sábado, 17 de outubro de 2026

OS DEUSES DO TEMPO — CONCLUSÃO

ALICE: "QUANTO TEMPO DURA O ETERNO?" COELHO: "AS VEZES, APENAS UM SEGUNDO."

Por volta do século 4 a.C., Lisipo, um dos três grandes escultores da Grécia clássica, criou uma estátua de Kairós que se tornou famosa. A obra em si se perdeu, mas permaneceu na memória graças a textos como os do poeta Posidipo de Pela (310-240 a.C.), que compôs um diálogo imaginário com a estátua.

Até onde sabemos, Kairós tinha asas nos pés e uma navalha na mão, que, segundo a interpretação mais difundida, representava sua natureza escorregadia, aquele instante crítico em que um segundo antes pode ser cedo demais e um segundo depois ser tarde demais. Seus cabelos longos e abundantes se concentravam na parte da frente, caindo sobre o rosto.

O poeta pergunta: "Por que seus cabelos caem para a frente?" "Para que quem me encontrar de frente possa me segurar", responde a estátua. "Por Zeus!", exclama o poeta, e então pergunta: "E por que a parte de trás da cabeça é calva?" "Para que ninguém possa me agarrar por trás depois que eu passar correndo com meus pés alados." Ou seja: o fato de Kairós ser calvo atrás não era um capricho estético, mas um aviso: é possível agarrar o momento oportuno quando ele vem em sua direção, quando ainda está de frente. Depois que passa, não há como segurá-lo.

Os filósofos e oradores gregos se interessaram por Kairós como ideia, convencidos de que ele não dependia da magia nem da sorte, mas de uma habilidade que podia ser cultivada. Para Isócrates, o célebre educador ateniense, a verdadeira cultura não consistia em acumular conhecimento abstrato, mas na capacidade de se orientar em um mundo onde nada se repete exatamente e não existem fórmulas infalíveis.


Embora não estivessem falando explicitamente sobre o Kairós, muitos estudiosos viram em suas palavras uma das expressões mais claras do pensamento kairológico: a ideia de que a sabedoria consiste, em grande medida, em saber interpretar as circunstâncias. Há momentos que duram segundos, mas mudam uma vida inteira: uma porta pela qual se passa, uma ligação que se atende, uma pergunta que se faz ou se deixa passar. Aristóteles, em sua Retórica, transformou Kairós no momento e no contexto em que um argumento é apresentado: ainda que você tenha toda a razão do mundo, ela será ignorada se for expressada no momento errado.


Na tradição sofística, kairós era ainda mais central. Górgias de Leontinos, um dos grandes mestres da retórica, compreendia a persuasão como uma arte que exige captar, nos momentos oportunos, aquilo que é apropriado e sugerir aquilo que é possível. Ele e vários outros pensadores ao longo da história compartilharam essa mesma intuição: a importância de estar atento à ocasião. Não por acaso, essa palavra tem uma história tão sugestiva: ela vem de Occasio — nome da deusa romana que personificava a mesma ideia representada por Kairós, cuja raiz remete a algo que se apresenta de repente. 


Uma vez que a ocasião não é uma abstração, mas uma conjuntura favorável que surge diante de alguém e pode desaparecer com a mesma rapidez, Occasio herdou a mesma iconografia de Kairós: a mecha de cabelo sobre a testa e a nuca descoberta. Se você a deixasse passar, já não haveria por onde segurá-la. Isso até gerou ditados em algumas línguas, como o italiano, que são falados até hoje: "L'occasione và presa per il ciuffo" ("é preciso agarrar a oportunidade pelo topete") ou "La fortuna è calva" ("a sorte é careca."). Em português, essas expressões têm um sentido parecido com "Cavalo encilhado não passa duas vezes".


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Visto que a vida continua depois da eleição qualquer um dos dois finalistas que vença o torneio terá necessariamente um encontro marcado com a revisão das próprias convicções, e são tantas as incoerências e tão improvisadas as mudanças de posição que o outro caminho do vencedor será o confronto com o estelionato eleitoral. Ademais, aquele que ficar no papel de líder da oposição tampouco escapará de precisar dar o dito pelo não dito.

Luiz e Flávio tornaram-se convertidos a uma fé invertida em relação ao que habitualmente praticavam e/ou pensavam. Na undécima hora, o molusco deu de abraçar causas que desprezou a vida toda e que no atual governo ignorou, não obstante tivesse poder para levá-las adiante. Para citar só algumas, aderiu à doutrina da prosperidade; descobriu o mal das apostas eletrônicas; percebeu-se de repente na era digital; deu-se conta de que lugar de criminoso é na prisão; tirou a família tradicional da lata de conservas e a incluiu na carta de adesão aos princípios dos evangélicos.
A fim de se adaptar aos reclames por moderação, o filho do golpista ora presidiário passou a oferecer defesa da democracia na mesma bandeja em que se dispõe a entregar anistia a golpistas e arremedos ditatoriais do salvadorenho Bukele. À teoria do "tesouraço", o fã do argentino Javier Milei acoplou a ampliação dos gastos com benefícios sociais, uma contradição em termos. Seguiu na toada da incongruência ao tirar a PEC do fim da jornada 6x1 do lugar de "hipocrisia oportunista" para a condição de proposta digna de apoio por representar "a vontade da maioria".

