terça-feira, 14 de julho de 2026

E VIVA O POVO BRASILEIRO

OS BRASILEIROS NÃO SABEM VOTAR, E QUANDO VOTAM, NÃO SE LEMBRAM EM QUEM VOTARAM. 

Devidamente despida do glamour fantasioso atribuído pelos livros didáticos, a Proclamação da República foi um golpe de Estado político-militar que pôs fim à monarquia constitucional parlamentarista do Império, apeou do trono D. Pedro II e implementou o presidencialismo republicano como forma de governo.

Ao longo de 136 anos de história republicana, dos 36/39 brasileiros que chegaram à Presidência pelo voto popular, eleição indireta, linha sucessória ou golpe de Estado (o número depende de como se contam interinos, juntas militares e mandatos não-consecutivos), oito, a começar pelo primeiro — Deodoro da Fonseca —, foram de alguma maneira apeados do poder, e não houve nenhum que pudesse ser considerado "estadista" — lembrando que estadistas governam pensando nas próximas gerações, enquanto os populistas pensam exclusivamente nas próximas eleições.


Observação: Talvez Rui Barbosa ou o Barão do Rio Branco pudessem ser considerados como tal, mas nenhum deles presidiu o Brasil. Em contrapartida, populistas vicejaram como ervas daninhas.


Em 1960, o populista demagogo e cachaceiro Jânio Quadros derrotou o candidato governista, Marechal Henrique Teixeira Lott, e o ex-governador de São Paulo, Adhemar de Barros, tornando-se o primeiro presidente desta banânia a ocupar o então recém-inaugurado Palácio do Planalto. Mas sua renúncia, menos de 6 meses depois da posse, pavimentou o caminho para o golpe de estado de 64, que culminou com a deposição do então presidente João Goulart e a posse do marechal Humberto de Alencar Castello Branco, dando início a uma ditadura militar que se estendeu por 21 anos, comandada pelos generais Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo, nessa ordem. 


Em 1968, o “linha-dura” Costa e Silva decretou o AI-5, produzindo um elenco de ações arbitrárias de efeitos duradouros que prevaleceram durante o período mais repressivo do governo militar. Em 1974, Geisel deu início ao processo de abertura que, dali a 11 anos, poria termo ao regime de exceção com a eleição (indireta) de Tancredo Neves, que venceu o candidato dos militares Paulo Maluf por 480 votos a 180. 


Em janeiro de 1985, o então presidente da Câmara Ulysses Guimarães — que chegou a ser cogitado para disputar o Planalto pelo PMDB, mas foi preterido pela chapa “mista” formada com o PFL de José Sarney — entregou a Tancredo o programa denominado Nova República, que previa eleições diretas em todos os níveis, educação gratuita, congelamento de preços da cesta básica e dos transportes, entre outras benesses.


O fim da ditadura não foi uma “consequência natural do espírito democrático” de Geisel e Figueiredo e tampouco transcorreu sem turbulências e acidentes de percurso. O processo só foi concluído graças às manifestações populares pró-diretas, que reuniram milhões de pessoas na Candelária, no Vale do Anhangabaú e na Praça da Sé, com faixas, cartazes e camisetas onde se lia a inscrição “EU QUERO VOTAR PARA PRESIDENTE”.


Observação: Nos movimentos pró-diretas, pugnava-se pela aprovação da emenda constitucional Dante de Oliveira, que visava restaurar o direito às eleições diretas, suspenso pelos militares. No dia da votação, exatos 20 anos depois do golpe, uma manobra de bastidores tirou da Câmara 112 deputados. Apesar do clamor das ruas, a emenda foi rejeitada — ou seja, o povo foi traído mais uma vez pela classe política.


Em 1985, com a esperança e os ânimos redobrados, os brasileiros ansiavam pela chegada do dia 15 de março — data prevista para a posse do primeiro presidente civil depois de 21 anos e a volta dos militares às casernas. Mas o que deveria ser a festa da democracia se transformou em luto nacional: Tancredo foi internado 12 horas antes da cerimônia de posse e morreu 38 dias e 7 cirurgias depois. 


Após algumas discussões jurídicas sobre a possibilidade de Ulysses Guimarães, então presidente da Câmara, ser guindado ao Planalto, prevaleceu o entendimento de que o rebotalho do coronelismo nordestino José Sarney, vice na chapa de Tancredo, deveria ser empossado. E foi o que aconteceu, para o bem e para o mal.


Ao contrário do que escreveu Karl Marx, a história nem sempre se repete como farsa; às vezes, ela reproduz fielmente o passado. Na eleição direta de 1989 — a primeira para presidente desde 1960 —, 22 candidatos (entre os quais Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola) disputaram o Planalto, mas a récua de muares que insiste em fazer a cada eleição, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez, por curiosidade, escalou para o segundo turno Lula, o desempregado que deu certo, e Collor, o caçador de marajás de mentirinha. E o resto é história recente.


Prestes a completar 81 anos, o macróbio petista busca seu quarto mandato, tendo como principal adversário filho do ex-presidente golpista que os cegos mentais tratam por "mito", mas na verdade não passa de um combo de mau militar e parlamentar medíocre aspirante a golpista.


Sobre o desgoverno Lula, a reprovação popular apontada pelos institutos de pesquisa dizem tudo. Já o primogênito do refugo da escória da humanidade enfrenta dois adversários inesperados: no Brasil, ele é mastigado por um movimento autofágico da madrasta; nos EUA, vive a síndrome da ameaça de um novo tarifaço de 25% do pseudoaliado Donald Trump.


A despeito da promessa de pacificar o país, o filhote de sacripanta não consegue sequer obter um armistício com Micheque, além de acenar com uma relação privilegiada com a Casa Branca, sem se dar conta de que a calopsita alaranjada não quer aliados, mas vassalos.


