quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

GOOGLE CHROME — COMO REDUZIR O CONSUMO DE BATERIA

ARGUMENTAR COM IDIOTAS É A MESMA COISA QUE MANDAR O VENTO NÃO SOPRAR.  


Processos contínuos que o Chrome executa em segundo plano consomem energia e drenam rapidamente a bateria se você não proceder a alguns ajustes simples:


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Ao dizer que Gerado Alckmin e Fernando Haddad "têm um papel a cumprir" na disputa pelo governo de São Paulo, Lula converteu a permanência do ex-tucano na posição de candidato à vice-presidência num roliço ponto de interrogação.

Com a popularidade no vermelho, Lula precisa atrair para sua coligação partidos grandes o bastante para potencializar seu tempo de exposição na mídia e aumentar sua vitrine na propaganda eleitoral de rádio e TV. Há na praça dois emedebistas que gostariam de concorrer a vice na sua chapa: Renan Filho e Helder Barbalho.

O filho de Renan Calheiros se equipa para disputar o governo de Alagoas, e o filho de Jader Barbalho para concorrer a uma cadeira no Senado. Mas tanto um como o outro mudariam alegremente seus planos se a articulação do xamã petista prosperasse.

Lula incluiu Simone Tebet no caldeirão paulista, mas a política sul-matogrossense é tratada no Planalto como opção para a disputa de uma cadeira no Senado — hipótese em que ela trocaria o domicílio eleitoral para São Paulo e migraria do MDB para o PSB.

Em São Paulo, o MDB de Baleia Rossi está fechado com o projeto de reeleição de Tarcísio de Freitas, e um improvável acerto com Lula produziria o duplo efeito de vitaminar a propaganda eleitoral petista e debilitar a caravana de Tarcísio.

Ainda que seu candidato não vença, interessa a Lula empinar um nome que reduza seu infortúnio no maior colégio eleitoral do país. Haddad cumpriu esse papel em 2022, mas perdeu no segundo turno para Tarcísio por 54,34% a 44,66% dos votos válidos. Mesmo assim, o resultado foi vital para o macróbio petista prevalecer sobre o capetão-golpista pela margem mixuruca de 1,8 ponto porcentual.


1 — Comece selecionando Configurações > Aplicativos > Chrome > Dados Móveis e desabilitando a opção Permitir uso de dados em segundo plano.


2 — Em seguida, abra o Chrome, toque nos três pontinhos (no canto superior direito da tela) e, em Configurações > Privacidade e segurança > Páginas pré-carregadas, marque a opção Sem pré-carregamento.


3 — Ainda nas Configurações do Chrome, toque em Serviços do Google e desabilite Melhorar as sugestões de pesquisa. Feito isso, toque em Notificações > Configurar em Chrome e marque a opção Fechar todas as solicitações.


4 — Finalmente, na tela inicial das configurações do Chrome, toque em seu nome de usuário e, em Sincronização, desabilite todos os itens que você não quer sincronizar.


Tenham todos uma ótima quarta-feira de cinzas.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

ACABOU MAIS UM CARNAVAL

O SOL QUE DESPONTA TEM QUE ANOITECER.

Tecnicamente, o Carnaval termina hoje, mas, dependendo da cidade onde se está e de com quem se fala, a folia começou bem antes da última sexta-feira e — como algumas ressacas-mãe — vai até daqui a alguns dias.


Coisas do Brasil, onde o ano só começa de fato após o Rei Momo — personagem da mitologia grega que originalmente representava a ironia e o sarcasmo, mas que foi adaptado pelos foliões e transformado num dos principais símbolos do Carnaval — devolver a coroa e o cetro para o presidente de plantão.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Nada de autocontenção ou de autocorreção. Para blindar Toffoli, o Supremo fez opção preferencial pela autocombustão. Os ministros rodaram as togas contra a PF e atribuíram a Toffoli (quem mais?) a perfídia do vazamento das conversas mantidas a portas fechadas.

Juiz lendário da Suprema Corte dos Estados Unidos, Louis Brandeis ensinou que a luz do Sol é o melhor detergente. E alguma coisa está muito errada quando ministros supremos se aborrecem mais com a claridade do que com o escuro.

Nunes Marques desqualificou o relatório em que a PF expôs as relações promíscuas entre Toffoli e Vorcaro. Gilmar afirmou que a corporação "quis revidar", pois ficou abespinhada com decisões tomadas por Toffoli como relator do caso Master. Atribuiu-se a Moraes, sem aspas, a avaliação segundo a qual os agentes tiveram um comportamento sujo ao investigar Toffoli. O próprio Toffoli considerou o relatório nulo, e foi seguido por Zanin. Fux e Mendonça levaram a mão ao fogo pelo colega. Em suma, ficou entendido que, para a maioria dos magistrados, a palavra da PF é um "nada", um "lixo", um "revide", "tudo nulo".

