domingo, 6 de setembro de 2026

NÃO É BOMBRIL, MAS TEM 1001 UTILIDADES

O BRASIL É O PAÍS DO FUTURO QUE TEM UM GRANDE PASSADO PELA FRENTE. 

Papel-alumínio é o tipo de "coringa" que uma cozinha simplesmente não pode ficar sem. Além de assar ou cobrir alimentos, esse utensílio serve para dissolver os grumos do açúcar mascavo — cujo uso vem se tornando comum —, bastando para isso embrulhá-los em papel-alumínio e colocar no forno a 150 graus por cerca de 5 minutos. Mas não é só.


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Numa crise institucional, só há duas posições possíveis para um presidente da República: ser parte da solução ou ser parte do problema. Flávio Bolsonaro se aproveita do silêncio do Planalto para arrastar Lula para o mesmo pântano em que se encontra Alexandre de Moraes. Antes de reagir, o petista decidiu flertar com a imprudência testando a profundidade do lodo do Supremo com os dois pés.

Estalando de pureza moral, o filho do golpista presidiário sonega explicações sobre o Dark Horse, mas cavalga o mote "Fora Lula - Fora Moraes" para turbinar nas redes o ato bolsonarista de 7 de Setembro na Avenida Paulista. Simultaneamente, Lula se encontrou com três togas em dois dias — na terça-feira, Gilmar Mendes e Edson Fachin; na quarta, Flávio Dino.

Gilmar foi o mais explícito. Disse ao molusco que o governo é culpado pela crise que engolfa o Supremo. Nessa versão, o Planalto teria ignorado alertas do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, sobre intromissões de André Mendonça nas investigações do caso Master e do INSS. Lula optou pela tentativa de pacificação sugerida pelo advogado-geral Jorge Messias, "irmão em Cristo" de Mendonça.

Há um mês, o macróbio tomou um lado e assumiu um risco ao fazer as pazes com Davi Alcolumbre, num jantar na casa de Alexandre de Moraes. Agora, demora a notar que o silêncio deixou de ser uma opção. O caso das relações promíscuas de Moraes com Daniel Vorcaro deixou de ser problema de um magistrado. É uma crise institucional do Supremo, com respingos na PGR e na PF. 

Conviria a Lula informar rapidamente de que lado escolheu ficar. Ainda que isso não resolva a crise, ao menos ajuda a expor o cinismo do 7 de Setembro bolsonarista.


— Quando for assar uma torta no forno, envolva em papel-alumínio as bordas da massa — isso evita que elas queimem antes que o recheio termine de assar.


— Cubra a base do forno com papel-alumínio para protegê-lo de manchas difíceis de remover (convém colocar mais de uma folha para evitar que o líquido vaze pelos lados). Outra dica é cobrir o fundo de uma barra de sabão com papel-alumínio para que ela não derreta.

— Para eliminar manchas em seus talheres, coloque um pedaço de papel-alumínio em uma panela rasa, despeje água quente, adicione um pouco de sal e bicarbonato de sódio e então mergulhe os talheres nessa solução. Feito isso, deixe o molho agir por algumas horas e então lave os talheres em água fria e seque com um pano limpo.

— Para deixar uma panela de alumínio brilhando como nova, faça uma bola de papel-alumínio e use para esfregar a panela — e outros utensílios de cozinha que precisam ser "areados".

— Colocar um pouco de papel-alumínio sob os "pés" do móvel que você quer mover faz com que ele deslize mais facilmente ao longo do caminho.

— Afie suas tesouras dobrando um pedaço de papel-alumínio em 8 camadas e cortando-o várias vezes — quanto mais você cortar, mais afiada ela ficará. E caso você resida em uma região fria e use roupas de lã ou de outros materiais que acumulam eletricidade estática, pegue uma folha de papel alumínio, faça uma bola e coloque dentro da secadora.

— Encurte o processo de passar as roupas colocando uma folha de papel-alumínio sobre o que você deseja engomar — juntamente com o calor do ferro, o alumínio vai deixar ambos os lados prontos ao mesmo tempo.

— Para limpar a parte inferior do ferro de qualquer sujeira que tenha agarrado a ele, coloque um pedaço da folha de papel-alumínio na tábua de passar, polvilhe um pouco de sal, aqueça o ferro e simplesmente a "passe" a folha até o fundo do ferro ficar limpo.

— Dispositivos alimentados por pilhas, como controles remotos, deixam de funcionar quando a mola do compartimento da bateria perde sua elasticidade e torna-se plana. Caso não possa substituir o dispositivo, dobre um pedaço de papel-alumínio algumas vezes e insira-o entre a bateria e a mola que pressiona o polo negativo (chato) das pilhas.

— Aquecedores portáteis colocados muito perto da parede desperdiçam parte do calor gerado. Para evitar, cubra uma placa de isopor ou uma tábua fina de madeira com papel-alumínio e coloque-a atrás do aquecedor Assim ela vai "espelhar" o calor e aquecer o ambiente de modo mais eficiente.

Note que os dois lados do papel-alumínio são feitos do mesmo material; o brilho vem só do processo de fabricação. Na culinária, tanto faz usar o lado brilhante ou o fosco, mas vale lembrar que, por ser mais liso, a face brilhante reduz um pouco a aderência de alimentos e molhos. A diferença pode ter algum efeito (pequeno): na reflexão de radiação térmica — o lado brilhante tende a refletir mais calor, enquanto o fosco absorve um pouco mais.