Fugindo do apelido de Tariflávio, o filho do pai endereçou nova carta a Washington — desta vez para o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o temível USTR —, na qual anotou que novas tarifas dariam "uma vitória política" ao governo Lula. Em vez de pedir a reversão das tarifas, rogou que a punição seja adiada para "depois das eleições". Ou seja, além de legitimar a natureza política da sanção mostrou-se preocupado com sua campanha, não com os exportadores brasileiros.


Rápido como o raio que o parta, o xamã petista recorreu às redes sociais para acusar a quadrilha, digo, a família Bolsonaro de entreguista. Escreveu que pedir o adiamento da sanção é coisa de "traidores da pátria", pois "não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois".


Ao oscilar entre a autofagia e a trumpfobia, Bolsonarinho gira como um parafuso espanado em torno de problemas que ele próprio criou. Fornecendo material para o adversário, torna-se um caso raro de líder da oposição à sua própria candidatura.


E viva o povo brasileiro.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE A NATUREZA DO TEMPO

O TEMPO É O FOGO QUE NOS CONSOME.

A despeito do avanço substantivo da ciência desde a invenção da roda, ainda não sabemos se o tempo é uma realidade física ou apenas uma convenção para organizar o caos, nem se ele flui através de nós ou somos nós que o atravessamos.

Para o cosmólogo Carlo Rovelli, o tempo não é uma linha reta pela qual os acontecimentos deslizam do passado ao futuro, mas uma variável emergente, resultante do aumento da entropia do cosmos ao longo dos últimos 13,8 bilhões de anos. Já o matemático e metafísico J. M. E. McTaggart chegou à mesma conclusão por meio da lógica pura, demonstrando a inconsistência da ideia de tempo com um simples exercício de pensamento.


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A nova rodada do Datafolha em São Paulo intensificou a luz amarela que pisca no painel de controle do comitê de campanha de Lula ao reforçar a hipótese de Tarcísio de Freitas prevalecer sobre Fernando Haddad no primeiro turno — algo que, se confirmado, deixaria o molusco sem um palanque na segunda rodada no maior colégio eleitoral do país.

Tarcísio aparece no com 46% das intenções de voto, 16 pontos à frente de Haddad. Na contagem oficial, a Justiça Eleitoral leva em conta apenas os votos válidos, e aí a porca torce o rabo para o petismo. Numa projeção que desconsidera os eleitores que sinalizaram ao Datafolha a intenção de votar em branco ou anular o voto, Tarcísio prevaleceria hoje sobre Haddad por 52% a 34%. Nessa hipótese o governador seria reeleito no primeiro round, pois somaria mais do que o mínimo necessário: 50% dos votos válidos mais um.

Na sucessão de 2018, quando Lula estava preso, o PT foi representado na corrida presidencial por Haddad. Bolsonaro chegou ao Planalto porque obteve no Sudeste 5,1 milhões de votos a mais do que o rival petista. Com isso, conseguiu anular a vantagem que o PT tradicionalmente obtém na região Nordeste.

Dos 23 municípios do Sudeste com mais de 500 mil habitantes em que Bolsonaro derrotou Haddad, dez ficavam em São Paulo. Em 2022, Haddad mediu forças com Tarcísio na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Perdeu no segundo turno. Mas seu desempenho foi crucial para que Lula reduzisse a desvantagem no Sudeste. Lula voltou a perder para Bolsonaro na região. Mas reduziu a desvantagem para 784 mil votos. O que foi fundamental para a vitória nacional pela pequena margem de 1,8 ponto percentual.

Confirmando-se a hipótese da ausência de um segundo turno em São Paulo, o comitê do xamã petista ganha desafios novos, entre os quais o aperfeiçoamento da linguagem digital. A campanha no estado escorregaria naturalmente das ruas para as redes sociais — um ambiente no qual a direita costuma levar vantagem sobre a esquerda.

Essas premissas podem soar contraditórias, mas a contradição se desfaz quando consideramos, por exemplo, que a Grande Pirâmide de Gizé foi erguida no presente do faraó Queóps — o que, para nós, equivale a 4,5 mil anos atrás. Em outras palavras, se a realidade depende do ponto de vista do observador, o presente não é uma data fixa no calendário. Assim, um olhar verdadeiramente objetivo não pode se apoiar em categorias como presente, passado ou futuro — da mesma forma que “eu”, “aqui” ou “lá” só têm sentido para quem fala, mas não existem de forma absoluta.


Se o tempo, a exemplo do espaço — que compreende apenas relações entre lugares —, comporta somente relações entre acontecimentos mensuráveis, uma descrição objetiva do mundo não comporta presente, passado e futuro. E se presente, passado e futuro não existem, então o tempo também não existe — ou talvez exista, mas não do jeito que nós imaginamos.


Na antiguidade, o tempo era visto ora como um deus implacável, ora como um fluxo sereno, ora como uma ilusão. Na mitologia grega, Cronos usou sua foice para castrar seu pai, Urano, que aprisionava os filhos por receio de ser destronado… e passou a devorar os seus.


Músicas como Dust in the Wind traduzem a inevitável transitoriedade da vida, enquanto o cinema faz do tempo um personagem central, tanto nas narrativas fragmentadas de Memento quanto nos paradoxos temporais de Interestelar, que transformam em drama humano a dilatação do tempo prevista pela Teoria da Relatividade de Einstein., segundo a qual o espaço não é uma caixa rígida e inerte, mas algo como um imenso molusco que se comprime e se retorce na presença de massa e energia.


Já a mecânica quântica revelou que tudo ao nosso redor é formado por pequenos pacotinhos — como os fótons que formam a luz. O problema é que as duas teorias não se falam: uma descreve o espaço como contínuo e suave; a outra sugere que tudo o mais é granular e discreto. Conciliá-las é uma das maiores questões em aberto da física. 


Observação: A relatividade geral e a mecânica quântica se expressam em idiomas diferentes, mas ambas parecem dizer a verdade. Uma metáfora usada por Rovelli compara a natureza a um velho rabino que, consultado por dois homens para resolver uma disputa, deu razão a ambos, e quando sua mulher ponderou que eles não poderiam ter razão ao mesmo tempo, disse que ela também estava certa.


