domingo, 2 de agosto de 2026

PÃO AMANHECIDO FRESQUINHO OUTRA VEZ E VIVA O POVO BRASILEIRO!

SEGREDO ENTRE TRÊS, SÓ MATANDO DOIS.


Muita gente não abre mão do pão com manteiga no café da manhã, mas não tem tempo ou vontade de ir à padaria logo cedo.


Se você se encaixa nesse perfil e está farto de comer pão amanhecido ou aquecido na chama do fogão, seus problemas terminaram: a dica de hoje deixará seus pão com sabor e textura iguais às que ele tinha quando você o comprou. Para isso:


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NÃO EXISTE POLÍTICO SANTO; PORTANTO, NÃO OS IDOLATRE!  


De acordo com os institutos de pesquisa de intenção de voto, o Brasil segue refém do eixo Lula/clã Bolsonaro. A tão sonhada terceira via, ora representada pelos "três erres" — Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos —, terá a mesma sorte que tiveram Geraldo Alckmin, Ciro Gomes, Guilherme Boulos e aberrações como Marina Silva, Vera Lúcia e José Maria Eymael em 2018, e Simone Tebet, Felipe D'Ávila, Soraya Thronicke, Ciro Gomes e aventureiros como Pablo Marçal, Roberto Jefferson, Sofia Manzano, Vera Lúcia, entre outros que morreram na praia em 2022. 

Supondo que não se trate de Síndrome de Estocolmo — resposta psicológica em que a vítima de um crime, abuso ou cárcere privado desenvolve um vínculo afetivo, simpatia ou lealdade por seu agressor —, a pergunta que se coloca é: como escapar desse círculo vicioso? Como pôr fim à polarização fomentada pelo fanatismo político se dois terços do eleitorado cultuam bandidos de estimação, obrigando os demais a votar em quem não querem para evitar a vitória de quem querem menos ainda?

É público e notório que uma parcela significativa dos brasileiros é formada por analfabetos funcionais e outros "luminares" que repetem, a cada eleição, por ignorância, o que Pandora fez, uma única vez, por curiosidade. No entanto, se a perspectiva de o macróbio eneadáctilo conquistar o quarto mandato é assustadora, a da volta do clã Bolsonaro, ora representado pelo primogênito do capetão golpista, é aterradora.

Pela lógica, diante de um cardápio que se resume a suco de merda e sanduíche de bosta, quem tem um mínimo de bom senso muda de boteco. Mas não a récua de muares tupiniquins travestidos de eleitores parecem acreditar que insistir no erro acabará produzindo um acerto, da mesma forma que infinitos macacos digitando aleatoriamente por um tempo igualmente infinito acabarão reproduzindo as obras completas de Shakespeare. E isso não é de hoje.

Em 1989, na primeira eleição presidencial direta após 29 anos de jejum de urna, havia 22 postulantes ao Planalto, entre os quais Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola. Mas nossos esclarecidíssimos compatriotas preferiram escalar para o segundo turno um caçador de marajás de mentirinha e um desempregado que deu certo. É fato que essa desgraça se deve em parte à proliferação dos partidos políticos (atualmente 30, de acordo com o TSE), que se reproduziram feito coelhos no cio após a Lei Federal nº 6.767, de 20 de dezembro de 1979, extinguir o bipartidarismo da Arena e do MDB e restabelecer o pluripartidarismo no Brasil. 

Acabou que a profusão de partidos pouco identificáveis pelo eleitorado serviu apenas para dar vida mansa a um sem-número de vagabundos que se elegem para roubar e roubam para se reeleger. E como a demora em substituir setores sociais remanescentes do passado cria um vácuo onde novas lideranças não surgem e velhos políticos profissionais ditam as regras, as consequências foram deletérias. Considerando que o otimista é um tolo e o pessimista, um chato, o melhor é ser realista esperançoso, e, como tal, torcer para a eleição que se avizinha encerre esse processo em 2030, a partir de quando provavelmente viveremos o pós-Lula, e talvez outras figuras possam se colocar para a próxima eleição. Neste momento, porém, as duas grandes forças são o antipetismo e o antibolsonarismo. Qual das duas é a mais forte varia de acordo com o escândalo da vez, e escândalos envolvendo essa caterva não faltam. 

Depois de disputar e perder a Presidência para Collor em 1989 e para FHC em 1994 e 1998, Lula se elegeu em 2002 e conseguiu se reeleger em 2006, a despeito do Mensalão. Em 2010, visando manter a poltrona presidencial aquecida até poder voltar a ocupá-la, fez eleger uma ilustre desconhecida que pegou o gostinho pelo poder e quis porque quis disputar a reeleição em 2014. Para derrotar Aécio Neves, a nefelibata da mandioca quebrou o país. Por ser prepotente, arrogante e intransigente, foi afastada do cargo em maio e penabundada em agosto de 2016. E o resto é história recente.

A presidência da República é o cargo mais importante do sistema político brasileiro, e como bem disse o tio de Peter Parker (alter-ego do Homem-Aranha), grandes poderes implicam grandes responsabilidades. A polarização entre o lulopetismo e o bolsonarismo precisa ser quebrada, mas todas as tentativas feitas até agora foram inexitosas. A diferença entre um estadista e um populista é que o primeiro governa para as futuras gerações e o outro visa às futuras eleições. 

Até onde minha memória alcança, esta banânia jamais foi presidida por um verdadeiro estadista. O que chegou mais perto disso foi FHC, que também foi o único a se eleger no primeiro turno. Mas ele foi picado pela mosca azul e moveu mundos e fundo$ para "comprar" a PEC da reeleição, e como quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte, disputou o segundo mandato em 1998 e venceu novamente no primeiro turno.

Cerca de dois terços do eleitorado se dividem entre os que não tem certeza do que seu candidato pensa a respeito da maioria das questões de interesse nacional, mas "Deus me livre ser bolsonarista" ou "Deus me livre ser lulista ou petista", conforme o caso. Lula está com a data de validade vencida e desgoverna o Brasil como os olhos no retrovisor, mas quer porque quer o quarto mandato, mesmo sabendo que, para salvar o país da falência, ele — ou quem assumir a Presidência em 1º de janeiro de 2027 — terá de desarmar a bomba que armou torrando bilhões em programas sociais para dar a falsa ideia de que o Brasil está melhorando. Aliás, o roteiro dessa ópera bufa é muito parecido com a de que levou ao impeachment da nefelibata da mandioca em 2016.