Para manter algo frio por mais tempo (ex.: bolo na geladeira): lado opaco para dentro e brilhante para fora, refletindo o calor externo, e para manter algo quente ou concentrar calor num assado, use o lado brilhante voltado para o interior do embrulho. Mas vale lembrar que essa diferença é mínima no dia a dia — embrulhar um sanduíche ou tampar uma travessa não muda nada perceptível —, embora ganhe alguma relevância em situações específicas de forno ou congelamento prolongado.


Até a próxima.

sábado, 5 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 115ª PARTE

SPACE BENDS, TIME BREAKS (O ESPAÇO SE CURVA, O TEMPO PARA). 


Vimos que nem toda a evolução havida desde a invenção da roda até os tempos atuais permitiu que a ciência explicasse a natureza do tempo, que acomodasse numa única equação matemática a teoria da relatividade e a mecânica quântica, e que viajar para o futuro depende somente de conseguirmos construir espaçonaves capazes de singrar o cosmos em velocidades próximas à da luz, levar os astronautas até as proximidades do horizonte de eventos de um buraco negro, ou então atravessar um buraco de minhoca.


Voltar ao passado, todavia, é mais complicado, pois esbarra numa série de obstáculos impostos pelas leis da física clássica — sem falar que o simples desembarque do viajante numa época pretérita bastaria para alterar os acontecimentos e criar um "novo futuro", como explica o célebre paradoxo do avô


A boa notícia é que segundo o físico Lorenzo Gavassino, uma combinação da teoria da relatividade geral com a mecânica quântica e a termodinâmica sugere que é possível viajar para o passado sem criar contradições. Para não estender demais este texto, vou deixar para detalhar o Paradoxo do Avô e a Teoria das Cordas numa próxima postagem, até porque, quando escrevemos sobre esses assuntos, cada pena puxada traz uma galinha inteira.

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André Mendonça levantou o tapete. Mandou ouvir a PGR sobre o mau cheiro. O procurador-geral Paulo Gonet opinou pela anulação da imundície. Apontou "dupla nulidade", sob o pretexto de que a Polícia Federal e a Procuradoria não pediram a vassoura. E o plenário do Supremo não autorizou a faxina nas relações de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro.
A coisa se encaminha para mais um acobertamento de rotina. Mas a turma do abafa precisará responder a uma pergunta singela: "E a sujeira?". O que fazer com as mensagens endereçadas a Moraes? Com o pedido de proteção? Com os apelos para que intercedesse junto aos chefes da PF, da PGR e do BC? Com a pergunta de Vorcaro a Moraes sobre se deveria sair do país pouco antes de ser preso?
Gonet aparece no relatório que Mendonça encomendou à PF como parte do detrito. Numa mensagem, manda um advogado amigo dizer a Vorcaro que está "com saudade". Confirma presença num evento patrocinado pelo banqueiro mafioso em Londres: "Oba! Tomara que tenha charuto e Macallan". Pede a inclusão do filho, Pedro Gonet, no convescote.
A liberalidade metodológica, quando é muita, acaba engolindo os donos. O tapete do Supremo ficou pequeno. O resort vendido por Toffoli ao cunhado de Vorcaro já vaza pelas bordas. Com Moraes, o excesso tende a tornar tudo insignificante, exceto a pergunta: "E a sujeira?"

Embora nossa compreensão do tempo se baseie na física newtoniana, a teoria da relatividade desafia o pressuposto intuitivo de que os acontecimentos progridem linearmente do passado para o futuro, sugerindo que o espaço-tempo pode se comportar de formas bizarras, como demonstram os buracos negros (cuja existência já foi comprovada).

Como dito no post anterior, uma curva temporal fechada permitiria a um viajante do tempo seguir caminhos diferentes sem alterar o futuro, já que a criação de uma linha do tempo alternativa a cada decisão tomada tornaria a volta ao passado factível. Por outro lado, essa teoria ainda não foi comprovada experimentalmente, e sem múltiplos universos e LTAs, o efeito borboleta poderia gerar um loop infinito de causas e consequências.

Einstein bem que tentou, mas não conseguiu desenvolver uma equação capaz de descrever a realidade inteira. Outros físicos seguiram seus passos — entre os quais Stephen Hawking —, mas nenhum deles teve melhor sorte, e a busca por uma regra fundamental escondida por trás da diversidade do universo continua. E não faltam teorias que visam elucidar essa questão, sendo a Teoria de Tudo uma das mais promissoras.

Por muito tempo, falar sobre universos paralelos foi tabu entre a comunidade científica, mas não há nada como o tempo para passar, e teorias que se baseiam na hipotética existência de multiversos têm seus defensores e seus detratores. Mas os universos paralelos não são teorias em si, e sim previsões de determinadas teorias que sustentam a existência de fenômenos impossíveis de ser observados — como os buracos de minhoca, que continuam no campo das conjecturas embora "façam parte do pacote" da relatividade geral de Einstein, e o mesmo acontece com os universos paralelos em teorias como a inflação infinita, e talvez até na mecânica quântica.

A existência de universos paralelos foi defendida por cientistas do quilate de Stephen Hawking e Neil deGrasse Tyson, mas o problema é que o tema suscita muita confusão, sobretudo porque não se sabe de qual tipo de universo paralelo se está falando. Para facilitar, o livro Our Mathematical Universe, do cosmólogo Max Tegmark, dividiu os universos paralelos em quatro níveis diferentes. Vamos a eles:

O Multiverso de Nível 1, também conhecido como Quilted, é todo o cosmos que está tão longe que sua luz ainda não teve tempo de chegar até nós, embora o Big Bang tenha ocorrido há cerca de 13,8 bilhões de anos. A propósito, o universo "observável" é uma esfera com raio de 49 bilhões de anos-luz, conhecida como Esfera Hubble, e tudo que fica fora dela pode ser considerado outro universo.