A gravidade quântica em loop visa compatibilizar a relatividade geral e a mecânica quântica. Nesse contexto, a hipótese de o espaço ser um recipiente amorfo desaparece da física com a gravidade quântica, e as coisas (quanta) não habitam o espaço, mas os arredores umas das outras. Se o espaço não for um tecido contínuo que tem como limite o limite dos pacotinhos que o formam, então o tempo não é uma linha reta pela qual as coisas fluem, nem tampouco uma sucessão de acontecimentos formados por passado, presente e futuro.


Devido às dilatações do tempo e da gravidade, o relógio anda mais devagar para quem se move em altas velocidades ou habita regiões onde a atração gravitacional é mais intensa. Um minuto numa espaçonave viajando a uma velocidade próxima à da luz equivale a milhares de anos terrestres, e um minuto no topo do Monte Everest corresponde a 60,000000000058 segundos no nível do mar — uma diferença de míseros 58 nanossegundos, mas mensurável com relógios atômicos de alta precisão.


Observação: Um relógio sobre um móvel registra que o tempo passa mais depressa quando comparado com outro que está no chão. Pelo mesmo motivo, o tempo passa mais depressa no cume do Everest do que na praia. Quanto mais próximo do centro da Terra, mais intensa é a gravidade e, consequentemente, mais devagar o tempo passa, como foi comprovado experimentalmente por relógios atômicos altamente sofisticados.


Para entender a teoria da gravidade quântica é preciso abandonar a ideia de que um gigantesco relógio cósmico marca o tempo do Universo. Um ano é apenas o tempo que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do Sol, mas nosso conceito de “ano” só faz sentido em nosso planeta — para um hipotético habitante de Saturno, um ano corresponderia a 29,5 anos terrestres.


Nosso conceito de tempo pouco tem a ver com as leis do Universo como um todo. Em última análise, as coisas mudam apenas umas em relação às outras; no nível fundamental, o tempo não existe. Na filosofia, Santo Agostinho sintetizou sua angústia na frase: “Se ninguém me pergunta, eu sei o que é; mas se me perguntam, já não sei responder”. Para ele, presente e futuro só existiam dentro da consciência, como memória, atenção e expectativa. Séculos depois, Henri Bergson distinguiu entre o tempo mensurável da ciência e a duração subjetiva da vida, fluida e elástica. Mas é na ciência moderna que o tempo se torna questão de medição e de leis. 


Newton falava de um “tempo absoluto”, invisível mas necessário para ordenar os movimentos do mundo. Essa noção foi revolucionada por Einstein, que demonstrou com suas equações relativísticas que não somos viajantes imóveis em um rio inexorável, e sim habitantes de um tecido cósmico onde espaço e tempo formam uma única realidade. A partir daí, tornou-se possível compreender que o tempo não é igual para todos.


Nossos antepassados começaram a medir o tempo quando notaram que as fases da Lua e a mudança das estações influenciavam o comportamento dos animais — uma questão vital para quem vivia da caça e da pesca. Na cosmologia, o tempo como o conhecemos nasceu com o Big Bang, e especular sobre o que existia antes dele faz tanto sentido quanto perguntar o que existe ao norte do Polo Norte. 

 

De acordo com a causalidade (não confundir com casualidade), o que aconteceu ontem impõe restrições ao que acontece hoje, e o que acontece hoje influencia o que acontecerá amanhã. Como esse princípio dá ao Universo uma direção única, a possibilidade de voltar no tempo põe a ciência em xeque. Mas algumas interpretações da física — como a da gravidade quântica — atestam que o tempo se resume a uma dimensão secundária que surge da interação entre eventos e partículas, sem existir como entidade independente.


Por outro lado, se causa e efeito estão relacionados pela ordem dos eventos, e não pela passagem do tempo em si, então o tempo é ilusório e a causalidade pode se manter através dessas relações ordenadas. Mas isso é assunto para o próximo capítulo.

domingo, 12 de julho de 2026

ARROZ BRANCO SOLTINHO E ARROZ À GREGA

COMER É UMA NECESSIDADE DO ESTÔMAGO, BEBER É UMA NECESSIDADE DA ALMA.

O arroz branco é consumido por milhões de brasileiros e, junto com o feijão, forma uma das combinações mais tradicionais da nossa culinária. Embora seja simples de preparar, esse grão nem sempre fica soltinho como se deseja. Mas basta trocar a água por caldo quente para evitar que ele empape e deixá-lo mais cheiroso e saboroso.


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O fator família não é novo nem raro na política brasileira — em boa parte composta por filhos que sucedem os pais e netos que se fazem a partir do legado dos avós. Quem está nessa lida há décadas, hoje fala com fulano neto e conversa com beltrano filho do interlocutor original, herdeiro do mesmo sobrenome. O inusitado, embora não inédito, são as brigas como essas que assolam a grei Bolsonaro. Na regra, os clãs se preservam para se perpetuarem. Daí a atenção ao furdunço envolvendo Michelle e os filhos de Jair Bolsonaro.

A madrasta deu tiros na candidatura do primogênito, mas nada (ainda) parecido com o petardo de Pedro Collor na Presidência do irmão Fernando — ali o desastre foi deflagrado pela negação da mãe ao filho caçula até então predileto, substituído no afeto pela cobiça referida no cargo do detentor do poder maior da República; aqui, o que se tem é uma disputa pelo legado do chamado bolsonarismo, que ainda está por provar ser uma corrente comparável a outros ismos caracterizados pela fidelidade das bases social e política ao chefe, sem ingerências familiares.

A despeito do liame da rixa em ambiente doméstico que se desdobra em consequências para o cenário nacional, a sociologia do babado contida em casos de famílias conflagradas é muito diferente entre um caso e outro.