De acordo com o Ipea, até 2028 a dívida bruta pode alcançar 90% e até 2030, 94,1% do PIB. Para piorar, o tarifaço dos Estados Unidos vai afetar as exportações brasileiras, o crescimento econômico e a geração de emprego, o que atinge o orçamento das famílias, principalmente as mais pobres. Para não mexer nos benefícios, seria necessário promover um imediato enxugamento da máquina pública ou melhorar a arrecadação do governo sem aumentar impostos — mediante a venda ou concessão de ativos da União, com os recursos direcionados à redução do endividamento. 

Observação: Seja qual for o caminho escolhido pelo próximo presidente, o essencial é reconstruir a previsibilidade. O país precisa mostrar que consegue controlar a dívida sem paralisar a economia e promover crescimento sem reacender a inflação. Caso contrário, continuaremos presos a uma combinação conhecida: juros altos, câmbio vulnerável e crescimento abaixo do potencial.

Para quem conheceu o legislativo antes de 2020, o formato em que as coisas funcionavam no tempo das sessões presenciais e do debate efetivo sabe o quanto elas mudaram de lá para cá. Tirando os três anos de pandemia, metade das sessões na Câmara Federal não tiveram a presencialidade desejada já que é muito mais fácil para suas excelências fazer tudo pelo celular. Então, o que se vê é um debate esvaziado, tanto no plenário quanto nas comissões. E a coisa só anda com a celeridade desejável quando envolve o orçamento secreto, as emendas PIX e o reajuste dos salários dos senhores parlamentares. Uma vergonha! 

O debate político é todo voltado para o curral, sobretudo com o advento das emendas — que jogam deputados e senadores para seus municípios, onde eles granjeiam votos e se transformam em vereadores federais. Para piorar, esse presidencialismo de coalizão (ou cooptação) enfraquece o Executivo e fortalece o Legislativo, que abocanha uma parcela substancial do orçamento e a utiliza de acordo com seus interesses locais (leia-se eleitoreiros).

Na política não há inocentes, só culpados. E isso inclui o eleitorado, já que maus políticos não brotam em seus gabinetes por geração espontânea. Vale relembrar a velha anedota segundo a qual Deus foi acusado de protecionismo durante a criação do Mundo, por favorecer a porção de terra que futuramente tocaria ao Brasil, e assim se pronunciou: "esperem para ver o povinho de merda que eu vou botar lá." Dito e feito.

Sir Winston Churchill dizia que a "democracia é a pior forma de governo à exceção de todas as outras", e que "o melhor argumento contra a democracia é cinco minutos de conversa com um eleitor mediano". Já o general Figueiredo (que era um sábio e não sabia) dizia que "um povo que não sabe sequer escovar os dentes não está preparado para votar".

A nefasta dicotomia político-ideológica semeada por Lula et caterva, regada pelos tucanos e adubada pelo capetão e seus soldadinhos de chumbo se alastrou pelo país afora, alcançando, inclusive, as cúpulas dos Poderes. Foi por isso que a parcela pensante do eleitorado apoiou o bolsonarismo boçal em 2018, já que a alternativa era a volta do lulopetismo corrupto. Deu no que deu, e quatro anos sob os desmandos de um anormal não bastaram para mudar o comportamento do eleitorado. Assim, teremos novamente eleições plebiscitárias e seremos obrigados mais uma vez a apoiar quem não queremos para evitar a vitória de quem queremos menos ainda. 

O jeito é torcer para que o imprevisto tenha voto decisivo na assembleia dos acontecimentos, e um dos dois “salvadores da pátria” saia de cena. Mas isso é apenas um exercício de futurologia baseado não em fatos, mas na esperança que acalentamos de um futuro melhor, a despeito de faltar ao Congresso probidade e vergonha na cara. Mas o que esperar de uma instituição composta em grande parte por investigados, denunciados e réus — e os que não se enquadram numa dessas categorias certamente viriam a se enquadrar se a alta cúpula do Judiciário não estivesse tomada por defensores atávicos da impunidade? Quando se dá a chave do galinheiro a uma raposa, e ela encarrega outras raposas de investigar o sumiço das galinhas… enfim, para bom entendedor meia palavra basta.

Nossas leis são criadas por políticos que se elegem para roubar, roubam para se reeleger e se escudam no nefasto foro especial por prerrogativa de função. Esqueça a história de que “todos são iguais perante a lei”. Sempre houve, há e continuará havendo “os mais iguais que os outros”. Presidente e vice, ministros de Estado, senadores e deputados federais só podem ser processados e julgados no STF, e as togas são rápidas como guepardos quando se trata de acolher pedidos de habeas corpus de seus bandidos de estimação, aumentar os próprios salários e conceder a si próprios toda sorte de mordomias, mas lerdos como cágados pernetas na hora de julgar ex-presidentes corruptos e sanguessugas aboletados no parlamento.

Fala-se muito da politização do Supremo, mas os ministros só agem quando são provocados. E são os próprios congressistas, descontentes com essa ou aquela situação, que pedem a interferência da Corte em assuntos que caberiam ao parlamento decidir. Foi assim com a instalação da CPI do Genocídio, que só seguiu adiante depois que uma liminar do hoje ex-minitro Barroso pôs fim à fleuma (também chamada de “mineirice”) do então presidente do Senado. E esse é só um exemplo.

Não quero dizer com isso o STF não erra. Erra, e muito, até porque suas excelências são seres humanos, embora alguns se julguem semideuses. Em dezembro de 1914, em aparte à um discurso do senador Pinheiro Machado, Ruy Barbosa disse que o Supremo pode se dar ao luxo de errar por último. Décadas depois, Nelson Hungria, príncipe dos criminalistas brasileiros, fez eco ao “Águia de Haia” dizendo que o STF tem “o supremo privilégio de errar por último”.

Não há democracia que funcione sem “toma-lá-dá-cá” se mais de 30 partidos disputam fatias de poder e verbas do Erário. E o apetite dessa escumalha é pantagruélico — haja vista o valor absurdo que foi estabelecido para o “fundão” eleitoral — dinheiro que é roubado de nós para ajudar a eleger quem vai nos roubar na próxima legislatura. E fodam-se os não sei quantos milhões de desempregados que não têm dinheiro sequer para uma refeição decente por dia. 

Gastar bilhões para eleger uma súcia de imprestáveis quando falta dinheiro para investir em segurança, saúde e educação é um escárnio. Mas a divisão do butim é feita levando em conta os votos para Câmara e Senado recebidos pelos partidos na eleição anterior. “É muita demagogia qualquer um chegar aqui e dizer que nós não vamos ter um fundo eleitoral público para financiamento das campanhas”, disse Arthur Lira quando era presidente da Câmara. E concluiu: "a única maneira que temos para evitar que tráfico, milícias e contraventores financiem e façam a má-gestão da política é com um financiamento público, claro e transparente.”