O populismo tem lá suas vantagens eleitorais, dada a existência de contingente expressivo de necessitados, crédulos e manipuladores travestidos de inocentes —mas cobra um preço. No caso, maior para Lula; se reeleito, terá de pagar a conta da demagogia. Para o filho do pai, sai mais barato: na oposição, assume o lugar de atacante; no governo, dá um calote na figura do candidato e faz fumaça das palavras de anteontem.


Mais de dois mil anos depois, continuamos enfrentando o mesmo desafio: reconhecer o momento certo antes que seja tarde demais. Vivemos na era de Cronos por excelência. Temos calendários sincronizados em vários dispositivos, notificações que nos avisam quando devemos sair de casa, aplicativos que transformam as horas em blocos de cores. Somos, em termos quantitativos, os seres mais conscientes do tempo que já existiram na história da humanidade. No entanto, às vezes somos tomados por uma estranha sensação de ter deixado passar coisas importantes.


Talvez o problema não seja tanto a falta de tempo cronológico, mas o fato de que, ao nos preocuparmos tanto em administrar o tempo quantitativo, às vezes nos tornamos menos sensíveis ao tempo qualitativo. Sem perceber, podemos estar tão atentos ao próximo item da lista que não notamos que o que está acontecendo neste exato momento é algo que não vai se repetir. Estamos tão ocupados olhando para o relógio que deixamos de interpretar a situação — e Kairós passa diante de nós. Ou por outra: estamos tão focados no amanhã que deixamos de viver o hoje em sua plenitude.


Kairós não é uma teoria sobre o tempo, mas algo que conhecemos empiricamente e que podemos aproveitar, algo fugaz trazido por um deus com cabelo na frente, mas não atrás. Kairós não exige que façamos menos coisas, mas pede que esteja presente quando as fazemos. Não se trata de ficar ansioso e tentar transformar cada segundo em uma oportunidade épica. Isso seria distorcer o conceito. Os gregos não pregavam uma urgência permanente: estavam descrevendo uma textura do tempo que inclui tanto os longos períodos do Cronos comum quanto os instantes de kairós que o pontuam.


Isócrates não dizia que seus alunos deveriam criar os momentos oportunos. Dizia que deveriam reconhecê-los quando surgissem. E reconhecê-los é, em parte, uma questão de atenção: uma escuta um pouco mais apurada, uma presença um pouco mais completa, que permite perceber quando algo está pronto para ser dito, feito, iniciado ou concluído.


Na última estrofe do poema de Posídipo de Pela, que encerra o diálogo com a estátua de Kairós, o interlocutor pergunta para quem ela foi criada. E a estátua responde: "Para você, viajante. Para você fui feito; aqui, no limiar, sou um ensinamento". Não no templo, não na praça pública, mas num lugar entre o dentro e o fora, entre o que está por vir e o que já passou.


É difícil imaginar um lugar mais adequado para Kairós.

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

OS DEUSES DO TEMPO

O TEMPO NÃO PARA NO PORTO, NÃO APITA NA CURVA, NÃO ESPERA NINGUÉM;


Segundo a mitologia grega, Urano, temendo ser destronado, devolvia os filhos ao útero de Gaia, até que, cansada de gerar para perder, a deusa escondeu Cronos e lhe pediu que castrasse o pai.


Cronos atendeu ao pedido da mãe, mas quem sai aos seus não degenera, e assim ele devorou a própria prole até que Réia escondeu Zeus e lhe pediu que obrigasse o pai a regurgitar seus irmãos.


Zeus não só cumpriu a missão como derrotou Cronos numa guerra que durou dez anos e se tornou o rei dos deuses.


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Flávio Bolsonaro parecia ter princípios sólidos para refutar a proposta de emenda constitucional que acaba com a escala de trabalho 6x1, que chamou de "inoportuna e eleitoreira". Além disso, acusou Lula de recorrer à "hipocrisia" para obter votos e disse que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial, produziria "desemprego em massa".

No entanto, após visitar o pai em seu domicílio prisional, o primogênito do refugo da escória da humanidade afirmou que "a maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6x1" e antecipou a posição que acabou por adotar no Senado: "Vou votar a favor do fim da 6x1". Lula ironizou: "Parece que, depois da pressão da sociedade, o PL resolveu votar o fim da escala 6x1."