Nos Collor de Mello o evento foi pontual. Depois de dada a tragédia, o clã sumiu do mapa da política para se transformar em tema de tramas dramáticas em podcast, documentário e projeto de série de ficção baseada naquele fato. Nos Bolsonaro, o enredo se desenrola por décadas, desde o filho adolescente posto numa eleição contra a mãe por vingança do pai, até o episódio ainda em curso da madrasta em guerra com os enteados pela herança política do patriarca preso e doente.

Da rusga entre irmãos, decorreu um impeachment do qual o país saiu institucionalmente salvo. Do litígio atual, a solução virá da resposta que o Brasil dará à quadrilha, digo, à família em questão.


Da próxima vez que você for fazer arroz, esqueça o trio água, sal e óleo, que deixa o sabor neutro demais. Mudar o líquido do preparo — ou seja, trocar a água por caldo de carne, legumes, frango ou peixe, desde que esteja quente ao entrar na panela — é meio caminho andado. Outro detalhe importante é o refogado. O alho dourado e as folhas de louro deixam o arroz com aroma de comida caseira, e a cebola também ajuda a criar uma base mais saborosa.


Para preparar um arroz branco soltinho e cheio de sabor, você vai precisar de:


1 xícara de arroz branco

2 xícaras de caldo quente

3 dentes de alho

2 folhas de louro

50 g de cebola picada

1 colher (sopa) de azeite

Sal a gosto


Depois de picar a cebola bem picadinha e amassar os dentes de alho, Aqueça o azeite em uma panela e refogue a cebola (bem picadinha) o alho (amassadinho) e o louro até ficarem aromáticos, tomando o cuidado de mexer para o refogado não queimar e amargar o arroz. 


Em seguida, adicione o arroz e mexa por alguns minutos. Quando os grãos começarem a ficar levemente transparentes, é sinal de que estão prontos para receber o líquido.


Despeje o caldo quente, ajuste o sal e deixe ferver. Assim que levantar fervura, baixe o fogo, tampe a panela e cozinhe por cerca de 13 minutos, sem mexer.


Ao final, desligue o fogo e deixe o arroz descansar por mais 5 minutos com a panela tampada — essa etapa ajuda os grãos a terminarem de cozinhar no próprio vapor. Quando for servir, solte o arroz delicadamente com um garfo.


Além do caldo quente (caseiro sempre que possível), outras dicas são refogar bem os grãos antes de adicionar o líquido, evitar mexer o arroz durante o cozimento, usar fogo baixo depois que o líquido ferver, respeitar o tempo de 


Dica: Com sua combinação de arroz cozido, legumes picados, ervilhas, e o toque sutil de temperos deliciosos, a receita de arroz à grega é uma excelente opção para acompanhar diversas refeições ou até mesmo ser a estrela principal do seu cardápio. Para transformar o arroz branco de cada dia na delícia que é o arroz à grega, basta dar uma refogada na ervilha e nas passas e misturá-las com os demais ingredientes — salsa, cebola, cebolinha e cenoura picadinhas — ao arroz previamente cozido.


Bom apetite.

sábado, 11 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — ATÉ ENTRE PLANETAS HÁ OS DO CONTRA

O TEMPO CURA FERIDAS, MAS DEIXA CICATRIZES.


A polarização na política existe desde sempre, mas nunca foi tão nefasta quanto de um tempo a esta parte, com lulopetistas e bolsonaristas defendendo seus bandidos de estimação nas disputas presidenciais travadas entre o bonifrate de Lula em 2018 — e próprio xamã petista em 2022 — contra Jair Bolsonaro.

Tendo o canhestro Fernando Haddad como adversário, o misto de mau militar, parlamentar medíocre e messias que não miracula tornou-se o "mito" da direita radical e foi guindado ao Planalto por uma caterva de descerebrados com capacidade cognitiva comparável à de uma ameba.

Em 2022, o cenário se inverteu: O demiurgo de Garanhuns venceu o capetão golpista por uma vantagem inferior a 2% dos votos válidos — a menor desde a redemocratização e a volta das eleições presidenciais diretas — e assim conquistou sua terceira (e queira Deus derradeira) passagem pelo Planalto. Bolsonaro, por sua vez, cumpre 27 anos de reclusão por tentativa de golpe de Estado (não mais na Papudinha, já que simulou toda sorte de comorbidades para ser autorizado a cumprir prisão domiciliar em sua mansão em Brasília — um santo remédio, considerando que desde então não se ouviu dizer que o mandrião quase sufocou com o próprio vômito ou teve crises de soluço).

Depois de concluir seu segundo mandato, o camelô de empreiteiras e fabricante de postes foi alvo de duas dúzias de processos — a maioria por corrupção. Apesar de ter sido condenado a mais de 20 anos de reclusão nos casos do triplex no Guarujá e do sítio em Atibaia (decisões transitadas em julgado no STJ), o molusco eneadáctilo deixou sua cela VIP e voltou ao tabuleiro político-eleitoral na esdrúxula condição de "descondenado" — graças a uma sucessão de decisões teratológicas do STF.

Já a divisão entre "esquerda" e "direita" remonta a 1789, quando o rei Luís XVI convocou os "Estados Gerais" para discutir a crise financeira que assolava a França. O evento se transformou numa Assembleia Nacional Constituinte, na qual os deputados alinhados com o monarca sentavam-se à direita e os que defendiam a limitação do poder real, à esquerda. Em outras palavras, um simples "acidente de localização" fez com que aqueles que apoiam o status quo sejam vistos como "de direita", e os que desejam mudanças, como "de esquerda".

Vale salientar que as correntes de pensamento e ideologias diferentes que preenchem o espaço entre os dois extremos do espectro político-ideológico são tantas quanto os tons de cinza separam o preto do branco na paleta de cores — sendo o branco a soma de todas as cores do espectro visível e o preto, o resultado da ausência da luz.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Dada a incapacidade notória de prever o efeito de seus atos, Jair Bolsonaro & filhos acabam quase sempre prisioneiros da camisa de 11 varas que produzem com o que falam. Ou por outra: a exemplo dos peixes, essa escumalha morre pela boca.