Então tá. 


Voltando à vaca fria:


1 — Abra a torneira e deixe cair água fria sobre o pão até a massa ficar empapada — caso seu pão seja uma baguete ou bengala, evite que o lado cortado fique muito molhado. 


2 — Acenda o forno, regule-o para 160 graus e coloque o pão encharcado para assar de 6 a 12 minutos, dependendo de quão molhado ele estiver. A água se tornará vapor quando o pão for aquecido, fazendo com que a casca fique crocante e o miolo, macio. 


Bom proveito.

sábado, 1 de agosto de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — NOSSO SISTEMA SOLAR

A CIÊNCIA NÃO É APENAS COMPATÍVEL COM A ESPIRITUALIDADE; É UMA FONTE PROFUNDA DE ESPIRITUALIDADE.

Se você integra a legião de cegos mentais que tomam o Velho Testamento por jornalismo confiável e o criacionismo por hipótese plausível para a origem da vida na Terra, você não está sozinho: por algum defeito de fabricação, inúmeras pessoas preferem acreditar em mentiras a enxergar a verdade que desfila diante de seus olhos.

Talvez isso ocorra porque o cérebro humano é extraordinariamente ruim em escala geológica, e 13,8 bilhões de anos é um número cognitivamente inapreensível, ou porque as religiões, mesmo tendo se tornado um pool de máquinas caça-níqueis, oferecem um pseudoconforto espiritual que a cosmologia científica não promete por não ser esse seu papel.

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Lula, o autoproclamado Sun-Tzu de Garanhuns, agiu corretamente quando mandou o embaixador Júlio Bitelli de volta à Argentina, sinalizando que o governo brasileiro deseja o retorno da normalidade. Por outro lado, sempre que pede a palavra, sua insolência quase nunca a devolve em boas condições. 

Na semana passada, ao falar sobre o maior conflito armado da história da América do Sul, o vocalista do grupo de pagode Fala Merda reescreveu a história numa comentário infeliz, errôneo e desnecessária, no qual afirmou que o Paraguai "invadiu" o Brasil, o Uruguai e a Argentina. 

A fala foi Infeliz porque remexeu numa ferida aberta — para os paraguaios, o Brasil cometeu genocídio na guerra; numa conta conservadora, a historiografia estima as perdas paraguaias entre 150 mil e 300 mil mortos. Foi errônea porque o Paraguai jamais invadiu o Uruguai: no episódio que antecedeu a guerra, foi o Império do Brasil que invadiu o Uruguai para evitar que o beligerante ditador paraguaio, Solano López, tutelasse aquele país. E foi desnecessária porque produziu uma tensão que serviu apenas para criar uma encrenca diplomática com o Paraguai num instante em que o Itamaraty já administra a intromissão do presidente argentino na eleição brasileira. 

A despeito dos três mandatos nas costas, o macróbio eneadáctilo ainda não aprendeu que pior do que uma crise são duas crises.


Pode-se argumentar que abraçar o criacionismo (ou outra religião qualquer) não é uma posição epistemológica, e sim uma identidade cultural e tribal. E muito embora o valor da Bíblia como literatura, mitologia e registro cultural seja indiscutível, tratar textos do século 10 a.C. como cosmologia literal, ignorando evidências convergentes de física, biologia, geologia e astronomia, é sinônimo de analfabetismo científico com consequências práticas — mas, de novo, argumentar com que renunciou à lógica é o mesmo que medicar defunto.

Prova disso é que, a despeito de o modelo cosmológico mais aceito estimar a idade do Universo em 13,8 bilhões de anos, não faltam apedeutas negacionistas que compram a versão do arcebispo irlandês James Ussher, segundo a qual Deus iniciou à criação do mundo e tudo que nele existe às 9h00 de 23 de outubro de 4004 a.C., viu que "tudo era bom" e deu os trabalhos por encerrados no sétimo dia, quando então descansou (!?)

Em tese, vivemos num país livre, onde cada um pode acreditar no que bem entender, da absolvição de Lula — que não passou da anulação dos processos devida a uma tecnicidade territorial — à inocência de Bolsonaro — tanto do pai golpista quanto dos filhos "cineastas" — e mais um sem-número de falácias sem pé nem cabeça. Por outro lado, negar evidências não muda os fatos. As coisas são como são — e não como gostaríamos que fossem — e mentiras não deixam de ser mentiras porque as pessoas acreditam nelas.

Passando ao que interessa, nosso sistema solar é um fascinante conjunto de objetos celestes (planetas, satélites, asteróides, meteoros etc.) interligados pela força da gravidade, tendo o Sol como seu centro. (0:10). Ele se formou há 5 bilhões de anos, e a Terra, cerca de 500 milhões de anos depois. Dito isso, quando o deus do arcebispo Ussher supostamente criou o mundo… enfim, fé e ciência não são mutuamente excludentes quando a esfera de cada uma é respeitada.

Embora não devamos subestimar a importância da Bíblia nem negar a enorme influência cultural do Gênesis, devemos mantê-los dentro de seu contexto histórico e mitológico, e não interpretá-los como revelações científicas sobre a criação do mundo. Assim, tomar os textos bíblicos por evidências factuais é ignorar séculos de progresso científico — como bem disse o pintor grego Apeles, não vá o sapateiro além das sandálias.

O literalismo religioso alimenta a negação de descobertas amplamente aceitas e mina o avanço em questões vitais ao futuro da humanidade. No tempo das cavernas, tempestades, terremotos, eclipses e outros fenômenos naturais eram atribuídos a forças sobrenaturais, e esse misticismo deu origem às religiões. Todavia, embora a fé e religião andem de mãos dadas, tanto é possível ter fé e não ser religioso como seguir uma religião simplesmente por tradição familiar ou convenção social.

Compete às religiões oferecer conforto espiritual, respostas a questões como o propósito e o sentido da vida e "religar" o homem a Deus. No entanto, em vez de levarem à unidade, ao amor e ao bem de todos, elas foram deturpadas para servir a interesses escusos daqueles que detêm o poder e o utilizam na manipulação de seus semelhantes. A possibilidade de existir um ente superior é plausível, mas como acreditar em um deus criador que concede livre-arbítrio às criaturas se ele promete recompensar os bons com a vida eterna num paraíso celestial e punir os maus com o fogo eterno num inferno comandado por um anjo caído?