Fachin precisa submeter o relatório da PF ao teste da luz do Sol — senão por dever institucional, ao menos por piedade dos brasileiros. Quem financia a bilheteria pagando os salários dos magistrados tem o direito de conhecer o enredo ensaiado nos bastidores do picadeiro.

Antes da chegada do relatório às mãos do presidente da Corte, Toffoli perambulava pelo noticiário seminu. Ao assumir o controle, impôs sigilo absoluto às investigações e imiscuiu-se no trabalho dos procuradores. Depois que a PF entregou o documento, migrou dos fundões do seu gabinete para a vitrine, e ficou com os glúteos à mostra para quem passa defronte da fachada do STF.

A estátua de Themis — aquela senhora de pedra que guarda a entrada do prédio — não vê nem ouve, mas os ministros que frequentam o plenário dentro da Corte não deveriam fechar os olhos e os ouvidos para as emboscadas da sorte.

Os fatos não deixam de existir porque os ministros os ignoram. Constrangido pelas relações esmiuçadas pela PF, Toffoli foi compelido a admitir que é sócio da empresa Maridt e que vendeu uma participação no resort Tayayá para o fundo Arleen, cujo gestor é o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro.

Toffoli alegou que as cotas de sua empresa no resort foram transferidas para a pirâmide do Master em 2021, mas não explicou por que a PF encontrou no celular de Vorcaro mensagens de maio de 2024 cobrando de Zettel pagamentos pendentes da transação do Tayayá. Numa delas, Vorcaro revela-se irritado com a demora nos pagamentos ao resort: "Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?". E Zettel: "No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele". Vorcaro pede esclarecimentos sobre o montante e Zettel expõe as cifras: "Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões."

Quer dizer: Toffoli tem 35 milhões de razões para fugir e uma investigação criminal esboçada no relatório da PF como incontornável, mas o STF lhe ofereceu blindagem na reunião secreta de quinta-feira. Entre uma pancada e outra na PF, fabricou-se nesse encontro uma saída, "a pedido", da relatoria. A pantomima foi ornamentada com um comunicado oficial muito parecido com um escudo, no qual suas excelências descartaram a suspeição e, numa demonstração de apoio ao colega, enalteceram os "altos interesses institucionais" e a "dignidade do eminente magistrado". Todo brasileiro ficou desobrigado de fazer sentido depois da divulgação desse informe.

Tomado pela coreografia, o STF finge que o óbvio não é óbvio e desconsidera a hipótese de autorizar a PF a investigar Toffoli. Os ministros parecem ignorar que, na época em que as palavras ainda tinham algum significado, a "dignidade" que atribuem a Toffoli era uma expressão comparável à virgindade. Perdeu está perdida. Não dá segunda safra.


Para os católicos, a Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma. O Carnaval ocorre exatamente 47 dias antes da Páscoa, que é uma data móvel — celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que ocorre depois do equinócio de primavera no Hemisfério Norte —, daí o Carnaval mudar de dia a cada ano, mas situando-se sempre entre 4 de fevereiro e 9 de março. 


A missa das cinzas — tradição que foi seguida religiosamente (sem trocadilho) até meados do século passado — ainda é prestigiada pelas indefectíveis beatas e uns poucos católicos tradicionalistas (ao menos nos grandes centros urbanos). No ritual em questão, as cinzas produzidas pela queima dos ramos de palmeiras ou oliveiras e abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior são misturadas com água benta e usadas pelo padre ou celebrante para “desenhar” uma cruz na fronte dos fiéis, que são convidados a refletir sobre o dever da conversão e a fragilidade da vida humana. 


Interessa dizer que o Carnaval é a época em que as pessoas mais esquecem objetos em táxis e em veículos de transporte por aplicativo. Também nessa época os furtos e roubos de smartphones crescem assustadoramente devido às inevitáveis aglomerações e ao hábito dos sem-noção de fazer ou atender ligações e, principalmente, de tirar selfies com seus aparelhos sem adotar as devidas precauções.


Seguros para smartphones não são exatamente uma novidade, mas algumas empresas vêm oferecendo modalidades mais flexíveis, com cobertura por prazos curtos. Muitas não cobram multas por rescisão antecipada do contrato, não estipularem carência nem franquia para o reembolso e não criam empecilhos na hora de indenizar as vítimas de furtos simples (prejuízo que a maioria das seguradoras não costuma cobrir). Além disso, o reembolso costuma ser feito num prazo bem menor que o limite estabelecido pela SUSEP.