No primeiro turno, o filho do pai obteve 2,2 milhões de votos a mais que o macróbio petista. Segundo o Ministério do Trabalho, 14,8 milhões de trabalhadores com carteira assinada atuam na escala 6x1. O molusco enxergou nessa legião de beneficiários da PEC uma oportunidade para tentar a virada eleitoral. Num esforço para manter o rival nas cordas, o senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias mostrou, enfim, que tem princípios. Mas pode ter outros se o trabalhador não gostar deles. Na disputa pelo poder, não hesita em aderir ao que chamava de hipocrisia.




Urano e Cronos são deuses mitológicos, assim como Saturno — a versão romana de Cronos, posteriormente associada ao tempo, que ceifava os dias com sua foice. Mas há uma distinção fundamental entre Cronos (χρόνος) e Kairós (καιρός): o primeiro representa o tempo cronológico, linear e mensurável, e o segundo é associado ao tempo da experiência, do acontecimento, do instante significativo. Alguns pensadores da Antiguidade falavam de Aión, que representa um tempo que não se mede nem se aproveita, mas que se habita e escapa ao relógio e às urgências do agora. 


Por convenção, o tempo que rege nossas vidas é o de Cronos — aquele que o relógio mede e os calendários transformam segundos em minutos, minutos em horas, horas em dias, meses e anos. Essa lógica nos leva a tratá-lo como algo mensurável e manejável — um recurso a ser administrado, otimizado e explorado a serviço do trabalho, do consumo e da vida acelerada que naturalizamos no cotidiano.


Embora outras formas de compreender e viver o tempo persistam entre povos tradicionais, povos originários, povos indígenas, africanos e do sul global — nessas cosmovisões, o tempo não se comporta como uma flecha que avança inexoravelmente para a frente, podendo ser cíclico, circular ou espiralar —, convencionou-se adotar o tempo cronológico como padrão universal por ele colonizar o presente — sequestrando nossa atenção —, capturar o passado — reduzindo a memória a registro — e comprometer o futuro — empobrecendo nossa capacidade de imaginá-lo. 


Na era dos algoritmos, Cronos deixou de ser apenas uma abstração: tornou-se um sistema de controle íntimo, automático e permanente. No fim das contas, ele venceu não como mito, mas como método. Já não empunha uma foice, mas um relógio digital. Não reina no Olimpo, mas rege os calendários, metas, prazos e as notificações. Não precisa mais devorar os filhos; apenas convencê-los de que estão sempre atrasados. E nós, acreditando dominá-lo, seguimos oferecendo aquilo que ele sempre exigiu: nossa própria vida, em parcelas mensais.


Poucas expressões resumem melhor uma experiência humana universal do que "agora ou nunca", pois remete à ideia de que existe um instante preciso para agir e que, se o deixarmos escapar, ele talvez não volte — e com efeito: às vezes nós só compreendemos a importância desses momentos depois que eles já passaram, e então vêm os lamentos: "se eu tivesse dito alguma coisa naquele momento!", ou então as comemorações: "ainda bem que tive coragem", ou ainda a satisfação de descobrir que uma decisão tomada no último minuto foi mesmo a correta.


Além de perceberem o valor desses sopros fugazes, os gregos antigos batizaram esse conceito com o nome do deus, kairós, que, diferentemente de Cronos — que rege o tempo do calendário e do relógio — representa algo mais fugidio, como a ocasião oportuna que se abre e se fecha, o instante em que algo, uma palavra, uma decisão, uma ação, pode acontecer com toda a sua força ou se perder para sempre. Dito com outras palavras, enquanto Cronos expressa a concepção quantitativa do tempo, a duração, a idade, a velocidade, Kairós remete ao momento que marca uma oportunidade que talvez não volte. 


Em essência, nem todo instante é igual: alguns têm peso, e esse peso não é medido em horas. Para os antigos gregos, esse peso era tão importante que merecia mais do que uma palavra, e por isso foi personificado em Kairós — uma divindade menor do panteão grego, filho de Zeus segundo algumas fontes, irmão do Destino segundo outras. E além de sua genealogia divina, vale a pena observar sua aparência — quando se tratava de imaginar seus deuses, os gregos deixavam pouco ao acaso: cada detalhe tinha um significado.


Continua...

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

SISTEMA PLANETÁRIO ATÍPICO DESCOBERTO NA VIA LÁCTEA INTRIGA CIENTISTAS

A HUMANIDADE ESTÁ SEMPRE TRÊS UÍSQUES ATRASADA.

Cientistas estão documentando um sistema planetário na Via Láctea que inclui uma anã vermelha com cerca de 40% da massa do nosso Sol, orbitada por uma anã marrom — um corpo celeste na fronteira entre um planeta e uma estrela.


A anã marrom é orbitada por um mundo gasoso do tamanho de Júpiter, recém-descoberto com o auxílio do Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, localizado no Chile.