Esse nível fica mais interessante quando paramos para pensar que existem apenas finitas maneiras de rearranjar as partículas do universo observável. Significa dizer que se pudéssemos singrar o cosmos por tempo suficiente, acabaríamos nos deparando com um clone da Terra com cópias idênticas dos terráqueos, da mesma forma que um macaco digitando aleatoriamente em um teclado por um período de tempo infinito acabará escrevendo a obra completa de Shakespeare. Vale destacar que esse nível do universo obedece às leis da física clássica e às constantes cosmológicas conhecidas, de modo que, pelo menos, em teoria, poderemos alcançá-lo quando e se desenvolvermos tecnologia avançada o suficiente para isso.

Para entender o Multiverso de Nível 2 é preciso compreender a Teoria da Inflação Cósmica, segundo a qual existiu um momento de inflação imensa e quase instantânea logo depois do Big Bang. Todavia, diferentemente de uma bolha de sabão, que ocupa espaço em um ambiente externo, o Universo não precisa de um exterior para se expandir. Uma teoria elegante, proposta por Stephen Hawking, é a da fronteira sem fronteira — um modelo de tempo imaginário no qual o cosmos seria como a superfície da Terra: finito, mas sem uma borda nem uma singularidade inicial.

Conforme Einstein estabeleceu em sua teoria da relatividade geral, pressão negativa gera gravidade repulsiva. Assim, uma substância em estado de inflação cósmica produz uma antigravidade que a explode, e a energia que essa antigravidade usa para expandir cria massa suficiente para que ela duplique de tamanho e continue a duplicar de novo e de novo. Ou seja, cria-se um universo inteiro sem tomar lugar de qualquer outra coisa, e assim diversos espaços infinitos poderiam existir dentro de um espaço finito.

Observação: Não se sabe porque as constantes cósmicas do universo têm os valores que têm, mas sabe-se que isso é fundamental para que tudo exista como conhecemos. O físico Alan Lightman explica no livro The Accidental Universe que se a quantidade de energia escura do nosso universo fosse um pouquinho diferente, a vida nunca poderia ter surgido.

Em suma, o Multiverso de Nível 2 é um conjunto de universos tecnicamente incomunicáveis, já que cada um deles é infinito, apesar de ocupar um espaço finito se visto de fora. Mas a aceitação desse nível de multiverso depende da aceitação geral da própria Teoria da Inflação Eterna, que sugere boas soluções para vários outros problemas misteriosos. Aliás, trata-se da melhor hipótese que temos para resolver um dos problemas mais misteriosos do nosso próprio Universo: o da “afinação” (ou fine-tuning). 

Diferente dos outros dois, o Multiverso de Nível 3 é o "queridinho" das obras de ficção científica e do imaginário popular. Segundo a interpretação de Copenhague, proposta por Niels Bohr e Werner Heisenberg, antes de ser observada, cada partícula se comporta também como onda e está em um estado de superposição quântica — ou seja, em dois ou mais locais ao mesmo tempo. Mas quando observamos essa partícula/onda, ela "escolhe" um local único para se mostrar como partícula. Mas uma teoria alternativa que está ganhando cada vez mais atenção é a chamada Interpretação dos Muitos Mundos, proposta por Hugh Everett em 1957.

Segundo essa teoria, a onda jamais entra em colapso, de modo que todas as possibilidades de localização seriam igualmente verdadeiras, criando uma infinidade de bifurcações quânticas, cada uma dando origem a um universo paralelo, onde tudo que pode acontecer acontece em algum lugar. Ou seja – existem milhões de versões de cada um de nós vivendo em universos ligeiramente ou totalmente diferentes, e cada vez que tomamos uma decisão, um clone de nós toma a decisão oposta em algum universo paralelo.

No famoso experimento do gato de Schrödinger, o gato está em um estado de superposição quântica — vivo e morto ao mesmo tempo —, e seu futuro só é decidido no momento em que a caixa é aberta (obrigando a partícula a decidir se decai ou não). Na Interpretação de Everett, no entanto, o universo se separa em dois, e o gato está vivo num deles e morto no outro, sem jamais interagirem um com o outro.

A ideia de que milhões de universos paralelos existem parece absurda, mas não é mais incoerente do que a possibilidade de uma partícula se comportar como onda, estar em vários locais ao mesmo tempo e mudar de estado de modo totalmente randômico quando é observada (como disse Richard Feynman, "ninguém realmente compreende a mecânica quântica").

Os cientistas avessos à Interpretação dos Muitos Mundos se escoram na Navalha de Occam — a explicação mais simples tende a ser a verdadeira — já que seria complicado adicionar infinitos universos paralelos para justificar a existência do nosso. Mas trata-se apenas de uma maneira diferente de olhar para os mesmos dados e os mesmos resultados, já que as equações que admitem a existência desses universos já existem.

Por último, mas não menos importante, resta dizer que o Multiverso de Nível 4 engloba todos os multiversos dos níveis 1, 2 e 3 numa única estrutura matemática infinitamente complexa, e que aceitar essas hipóteses sobre a maneira como a realidade se comporta vai de encontro (e não ao encontro) a nosso instinto fundamental de acreditar que somos o centro do universo.