O pater familias  perdeu a reeleição porque passou quatro anos falando e fazendo absurdos sem medir consequências. O primogênito vai pelo mesmo caminho da inconsequência, cujo exemplo mais recente é a tentativa vã de se livrar da jactância do irmão batendo no peito e diante do tarifaço de Donald Trump ao Brasil, dizendo: "Fui eu".

É um fardo que bolsonarinho carregará na campanha a presidente por completa falta de percepção de que aquilo significava um posicionamento contrário aos interesses do Brasil, o que obviamente permitiria ao governo ir ao revide e tirar proveito político/eleitoral.

Da mesma forma não se apagará a imagem do riso de escárnio do primogênito do refugo da escória da humanidade em reação à pergunta do repórter do site The Intercept sobre suas relações com Daniel Vorcaro, horas antes da divulgação do áudio em que pede que o então banqueiro já encalacrado na Justiça pague o restante dos milhões prometidos para financiar o filme "Dark Horse".

Difícil remover a marca do cinismo e da mentira tatuada à própria testa naquela negativa logo desmentida. E como parecer convincente na defesa do Pix, depois de Dudu Bananinha tê-lo comparado ao Zelle americano e dito que poderia ser posto na mesa de negociações com os EUA?

A pauta do combate ao crime encontra obstáculos nas homenagens passadas a milicianos e alianças recentes com a camarilha de políticos fluminenses presos, investigados e/ou inelegíveis. 

Impossível dar o dito pelo não dito, quando não se sabe o que diz, não se mede a relevância das palavras, não se dispõe de tirocínio para antever resultados nem habilidade para administrar as sequelas.

Em contraponto, a madrasta Michelle — Firmo de nascimento e Bolsonaro por adoção — como vimos, tem roteiro bem pensado, frieza e, sobretudo, visão estratégica.


Curiosamente, também entre os planetas há dois esquerdistas (ou "do contra"), que divergem dos outros seis, embora orbitem o Sol no mesmo sentido da rotação solar — herdada do sentido de rotação do movimento angular do disco de gás e poeira formado 4,6 bilhões de anos atrás. Se tomarmos o polo norte visto de cima como referência, o Sol gira no sentido anti-horário, e seis dos planetas também giram em torno do próprio eixo nessa mesma direção — as exceções são Vênus e Urano, que têm “rotação retrógrada”. 

Para Vênus, não existe uma explicação definitiva, apenas hipóteses. Uma delas é que o planeta tenha sofrido uma ou mais colisões catastróficas que alteraram o sentido de sua rotação. Diferentemente da Terra, que ganhou um satélite a partir de sua colisão (a Lua), Vênus teria absorvido a massa desses asteroides e invertido o sentido de sua rotação em função da força do impacto. Outra hipótese, mais fundamentada e apresentada ainda na década de 1980, é que o astro está sendo “puxado” e “empurrado” ao mesmo tempo por duas forças diferentes.

O jeito como Vênus gira hoje é o resultado desse cabo de guerra: por um lado, o Sol o puxa com sua gravidade, criando pequenas deformações no planeta (como marés), que vão desacelerando a rotação e tentando fazê-lo ficar sempre com o mesmo lado voltado para o Sol. Por outro, sua atmosfera extremamente densa, aquecida pelo Sol, cria “ondas” gigantes e gera um tipo de empurrão contínuo que acontece no sentido contrário ao dos outros planetas, daí a rotação retrógrada. Como resultado dessas duas forças, a rotação de nosso vizinho mais próximo é extremamente lenta (um dia venusiano dura mais de 243 dias terrestres) e no sentido oposto da maioria dos planetas.

ObservaçãoA distância média entre a Terra e Marte é de 225 milhões de quilômetros. Dependendo do ponto em que os dois planetas estão em suas órbitas em torno do Sol, essa distância varia de 54,6 milhões a 401 milhões de quilômetros. Vênus fica a cerca de 40 milhões de quilômetros da Terra, e Mercúrio, a 58 milhões. Como essas distâncias mudam conforme o ponto onde cada um está em sua órbita, Vênus pode ficar a 41 milhões de quilômetros da Terra, e Mercúrio, a 57 milhões. Em qualquer caso, Marte estará sempre mais distante.

O segundo caso é menos complexo, mas também ainda não há consenso definitivo. A inclinação axial de Urano (97,77°) faz seu eixo de rotação ficar quase paralelo ao plano orbital. Na prática, o planeta “rola” em torno do Sol (em comparação, a inclinação axial da Terra é de 23,4°). A explicação mais provável (e ainda assim, apenas uma hipótese) é que um grande objeto deve ter colidido e "derrubado o planeta" de lado. Quando isso aconteceu, pedaços de matéria foram ejetados e se acumularam gradualmente, formando as 29 luas que orbitam Urano.

Pesquisas recentes sugerem que Urano pode ter sofrido não apenas um, mas dois impactos massivos no início de sua história, o que explicaria tanto seu ângulo axial extremo como a órbita equatorial de suas luas (elas giram ao redor do planeta no mesmo plano do equador dele, o que é curioso, já que Urano está deitado). Os autores desse estudo argumentam que, se houvesse ocorrido apenas um impacto, as luas de Urano orbitariam em sentido retrógrado — o contrário do que se observa. Segundo alguns modelos, apenas com múltiplos impactos gigantes seria possível explicar por que Urano manteve suas luas se movendo na direção correta.

Enfim, há mistérios que serão desvendados e mistérios que jamais serão conhecidos.

Continua...

sexta-feira, 10 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE ALIENs E OVNIs

A DIFERENÇA ENTRE PREÇO E VALOR É QUE VALOR NÃO TEM PREÇO.