Observação: Da mesma forma que cada pessoa possui um número de CPF, cada celular é identificado individualmente pelo IMEI, que vem impresso na carcaça do aparelho (nos modelos em que a bateria é removível ele costuma ficar sob a dita-cuja) e na embalagem original. Esse número consta obrigatoriamente da nota fiscal de compra e pode ser visualizado no display do próprio aparelho — basta teclar o comando *#06#.


Levantamentos divulgados por secretarias de segurança pública mostram que, apenas durante os dias oficiais da festa, milhares de aparelhos mudam de dono sem cerimônia, sobretudo em blocos de rua, desfiles e grandes concentrações. Assim, se seu aparelho for furtado ou roubado, registre um boletim de ocorrência — o que pode ser feito também pelas delegacias eletrônicas — e bloqueie o aparelho junto à operadora usando o número de IMEI, de modo a impedir sua reutilização com outro chip. 


Vale também recorrer aos serviços de localização e bloqueio remoto — oferecidos pelos próprios sistemas operacionais —, que travam o telefone e apagam seus dados à distância. Igualmente importante é trocar imediatamente as senhas de aplicativos bancários, redes sociais e serviços de pagamento, já que, para muitos, o smartphone funciona como carteira, cofre e identidade digital. Algumas iniciativas oficiais, como plataformas governamentais de bloqueio integrado, também dificultam a revenda e o reaproveitamento desses aparelhos no mercado paralelo.


No fim das contas, a Quarta-feira de Cinzas chega para todos — inclusive para quem acorda sem o celular. Nesse momento, mais do que penitência, o que se exige é informação, rapidez e um pouco menos de confiança na boa-fé alheia. Depois que o confete é varrido e a serpentina vira lixo, o que sobra não é só a ressaca: sobra também a conta.


No Brasil, o Carnaval acaba na Quarta-feira de Cinzas, mas para quem perdeu o celular, a penitência costuma durar bem mais que quarenta dias.



Boa sorte.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

MAIS UM CARNAVAL

EM CERTAS ÉPOCAS DO ANO, O BOM SENSO ENTRA EM RECESSO COLETIVO, MAS A CONTA SEMPRE CHEGA.

Os feriados católicos têm por base a Páscoa, que é comemorada no primeiro domingo após a primeira lua cheia posterior a 21 de março. Assim, a terça-feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa, e o feriado de Corpus Christi, 60 dias depois.

"Carnaval" vem da expressão latina carnis levare — o jejum da carne e de outros prazeres mundanos que a Igreja Católica proíbe durante a Quaresma. No Brasil, milhares de blocos arrastam multidões e o povo esquece momentaneamente que a realidade existe. Em algum momento, porém, a música para e a ressaca entra sem pedir licença.

Dor de cabeça, tontura, fadiga, náuseas e outros desconfortos na manhã posterior ao pifão não são consequências do camarão da empadinha, mas de baldes de caipirinha e dúzias de latinhas de cerveja. A ressaca — tão inevitável quanto a morte e os impostos — costuma se manifestar de seis a oito horas após o porre, mas o tempo que leva para passar varia de pessoa para pessoa e da quantidade de álcool ingerida.

Atribui-se a ressaca ao aumento da concentração de substâncias inflamatórias, à alteração dos hormônios que regulam o sono, às oscilações da glicose no sangue e até aos “aditivos” embutidos nas bebidas alcoólicas. Ainda assim, não se sabe exatamente por que os sintomas surgem após a eliminação do álcool pelo organismo. Seja como for, o troço é um porre.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Segundo a pesquisa Meio/Ideia, a maioria dos eleitores (51%) acha que Lula não deve continuar no Planalto. Para 47%, ele merece obter um quarto mandato. Os dados sinalizam três coisas:

1) A maioria do eleitorado chega a 2026 com desejo de mudança; 2) Numa eleição de caráter plebiscitário, a dificuldade em envernizar a própria imagem tornou-se a principal debilidade de Lula; 3) Não há um franco favorito na praça.

No pedaço que traz as intenções de voto, a pesquisa revela que a pulverização da direita favorece o candidato ao quarto mandato. Em todos os cenários, o petista aparece com um pé no segundo turno; numericamente à frente dos adversários, mas amarga um empate técnico com o Flávio Bolsonaro, o senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias, sua madrasta Micheque e o vassalo bolsonarista Tarcísio de Freitas.