Esse tipo de egocentrismo natural pode até ser socialmente repulsivo, mas é a nossa configuração padrão, impressa nos nossos circuitos desde o nascimento. Mesmo porque nunca tivemos uma experiência da qual não fomos o centro absoluto. Mas talvez o multiverso incomode porque reduz a existência de cada um à sua insignificância, e o ser humano tem dificuldade em aceitar a ideia de que ele não é essencialmente especial.

Continua…

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

O TEMPO PERGUNTOU AO TEMPO QUANTO TEMPO O TEMPO TEM... (FINAL)

QUE OS MISTÉRIOS PERMANEÇAM INSONDÁVEIS PARA QUE A BUSCA NUNCA TERMINE. 

Como vimos no capítulo anterior, a parte observável do universo contém cerca de dois trilhões de galáxias — as menores com alguns milhões de estrelas e as maiores com centenas de bilhões.


Nem todos esses sextilhões de "sóis" são orbitados, mas presume-se que haja tantos planetas quanto estrelas em nossa galáxia, e que a real extensão do cosmos além dessa região seja centenas, milhares ou até infinitas vezes maior do que a fração infinitesimal que conseguimos observar.


Quando as luzes da cidade e a poluição não atrapalham, conseguimos visualizar a olho nu cerca de 5 mil estrelas pertencentes à Via Láctea, a Andrômeda e às duas Nuvens de Magalhães. Entretanto, quando perscrutamos o céu com nossos telescópios espaciais mais poderosos, podemos ver cerca de 46,5 bilhões de anos-luz em todas as direções. Esse é o universo observável, ou seja, tudo que a luz teve tempo de alcançar desde sua criação, há 13,8 bilhões de anos.


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“É a economia, estúpido!” A frase cunhada em 1992 por James Carville, estrategista da campanha presidencial de Bill Clinton, veste como uma luva nas eleições de outubro: segundo a última pesquisa Genial/Quaest, 82% das famílias estão endividadas e 69% dos entrevistados sentem seu poder de compra diminuído. Em que pesem escândalos e polarizações, muitos brasileiros vão votar com o bolso. Mas o que os principais candidatos a ocupar o Palácio do Planalto pretendem fazer com o nosso dinheiro?

Quarto candidato a ser sabatinado pela TV Globo, Lula questionou o uso de conversas telefônicas como evidência, mas adotou tom diferente ao falar do ex-chefe de gabinete — o Marcola —, investigado por sua relação financeira com a lobista Roberta Luchsinger. 

Nesse caso, o xamã petista afirmou que o ex-assessor agiu de forma “totalmente errada” ao receber valores da empresária e disse que, se ele cometeu irregularidades, terá de pagar por elas. No do filho, classificou como “ilações” as suspeitas envolvendo o menino de ouro e afirmou que ele terá de se defender das investigações. 

Na seara econômica, o molusco afirmou que a dívida pública, hoje acima de 80% do PIB, não o preocupa, e defendeu a condução fiscal de seu governo. Como se não bastasse, atribuiu parte do aumento da dívida aos juros elevados, afirmou ter herdado do governo Bolsonaro um déficit de 2,8% do PIB, e que espera encerrar este ano com superávit primário. Além disso, chamou a lobista Roberta Luchsinger de “pilantra” e negou qualquer relação com ela. Questionado sobre mensagens obtidas pela Polícia Federal, afirmou que as conversas não comprovam o uso de dinheiro público e colocou em dúvida seu valor como evidência. 

“O que um pilantra ou um cara qualquer pode fazer num telefone?”, disse. Para completar, declarou nunca ter visto ou conversado com Luchsinger e negou que ela tenha tido qualquer proximidade com ele. No entanto, apesar das negativas, a lobista tem em sua conta no Instagram pelo menos três fotos com ele, tiradas entre 2022 e 2023, as imagens causaram desconforto na equipe da campanha petista. 

O estadista de fancaria também saiu em defesa do senador petista Jaques Wagner ao comentar as suspeitas que envolvem o aliado no caso Banco Master, afirmando que não pode fazer política com base em “ilações” e disse confiar na honestidade do correligionário. Segundo ele, até agora não há comprovação de uma relação de Wagner com o Banco Master, mas que “Se ele cometeu um desvio, vai pagar o preço”, afirmou.

Dos 40 minutos de entrevista, 25 foram sobre corrupção, nos quais o macróbio eneadáctilo demonstrou não ter aprendido muito em relação ao passado. Garantiu que se algo ficar provado contra o filho e o ex-chefe de gabinete, eles terão que pagar. Mas as afirmações sensatas logo deram lugar à irritação, quando ele passou a comparar a situação do filho à Lava-Jato e a acusar a PF de vazar informações e a imprensa de divulgar mentiras. 

Acuado por denúncias que estouraram bem no início de sua campanha, precisou se amparar em seus governos anteriores e, de maneira menos focada, no futuro, para sobreviver aos questionamentos dos entrevistadores. 

A entrevista na Rede Globo mostrou que o ex-presidiário faz um mandato sem marcas e vive de uma era remota. Confira o que foi verdade, exagero ou simplesmente falso na sua sabatina.

A guerra mais sangrenta e decisiva para o resultado da eleição presidencial não se dará no horário eleitoral, nas redes sociais ou nos debates, mas no Supremo Tribunal Federal, onde tramitam os casos Dark Horse e Lulinha. O ritmo de cada um e as revelações produzidas daqui para a frente não definirão só quem tem mais chance de vitória numa eleição pautada pela rejeição, mas também com quem ficará o domínio do tribunal.