As religiões perderam muito da empatia que tinham nos tempos de antanho e deitaram suas raízes nos comportamentos evolutivos fundamentais. Assim como os vaga-lumes, elas precisam da escuridão para brilhar, e são úteis para os poderosos, que lhes dão ares de verdade para ludibriar os menos esclarecidos. Enquanto sua rigidez tende a perpetuar tradições e práticas que raramente resistem ao questionamento crítico, a fé que resulta de experiências empíricas leva as pessoas a crer em algo sem que isso lhes seja enfiado goela abaixo por dogmas. Essa flexibilidade faz com que a fé se adapte aos valores e interpretações de cada um, tornando sua relação com a religião ainda mais intrigante quando a natureza da divindade é questionada — aliás, dizem que Deus criou a fé e o amor, e o diabo, invejoso, as religiões e o casamento.

Aristóteles ensinou que o sábio duvida e o sensato reflete. Toda religião é a verdade absoluta para quem a professa, mas não passa de mera fantasia para os devotos das outras seitas. No entanto, qualquer pessoa minimamente esclarecida deveria refutar a ideia de passar a eternidade tocando harpa numa nuvem ou assando lentamente num espeto. Mesmo assim, em pleno século XXI, algumas doutrinas claramente inverossímeis têm hostes de seguidores que pegam em lanças para defender seus rituais e liturgias.

No Mito da Caverna, Platão ensina que a sabedoria e o conhecimento estão além das aparências superficiais, e que só a reflexão crítica leva à compreensão das nossas convicções e das narrativas que escolhemos abraçar. Infelizmente, pode-se levar um burro até o regato, mas não se pode obrigá-lo a beber.

Continua…

sexta-feira, 31 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE A TEORIA DE TUDO (CONTINUAÇÃO)

A REALIDADE É AQUILO QUE NÃO DESAPARECE QUANDO VOCÊ PARA DE PENSAR NELA.

Até o início do século XX, as leis de Newton explicavam o movimento dos planetas, as maçãs caindo das árvores, e por aí afora. Em 1905, Einstein publicou uma série de artigos que viraram esse entendimento de pernas para o ar, começando pela Teoria da Relatividade Restrita, segundo a qual o tempo e espaço formam um único tecido contínuo — o espaço-tempo — onde até os relógios atômicos mais precisos seguem caminhos diferentes, e que o tempo não é uma regra universal válida para todo o cosmos. 


A ideia central fica mais palatável quando imaginamos duas pessoas e um trem, uma viajando num vagão a uma velocidade constante e a outra parada na plataforma da estação. De acordo com as leis de Newton, a primeira pessoa acha que a segunda está se afastando, enquanto a segunda acha que a primeira está se movendo. 


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Em maio, Flávio prevalecia sobre Lula entre os brasileiros que afirmam não ser lulistas nem bolsonaristas: 38% a 32%. Desde a explosão do caso Dark Horse, a tendência se inverteu. Lula agora aparece à frente do filho de Bolsonaro nesse nicho do eleitorado: 40% das intenções de voto, contra 31% atribuídos a Flávio na simulação de segundo turno.

No quadro geral, os dados coletados pelo Datafolha revelam um cenário de estabilidade. Lula continua à frente. Mas não disparou. Flávio, a despeito da desvantagem, não derreteu. No primeiro turno, a dianteira de Lula oscilou de 10 para 8 pontos percentuais: 40% a 32%. No segundo turno, foi de 4 para 5 pontos: 48% a 43%.

São variações dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos. Normalmente, seriam consideradas como um ativo eleitoral de Flávio. Sobretudo quando se considera que o candidato do clã Bolsonaro tropeça numa agenda negativa que inclui a relação promíscua com Daniel Vorcaro, as desavenças com a madrasta, o tarifaço de Trump, os desencontros com o centrão, o ataque às urnas eletrônicas e um interminável etcétera.

Nesse contexto, a estratégia que distancia Flávio do eleitor de centro não faz nexo. Foi esse eleitor que deu a Lula, em 2022, a vitória sobre Bolsonaro pela pequena margem de 1,8 ponto percentual. O jogral do pai preso — "É sangue do meu sangue" —com filho-refém — "Aqui tem sangue de Bolsonaro" — desce à crônica da sucessão como uma esperteza do avesso.

É como se a dinastia desejasse transformar limonada em limão.


O problema surge quando experiências como a que Michelson e Morley realizaram no final do século XIX demonstraram que a velocidade da luz no vácuo é sempre a mesma, não importa se a fonte está em movimento ou se o observador está parado. Isso parece ser apenas um detalhe, mas, segundo a física clássica, a velocidade de uma bola arremessada dentro de um trem seria a velocidade da bola somada à velocidade do trem, e com a luz a velocidade continuaria exatamente a mesma (na percepção de quem está parado).


Isso levou Einstein a propor dois postulados simples, mas revolucionários: 1) A velocidade da luz no vácuo é constante (299.792.458 m/s ou cerca de 1,08 bilhão de km/h) para todos os observadores, independentemente do seu movimento; 2) As leis da física são as mesmas em todos os referenciais inerciais, ou seja, para observadores que não estão acelerando.


A combinação dessas duas ideias foi de encontro (e não ao encontro) do senso comum, segundo o qual o tempo e espaço simplesmente não podem se comportar da forma que se imaginava até então. Isso levou Einstein a concluir que, para o universo continuar a fazer sentido, era preciso abandonar a noção clássica de tempo e espaço e abraçar a ideia de que o tempo não é um valor absoluto, igual para todos, que flui como um relógio cósmico universal, mas algo relativo que leva a um conceito ainda mais profundo — que é o do espaço-tempo.


Para entender melhor a gravidade, imaginemos o espaço-tempo como uma grande tela elástica, e objetos massivos como planetas e estrelas deformando essa tela. Se colocarmos uma bola de boliche no centro dessa tela elástica, o tecido irá afundar. Se acrescentarmos uma bola de tênis, ela vai se mover em direção à bola maior, não porque uma força misteriosa a puxa, mas porque a superfície está deformada. Na visão de Einstein, a gravidade funciona assim, como o resultado da curvatura do espaço-tempo, e não como uma força invisível exercida à distância..


Einstein demonstrou ainda que o tempo também é afetado pela gravidade, e que, quanto mais intenso for o campo gravitacional, mais lentamente ele fluirá. É devido a esse efeito — conhecido como dilatação gravitacional do tempo — que um relógio anda mais devagar ao nível do mar do que no alto de uma montanha, onde a atração gravitacional é menor. 


Isso tem implicações profundas na forma como entendemos o universo e a nós mesmos, pois desmonta a ideia segundo a qual o tempo é um rio que corre de maneira uniforme para todos.