Vimos que o universo observável se estende em todas as direções por 46,6 bilhões de anos-luz (raio de 440 sextilhões de quilômetros). Dada a inexistência de indícios de vida inteligente nos planetas do nosso sistema solar, conclui-se que os avistamentos de OVNIs (ou UFOs, ou ainda UAPs) devem envolver naves provenientes de exoplanetas habitados por seres tecnologicamente mais avançados do que nós.

Na velocidade alcançada pela sonda espacial mais rápida lançada pela NASA até agora — 692 mil km/h ou 0,064% da velocidade da luz) — seria possível ir da Terra à Lua em cerca de meia hora e ao Sol em nove dias, mas uma viagem até o sistema estelar mais próximo do nosso levaria mais de seis mil anos.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Durante um café da manhã com jornalistas, o delegado Andrei Rodrigues, chefe da Polícia Federal, disse que não haverá "moratória" de operações policiais na campanha política. Nas suas palavras, o investigador não pode se deparar com crimes e deixar de cumprir sua obrigação apenas porque está em período eleitoral.

A conjuntura política está assentada sobre o paiol do escândalo do Master. Nele, os favores financeiros de Vorcaro a políticos e autoridades se misturam às facilidades que os favorecidos ofereceram ao mafioso que tinha um banco. Pelo rito processual, os pedidos de prisão e de busca e apreensão da PF estão condicionados apenas ao aval do Supremo. 

O ministro André Mendonça, relator da encrenca, já enviou a PF a residências como a do bolsonarista Ciro Nogueira e a do petista Jaques Wagner. Dias atrás, recebeu do colega Fachin, presidente de plantão da Corte, a incumbência de decidir os rumos de uma investigação sobre os R$ 61 milhões que Bolsonarinho mordeu do dono do Banco Master.

Contra esse pano de fundo, o ventilador ligado da PF adiciona à campanha uma dose de imponderável.


Os avistamentos que não se encaixam nas categorias conhecidas — balões meteorológicos, fenômenos atmosféricos naturais, drones, lixo espacial ou ilusões de óptica — devem ser de naves alienígenas provenientes de exoplanetas. Como o mais próximo fica a 4,2 anos-luz da Terra, esses seres devem dispor de tecnologias capazes de atingir velocidades próximas à da luz (se não superluminais) ou de atravessar atalhos cósmicos — conhecidos como buracos de minhoca — que encurtam o caminho entre dois pontos, seja neste ou em outro universo, seja no presente, no passado ou no futuro.

ObservaçãoOs avistamentos não ocorrem apenas em locais ermos ou predominantemente rurais. Experiências ufológicas — incluindo abduções, em que pessoas são levadas para experimentos no interior das naves — foram relatadas por personalidades nacionais e internacionais (na ufologia, classificadas como "contatos de segundo grau"). Ainda que o formato de disco seja o mais comum, alguns objetos têm forma de charuto, triangular ou piramidal. Os que são capazes de se mover em lagos e oceanos — como os relatados por militares da Marinha de diversos países — são chamados de OSNIs (acrônimo de "Objetos Submarinos Não Identificados").

Para acrescentar alguma cor local a esta postagem, vale lembrar que o Brasil foi o primeiro país do mundo em que as Forças Armadas admitiram a existência de objetos voadores de origem não terrestre. Em 1954, a Aeronáutica disponibilizou cerca de 20 mil páginas de documentos oficiais no Arquivo Nacional, incluindo parte dos registros da Operação Prato, com mais de 500 fotografias e 16 horas de gravações de OVNIs sobrevoando a Amazônia. 

Outros casos icônicos incluem o ET de Varginha, o Caso Trindade e a Noite Oficial dos Discos Voadores. Os registros são os mais variados possíveis e incluem inúmeros relatos de pilotos que avistaram objetos das mais diferentes formas, cores e velocidades em diversas partes do mundo. Em 16 de outubro de 1957, por exemplo, um brasileiro chamado Antônio Villas-Boas avistou uma luz vermelha estranha enquanto lavrava o campo da família. O episódio entrou para a história como o primeiro caso registrado de abdução no Brasil e no mundo, e o relato detalhado, colhido por médicos e investigadores, influenciou décadas de ufologia internacional.

Na madrugada de 8 de fevereiro de 1982, o piloto de um Boeing 727 da VASP avistou um objeto não identificado à esquerda da aeronave quando voava de Fortaleza para o Rio de Janeiro. O evento reuniu o maior número de testemunhas da história da aviação comercial brasileira: 150 pessoas, entre tripulantes e passageiros. Até hoje, a origem do objeto permanece uma incógnita. 

Uma ex-comissária da mesma companhia relatou que a cabine de seu avião foi inundada por uma luz branca intensa durante um voo de São Paulo para Belém, e que o rádio ficou inoperante até o fim do avistamento. No dia seguinte, ela e os demais tripulantes apresentaram queimaduras misteriosas, embora os exames não tenham detectado radioatividade.

Também em 1982, na noite de 6 de março, mais de 23 mil pessoas assistiam ao jogo entre Operário e Vasco no Estádio Pedro Pedrossian, em Campo Grande (MS), quando jogadores e torcida testemunharam um objeto cilíndrico emitindo luzes enquanto sobrevoava silenciosamente o estádio — um dos casos com maior número de testemunhas simultâneas já registrados no mundo.

Na noite de 19 de maio de 1986, o Centro Integrado de Defesa Aérea detectou objetos estranhos nos radares e acionou cinco caças F-5 e Mirage das bases aéreas de Santa Cruz (RJ) e Anápolis (GO) para interceptá-los. Ao todo, foram avistados — e perseguidos — 21 OVNIs; o evento foi visível em quatro estados e durou cerca de três horas.

O caso ganhou nome oficial e motivou uma coletiva de imprensa convocada pelo então ministro da Aeronáutica e cofundador da Embraer, brigadeiro Ozires Silva, que voava a bordo de um bimotor quando surgiram três objetos não identificados sobre São José dos Campos (SP). Um caça da FAB tentou perseguir um deles, mas o objeto acelerou para incríveis Mach 15 (18.375 km/h).