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Daniel Vorcaro levou a diversificação dos negócios às fronteiras do paroxismo. A Polícia Federal descobriu que, no ramo afetivo, além de financiar os prazeres sexuais de políticos e autoridades, o ex-banqueiro Investiu pelo menos R$ 4,3 milhões numa rede internacional de prostituição, atuando, inclusive, no recrutamento de mulheres. No mercado financeiro, isso se chama gestão de ativos. No mercado da patifaria, chama-se cafetinagem. No caso de Vorcaro, a perversão teve como agravante a suspeita de tráfico internacional de mulheres vulneráveis.

Na prática, Vorcaro fez da República um bordel pós-ideológico. A diferença é que a prostituição foi exercida não pelas mulheres, mas pelos políticos e autoridades recrutados por Vorcaro. Prostituíram-se em troca de contratos advocatícios milionários, patrocínio de filme, custeio de exílio antipatriótico, voos em jatinhos patrocinados, hospedagem em hotéis de luxo, convescotes com uísque e charuto. Tudo isso e mais favores sexuais.


Usando nosso sistema solar como referência, um corpo que orbita outro corpo que orbita uma estrela deveria ser chamado de lua — ou exolua, por estar além do nosso sistema solar —, mas o objeto que orbita a anã marrom não se assemelha a nenhuma das muitas luas do nosso sistema solar, que são mundos relativamente pequenos, rochosos ou gelados, em termos de composição e tamanho. A maioria dos astrônomos concorda com o nome "exossatélite", pelo menos até que adotemos formalmente definições para objetos como esses.


O sistema em questão fica a cerca de 72 anos-luz da Terra — lembrando que um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, ou seja, 9,5 trilhões de km. O exossatélite possui pelo menos 90% da massa de Júpiter — o maior planeta do nosso sistema solar — e completa uma órbita ao redor da anã marrom a cada 170 dias, a uma distância de cerca de um quinto daquela que separa a Terra do Sol.


A descoberta desses objetos incomuns, diferentes de tudo que conhecemos em nosso sistema solar, abriu uma caixa de Pandora para a comunidade científica, que agora busca entender, mediante modelos teóricos, como esses tipos de objetos se formam e se são comuns ou não. 


Embora mais de 6.300 exoplanetas — como são conhecidos os planetas fora do nosso sistema solar — tenham sido descobertos, encontrar exoluas tem se mostrado mais desafiador, com apenas alguns bons candidatos identificados. Os pesquisadores estão tentando descobrir as origens do exossatélite, que pode ter se formado a partir do disco de gás e poeira ao redor da anã marrom — assim como os planetas se formam ao redor das estrelas — ou ter sido capturado gravitacionalmente pela anã marrom.


Uma anã marrom não é estrela nem planeta, mas algo entre os dois. Elas podem ser consideradas estrelas em formação que, durante seus estágios iniciais, não alcançaram a massa necessária para iniciar a fusão nuclear em seu núcleo, como uma estrela. Mas são mais massivas do que os maiores planetas — a anã marrom desse sistema é cerca de 33 vezes mais massiva, 50% maior em tamanho e muito mais quente que Júpiter.


Desde a primeira detecção de exoplanetas, na década de 1990, os cientistas identificaram uma ampla variedade de sistemas planetários, alguns muito semelhantes ao nosso e outros bem diferentes. O sistema examinado na nova pesquisa é um caso atípico. Provavelmente, houve uma história dinâmica bastante caótica que o deixou em seu estado atual, mas é difícil dizer exatamente que tipo de caos ele passou.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

SOBRE AS LUAS DE SATURNO — CONCLUSÃO

VULNERANT OMNES, ULTIMA NECAT.

Retomando o assunto da postagem anterior, as pequenas luas saturnianas são difíceis de detectar porque não aparecem como pontos brilhantes ao lado do planeta nas fotografias. Pelo contrário, são objetos tão tênues que precisam ser acompanhados durante meses para que seus movimentos possam ser distinguidos do fundo estrelado, e suas órbitas, determinadas com precisão suficiente para que o Minor Planet Center e a União Astronômica Internacional as reconheçam oficialmente como satélites naturais. Por isso, embora a confirmação tenha sido anunciada em março de 2025, o trabalho científico começou muito antes. 


A equipe observou sistematicamente os arredores de Saturno entre 2019 e 2021, acumulando milhares de imagens que, depois de combinadas, revelaram dezenas de pequenos corpos praticamente invisíveis em observações isoladas. Parte dessas descobertas foi confirmada em 2023; outras somente em 2025, evidenciando que a ciência costuma avançar muito antes de os resultados chegarem às manchetes.


Entre as principais luas destacam-se Titã, Encélado, Reia, Jápeto, Dione e Mimas. Algumas apresentam intensa atividade geológica; outras escondem oceanos de água líquida sob espessas camadas de gelo. Titã, por exemplo, é maior do que Mercúrio e possui uma atmosfera densa, enquanto Encélado se tornou um dos objetos mais fascinantes do Sistema Solar graças aos gigantescos gêiseres que lançam vapor d'água, cristais de gelo, sais minerais e compostos orgânicos ao espaço.