Supondo que Lula vá mesmo ao segundo turno e que a submissão de Tarcísio ao líder preso seja definitiva, postulantes ao Planalto que se oferecem como opções de direita terão que brigar com o filho do pai pela segunda vaga. Em declarações recentes, Ratinho Jr. reiterou ser favorável ao indulto do golpista, e Ronaldo Caiado insinuou um pacto de não agressão a seu primogênito.

O eleitor conservador talvez prefira o herdeiro de sangue aos Bolsonaros genéricos. Nessa hipótese, o molusco enfrentaria 2026 com as armas de 2022, torcendo para que a minoria independente de centro lhe dê novamente a vitória, ainda que por uma margem mixuruca.

Vodca, gim e outras bebidas compostas basicamente por água e álcool castigam menos que uísque e vinho, mas é fundamental atentar para a qualidade: marcas como Popov e Príncipe Igor, nem na caipirinha. O álcool da cerveja é o mesmo do uísque, do vinho, da vodca, do gim, do conhaque e dos demais destilados; o que muda é apenas a concentração. Não misturar destilados e fermentados, não beber de estômago vazio nem comer como um porco na ceva antes de encher o caneco ajuda a amenizar o day after.

A não ser em casos de coma alcoólico — quando se deve procurar um pronto-socorro —, deixar o organismo processar o álcool naturalmente e evitar comidas ácidas, gordurosas ou de difícil digestão minimiza o desconforto. O famoso “tomar mais uma para rebater” pode até funcionar momentaneamente, mas o nível de álcool no organismo terá de baixar mais cedo ou mais tarde.

Observação: O Bloody Mary — que leva vodca, suco de tomate, pimenta-do-reino, tabasco, limão, gelo e uma pitada de sal — é infalível na cura da ressaca… ou pelo menos era o que juravam Frank Sinatra, Judy Garland, Humphrey Bogart, Sammy Davis Jr., Jerry Lewis, Dean Martin, Elizabeth Taylor e outros devotos dessa beberagem.

A única forma eficaz de evitar a ressaca é a abstinência, mas essa recomendação é solenemente ignorada pela maioria. Para piorar, não existe fórmula mágica para curá-la, embora uma boa noite de sono e muita água, água de coco, isotônicos, sucos, frutas, proteínas leves e carboidratos ajudem na recuperação. Caldos e sopas estão liberados, desde que com pouco sal. Dietas líquidas ajudam a hidratar, mas não fazem milagre. Jejuns prolongados, horas na sauna ou corridas sob um sol senegalês também não resolvem — ao contrário, só acentuam a desidratação.

Refrigerantes normais são preferível aos dietéticos — o açúcar (glicose) ajuda a metabolizar o excesso de álcool. Cerveja, vinho e outras bebidas alcoólicas até aplacam a sede, mas não hidratam o organismo. A cafeína bloqueia os receptores de adenosina, ajudando a atenuar os sintomas da ressaca. Analgésicos aliviam a dor de cabeça, mas não atuam na causa do problema. É importante evitar medicamentos à base de paracetamol, que, combinados com o álcool, castigam ainda mais o fígado, que já está combalido pelo excesso de bebida.

Torradas com mel ou geleia no café da manhã, sopa ou salada de legumes cozidos no almoço, muito líquido e uma boa dose de paciência podem tornar a Quarta-feira de Cinzas — dia de penitência e reflexão para os carolas e antessala do inferno para os foliões que abusaram da cangibrina — mais suportável, ainda que o meio-expediente transcorra ao som imaginário de uma bateria de escola de samba tocando a marcha fúnebre.

Por último, mas não menos importante: o grande fluxo de pessoas e a aglomeração em espaços públicos aumentam consideravelmente os casos de furtos e roubos de celulares. As inevitáveis aglomerações e o hábito de falar ao celular ou tirar selfies sem precaução favorecem furtos e roubos de aparelhos. Para reduzir os riscos, recorra a pochetes ou bolsas de uso corporal, evite manusear o telefone em áreas muito expostas e desative temporariamente a função de pagamentos por aproximação sem senha ou autenticação biométrica. 

Para se prevenir contra golpes como a clonagem do WhatsApp e acessos indevidos a contas bancárias — que se tornam mais frequentes nessa época —, ative a verificação em duas etapas nos aplicativos, use senhas fortes e mantenha os softwares atualizados. Se possível, leve para a folia um aparelho alternativo, sem acesso a apps bancários ou outros dados sensíveis.