Outros cinco objetos com luzes brancas intermitentes foram avistados sobre o município de Ilha Comprida (SP), realizando movimentos circulares a uma velocidade oito vezes superior à do som — o que descarta a possibilidade de se tratar de balões meteorológicos, satélites, lixo espacial ou qualquer outro fenômeno conhecido.

Em 2007, um piloto da TAM (atual Latam) reportou ao Cindacta que precisou fazer uma manobra evasiva após seu avião se aproximar de um objeto que ele acreditava ser uma estação espacial. O mesmo objeto foi avistado pela tripulação de um avião da (então) Varig, em voo entre Miami e Manaus. Em 2009, a chamada Noite Oficial dos OVNIs recebeu um veredicto notável: a FAB divulgou relatório afirmando que "os fenômenos são sólidos e refletem, de certa forma, inteligência, pela capacidade de acompanhar e manter distância dos observadores, como também de voar em formação". Difícil ignorar.

O Arquivo Nacional divulgou em 2024 alguns dos mais de mil relatos de avistamentos feitos por pilotos no Brasil ao Comae. Somente no ano anterior, cerca de 30 registros foram feitos por pilotos de voos comerciais, a maioria no Sul do país. Em junho daquele ano, um objeto "branco-amarelado voando em alta velocidade" na região de Vitória da Conquista (BA) foi relatado por pelo menos quatro aeronaves.

No mês seguinte, dois pilotos que faziam a rota São Paulo–Cuiabá relataram um OVNI que se "deslocava lateralmente e acendia sua luz rapidamente, apagando-a por diversas vezes, durante 10 a 15 minutos". Em Pernambuco, outro piloto reportou "tráfego deslocando-se da esquerda para a direita em relação à sua posição, emitindo luzes brancas e vermelhas", mas o objeto não foi detectado pelo radar.

Em 2017, o tema dos OVNIs voltou ao centro do debate quando o New York Times noticiou a existência de um programa secreto apoiado pelo ex-líder da maioria no Senado americano, Harry Reid — eleito pelo estado de Nevada, onde fica a Área 51 — para investigar esses fenômenos. Depois que o jornal e uma organização chamada To the Stars Academy of Arts & Science divulgaram três vídeos com encontros inexplicáveis envolvendo naves supostamente alienígenas, o Pentágono passou a reconhecer tais incidentes, embora se recuse a especular sobre suas origens.

O ex-piloto da Marinha americana Ryan Graves fundou a organização Americans for Safe Aerospace para encorajar pilotos a relatarem incidentes com OVNIs. Em depoimento ao Congresso, ele e o major aposentado David Fravor revelaram vários avistamentos ocorridos durante suas carreiras militares. Já o ex-oficial de inteligência da Força Aérea David Grusch acusou o governo de encobrir suas investigações e afirmou que a tecnologia envolvida vai muito além de qualquer criação humana.

Continua…

quinta-feira, 9 de julho de 2026

HÁ ALGO DE PODRE NO REINO DOS BOLSONAROS

FALAR EM POLÍTICA NO BRASIL, ULTIMAMENTE, É COMO PISAR NA MERDA.

Se Shakespeare exagerasse um pouco no vinho, talvez escrevesse um dramalhão parecido com o que a família Bolsonaro ora protagoniza para todo o Brasil.

Há de tudo ali: intrigas entre madrasta e enteados, o patriarca que não pode falar por si, conspiradores que instigam a cizânia e, sobretudo, a sede irrefreável de poder.

Seria divertido, se fosse apenas uma peça de teatro. Mas não: a exposição pública das vísceras da família Bolsonaro, por meio de um vídeo publicado pela ex-primeira-dama com duras críticas ao enteado e pré-candidato à Presidência, é uma pequena amostra da natureza degenerada do clã que tem chances consideráveis de voltar a governar o Brasil.


Essa novela só interessa aos brasileiros na medida em que abre uma fresta para testemunhar o projeto político de uma família que fez da via eleitoral um atalho para a dolce vita.


Desde que Jair Bolsonaro deixou o Exército – depois de ser punido por insubordinação e acusado de envolvimento num plano para explodir unidades militares –, migrou com sucesso para a política e construiu com os filhos algo que muito apropriadamente pode ser chamado de uma empresa familiar voltada à conquista e à manutenção do poder no seio da própria família. Mas não para implementar um projeto de desenvolvimento do Brasil, e sim para que todos, sobretudo o patriarca, pudessem viver à custa do Estado.


O bolsonarismo nunca foi uma visão de país, que dirá uma plataforma de governo. É uma máquina de mobilização emocional de setores da sociedade construída sobre ressentimentos e a irresignação com as conquistas civilizatórias da Constituição de 1988. Nesse balaio de rancores e teorias da conspiração, entram o reacionarismo travestido de “conservadorismo de costumes”, a desconfiança nas instituições republicanas, o desdém pelo conhecimento, a hostilidade ao diálogo e o antipetismo, donde vem sua força eleitoral.


Sem o nome do patriarca nas urnas, o que resta é essa briga interna por seu espólio político. A mulher, uma espécie de Lady Macbeth da Casa de Bolsonaro, dá sinais de querer trilhar uma carreira política autônoma, ainda que negue publicamente essa intenção. O primogênito do marido é pré-candidato à Presidência da República, e o restante da prole tem suas próprias pretensões eleitorais. Cada um se ocupa de seus interesses particulares, e o Brasil, claro, não entra nessa equação.