Em 2008, a sonda Cassini atravessou uma dessas plumas a aproximadamente 18 quilômetros por segundo, e seu Analisador de Poeira Cósmica detectou grãos de gelo extraordinariamente "frescos", fornecendo fortes evidências de que aquele material provinha diretamente do oceano subterrâneo de Encélado. Anos mais tarde, estudos publicados na revista Nature Astronomy reforçaram essa conclusão ao indicar que parte das moléculas orgânicas encontradas também se originava nesse oceano oculto, tornando essa pequena lua um dos ambientes potencialmente habitáveis mais promissores do Sistema Solar.


Isso, naturalmente, não significa que existam homenzinhos verdes caminhando sobre o gelo de Encélado. A descoberta apenas demonstra que alguns dos ingredientes considerados fundamentais para o surgimento da vida — como água líquida, compostos orgânicos e fontes de energia — parecem coexistir naquele ambiente. Se algum dia encontrarmos vida fora da Terra, ela provavelmente será microscópica e muito diferente da imagem popular criada pelo cinema e pelas histórias em quadrinhos.


Na astronomia, a região ao redor de uma estrela onde a água líquida pode permanecer estável na superfície de um planeta é conhecida como zona habitável, ou zona de Cachinhos Dourados (Goldilocks Zone). A expressão faz referência ao famoso conto infantil em que a protagonista rejeita o mingau frio demais e o quente demais, escolhendo justamente aquele que estava "na medida certa". Embora Encélado esteja muito além dessa região, seu oceano interno é aquecido pelas forças de maré exercidas por Saturno, mostrando que a habitabilidade pode surgir por caminhos bastante diferentes daqueles observados na Terra.


Até hoje não existe nenhuma evidência científica conclusiva de que civilizações extraterrestres tenham visitado a Terra. Entretanto, o simples fato de ainda não termos encontrado outra forma de vida inteligente não significa que ela inexista. O Universo observável estende-se por aproximadamente 46,5 bilhões de anos-luz em todas as direções, abriga cerca de dois trilhões de galáxias, centenas de sextilhões de estrelas e um número ainda maior de planetas. Diante dessa imensidão, continua difícil acreditar que a vida tenha florescido exclusivamente em um pequeno mundo azul perdido na periferia de uma galáxia espiral.


Como dizia Carl Sagan, se estivermos realmente sozinhos no Universo, "seria um terrível desperdício de espaço".


Voltando a Saturno, a maioria de suas "novas" luas pertencem ao grupo dos satélites irregulares — que percorrem órbitas distantes, inclinadas e frequentemente excêntricas —, sugerindo que muitas são fragmentos de corpos maiores capturados ou destruídos ao longo da história do planeta. Outras podem ter origens completamente distintas. Isso significa que o sistema de satélites de Saturno é menos uma família homogênea e mais uma complexa árvore genealógica escrita ao longo de bilhões de anos.


O anúncio de 2025 chamou a atenção do mundo por praticamente dobrar, de uma só vez, o número oficial de luas conhecidas de Saturno. Em março de 2026, novas confirmações elevaram novamente essa contagem, demonstrando que o inventário do Sistema Solar permanece em constante evolução. Cada novo objeto confirmado representa mais um pequeno fragmento de uma história iniciada há bilhões de anos e ainda longe de ser totalmente compreendida.


A liderança de Saturno em número de satélites é, ao mesmo tempo, uma consequência de sua história e do progresso tecnológico. O planeta realmente possui uma impressionante coleção de pequenas luas, mas o número que atribuímos a elas também depende da sensibilidade dos telescópios, da duração das campanhas de observação e do refinamento dos métodos empregados para distinguir uma lua de um simples fragmento ainda insuficientemente conhecido.


O mais fascinante em toda essa história talvez seja justamente isso. Mesmo depois de séculos observando o céu e décadas enviando sondas ao espaço, continuamos descobrindo novos mundos ao redor de um planeta que julgávamos conhecer muito bem. As 128 luas anunciadas em 2025 não surgiram naquele ano; elas sempre estiveram ali, silenciosamente orbitando Saturno, aguardando apenas que nossa tecnologia se tornasse capaz de percebê-las.


A ciência possui essa extraordinária capacidade de nos lembrar que o Universo não muda porque aprendemos mais sobre ele. Quem muda somos nós. A cada novo telescópio, a cada nova sonda e a cada nova descoberta, ampliamos um pouco mais o horizonte do conhecimento e percebemos que, mesmo em nosso próprio quintal cósmico, ainda existem incontáveis mundos esperando para serem encontrados

terça-feira, 13 de outubro de 2026

SOBRE AS LUAS DE SATURNO

TIME HEALS ALL WOUNDS, BUT WOUNDS LEAVE SCARS.