 Dinheiro, relógios vistosos, pulseiras, correntes e até tênis de grife também atraem a atenção dos amigos do alheio. Expor-se ao sol escaldante sem protetor solar de fator adequado causa danos à pele, e não usar óculos escuros de marcas confiáveis — evite produtos dos melhores camelôs do ramo — pode “queimar” as córneas, acelerar o surgimento de cataratas e comprometer a visão.

Se você sobreviver a mais este Carnaval, tente lembrar do que leu aqui no próximo — ou no Réveillon, ou sempre que sentir aquela vontade irresistível de enfiar o pé na jaca. Porque a festa passa, o confete some, mas o fígado, a conta bancária e o bom senso cobram juros.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

PARA QUEM GOSTA DE CARNE

TUDO QUE COMEÇA COM RAIVA ACABA EM VERGONHA OU ARREPENDIMENTO.


A picanha era vendida como carne de segunda até meados da década de 1970, quando se tornou "rainha das churrascarias". Mas tanto ela quanto a maminha proporcionam excelentes resultados no forno ou na airfryer.


A alcatra e a fraldinha também são boas opções para um assado rápido, mas, qualquer que seja o corte, deve-se fatiá-lo no sentido contrário ao das fibras e assar com a capa de gordura virada para cima.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O Carnaval é uma ocasião em que a política e os políticos são tradicionalmente lembrados, mas raramente pelo lado positivo. Numa dessas exceções que confirmam a regra, a Acadêmicos de Niterói resolveu homenagear Lula contando a história do “menino pernambucano pobre, que enfrentou as dificuldades de um retirante fugindo da fome, engraxou sapatos na cidade grande, virou operário e dirigente sindical, fundou um partido político, enfrentou a ditadura, elegeu-se presidente da República, foi condenado por corrupção, preso, descondenado, reconduzido ao Planalto e fantasiado de respeitado líder mundial".

No primeiro de dois ensaios técnicos antes do desfile, foram projetadas nos telões da Sapucaí vídeos em que o Bolsonaro aparece vestido de presidiário, usando máscaras hospitalares e chorando. Se a ideia era ironizar, o objetivo não foi alcançado, mas se era polemizar, a agremiação ganhou sua primeira nota 10. 

O TCU não só intimou a liga que organiza o desfile, o Ministério da Cultura e a Embratur a dar explicações, como também recomendou a imediata suspensão dos repasses federais. Dos milhões recebidos pela agremiação, R$1 milhão provém da Embratur, R$3,3 milhões do governo do Rio, R$2 milhões da prefeitura carioca, R$4 milhões da prefeitura de Niterói e R$3 milhões dos direitos de imagem. 

O relator do caso deu prazo de quinze dias para as entidades apresentarem os documentos. Se for encontrada alguma irregularidade, os responsáveis podem ser punidos com multas e obrigados a devolver o dinheiro. A Embratur disse que apoia financeiramente o desfile, mas não interfere na escolha dos sambas-enredo..

Além do carro alegórico romanceando a transformação do operário em presidente, uma ala dedicada a Bolsonaro exibe uma escultura do palhaço Bozo, um vampiro que simboliza os anos que o Brasil ficou sem o PT e pessoas virando jacaré após receberem a vacina contra a Covid.

A Sapucaí já foi palco de exaltações póstumas a Getúlio e Juscelino, mas esta é a primeira vez que um presidente no exercício do mandato será homenageado no ano em que busca a reeleição. A folia da agremiação fez subir o tom das críticas ao TSE, que já vinha sendo acusado pela oposição de fazer vistas grossas à propaganda eleitoral antecipada de Lula — na corrida presidencial de 2022, a Corte Eleitoral puniu Bolsonaro e Braga Netto com a ilegibilidade por inflamarem manifestantes no desfile do Dia da Independência. 

Políticos representam fonte natural de inspiração para os carnavalescos em blocos, bailes e nos desfiles das escolas de samba. Em 2018, Michel Temer foi retratado pela Paraíso do Tuiuti como um “vampiro neoliberalista” que sugava o sangue dos brasileiros. Em 2020, a São Clemente apresentou o enredo O Conto do Vigário, no qual o humorista Marcelo, fantasiado de presidente da República, imitou armas com as mãos e reproduziu os trejeitos de Jair Bolsonaro.

A sátira política é uma das riquezas do Carnaval, mas quando o enredo dá margem a bajulação e proselitismo, o resultado é um samba desafinado.


Quem aprecia carne ao ponto ou malpassada deve selá-la em uma frigideira ou chapa de ferro fundido antes de levar ao forno. E como o forno cozinha a carne por calor indireto, cortes com gordura, colágeno ou osso funcionam melhor que cortes magros demais, que tendem a ressecar. O ideal é pré-aquecê-lo a 200 ~ 240 °C e assar as carnes mais duras por 30 a 60 minutos. O forno elétrico é uma alternativa para quem não dispõe do tradicional, mas não deixe de ler o manual do aparelho, pois alguns modelos assam mais rápido.