Continua…

quinta-feira, 30 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — E MAIS SOBRE A TEORIA DE TUDO

O TEMPO É UMA ILUSÃO; ELE SÓ EXISTE PARA QUE TUDO NÃO ACONTEÇA MAIS DE UMA VEZ.

Interrompi o capítulo anterior lembrando que viajar no tempo é o fruto mais cobiçado da árvore da relatividade, que as leis da física não impedem as viagens para o futuro — se ainda não o fizemos, foi por não dispormos da tecnologia necessária — e que voltar ao passado é um pouco mais complicado.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

A convenção nacional do PL, realizada em São Paulo no último sábado, foi convertida numa antiapoteose que subverteu a lógica. O protagonista do evento não foi o então pré-candidato do partido à Presidência, mas o progenitor do stronzino, que roubou a cena no evento inaugural da campanha do filho na forma de um clone virtual.
O uso da inteligência artificial expôs a ignorância natural do marketing bolsonarista. O primogênito do preso inelegível foi formalizado na pajelança partidária não como candidato à Presidência da República, mas como um fantoche do pai.
"Nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança que despertamos", disse a versão digital de Bolsonaro, exibida aos devotos num telão. "Nenhuma prisão vai calar os milhões de brasileiros que acreditam no nosso país. Por isso, peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio."
O suposto candidato ecoou o pai em seu discurso: "Eu posso ser mais calmo, mais sorridente, mais tranquilo e moderado, mas aqui tem sangue de Bolsonaro", vociferou. "E sabe o que a gente vai fazer? O Brasil foi sequestrado e a gente vai libertar o nosso país desse cativeiro. Em janeiro de 2027, Jair Bolsonaro vai subir aquela rampa do Planalto junto com a gente".
Ao assumir o papel de refém dos interesses de Bibo Pai, Bobi Filho atirou contra os próprios pés de barro, expostos no Datafolha divulgado na noite da véspera. A pesquisa mostrou que os votos do eleitor de centro, vitais para o desfecho de uma sucessão polarizada, escorrem gradativamente para o cesto de Lula.

Além de suas contribuições fundamentais sobre buracos negros e a origem do universo, Stephen Hawking era conhecido por seu humor afiado e sua mente provocadora. Ao meio-dia de 28 de junho de 2009, visando testar a possibilidade da viagem ao passado, ele organizou uma festa na Universidade de Cambridge, com direito a decoração caprichada, champanhe, petiscos e uma grande faixa com os dizeres "Bem-vindos viajantes do tempo". No dia seguinte, publicou os convites em jornais e na internet. A lógica era simples e elegante: se em algum ponto do futuro a viagem ao passado se tornasse possível, então viajantes do tempo poderiam retornar àquela data específica e comparecer à festa. Mas ninguém apareceu. 

Esse fracasso, como o próprio Hawking ironizou, levou-o a concluir que, ou não é possível retornar ao passado, ou eventuais viajantes do tempo egressos do futuro preferem não se revelar, seja para evitar paradoxos, seja para não interferir na linha do tempo. Uma terceira possibilidade é a impossibilidade de viajar para um passado anterior à criação da primeira máquina do tempo.

Para entender isso melhor, pense nessa hipótese como um videogame. Você pode carregar um save antigo, mas não pode voltar para um ponto anterior ao momento em que o primeiro arquivo foi criado. Seguindo essa lógica, se uma máquina do tempo for inventada em 2100, nenhuma viagem poderia ir além desse ponto — até porque simplesmente não haveria onde pousar.

Foi refletindo sobre esses dilemas que Hawking propôs a chamada conjectura da proteção cronológica. Segundo essa ideia, as próprias leis fundamentais da física impediriam a existência de loops temporais fechados. Sempre que uma situação propiciasse uma viagem ao passado, efeitos quânticos extremos surgiriam, tornando o espaço-tempo instável e impedindo que o processo se completasse. 

Em outras palavras, o universo teria um mecanismo de segurança embutido — o que faz sentido quando lembramos que o princípio da causalidade — uma das pedras fundamentais da realidade — evita a formação de paradoxos temporais.

Ainda assim, alguns físicos se aventuraram a explorar brechas teóricas. Entre os mais conhecidos estão a dupla Kip Thorne e Michael Morris, que investigou a possibilidade de viajar no tempo através dos chamados buracos de minhoca. Sob condições específicas, esses túneis hipotéticos que ligam regiões distantes do espaço-tempo poderiam ser atravessados, permitindo uma viagem ao passado (já tratamos desse assunto em dezenas de postagens, como se pode conferir pesquisando o blog a partir dos respectivos termos-chave). 

O problema é que a criação de buracos de minhoca exige formas exóticas de matéria e efeitos quânticos que, até onde sabemos, ou não existem ou são impossíveis de controlar — daí a maioria dos físicos concordar que esses cenários permanecem no campo da especulação, fascinantes em teoria, mas inalcançáveis na prática. 

Seja como for, uma coisa é certa: o tempo está no coração da nossa existência, não obstante quão raramente paramos para refletir sobre sua verdadeira natureza.

Compreender o tempo talvez seja encarar um dos mistérios mais profundos do universo. Segundo a relatividade, o tempo não é uma dimensão rígida e congelada, mas dinâmica e flexível, moldada pela velocidade e pela gravidade. Cada um de nós percorre sua própria trajetória no espaço-tempo, numa linha única influenciada pelo movimento e pelo ambiente ao redor. 

Note que essa ideia carrega um certo desconforto: se cada experiência do tempo é única, então passado, presente e futuro se organizam de forma diferente para cada observador. Em outras palavras, cada um de nós vive sozinho dentro de sua própria linha de universo.

Não custa reforçar que nossa tecnologia avançou mais nos últimos 150 anos do que desde a invenção da roda até a Revolução Industrial. 

Que Pedro Álvares Cabral e sua trupe levaram 44 dias para cruzar o Atlântico no alvorecer do século XVI - e que, 500 anos depois, o supersônico Concorde fazia a mesma viagem por ar em pouco mais de 3 horas. 

Que Leonardo da Vinci concebeu seu "parafuso aéreo" cinco séculos antes daquilo que hoje conhecemos como "helicóptero" fazer seu voo inaugural. 

Que Júlio Verne profetizou a viagem tripulada à Lua um século antes da alunissagem da Apollo 11. 

Que cientistas renomados foram tratados com desdém até suas ideias inovadoras serem comprovadas.

Em suma aquilo que ontem era visto como feitiçaria passou a ser ciência.