Segundo o modelo cosmológico mais aceito, o Universo nasceu há cerca de 13,8 bilhões de anos, e nosso Sistema Solar, há aproximadamente 4,567 bilhões de anos, quando uma gigantesca nuvem de gás e poeira — conhecida como nebulosa solar primordial — entrou em colapso sob a ação da gravidade. A Terra se formou entre 10 e 100 milhões de anos mais tarde, e a Lua provavelmente resultou do colossal impacto de um protoplaneta chamado Theia.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Flávio Bolsonaro ainda não se deu conta, mas a pior vingança de um político é permanecer fiel ao erro. Neste sábado, num comício em São Gonçalo (RJ), o candidato não só falou como se estivesse eleito, mas também atribuiu ao seu êxito presumido um caráter de revanche contra os que fizeram do seu pai um presidiário. Discursando do alto de um carro de som, o filho do tal presidiário vociferou: "Vocês verão aqueles que tentaram calar Jair Messias Bolsonaro, aqueles que tiraram o poder dele na mão grande são os mesmos que estão colocando Flávio Bolsonaro na cadeira de presidente". Nessa versão, Bolsonaro é convertido de líder do complô do golpe em vítima de perseguição.

Em condições normais, as declarações do primogênito do refugo da escória da humanidade seriam apenas palavras ocas de um filho magoado. O problema é que as falas foram acompanhadas da reiteração de uma dissonância cognitiva, como demonstra a reafirmação que será entronizado no cargo de presidente pelo pai: "Vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocando a faixa de presidente."

De duas, uma: ou o sacripanta supõe que conseguirá arrancar do Congresso uma anistia entre sua eventual vitória e a posse, ou conta com um empurrãozinho de Nunes Marques — relator do pedido de revisão criminal formulado pela defesa do condenado — que levará o tema à pauta após a proclamação do resultado do segundo turno. Nesse entretempo, Brasília treme com a hipótese de Nunes Marques conceder uma liminar que liberte Bolsonaro. 

Na política brasileira, como nas novelas, a vingança é um desfecho tão antigo quanto usual. Mas a transformação do Supremo e de Alexandre de Moraes em cabos eleitorais e de Bolsonaro em ex-presidiário por liminar seria um epílogo inusitado para o projeto de revanche.


Quando eu era estudante, aprendia-se que o Sol era uma estrela de quinta grandeza orbitada por nove planetas; que Júpiter, o maior deles, possuía 12 satélites; e que Saturno, o único a exibir anéis, tinha 9 luas. Mas o tempo costuma transformar certezas em notas de rodapé.

Em 2006, Plutão deixou de ser considerado o nono planeta do Sistema Solar para ser reclassificado como planeta anão, e hoje sabemos que Júpiter, Urano e Netuno também possuem sistemas de anéis. Mais impressionante ainda é a quantidade de satélites naturais conhecidos: Júpiter já soma 115 luas, enquanto Saturno lidera com 292, segundo as contagens mais recentes.

Ao longo de 2026, esse inventário continuou evoluindo. Em março, eram conhecidas 101 luas de Júpiter e 285 de Saturno; poucas semanas depois, novas confirmações do Minor Planet Center elevaram ainda mais a contagem, fazendo o Sistema Solar ultrapassar a marca de 440 luas oficialmente reconhecidas.

Saturno mantém essa liderança graças à sua imensa esfera de Hill — a região onde sua gravidade consegue reter satélites — e também porque há fortes indícios de que antigas luas maiores tenham se fragmentado em incontáveis pedaços, hoje detectáveis apenas pelos telescópios mais poderosos do mundo, como o Magellan-Baade, instalado no Chile.

Júpiter, Saturno, Urano e Netuno são conhecidos como gigantes gasosos por serem constituídos principalmente de hidrogênio e hélio. Suas atmosferas são espessas e eles não possuem uma superfície sólida propriamente dita. Mercúrio, Vênus, Terra e Marte, por sua vez, são classificados como planetas terrestres por apresentarem composição predominantemente rochosa ou metálica. Embora Urano e Netuno também possuam anéis, nenhum deles rivaliza com o espetacular sistema de Saturno, formado por bilhões de fragmentos de gelo, poeira e rochas.

Saturno — o sexto planeta a partir do Sol e o segundo maior do Sistema Solar— recebeu o nome do deus romano do tempo porque leva aproximadamente trinta anos terrestres para completar uma volta ao redor do Sol. Uma de suas luas mais famosas, Encélado, abriga um oceano global de água líquida sob uma espessa camada de gelo, aquecido pela ação das forças de maré. E, onde há água líquida existe a possibilidade haver ambientes favoráveis à vida.