A costela fica deliciosa assada no forno ou cozida na pressão por horas a fio. O acém é famoso pelo colágeno, que se transforma em maciez quando assado lentamente em forno baixo, e o lagarto — corte magro que exige cozimento lento e controlado —, selado por fora, assado no forno e fatiado fino, rende um excelente rosbife caseiro.


Para quem aprecia carne suína, o pernil é uma ótima opção se a peça for marinada por 8 a 12 horas antes de ser assada lentamente no forno. Já o lombo é uma carne macia e saborosa, mas deve ser assada sempre com molho ou alguma cobertura.


Bom domingo de Carnaval.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

TOFFOLI E O IMBRÓGLIO DO BANCO MASTER

ALGUMA COISA SEMPRE PRECISA MUDAR PARA QUE TUDO SEMPRE PERMANEÇA IGUAL. 

Com as vergonhas expostas no relatório da PF, o ministro Dias Toffoli divulgou uma nota que ofende a inteligência alheia. Embora tenha admitido ser sócio da empresa Maridt e ter vendido sua participação no Resort Tayayá para um fundo ligado ao Banco Master, ele negou ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro e do cunhado dele, Fabiano Zettel, embora o documento da PF mencione expressamente essa conversa.


Toffoli integrava uma sociedade anônima com capital social de R$ 150, sede em uma casa humilde situada na cidade paulista de Marília e administrada por dois irmãos do ministro (um padre e um engenheiro eletricista). O recebimento de dividendos, segundo ele, não era ilegal, pois não exercia funções gerenciais, e os negócios com um fundo ligado ao Master ocorreram antes de ele se tornar relator do caso. Mas sua cunhada negou que o marido tivesse sido sócio do resort, borrifando na conjuntura a percepção de que os irmãos do ministro não passavam de laranjas.


Paulista de Marília (SP), José Antonio Dias Toffoli formou-se bacharel em Direito, foi advogado do Sindicato dos Metalúrgicos de SBC, consultor jurídico da CUT, assessor jurídico do PT e do ex-ministro José Dirceu. Também atuou advogado nas campanhas de Lula à presidência em 1998, 2002 e 2006 e como subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil da presidência da República. Em 2007, foi promovido a Advogado Geral da União e permaneceu no cargo até 2009.


A despeito de duas reprovações em concursos para juiz de primeiro grau abrilhantarem seu currículo, Toffoli foi indicado por Lula para o STF, numa demonstração cabal de falta de noção do xamã petista sobre a dimensão do cargo. Assim, sem currículo, sem conhecimento, sem luz própria e sem laços com a rede protetora do PT ou com os referenciais do padrinho, o recém-chegado foi buscar apoio em Gilmar Mendes — que é quem melhor encarna a figura do velho coronel políticoe passou a emular a arrogância incontida, a grosseria e a falta de limites do novo padrinho.. 


Em 2005, quando o escândalo do mensalão veio à tona, Toffoli respondia diretamente a José Dirceu, que foi apontado como chefe do esquema. Mas isso não o impediu de participar do julgamento da Ação Penal 470 (vulgo “processo do mensalão”) ou de votar pela absolvição de Dirceu. Em 2015, pediu transferência para a segunda turma, que ficou responsável pelos processos da Lava-Jato no STF. Foi ele quem sugeriu que casos sem conexão com a Petrobras não deveriam ficar sob a pena do então juiz Sérgio Morolivrando por tabela o rabo de Gleisi Hoffmann — e o autor do pedido de vista que interrompeu a votação da limitação do foro privilegiado de políticos quando já se havia formado maioria de ministros a favor.


A Lava-Jato chegou a bafejar o cangote do ministro quando Léo Pinheiro revelou que a OAS havia executado reformas em sua casa, mas a informação vazou, Veja publicou, Rodrigo Janot (que era petista de carteirinha) rodou a baiana e o acordo não chegou a ser firmado. A força-tarefa também descobriu que um consórcio suspeito de firmar contratos espúrios com a Petrobras repassou R$ 300 mil ao escritório de advocacia de Roberta Gurgel, mulher de Toffoli, de quem ele foi sócio até 2007 e de quem recebia uma mesada de 100 mil reais — metade desse valor era transferido para a conta de sua ex, Mônica Ortega, e a outra metade era usada para pagar despesas correntes, como faturas de cartão.