Doze astronautas norte-americanos pisaram na Lua entre 1969 e 1972, mas a primeira viagem tripulada a Marte ainda não saiu do papel. Em parte porque, com a tecnologia atualmente disponível, ir da Terra ao planeta vermelho leva de 6 a 9 meses, e para que a geometria orbital permitisse que a viagem de volta fosse feita nesse mesmo tempo, seria preciso permanecer em Marte de 14 a 20 meses. Mas não há nada como o tempo para passar…

Uma equipe de pesquisadores liderada pelo astrônomo e pesquisador de mecânica orbital Marcelo de Oliveira Souza descobriu uma forma de usar dados preliminares de asteroides próximos da Terra como modelos geométricos para projetar trajetórias interplanetárias de alta velocidade para Marte. Assim, de acordo com o estudo publicado na revista científica Acta Astronáutica, uma missão de ida e volta ao Planeta Vermelho pode ser concluída em apenas 153 dias. 

A origem dessa descoberta está no asteroide 2001 CA21. Ao analisarem os cálculos orbitais iniciais desse corpo celeste, os pesquisadores detectaram que suas trajetórias preliminares traçaram uma espécie de portal secreto que se cruzaria com as zonas de influência orbital da Terra e de Marte durante a oposição de outubro de 2020. 

Embora medições subsequentes tenham refinado a órbita do asteroide, o valor científico do estudo reside em demonstrar que essas trajetórias iniciais, frequentemente consideradas ruído na comunidade astronômica, funcionam como um mapa estrutural para identificar corredores de transferência rápida.

A pesquisa analisou três janelas de oposição marciana: 2027, 2029 e 2031. A partir dessa análise, 2031 emergiu como a oportunidade mais promissora para a realização desse tipo de missão. Nessa configuração geométrica, uma espaçonave poderia partir da Terra em 20 de abril de 2031, chegar a Marte em 23 de maio, permanecer na superfície por 30 dias e iniciar sua viagem de retorno em 20 de setembro.

Para validar essas rotas, utilizou-se um solucionador de problemas de Lambert — ferramenta clássica em mecânica orbital —, que restringiu a inclinação da espaçonave ao plano de referência do asteroide. No entanto, os autores do estudo são cautelosos em relação aos desafios tecnológicos atuais. 

A rota ultrarrápida, que completaria a jornada em apenas 33 dias, exigiria velocidades de partida de 32,5 km/s e uma velocidade de chegada a Marte de 108.000 km/h. Esses números superam em muito as capacidades dos atuais sistemas de pouso e proteção térmica, colocando essa abordagem em um âmbito puramente teórico que exigiria propulsão nuclear térmica ou elétrica avançada.

A possibilidade de reutilizar informações de corpos menores como uma bússola interplanetária poderia acelerar os planos de exploração no longo prazo, desde que a tecnologia de propulsão consiga atingir os marcos energéticos que essas novas trajetórias exigem para garantir a segurança de uma tripulação humana.

Continua…

quarta-feira, 29 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE A TEORIA DE TUDO

O TEMPO SE DOBRA; O ESPAÇO SE QUEBRA.

O fato de o tempo não ser universal nem fixo afronta nossa noção de simultaneidade, já que dois eventos que parecem acontecer ao mesmo tempo para um observador podem não parecer simultâneos para outro. Voltando ao exemplo do trem (capítulo anterior), se dois relâmpagos atingirem a locomotiva e o último vagão ao mesmo tempo, ambas as descargas parecerão simultâneas para quem está na plataforma e sucessivas para quem está no trem em movimento.


Embora tenha sido considerada inicialmente absurda, essa ideia abriu caminho para toda a física moderna — da mecânica quântica à cosmologia, da compreensão dos buracos negros ao estudo da origem do universo, e continua valendo quase um século depois. Mas a questão que se coloca é: se o tempo não é universal e cada qual segue sua própria linha temporal, a possibilidade de se desviar, pegar atalhos ou fazer o caminho inverso permitiria voltar ao passado?


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Guindado por Bolsonaro a uma poltrona do Supremo sob o argumento de que o tribunal precisava de um ministro "terrivelmente evangélico", André Mendonça rodou a toga, na última quinta-feira, e serviu ao filho do pai o pão que o Tinhoso amassou ao autorizar a Polícia Federal a abrir inquérito para investigar o financiamento de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse. 
Dono do próprio tempo, Mendonça poderia ter agido na segunda-feira. Caprichoso, optou por tomar a decisão às vésperas da convenção que formalizou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. 
O início da investigação vinha sendo travado por um empecilho burocrático. Uma ação do deputado petista Lindbergh Farias pedia que a encrenca ficasse com Alexandre de Moraes, acusado de perseguição pelo clã Bolsonaro. Sob aplausos da família, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, transferiu o caso para a mesa de Mendonça, relator do caso Master. 
Mendonça é "irmão em Cristo" da amiga evangélica Michelle Bolsonaro, que vive às turras com o enteado Flávio. Nos bastidores, aliados do candidato enxergaram digitais da madrasta no despacho do ministro, mas o rigor com que Mendonça trata o senador petista Jaques Wagner, também arrastado para o caldeirão do Master, enfraquece o argumento. 
Por uma trapaça do azar, a decisão de Mendonça chegou ao noticiário no mesmo dia em que o rebento do refugo da escória da humanidade pendurou nas redes um vídeo se desculpando com Michelle, que, em meio à crise. foi questionada por repórteres sobre o áudio em que o enteado pediu dinheiro a Vorcaro, e se limitou a dizer que a pergunta deveria ser dirigida ao primogênito do capetão — que teve a oportunidade de se explicar, mas preferiu administrar o problema a golpes de barriga. 
Diante das crises que desidratam o projeto político da família Bolsonaro, os operadores da campanha tentavam calafetar as janelas do comitê, porém, assombrados com o rigor de Mendonça, passaram a temer que a investigação vaze pelas frestas do birô eleitoral, recém-transferido para São Paulo, durante toda a campanha. A cúpula do PL receia que a sangria se torne hemorrágica.

A física moderna trata a viagem no tempo para o futuro como uma consequência direta das leis do universo, pois quanto mais rápido algo ou alguém se move, mais lentamente o tempo passa para esse alguém em relação a um observador parado. Para entender melhor, a velocidade da luz — representada pela letra "c" considerada o limite máximo no universo — equivale a 299.792.458 m/s. Viajando a 99% de "c" e voltando à Terra depois de 5 dias, um hipotético astronauta encontraria seus familiares e amigos 35 dias mais velhos.


Vale ressaltar que a diferença (fator de Lorentz) cresce à medida que o viajante se aproxima de "c." A 99,9999%, os mesmos 5 dias na nave representam cerca de 9 anos na Terra, e a 99,99999999%, a quase 1.000 anos. Com energia suficiente, seria possível cruzar galáxias inteiras numa questão de minutos, enquanto milhares de anos se passariam na Terra. 