Apesar de possuir um núcleo rochoso, Saturno é composto quase inteiramente por hidrogênio e hélio. Sua densidade média é tão baixa que, em teoria, ele flutuaria se existisse um oceano grande o suficiente para comportá-lo. Um dia saturniano dura apenas 10 horas e 32 minutos, a rotação extremamente rápida faz com que o planeta seja achatado nos polos e dilatado no equador, e a temperatura média em suas nuvens gira em torno de -178 °C.

Até poucos anos atrás, a disputa entre Júpiter e Saturno pelo título de planeta com mais luas parecia relativamente equilibrada, mas isso mudou depois que novos telescópios se tornaram capazes de revelar satélites cada vez menores. Inicialmente, as descobertas aconteciam gradualmente, quase sempre em pequenos grupos, mas em 2025 os astrônomos anunciaram a confirmação de 128 novas luas saturnianas, consolidando sua liderança de forma incontestável.

Esse salto não ocorreu porque alguém apontou um telescópio para Saturno numa única noite e se deparou com 128 novos mundos. O que aconteceu foi bem mais interessante: após anos reunindo observações, a União Astronômica Internacional (IAU) reconheceu oficialmente um grande conjunto de pequenos objetos como satélites naturais do planeta, depois de comprovar que todos eles realmente percorriam órbitas estáveis a seu redor.

A Universidade da Colúmbia Britânica resumiu a descoberta de forma direta: 128 novas luas de Saturno foram reconhecidas pela IAU graças ao trabalho conjunto de pesquisadores de Taiwan, Canadá, Estados Unidos e França. A confirmação elevou a contagem oficial de 146 para 274 luas — um número que, à época, superava o total de satélites naturais conhecidos de todos os demais planetas do Sistema Solar reunidos.

A palavra "lua" pode sugerir corpos grandes e arredondados, semelhantes ao satélite natural da Terra, mas a maioria dessas novas integrantes da família saturniana é formada por pequenos satélites irregulares, muitos deles com apenas alguns quilômetros de diâmetro, movendo-se em órbitas distantes, inclinadas e bastante excêntricas.

A própria NASA descreve o sistema saturniano como um conjunto extremamente diverso, que vai desde Titã — maior do que o planeta Mercúrio — até pequenos corpos que mal ultrapassam o tamanho de uma arena esportiva. Essa enorme variedade explica por que a contagem de luas cresce tão rapidamente: os levantamentos modernos já não identificam apenas os grandes satélites, mas também fragmentos muito menores, remanescentes da longa história dinâmica de Saturno.

No trabalho publicado em 2025, os pesquisadores utilizaram o Telescópio Canadá–França–Havaí (CFHT) para monitorar repetidamente as regiões ao redor do planeta e combinaram diversas imagens por meio de uma técnica conhecida como shift-and-stack ("deslocar e empilhar"), que alinha sucessivas fotografias de acordo com o movimento esperado de um objeto distante. Dessa forma, o brilho extremamente fraco desses pequenos satélites é reforçado, enquanto o ruído de fundo é reduzido, tornando possível revelar corpos praticamente invisíveis em observações convencionais.

Para não estender ainda mais este texto, o restante fica para o post de amanhã. Até lá.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

COMO EINSTEIN, TESLA E FEYNMAN RESOLVIAM PROBLEMAS COMPLEXOS.

PODEMOS ESCOLHER O QUE PLANTAMOS, MAS SÓ COLHEMOS O QUE ESCOLHEMOS PLANTAR.

Einstein, Tesla e Feynman não eram só mais inteligentes que a maioria dos mortais, mas também pensavam com um sistema operacional diferente.

Einstein criava um filme na cabeça - se imaginar correndo ao lado de um raio de luz, ou caindo dentro de um elevador sem peso, por exemplo - e deixava essa imagem amadurecer por semanas, meses, ou mesmo anos (o elevador, aliás, o acompanhou por quase uma década antes de virar a relatividade geral, em 1915). Era uma imersão profunda e depois um descanso deliberado, confiando que o subconsciente ia fazer as conexões. Só depois a matemática entrava para traduzir a intuição.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O caminho para o inferno brasileiro começou a ser pavimentado depois que Deus transformou o Caos em ordem, criou o dia e a noite, separou as terras das águas, criou as plantas, as aves, os peixes e então cometeu a maior de todas as burradas.

Mais adiante, acusado de protecionismo por conta do tratamento dispensado à porção global que se tornaria o Brasil, o Criador sentenciou: "Vocês vão ver o povinho de merda que eu vou colocar lá".

Dito e feito: desde a redemocratização — com exceção de 1994 e 1998 —, o tal povinho de merda vem fazendo por ignorância, a cada eleição, o que Pandora fez, uma única vez, por curiosidade.

Acreditando que insistir no erro uma hora produzirá um acerto, essa récua de muares tem elegido governantes demagogos e populistas em troca de promessas vazias que minaram a igualdade de oportunidades e arruinaram a meritocracia. Os resultados dessas escolhas são um Estado ineficiente, caro e disfuncional e a predominância do capitalismo de Estado.

