por clamor popular pelo impeachment de ambos.


A IIT sugere que a consciência emerge quando um sistema integra informações de forma específica e irredutível, e que até sistemas simples podem apresentar níveis minúsculos de consciência. A redução objetiva orquestrada sustenta que a consciência surge de processos quânticos nos microtúbulos neuronais, e que a função de onda aleatórias pode ser “orquestrada” por estruturas cerebrais e resultar em momentos discretos de consciência. Já o Panpsiquismo postula que a consciência é uma propriedade tão fundamental quanto a massa ou a carga elétrica, e que a combinação de partículas elementares dão origem a consciências mais elaboradas.


Devido à falta de suporte empírico robusto, defensores de teorias quânticas da consciência — como as de Roger Penrose e Stuart Hameroff — são acusados de flertar com a pseudociência. Afinal, o cérebro opera em temperaturas quentes e ambientes úmidos, contrários à coerência quântica necessária para efeitos macroscópicos. No entanto, o tempo na física quântica desafia as previsões de Einstein na relatividade geral.


Embora as equações fundamentais da física sejam simétricas no tempo — permitindo que filmes rodem para trás —, a flecha do tempo surge do aumento da entropia, (medida da desordem em um sistema). Resta explicar por que o Universo começou em um estado de baixa entropia e por que nos lembramos do passado, mas não do futuro, se as leis não impõem direção alguma.


Segundo o físico Carlo Rovelli, o tempo não é fundamental. Na gravidade quântica em loop, não existe um "tempo absoluto" correndo uniformemente. A relatividade reforça isso: eventos simultâneos para um observador imóvel não o são para outro em movimento. Se não há um "agora" universal, passado e futuro são igualmente reais — nossa percepção linear pode ser mera ilusão neurológica.


No mais famoso dos paradoxos quânticos, o gato de Schrödinger vive e morre ao mesmo tempo em uma caixa, até uma observação colapsar o estado de um átomo radioativo em superposição (decaído/não decaído). A interpretação de Copenhague diz que a medição causa o colapso, mas não define o que conta como "observador" nem a fronteira quântico-clássico. O princípio da Decoerência explica que o ambiente "mede" o sistema continuamente, destruindo superposições macroscópicas quase instantaneamente. Já a teoria dos Muitos Mundos, de Hugh Everett, postula que o universo ramifica: em um, o gato vive; no outro, morre. Mas e se o próprio gato, consciente, colapsar sua função de onda?


Em 1935, Einstein, Podolsky e Rosen (EPR) propuseram um paradoxo para mostrar a mecânica quântica incompleta. Partículas emaranhadas, separadas por anos-luz, teriam estados instantaneamente correlacionados — a ação fantasmagórica à distância que Einstein detestava — apostando em variáveis ocultas locais. Ironicamente, o Teorema de Bell (1964) provou que nenhuma teoria local realista reproduz as previsões quânticas. Experimentos, como os premiados com Nobel em 2022, confirmaram o emaranhamento não local.


O experimento da dupla fenda revela elétrons interferindo como ondas, passando por ambas as fendas simultaneamente — até detectores os forçarem a um caminho único, destruindo o padrão. John Wheeler radicalizou: uma medição pós-fenda parece determinar retrospectivamente o trajeto, sugerindo que o futuro influencia o passado.


Partículas tunelam barreiras classicamente intransponíveis, emergindo do outro lado sem percorrê-las — dependendo da medição, parecem sair antes de entrar, questionando a causalidade temporal..


Resumo da opera: Não há realidade definida pré-medição. em sistemas quânticos. O futuro afeta o passado, o tempo pode não ser fundamenta e o pressuposto de causa não se aplica em todas as situações.. Enfim, a realidade, vista de perto é mais estranha que ficção.


Continua...

segunda-feira, 6 de abril de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE

TIMOR MORTIS EST PATER RELIGIONIS.

Como explicar o sincronismo comportamental que ocorre na natureza — de forma muitas vezes inconsciente —, como milhares de estorninhos voarem em perfeita coreografia, como se fossem um só, se a física clássica trata esse fenômeno como uma impossibilidade?


Há segredos que não devem ser revelados e mistérios que jamais serão explicados. No entanto, segundo a Navalha de Ockham — ou princípio da parcimônia, quando há várias explicações possíveis, a mais simples é a mais provável, mesmo que não seja necessariamente a correta, e de acordo com Sherlock Holmes — detetive criado pelo escritor e médico escocês Arthur Conan Doyle —, uma vez descartado o impossível, o que sobrar, por mais improvável que pareça, deve ser a verdade


Talvez o "x" da questão seja o fato de nos vermos como indivíduos, quando na verdade fazemos parte de um organismo muito maior.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


No tempo da Lava-Jato, a delação premiada gerou intensas controvérsias. A lei que regulamenta o assunto passou a conter parâmetros mais claros de aplicação, e PF e PGR — a quem cabe assegurar equilíbrio, integridade e garantias fundamentais — têm se mostrado mais exigentes, com critérios rigorosos de corroboração de fatos narrados pelo colaborador.

Agora, o assunto volta ao centro do debate em meio a investigações de grande repercussão, como Master, INSS e Carbono Oculto. Até assinar o termo de confidencialidade, Vorcaro precisava decidir entre cooperar com as autoridades ou guardar o silêncio. Os desdobramentos indicam que ele escolheu a primeira alternativa. No entanto, como se viu desde a Lava-Jato, quem fala primeiro tende a fechar acordos melhores do que quem fica para depois, que pode acabar sem nada a oferecer.

Esse é o pano de fundo para todas as discussões da República — dos penduricalhos no Supremo Tribunal Federal à contenção do preço do diesel no governo Lula, passando, claro, pelas pesquisas eleitorais — e o responsável pelo clima de desconfiança que impera em Brasília.


Com bem disse Einstein, cada um de nós representa uma parte do todo chamado Universo, e o que pensamos e sentimos como algo separado é apenas uma ilusão criada por nossa consciência. Declarações semelhantes foram feitas por Leonardo da Vinci, Benjamin Franklin e outros pensadores de alto coturno, mas a maioria dos cientistas ainda acredita que sincronismo comportamental é balela, e que esses organismos reagem uns com os outros com tal rapidez que a diferença temporal se torna quase imperceptível.


É possível que os estorninhos e os peixes se movam em bando, como uma coisa só, porque formam um organismo completo, como as células que compõem o nosso corpo, e isso torna o sincronismo perfeitamente natural. Mas câmeras de vídeo de altíssima velocidade acopladas a relógios atômicos nos dois extremos de um cardume mostraram que essa reação pode ser mais rápida que a luz — outra impossibilidade, já que física clássica define “c” — 299.792.458 m/s — como limite universal.


E agora, José?


Continua...