Observação: Teoricamente, o fator de Lorentz não tem limite, mas qualquer objeto com massa precisa de energia para ser acelerado, e, na velocidade da luz, a energia necessária para ele continuar acelerando seria infinita.


Não se trata de ficção científica, mas de evidências comprovadas experimentalmente: partículas subatômicas aceleradas em laboratórios vivem mais tempo do que se estivessem paradas, e relógios atômicos colocados em aviões viajando a grandes velocidades atrasam exatamente como a relatividade prevê.


Colher o fruto mais ambicionado da árvore da relatividade — ou seja, viajar no tempo — é admissível à luz das leis da física; se não o fazemos na prática, é porque o custo é altíssimo: para que a dilatação do tempo seja realmente significativa, é preciso atingir velocidades muito próximas à da luz, e nossas tecnologias de propulsão ainda não o permitem. 


sonda espacial mais veloz lançada pela NASA cravou "modestos" 693 mil km/h (ou 0,0643 da velocidade da luz) no final de 2024 — e isso porque se aproveitou da gravidade solar. A essa velocidade, seria possível ir da Terra à Lua em meia hora, a Marte em 15 dias e aos confins do Sistema Solar em pouco menos de 3 anos, mas uma viagem de ida a Alpha Centauri levaria mais de 6 mil anos.


Resumo da ópera: viajar para o futuro, embora seja possível em teoria, é impraticável com os recursos de que dispomos atualmente. Mas o que realmente mexe com a imaginação é a ideia de voltar para o passado, pois aí as coisas ficam mais complicadas, como veremos no próximo capítulo.


Continua...

terça-feira, 28 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE O BIG BANG

O ETERNO NOS CRIOU À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, MAS DEVE TER ERRADO ALGUM INGREDIENTE OU O TEMPO DE COZIMENTO, POIS NOS TORNAMOS DEUSES DE MERDA.

Vimos que os físicos Fred Hoyle, Thomas Gold e Hermann Bondi levantaram a hipótese de que o universo não teria começo nem fim; que Hoyle ironizou a ideia de toda a matéria ter surgido em um "grande estrondo", que a ironia pegou e o termo Big Bang foi adotado pela imprensa, embora tudo tenha começado não como uma grande explosão, mas como uma expansão cósmica há quase 14 bilhões de anos, cujos efeitos ainda podem ser observados através do desvio para o vermelho na luz das galáxias distantes.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Numa homenagem à imprestabilidade, o PL oficializou a escolha do primogênito do refugo da escória da humanidade como candidato à Presidência em uma convenção em São Paulo com direito a discurso do filho do pai com referências a si próprio como "o filho mais velho do capitão". A convenção contou com um recado do primeiro-ministro de Israel, que afirmou que o filho do pai é um grande defensor do Brasil, e com a presença do presidente da Argentina, que veio especialmente para a convenção e chamou o ministro Alexandre de Moraes de "lixo careca" por negar a autorização para que ele visitasse o golpista, que cumpre pena em prisão domiciliar humanitária. . 

Também marcaram presença o governador Tarcísio de Freitas, puxa-saco do Messias, de Valdemar Costa Neto, ex-presidiário do Mensalão e presidente do PL, e do senador Rogério Marinho — outro que morreria afogado se Bolsonaro tomasse um banho de assento —, além de uma série de congressistas e candidatos do PL. 

Estavam no palco ainda o prefeito de São Paulo e candidatos a governador pelo PL, como Sergio Moro, o ex-herói nacional que passou a vergonha nacional e disputa o governo do Paraná. O evento nauseabundo começou com o hino nacional e 22 segundos de silêncio em alusão à suposta tentativa de calar a direita no Brasil, nas palavras do cerimonialista. 

A ex-primeira-dama e madrasta não participou presencialmente do evento, alegando estar em casa cuidando do "seu galego", e tampouco elogiou o enteado-candidato mas pediu que Deus abençoe e proteja sua candidatura e desejou força para a família dele para cumprir a missão com a lealdade que nosso povo merece (pausa para as gargalhadas).  

Os sinais de isolamento do stronzino foram evidenciados pela ausência dos presidentes nacionais dos demais partidos — embora o PL queira repetir a coligação de Bolsonaro em 2022 com a federação União Brasil-PP e o Republicanos, as legendas sinalizaram preferir a neutralidade desta vez.

A falta de uma coligação deixou a chapa sem candidato a vice — a expectativa era de que partidos aliados indicassem um nome, de preferência uma mulher. Em seu discurso, Tarcísio, que foi preterido pelo filho do pai para concorrer ao Planalto, disse que o senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias estava ali não pelo sobrenome, mas por ser uma pessoa que vai honrar o pai e o legado e será o maior presidente da história (pausa para o Plasil).

O governador puxa-saco de presidiário aproveitou para criticar o PT e pedir ao público que busque votos e convença os indecisos: "não tem espaço mais para o cansaço, a gente não pode mais se poupar, são 70 dias de trabalho e sacrifício".

Em resumo, mudaram as moscas, mas a merda continua sendo rigorosamente a mesma.

A despeito da imprecisão, o nome Big Bang se espalhou pelo mundo como um bordão irresistível. Em 1993, a revista Sky and Telescope organizou um concurso para substituir o nome e recebeu 13.099 sugestões de 41 países, mas nenhuma convenceu a banca de jurados, que incluía o astrônomo Carl Sagan. Assim, o nome permaneceu, e Hoyle entrou para a história como o homem que batizou uma teoria na qual nunca acreditou.