Se a missão da geração passada foi restaurar a democracia, a da atual é garantir que o Brasil volte a crescer de maneira sustentável. Mas isso só acontecerá se o deplorável eleitorado tupiniquim não deixar a política nas mãos de populistas, que esgrimem as "virtudes" do nacional-estatismo, tratam a economia de mercado como um mal necessário e sabotam a competitividade econômica. 

Crescimento econômico sustentável não traz votos no curto prazo, mas ajuda a recuperar a esperança em um país melhor para as próximas gerações.


Tesla era o oposto do físico alemão. Ele tinha uma espécie de laboratório mental onde construía uma turbina inteira, deixava rodar por semanas e depois desmontava para ver qual peça havia se desgastado. Era experimentação pura, mas sem gastar material: construir, falhar, iterar, tudo na cabeça, até o protótipo físico já nascer quase perfeito. Por isso ele focava tanto no "funciona no mundo real?" e não só no "faz sentido na teoria?" (vale um parênteses: essa cena vem da autobiografia do próprio Tesla, e ele não era exatamente um narrador modesto - mas o relato é coerente com o que se sabe de sua memória eidética e sua capacidade incomum de visualização espacial, então a lenda aqui parece ter fundamento).

Feynman era obcecado por clareza. Sua regra era: se você não consegue explicar algo complexo para uma criança de 8 anos, você não entendeu de verdade. Então ele pegava a mecânica quântica, que é absurdamente contraintuitiva, tentava simplificar ao extremo e procurava falhas no próprio entendimento. É o que hoje chamam de Técnica Feynman - um nome e um método em passos que vieram depois, cunhados por quem estudou seu jeito de pensar, não por ele mesmo - mas que capturam bem o espírito: aprender ativamente ensinando.

O mais curioso é que isso não é um dom, mas uma pura questão de treino. E você pode roubar um pouco de cada quando se deparar com um problema — transformá-lo num desenho ou diagrama como Einstein, fazer um mini-experimento para testá-lo como Tesla e tentar explicar sua solução com palavras simples, como Feynman.

Em suma, o "modo deus" do cérebro não é ficar mais rápido, e sim combinar esses três ritmos: imaginar fundo, testar na prática e simplificar até o osso.

domingo, 11 de outubro de 2026

SOBRE OVOS E OUTRAS DICAS CULINÁRIAS

QUEM SABE FAZ, QUEM NÃO SABE ENSINA.

Quando queremos nos referir a alguém totalmente cru — se me concedem o trocadilho — nas artes culinárias, dizemos que esse alguém “não sabe nem fritar um ovo”. No entanto, ainda que fritar ovos como manda o figurino não seja exatamente uma operação de engenharia aeroespacial, tampouco consiste em quebrá-los dentro da frigideira e esperar que a Providência Divina faça o resto.

Para começar, os ovos devem ser retirados da geladeira com alguma antecedência, pois o ideal é que estejam em temperatura ambiente. Depois, uma pitada de farinha de trigo na gordura — óleo ou manteiga —, fogo médio, os ovos colocados um a um, uma pitada de sal, frigideira tampada e alguns minutos de paciência, até a clara ficar bem “rendada” e a gema chegar ao ponto desejado.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Nas primeiras inserções da famigerada e vomitativa propaganda eleitoral no segundo turno, o eleitor testemunhou uma espécie de diálogo unilateral entre as duas campanhas presidenciais remanescentes. Lula tocou o terror, anunciando a mudança prometida pelo rival ao risco de cortes em programas sociais e investimentos em saúde e educação. No final de uma das peças, o locutor sentencia: "Com Flávio Bolsonaro você perde".
Antevendo o ataque, o filho de Bolsonaro apresentou o contra-ataque. Na sua propaganda de rádio, a palavra "mudança" apareceu 22 vezes. Sustentou que o tesouraço cortará impostos e gastos públicos, não programas sociais. Prometeu manter logomarcas petistas como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Farmácia Popular. 
As inserções de Lula evocaram os cortes em rubricas sociais realizados sob a Presidência de Jair Bolsonaro. A campanha petista trombeteou que o filho imitará o pai. À espera de mudanças desde dom João VI, o eleitor terá que escolher qual candidato dará mais um pouco de tempo.

Parece simples. E é. Mas, como se costuma dizer, o diabo mora nos detalhes, e é justamente aí que entra o vídeo de hoje. Porque talvez você já saiba fritar um ovo e esteja até convencido de que o faz muito bem. Mas será que conhece todos aqueles pequenos truques capazes de fazer diferença na cozinha?

Pois é, eu também achava que sabia. Até descobrir que algumas pessoas são capazes de transformar um simples ovo frito em uma pequena obra de arte, enquanto outras conseguem convertê-lo numa espécie de acidente de trânsito culinário.

Dito isso, passemos ao vídeo, sem mais delongas.

Bom domingo e bom apetite.