Algo em torno de 440 sextilhões de quilômetros pode parecer um infinito, até porque engloba bilhões de galáxias, cada uma com centenas de bilhões de estrelas. Mas a teoria da inflação cósmica sugere que o universo pode ser incomensuravelmente maior — segundo os modelos científicos mais aceitos, pelo menos 10²³ vezes maior que nossa esfera observável. Tudo o que vemos — todas as galáxias distantes, todos os quasares, toda a imensidão que nos faz sentir insignificantes — é literalmente nada comparado ao que existe além, de estruturas cósmicas inimagináveis até regiões com leis físicas diferentes. No entanto, devido à velocidade finita da luz e à expansão acelerada do Universo, nenhum sinal dessas regiões jamais nos alcançará.


Em outras palavras, isso significa que continuaremos dentro de uma bolha de informação limitada, presos a um horizonte de eventos informacionais e completamente cegos para a verdadeira escala da realidade. A despeito de já termos saído do planeta Terra e de estarmos cogitando fundar colônias na Lua e em Marte, é possível que jamais cheguemos a conhecer a vastidão real do cosmos: além de superar todos os obstáculos de velocidade, tempo e distância, ainda seria preciso lidar com um assassino silencioso embuçado no espaço interestelar, que está repleto de raios cósmicos e partículas subatômicas ejetadas por supernovas, buracos negros e outros eventos, que viajam a velocidades próximas à da luz.


Observação: Até não muito tempo atrás, pensava-se não ser possível transpor a Linha de Kármán — limite imaginário que fica a 100 km de altitude, considerado como "início do espaço" por ser o ponto onde atmosfera se torna rarefeita demais para a sustentação aerodinâmica de aeronaves comuns. É fato que o atrito das moléculas de ar contra a fuselagem a velocidades hipersônicas causa um calor extremo, o que exige escudos térmicos, como também é fato que lutar contra a atração gravitacional requer foguetes extremamente potentes, capazes de alcançar a velocidade de escape (40.320 km/h ou 11,2 km/s).


Na Terra, estamos protegidos pelo campo magnético e pela atmosfera, que desviam e absorvem a maior parte dessa radiação mortal. Como uma nave viajando pelo espaço não conta com essa proteção, os astronautas seriam bombardeados constantemente por radiação ionizante. Durante uma viagem de décadas ou séculos até a estrela mais próxima, mesmo com blindagem significativa, a exposição cumulativa à radiação causaria danos catastróficos ao DNA humano, levando a cânceres agressivos, falência de órgãos e morte prematura, e gerações inteiras de tripulantes nasceriam com mutações genéticas severas. E construir uma blindagem suficientemente espessa para proteger dessa radiação tornaria a nave tão massiva que seria praticamente impossível de acelerar.


Como se vê, além de nos manter longe das estrelas através da distância, o Universo borrifa o caminho até elas com veneno invisível e inevitável. Pode-se tentar cruzar o abismo, mas a jornada em si mataria os cosmonautas muito antes que eles chegassem a seu destino. Isso sem falar que não existe combustível que baste para acelerar uma nave blindada contra a radiação e manter sistemas de suporte de vida para gerações. 


Vale destacar que acelerar uma nave do tamanho de um ônibus espacial até 10% da velocidade da luz usando propulsão de fusão nuclear exige combustível equivalente a centenas de vezes a massa da própria nave. E para acelerar até 50% da velocidade da luz, a quantidade de combustível superaria a massa de planetas inteiros. Além disso, também é preciso desacelerar a nave quando ela chegar ao destino, o que significa carregar ainda mais combustível para desaceleração. 


A equação do foguete de Tsiolkovsky demonstra matematicamente que quanto mais combustível é adicionado, mais a massa total aumenta e mais combustível é necessário para acelerar, criando um ciclo vicioso. Em última análise, a quantidade de combustível excede toda a matéria disponível no sistema solar — mesmo que convertêssemos planetas inteiros em combustível, a quantidade seria insuficiente para enviar uma única nave em uma viagem interestelar.


Em face do exposto, fica evidente que o Universo não nos deu recursos sequer para explorar nossa própria vizinhança cósmica. E não estamos trancados apenas pelas leis da física, mas também pela escassez brutal de energia, o que pode tornar a comunicação interestelar matematicamente impossível.


Mesmo que, contra todas as probabilidades, conseguíssemos enviar uma nave tripulada a Próxima Centauri, e que, depois de estabelecer uma colônia, os astronautas tentassem se comunicar com a Terra, cada mensagem levaria 4,24 anos para chegar — ou seja, uma conversa simples, com uma pergunta e uma resposta, demoraria 8,5 anos. Diante disso, qualquer emergência, qualquer pedido de ajuda ou de informação crítica se tornaria irrelevante em função do tempo. Ou seja: se algo desse errado na colônia, todos morreriam antes que qualquer auxílio pudesse ser organizado na Terra.


Numa colônia em uma estrela a 100 anos-luz de distância, cada troca de mensagens levaria duzentos anos, e considerando que nenhuma civilização, cultura ou espécie biológica consegue manter coesão através de atrasos de comunicação medidos em gerações humanas, essa colônia se tornaria uma entidade completamente separada, sem conexão significativa com seu mundo natal. 


O fato de a velocidade da luz ser o limite universal não só nos impede de viajar livremente pelo cosmos como assegura que qualquer tentativa de construir uma civilização interestelar resulta na fragmentação instantânea e permanente dessa civilização em ilhas isoladas, incapazes de compartilhar conhecimento, cultura ou até mesmo linguagem. Mesmo que um dia consigamos sair, jamais poderemos manter contato com quem ficou para trás. Em outras palavras, estamos condenados não apenas ao isolamento físico, mas também ao isolamento informacional absoluto.