Faltou dizer que um esforço para melhorar as comunicações por rádio, um ruído vindo do espaço e alguns físicos teóricos formaram uma improvável conjunção de fatores que ajudou a comprovar o principal pilar da cosmologia moderna, embora não explique que existia antes da "grande expansão" e sustente que as leis da física clássica não se aplicam àquele momento inicial. Essa lacuna deu origem a alternativas como a Teoria M, segundo a qual existem inúmeros universos paralelos, e a colisão entre dois deles teria gerado toda a matéria e energia que compõem o nosso Universo. Algumas correntes sustentam que espaço e tempo sempre existiram, e que a grande expansão não foi o ponto inicial de tudo, mas o resultado do colapso entre diferentes dimensões — nesse caso, a explosão primordial — que teria dado origem múltiplos universos que surgiram como bolhas em um caldo cósmico de possibilidades. Essas ideias já foram consideradas pura ficção científica, mas hoje ensejam debates sérios entre físicos teóricos, que tentam conciliar a Relatividade com a Mecânica Quântica por meio de hipóteses como a de que o nosso universo seria apenas uma "membrana" flutuando em um espaço de dimensões superiores imperceptíveis para nossos sentidos. A questão é que aquilo que chamamos de “realidade” seria apenas um entre incontáveis cenários possíveis, com leis físicas diferentes, constantes variadas e talvez até versões alternativas de nós mesmos em outras configurações do espaço-tempo. Na esteira desse raciocínio, o Big Bang deixaria de ser o "início de tudo" e se tornaria apenas um episódio em uma história muito maior — uma entre trilhões de páginas de uma história que ninguém escreveu, mas que insiste em se desenrolar. Ainda que tudo isso não passe de hipóteses, são hipóteses escoradas em equações, observações indiretas e modelos matemáticos complexos, e para muitos físicos a elegância de uma teoria é quase tão sedutora quanto sua capacidade de ser testada. É nesse limite entre o rigor e o devaneio que a ciência avança. Aliás, a verdadeira "beleza" da ciência não está nas respostas, mas nas novas perguntas que cada resposta suscita. Dito isso, o que veio antes do tempo? O que existe fora do espaço? O nada é mesmo nada ou apenas algo que ainda não fomos capazes de entender? A física como a conhecemos deixa de fazer sentido nos primeiros 5,39 × 10⁻⁴⁴ segundos contados do "início" do universo — intervalo conhecido como tempo de Planck. Nesse limite extremo, a gravidade e a mecânica quântica tornam-se incompatíveis. Conforme o universo se expandiu e esfriou — por volta de 10⁻⁶ segundos após o Big Bang — sopa densa e quente de quarks e glúons começou a formar prótons e nêutrons. Assim, quando falamos que “tudo veio do nada”, devemos ter em mente que, na cosmologia, “nada” pode significar ausência de matéria, de espaço-tempo ou mesmo um vácuo quântico repleto de flutuações. Segundo a Teoria Quântica de Campos, mesmo no vácuo existem atividades físicas — flutuações de energia que podem dar origem a partículas que logo desaparecem. Por mais que esse cenário pareça uma abstração matemática, essas partículas foram detectadas em inúmeros experimentos. Algumas hipóteses sugerem que o Universo pode ter surgido de uma flutuação do vácuo, com energia total zero — em que a energia positiva da matéria seria cancelada pela energia negativa da gravidade. Stephen Hawking e outros físicos exploraram a ideia de que o surgimento espontâneo do Universo seria possível dentro da física quântica —, mas não devemos perder de vista que estamos falando de um campo altamente especulativo. Voltando no tempo até a chamada Era de Planck — que ocorreu um décimo de milionésimo de um trilionésimo de um trilionésimo de um trilionésimo de segundo após o Big Bang — deparamo-nos com um limite onde nossas melhores teorias entram em colapso e próprio espaço-tempo sofre flutuações quânticas. E como a mecânica quântica governa o micromundo das partículas, e a relatividade geral, o universo em grande escala, unificá-las exige um Teoria de Tudo. Segundo a Teoria das Cordas e a Gravidade Quântica em Loop, espaço e tempo seriam conceitos emergentes como ondas na superfície de um oceano profundo, e o que chamamos de espaço-tempo seria o resultado de processos quânticos ainda mais fundamentais. Isso fica ainda mais interessante quando tentamos entender que, na Era de Planck, o espaço e o tempo deixam de fazer sentido e a causalidade se desintegra. As principais candidatas à "teoria da gravidade quântica" descrevem um tipo de realidade física que estaria ocorrendo no tal "momento primordial" — uma espécie de precursor quântico do espaço e tempo. Mas a física ainda não encontrou um exemplo confirmado de algo surgindo literalmente do nada — a procura por esse "santo graal" deu azo a explicações sobrenaturais, a modelos cíclicos do Universo e à Teoria do Multiverso, segundo a qual infinitos universos coexistem, cada qual com suas próprias leis e histórias. Inspirado por uma conexão matemática curiosa entre um universo inicial quente e denso e um universo final frio e vazio, Roger Penrose, ganhador do Nobel de Física em 2020, propôs a chamada cosmologia cíclica conformada, na qual os estados iniciais e finais se tornam matematicamente idênticos quando levados aos seus limites. Em outras palavras, o Big Bang pode ter surgido de um "quase nada", isto é, do resquício de um universo anterior onde toda a matéria teria sido consumida por buracos negros e transformada em fótons dispersos num imenso vazio. Mesmo assim, esse "nada" ainda seria um tipo de "algo", ainda que fosse um universo físico desprovido de estrutura. O paradoxo aqui é que esse estado frio e vazio pode ser o mesmo que o estado quente e denso visto sob outra perspectiva. A solução, segundo Penrose, poderia ser uma transformação geométrica complexa, que altera o tamanho, mas não a forma — já que tanto o conceito de tamanho como o próprio tempo podem deixar de fazer sentido em estados extremos. O estado frio e vazio existiria eternamente numa linha do tempo própria, enquanto o estado quente e denso habitaria uma nova linha temporal. Ainda que essa hipótese se comprove no futuro, a pergunta filosófica mais profunda ainda permanece: de onde veio a própria realidade física? De ciclos infinitos, cada um gerando o próximo com variações quânticas aleatórias? Ou de um único ciclo, repetido eternamente, como um universo que retorna sempre ao mesmo ponto, reproduzindo a si mesmo? Ao sugerir que cada ciclo do universo é único, Penrose abre a possibilidade de detectarmos vestígios do ciclo anterior na radiação cósmica de fundo que observamos hoje. Ele e seus colegas afirmam ter encontrado essas marcas nos dados coletados pelo satélite Planck, que mapeou com alta precisão essa radiação remanescente do Big Bang, e que, certos padrões circulares identificados nos mapas poderiam ser ecos de buracos negros supermassivos que existiram no ciclo anterior. Ainda que essas conclusões ainda sejam alvo de intenso debate entre os cientistas, um dia encontrarmos uma forma natural de transformar a cosmologia cíclica de múltiplos ciclos para um único ciclo fechado, e assim nosso Universo poderia ser um loop contínuo do Big Bang ao vazio e de volta ao Big Bang, num renascimento perpétuo do mesmo multiverso quântico onde tudo que pode acontecer acontece, e acontece de novo, de novo e de novo. Na mitologia nórdica, a serpente Jörmungandr, filha de Loki,, morde a própria cauda, criando o círculo que sustenta o equilíbrio do mundo. Como se vê, a pergunta "de onde viemos?" pode ser mais antiga do que imaginamos. As teorias são muitas, mas, ao fim e ao cabo, talvez todas nos levem de volta ao ponto de partida.

Continua...