Os indícios de conexão de Toffoli com o caso Master já colocavam em xeque sua relatoria, mas o ministro Fachin, presidente de turno do STF, achou por bem evitar a abertura formal de um incidente de suspeição que poderia prolongar a crise e anular medidas já tomadas no processo.


Toffoli insistia na tese de que não havia impedimento nem suspeição, e se recusava a abrir mão da relatoria. Mas o impedimento decorrente de parentesco era de uma clareza meridiana, e a suspeição tornou-se cristalina quando o ministro buscou engessar as apurações da PF e assumir o o comando da investigação.


Os documentos sobre as transações apontavam para a venda do Resort Tayayá em 2021 e o pagamento de R$ 20 milhões, em 2024, à empresa da qual Toffoli era sócio administrador oculto. Dúvidas acerca do potencial econômico dos irmãos do ministro para a aquisição do empreendimento Tayayá levou seus pares a ponderar que seria melhor ele entregar os anéis do que perder os dedos.


Após novo sorteio, o ministro André Mendonça assumiu a relatoria da investigação  — sob uma chuva de críticas de seus pares à PF a pretexto de o material enviado ao STF ser fruto de uma investigação sem autorização judicial. A troca na relatoria preocupa especialmente setores do Congresso ligados ao senador Davi Alcolumbre, que segurou por cinco meses a sabatina do ministro "terrivelmente evangélico" indicado por Bolsonaro, numa clara tentativa de levar o então presidente a rever sua indicação.


Na avaliação desses parlamentares, Mendonça não deve impor limites para evitar que a investigação avance em eventuais relações políticas do ex-dono do Banco Master. Um dia após ser eleito relator, o ministro agendou um encontro com delegados da PF para avaliar o andamento e as próximas etapas das apurações. e o que não falta no elenco dessa novela é ator de rabo preso — parafraseando Ary do Cavaco e Bebeto di São João, se gritar pega ladrão não fica um.


Lula guarda mágoa de Toffoli porque ele não o autorizou a deixar a cadeia para acompanhar o enterro do irmãoVavá. No entanto, em 1978, quando seu pai foi sepultado como indigente no cemitério de Vicente de Carvalho, nenhuma mulher, ex-mulher ou filho se dignou a lhe conceder um túmulo.


Não se sabe ao certo quantos filhos o "homem das sete mulheres" espalhou pelo Brasil. Pelos cálculos de Frei Chico — que não era padre e tampouco se chamava Francisco — foram 19; pelas contas de Jackson Inácio da Silva, foram 25; e segundo Denise Paraná — biógrafa oficial do molusco —, foram 22. Mas o fato é que Lula nunca foi próximo de seus irmãos. 


Quando era líder sindical, o futuro presidente passou 30 dias nos porões da ditadura, mas o então diretor-geral do DOPS o autorizava a ler jornais, receber visitas importantes e até visitar a mãe, Dona Lindú, que estava com câncer terminal (ele ia deitado no banco traseiro de uma viatura, escoltado por agentes vestidos como operários). Quando ela morreu, ele foi autorizado a comparecer ao velório — onde sindicalistas bradavam Lula Livre e o cantor Agnaldo Timóteo pedia a prisão dos corruptos.


Durante a campanha presidencial de 2002, Lula derramou lágrimas de crocodilo para as câmeras de Duda Mendonça ao relembrar a morte de sua primeira mulher, Maria de Lourdes da Silva, embora não tenha esperado nem dois anos para engatilhar nova família ao lado de Marisa Letícia.


Entre 2003 e 2010, já inquilino Planalto, ele perdeu os irmãos João Inácio — que morreu de câncer em 2004 — e Odair Inácio — vítima de um infarto em 2005 —, mas não compareceu ao enterro de nenhum dos dois. Segundo o site Conexão Política, enquanto o corpo do primeiro era velado, o presidente jantava com ministros e assessores na Granja do Torto.


Em 2017, já em pré-campanha, transformou o velório de Marisa Letícia em comício e o cadáver em arma contra seus adversários políticos. Em 2018, fez de sua prisão um espetáculo de circo mambembe, com direito a missa campal, showmício e utilização de sindicalistas como escudos humanos. Em 2019, hospedado compulsoriamente numa cela VIP da PF em Curitiba, pareceu ter sido acometido por um mui suspeito e inesperado amor fraternal por Vavá.