Podemos sonhar com as estrelas, podemos construir telescópios maiores e escrever equações mais elegantes, mas nada disso muda o fato de que somos prisioneiros — e não até desenvolvermos uma tecnologia melhor, mas para sempre.

O universo é vasto, antigo e indiferente, e nós, criaturas frágeis de carne e osso presas em um ponto azul pálido, jamais sairemos dessa jaula cósmica. 

Em face de todo o exposto, se você tivesse a chance de embarcar em uma nave interestelar sabendo que jamais veria a Terra novamente, que todos os seus entes queridos estariam mortos quando você chegasse a seu destino e se tornasse um fantasma do passado navegando pelo futuro, a pergunta é:


Você iria? 

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 114ª PARTE

QUEM PENSA DEMAIS NO FUTURO NÃO TEM TEMPO DE VIVER O PRESENTE.

Vimos que a ciência em geral e a tecnologia em especial evoluíram significativamente nos últimos 200 anos, e mesmo assim os cientistas ainda não conseguem explicar a natureza do tempo, afirmar com certeza se ele realmente existe e tampouco esclarecer o que são as experiências de quase-morte e o déjà-vu, entre outros "mistérios". 


Também como vimos, viajar para o futuro é apenas uma questão de tempo (sem trocadilho). Isso porque os efeitos da dilatação temporal só são expressivos em velocidades próximas à da luz (cerca de 1,08 bilhão de km/h), e a sonda mais veloz que a Nasa lançou até agora atingiu "apenas" 0,064% dessa velocidade. Assim, uma viagem de ida até Proxima Centauri, que fica a 4,2 anos-luz do nosso sistema solar (1 ano-luz = 9,5 trilhões de km), levaria cerca de 6,5 mil anos.


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O circo do Supremo pegou fogo. André Mendonça riscou o fósforo ao expor detalhes das relações promíscuas de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes. Os vínculos estão estampados em relatório de 218 páginas da Polícia Federal. Num prenúncio do que está por vir, Moraes bateu boca com Mendonça a portas fechadas na segunda-feira. 

O Supremo vive uma crise inédita. Coisa jamais vista nos 135 anos de existência do tribunal. Por muito menos, Xandão já teria decretado a prisão cautelar de Alexandre de Moraes. Já fez isso com inúmeros investigados de menor influência, sob a alegação de que poderiam comprometer investigações. Junto com o mandado de prisão, expediria uma ordem de busca e apreensão do celular do contato supremo de Vorcaro.

Mendonça deseja que o plenário do Supremo decida, em sessão pública, se Moraes deve ser investigado. Se abafar o caso, como fez com a venda do resort de Toffoli para o Master, o tribunal pode ser carbonizado junto com Moraes num processo de impeachment no Senado em 2027.

Mendonça levantou o tapete. O PGR Paulo Gonet opinou pela anulação da imundície sob o pretexto de "dupla nulidade": a Polícia Federal e a Procuradoria não pediram a vassoura. E o plenário do Supremo não autorizou a faxina nas relações de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro.

A coisa se encaminha para mais um acobertamento de rotina. Mas a turma do abafa precisará responder a uma pergunta singela: "E a sujeira?". O que fazer com as mensagens endereçadas a Moraes? Com o pedido de proteção? Com os apelos para que intercedesse junto aos chefes da PF, da PGR e do BC? Com a pergunta de Vorcaro a Moraes sobre se deveria sair do país pouco antes de ser preso?

Gonet aparece no relatório que Mendonça encomendou à PF como parte do detrito. Numa mensagem, manda um advogado amigo dizer a Vorcaro que está "com saudade". Confirma presença num evento patrocinado pelo banqueiro mafioso em Londres: "Oba! Tomara que tenha charuto e Macallan". Pede a inclusão do filho, Pedro Gonet, no convescote.

Mendonça é evangélico, não santo. A 32 dias da eleição presidencial, maneja seletivamente os ventiladores do caso Master. A ventania não chega com a mesma intensidade à crina bolsonarista de Dark Horse. Mas o rigor processual de Gonet ignora outras flexibilidades do Supremo.

Aberto por Dias Toffoli sem o aval da PGR, o inquérito das fake news é conduzido por Moraes há quase oito anos. A liberalidade metodológica, quando é muita, acaba engolindo os donos. O tapete do Supremo ficou pequeno. O resort vendido por Toffoli ao cunhado de Vorcaro já vaza pelas bordas. Com Moraes, o excesso tende a tornar tudo insignificante, exceto a pergunta: "E a sujeira?"


Por outro lado, estudos matemáticos sugerem que um hipotético viajante do tempo que entrasse numa curva temporal fechada e retornasse ao passado poderia seguir caminhos diferentes sem alterar o resultado de suas ações. Isso porque quaisquer mudanças nos acontecimentos criariam linhas de tempo alternativas, paralelas à original, a partir do ponto de mudança. 


A existência de uma LTA para cada decisão tomada tornaria a viagem ao passado factível, pois eliminaria paradoxos temporais como o do Avô. Todavia, essa teoria ainda não foi comprovada experimentalmente, e sem múltiplos universos e LTAs, o efeito borboleta poderia gerar um loop infinito de causas e efeitos.  


Hoje é o amanhã de ontem e o ontem de amanhã. Quando dobramos à direita em vez de à esquerda numa encruzilhada do hoje, desencadeamos uma sucessão de consequências que se espalham no amanhã como as ondas produzidas por uma pedra na superfície de um lago. Isso sem falar que as viagens no tempo só fazem sentido se o tempo realmente existir e for como uma estrada pela qual podemos avançar numa velocidade constante, acelerar, desacelerar e até mesmo parar.


Voltando agora às incompatibilidades entre a física clássica e a mecânica quântica (mais detalhes no capítulo anterior), Einstein já sonhava encontrar uma forma de acomodar ambas numa mesma equação matemática capaz de explicar todas as partículas, todas as forças fundamentais e, quem sabe, o próprio espaço e o próprio tempo. Mas nem ele nem quem mais perseguiu essa solução tiveram sucesso até agora. 


Desde as mais priscas eras, a humanidade procura algum tipo de unidade fundamental — os filósofos gregos buscavam o elemento primordial, os alquimistas, a substância universal, e por aí vai. O tempo passou, o método mudou e as ferramentas evoluíram, mas os físicos modernos continuam perseguindo uma equação capaz de descrever a realidade inteira. E a pergunta continua surpreendentemente parecida: existe uma regra fundamental escondida por trás da diversidade do Universo, ou será que estamos diante de uma realidade complexa demais para caber em uma única explicação?


Foi nesse contexto que surgiu uma proposta tão ousada quanto controversa: e se elétrons, quarks e todas as demais partículas fundamentais não fossem pontos sem dimensão, e sim minúsculas cordas vibrando em diferentes frequências, como as cordas de um violão cósmico? A ideia soa bizarra, mas está longe de ser a parte mais estranha dessa história.


Durante uma palestra, o físico Carlo Rovelli — um dos “pais” da teoria da gravidade quântica em loop — esticou uma corda de uma ponta a outra do palco, pendurou uma caneta no meio e disse: “É aqui que estamos; à direita fica o futuro e à esquerda, o passado". Depois de uma breve pausa, ele acrescentou: “Só que isso é tão errado quanto afirmar que a Terra é plana.”


A gravidade quântica em loop busca compatibilizar a relatividade geral e a mecânica quântica. Nesse contexto, a ideia de que o espaço seja um recipiente vazio e contínuo dá lugar a uma visão bastante diferente. Segundo essa hipótese, o espaço seria formado por estruturas elementares extremamente pequenas, algo semelhante a "pacotinhos" de espaço, da mesma forma que a luz é formada por fótons. Isso significa que as coisas não existem dentro de um espaço preexistente, mas sim umas em relação às outras, e o espaço não seria um palco imóvel onde os acontecimentos ocorrem, mas algo que emerge das próprias relações entre os objetos físicos.


Se essa interpretação estiver correta, então o tempo também deixa de ser uma linha reta pela qual tudo flui do passado para o futuro. Em vez disso, passado, presente e futuro podem ser apenas maneiras humanas de organizar uma realidade muito mais complexa do que nossa experiência cotidiana sugere.


Para entender a teoria da gravidade quântica, devemos pôr de lado a ideia de que um gigantesco relógio cósmico marca o tempo do Universo. Um ano corresponde ao tempo que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do Sol, e nosso conceito de “ano” só faz sentido em nosso planeta — em Saturno, por exemplo, um ano corresponde a 29,5 anos terrestres. 


Como se vê, nosso conceito de tempo pouco tem a ver com as leis do Universo como um todo. Newton dizia não ser possível medir o “tempo verdadeiro”, mas que assumir sua existência ajudava a descrever vários fenômenos da natureza. Séculos depois, Einstein postulou que cada objeto do Universo tem seu próprio tempo, só que o tempo como o concebemos não funciona numa escala muito pequena — como a escala quântica. 


As coisas mudam apenas umas em relação às outras; no nível fundamental, o tempo não existe, e viajar para o passado só faz sentido se admitirmos sua existência. Mas talvez a causalidade não seja tão absoluta quanto imaginamos, e se ela for uma tapeçaria tecida com fios de múltiplas possibilidades, como fica o observador nesse bordado quântico?


Para não estender demais este capítulo, achei por bem abordar a Teoria das Cordas e que tais na próxima postagem. Até lá. 


Continua…

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O TEMPO PERGUNTOU AO TEMPO QUANTO TEMPO O TEMPO TEM — (PENÚLTIMA PARTE)

O CONHECIMENTO É LIMITADO, MAS A IMAGINAÇÃO ENVOLVE O MUNDO. 

Vimos que a ciência está historicamente repleta de ideias tidas como impossíveis até que novos conhecimentos revelaram caminhos inesperados. Vimos também que a propulsão de dobra — ideia associada há décadas ao sonho de reduzir distâncias entre estrelas — não afronta as equações relativísticas quanto à velocidade da luz, pois consiste basicamente em mover a região ao redor da espaçonave, comprimindo o espaço à frente e expandindo-o para trás. 


Um estudo recente publicado na revista Classical and Quantum Gravity tem como principal mudança em relação ao modelo anterior a geometria da bolha de dobra — que, em vez de concentrar a energia exótica em um único anel circular ao redor da nave, organiza essa energia em três ou quatro segmentos tubulares posicionados ao redor da fuselagem, visando manter o interior da espaçonave calmo e plano enquanto a parte externa realiza o trabalho de distorcer o espaço-tempo.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O cenário político-eleitoreiro está ainda mais vomitativo do que em 2022 e 2018. Haja Plasil! Venho pensando em deixar de incluir essas resenhas nas minhas postagens, pelo menos até passarem as eleições. Mas ainda não bati o martelo, de modo que vamos em frente.