Pouco antes da sessão administrativa secreta das togas na última quinta-feira, Lula chamou Paulo Gonet para uma conversa — lembrando que o PGR é o único que tem legitimidade para arguir o afastamento de um ministro do STF. Comenta-se nos bastidores que a aposentadoria compulsória de Toffoli chegou a ser cogitada, e que o ministro só desistiu da relatoria depois que o diretor-geral da PF entregou a Fachin um relatório sobre os dados extraídos do celular de Vorcaro, incluindo as menções do relator que motivaram a PF a pedir sua suspeição.

A desistência ocorreu um dia Em última análise, cabe a Gonet pedir autorização ao Supremo para investigar Toffoli criminalmente, sob pena de prevaricação.


No País dos Contrastes — como o Brasil era chamado até algum tempo atrás —, o fato de paradoxos abundarem no Judiciário não chega a surpreender. O mais recente é o comunicado sem pé nem cabeça divulgado pelo STF na noite da última quinta-feira. Sem pé porque o documento diz num trecho que Toffoli deixou a relatoria do inquérito sobre o Master "a pedido" e informa em outro que o plenário do tribunal decidiu por unanimidade que "não havia elementos" para considerá-lo um juiz suspeito. Sem cabeça porque ninguém com dois neurônios avalizaria a conduta do ministro, e seus pares fizeram questão de expressar por escrito seu "apoio pessoal" e enaltecer seu respeito pelos "altos interesses institucionais". 


Toffoli parece achar que o Brasil é 100% formado por idiotas, e esperteza, quando é demais, vira bicho e engole o dono. Já o STF — definido pelo ex-ministro Sepúlveda Pertence como um arquipélago de onze ilhas independentes e em constante conflito — cantou em coro a "dignidade" do colega ora na berlinda — lembrando que havia dez cabeças e poucos miolos na reunião em que o texto escabroso foi esboçado, já que a poltrona que pertencia ao ministro Luís Roberto Barroso ainda não foi ocupada.


Toffoli já perambulava com as indignidades à mostra antes de ser substituído, e ficou inteiramente nu depois que a PF esmiuçou suas relações pessoais e financeiras com Daniel Vorcaro. A questão agora é que o STF precisa liberar a PF para aprofundar a investigação dos indícios de envolvimento de uma toga despida em perversões criminais — blindada, sua
nudez conduz a crise do Judiciário à fase do despudor, e dignidade é como virgindade: não dá segunda safra. Mas ele não é o único que mantinha relações suspeitas com Vorcaro.: Alexandre de Moraes também é citado no relatório da PF, e não tem interesse no derretimento do colega.

Lula ouviu tanto Moraes quanto Gilmar Mendes padrinhos de Gonet em sua ascensão ao cargo de PGR — e ambos se empenharam em defender Toffoli, que tinha maioria de votos a seu favor — só Fachin e Cármen Lúcia sinalizavam ser contrários —, mas prevaleceu sugestão de Flávio Dino para uma nota pública com todos apoiando o ministro e uma troca na relatoria da investigação. Mas o cenário mudou devido aos diálogos revelados pelo site Poder360, que reproduzem as conversas de forma literal e precisa, sugerindo que alguém gravou clandestinamente aa sessão secreta do dia 12.

Toffoli negou ter feito qualquer registro e levantou a suspeita de que algum funcionário do Tribunal seja o responsável, mas a situação sem precedentes gerou uma quebra de confiança inédita, mesmo porque quem fez a gravação divulgou apenas trechos favoráveis ao ministro, sem mostrar a complexidade do que foi discutido na sessão.

Fato é que os supremos togados sabem o que fizeram e do que podem ser acusados pelos colegas, que também têm culpa no cartório. Edson Fachin foi alçado ao STF com apoio dos irmãos Batista, da J & F; Luiz Fux foi apadrinhado por Sérgio Cabral; Gilmar Mendes e André Mendonça fazem parte de organizações que promovem encontros empresariais e seminários patrocinados e/ou financiados por empresas e empresários com ações em trâmite no STF; Nunes Marques também é empresário “nas horas vagas”; enfim, somente Cármen Lúcia e Cristiano Zanin parecem “sobrar”.


Uma matéria recente do Estadão mostrou que cerca de 70% das ações de escritórios de parentes de ministros correm no próprio Supremo — ou seja, o sangue fala mais alto na hora da escolha dos advogados, e o DNA fala mais alto ainda na hora do acerto dos honorários. A despeito do corporativismo estrutural de todos os órgãos públicos, é inegável que há algo estranho nessa relação de compadrio explícito, quase subserviente, que impera na mais alta casa de Justiça deste país. A mídia e a população mais antenada desconfiam do porquê, mas suas excelência sabem muito bem os motivos — tão bem como sabem valorizar o segredo.

Triste Brasil.