Eleições têm dois tipos de candidatos: os que fazem poeira e os que comem poeira. O psiquiatra Augusto Cury continua engolindo a poeira levantada pelos favoritos Lula e Flávio Bolsonaro, mas já começa a enxergar no retrovisor após quebrar a barreira dos dois dígitos, enquanto Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos ^tem 4%, 3% e 2%, respectivamente.

As pesquisas empurram o filho do presidiário para uma encruzilhada: ele ainda é o anti-Lula mais competitivo, mas sua vitória está longe de ser assegurada. Aos poucos, Cury vai deixando de ser um mero soluço. As novas rodadas da Quaest e do Datafolha vão mostrar se o fenômeno Cury também aparece em pesquisas presenciais ou se está concentrado nas sondagens telefônicas e digitais.

Na pesquisa Real Time, Lula continua à frente no primeiro turno. Mas perdeu terreno no cenário de segundo turno. Em um mês, sumiram os três pontos de vantagem sobre Flávio. Os dois estão agora numericamente empatados em 44%. Quer dizer: a sucessão continua aberta ao imponderável.


Vimos também que pode ser mais fácil viajar no tempo para o futuro do que avançar além do nosso próprio quintal cósmico, pois é enorme a distância que separa uma viagem a velocidades próximas à da luz — que é representada pela letra"c" e equivale a aproximadamente 1,08 bilhão de km/h — à do objeto mais veloz lançado pela NASA até agora, que atingiu 0,064% de "c" em dezembro de 2024, quando a sonda se aproximou a apenas 6,1 milhões de km da superfície solar. A essa velocidade, uma viagem de ida a Proxima Centauri — o sistema estelar mais próximo do nosso — levaria cerca de 6.600 anos.  


A história ensina que ideias abstratas podem levar séculos ou até milênios para se tornarem ferramentas práticas. No estágio atual, "c" segue como uma fronteira muito mais teórica do que tecnológica para a exploração espacial, e a nova proposta melhora a forma de pensar a bolha de dobra, mas o salto entre matemática, energia negativa, controle seguro e viagem real continua imenso.


Voltando ao que dizíamos sobre a imensidão do cosmos, o que observamos no céu noturno é uma gravação atrasada do passado, que varia conforme a distância e o tempo que a luz leva para percorrê-la. Quando olhamos para a Lua, vemos como ela era 1,3 segundo antes; quando olhamos para o Sol, vemos como ele era cerca de 8 minutos atrás. 


Nosso sistema estelar vizinho mais próximo está a 4,37 anos-luz de nós, o que significa que a luz que vemos iniciou sua jornada há mais de 4 anos. Já quando olhamos para Betelgeuse — gigante vermelha na constelação de Órion, que fica a cerca de 550 anos-luz da Terra, o que vemos é a luz emitida quando os europeus ainda viviam na Idade Média, e a luz que nos chega desde Andrômeda — a maior galáxia espiral vizinha da Via Láctea, que fica a 2,5 milhões de anos-luz — partiu de lá quando os primeiros hominídeos começaram a caminhar eretos na África.


Olhar para o espaço profundo não é observar o universo, é assistir a um filme de fantasmas cósmicos, já que uma parcela significativa das estrelas que vemos brilhando no céu já explodiram, colapsaram em buracos negros ou se apagaram há séculos ou milênios, embora a notícia de sua morte ainda não tenha chegado até nós. Além disso, a expansão do universo a uma velocidade superluminal, graças a algo misterioso chamado "energia escura", está empurrando o tecido do espaço-tempo para fora em todas as direções, e quanto mais distante uma galáxia está de nós, mais rápido ela parece se afastar. 


Observação: Note que não são as galáxias que estão se afastando mais rápido que a luz — até porque isso violaria as leis da física — e sim o espaço entre elas que vem se expandindo cada vez mais depressa. Para entender melhor, pense no cosmos como uma bexiga de borracha e nas galáxias como a inscrição "Feliz Aniversário". À medida que a bexiga enche, a distância entre as letras aumenta, não por mudarem de lugar, mas por acompanharem a expansão causada pela pressão do ar no interior da bexiga.


Isso cria o que chamamos de horizonte de eventos cósmico, e qualquer coisa além dessa linha não pode ser alcançada, não importa o quanto nossa tecnologia avance. Centenas de bilhões de galáxias já foram perdidas, e mais galáxias cruzam essa fronteira e desaparecem da nossa realidade observável a cada segundo — ou seja, o território do universo disponível para nós está encolhendo ativamente, prendendo-nos numa ilha cósmica enquanto a maré sobe. 


E se isso não bastasse, algumas estimativas sugerem que a parte observável do universo contém cerca de dois trilhões de galáxias. O problema é que não sabemos qual é a extensão real do cosmos além dessa região iluminada pela luz que teve tempo de chegar até nós desde o Big Bang. O universo pode ser muito maior do que imaginamos, talvez centenas, milhares ou até infinitas vezes mais vasto que a fração infinitesimal que conseguimos observar.


Em outras palavras, tudo o que a humanidade já viu — cada estrela, planeta, nebulosa, galáxia e aglomerado galáctico catalogado até hoje — pode corresponder apenas a uma minúscula gota em um oceano cuja dimensão permanece desconhecida. E, como veremos mais adiante, algumas hipóteses vão ainda mais longe: sugerem que o nosso universo talvez seja apenas um entre inúmeros outros.


Continua…