Nenhum dos protagonistas desse reality show perde tempo ou tem competência para discutir assuntos que considera menores, como a carestia, o descontrole das contas públicas, a baixa produtividade, o desalento entre os jovens, as deficiências da educação básica e a violência urbana. Seria pedir demais. Afinal, a família Bolsonaro nunca se preocupou com nada disso. Sempre foi mais fácil apontar o inimigo – o PT, a imprensa profissional, o Supremo e o comunismo internacional, entre outros fantasmas – do que propor soluções para problemas reais sobejamente conhecidos, que exigem competência técnica, habilidade política, respeito por adversários e, acima de tudo, interesse genuíno no bem comum.


O bolsonarismo só sobrevive porque o antipetismo é uma força real e legítima na sociedade brasileira, e Bolsonaro soube como nenhum outro político se apresentar como o candidato anti-Lula. Mas, no que concerne aos interesses do Brasil, isso não basta. Apresentar-se como a nêmesis do petista não é um plano de governo. É, quando muito, uma eficiente estratégia eleitoral.


Lady Michelle fez um grande favor ao Brasil ao gravar e divulgar seu depoimento a respeito do enteado, dando aos eleitores conservadores a chance de ver com os próprios olhos a matéria prima do bolsonarismo original. Quem sabe os estimule, finalmente, a procurar alternativas que estejam genuinamente interessadas em governar o Brasil com bom senso e dignidade – qualidades estranhas a Jair Bolsonaro e sua grei.


Com ESTADÃO


SOBRE A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 9 DE JUHO


Para não dizer que não falei das flores, hoje os paulistas comemoram o nonagésimo quarto aniversário da revolução constitucionalista de 1932. Para quem não se lembra das aulas de história, voltemos no tempo até 1926, quando Washington Luís enfrentava a crise internacional de 1929 e a resistência de militares de ideais nacionalistas.
As revoltas tenentistas no RS, em 1923, e em SP, em 1924, somadas à insatisfação de parte das oligarquias com a candidatura e posterior eleição de Júlio Prestes, levaram à sua deposição. E assim, mais um golpe militar empurrou a Velha República para a cova.
Prestes havia vencido Getúlio Vargas num pleito marcado por denúncias de fraude e rachas entre as oligarquias. Em julho de 1930, os ânimos se acirraram ainda mais com o assassinato de João Pessoa, que havia sido candidato a vice na chapa de Vargas.
Em outubro, os militares depuseram Washington Luís e abriram caminho para a ascensão de Getúlio Vargas ao poder. O presidente deposto foi levado preso do Palácio do Catete ao Forte de Copacabana um mês antes da data em que passaria o cargo a Prestes — que nem chegou a ocupá-lo: uma junta militar assumiu o poder em 24 e passou-o a Vargas em 03 de novembro, dando início ao "governo provisório".
Os primeiros anos da Era Vargas foram marcados pelo clima de tensão entre as oligarquias e os militares, principalmente no estado de São Paulo, levando à Revolução Constitucionalista de 1932. Para os que faltaram às aulas de história, a Revolução de 32 não foi essencialmente um movimento separatista, e sim constitucionalista, já que exigia uma nova Carta Magna. Mas foi o maior confronto armado do século XX no Brasil, mobilizando 100 mil homens e mulheres (entre tropas paulistas e federais) e resultando em quase 800 mortes (número superior ao das baixas contabilizadas durante a participação do Brasil na Segunda Grande Guerra).
Em última análise, tudo começou quando Getúlio Dornelles Vargas, derrotado nas urnas e apoiado por militares e pelas oligarquias dissidentes de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, tomou o poder pela força. Apoiado pelos mineiros, gaúchos e paraibanos, o tiranete usurpou para si a presidência desta Banânia. Até o início da “Era Vargas”, o Brasil era regido pela “política do café com leite”, assim chamada porque as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais se revezavam na presidência do País. Ao tomar o poder, o tiranete de São Borja dissolveu os congressos estaduais e municipais e nomeou interventores nos estados, o que desagradou a elite paulista.
Vale frisar que São Paulo concentrava a produção cafeeira, responsável pela maior parte do orçamento do País, e os grandes fazendeiros não viram com bons olhos a legislação trabalhista articulada por Vagas, a quem atribuíam a pecha de “comunista”. Com o getulismo, as relações entre São Paulo e o governo federal se tornaram cada vez mais tensas e marcadas pela insatisfação dos paulistas, que não só se viram obrigados a “engolir” os interventores, mas também perderam o controle sobre as decisões referentes à política econômica — o que afrontou os cafeicultores. Mas o acirramento atingiu seu ápice com a nomeação de um interventor, que deveria ser civil e paulista, segundo as exigências das forças políticas agregadas na Frente Única.
No dia 23 de maio (que hoje dá nome a uma das principais avenidas de Sampa), quando seria anunciado o secretariado de Pedro de Toledo (que empresta o nome a uma rua e um viaduto aqui na capital), formou-se um monumental comício na Praça do Patriarca, e uma parte dessa multidão, inflamada, dirigiu-se ao Palácio dos Campos Elísios, onde seria feito o anúncio. Na confusão, jornais getulistas foram atacados e o tumulto resultou na morte de 13 pessoas, além de muitos feridos. Entre os mortos estavam os estudantes Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo, alçados à condição de símbolos do movimento por meio da sigla “MMDC” (que os menos informados tomam pela representação do número 2.600 em algarismos romanos).
A revolução eclodiu na noite de 9 de julho e terminou a 1º de outubro, com a rendição dos paulistas. Nesse interregno, centenas de combatentes se alistaram, indústrias se mobilizaram para oferecer armamentos e a população se uniu na chamada campanha do Ouro para o Bem de São Paulo. Numa tentativa de aproximação com a elite local, Vargas nomeou o paulista Armando de Sales Oliveira — engenheiro, empresário e cunhado de Júlio de Mesquita Filho, herdeiro do fundador do jornal O Estado de S. Paulo — para a chefia do governo da "locomotiva do Brasil". O tão falado viés separatista foi secundário, mas nem por isso deixou de existir: figuras proeminentes como Monteiro Lobato, Alfredo Ellis Júnior e Tácito de Almeida, eram separatistas. Assim, visando obter p apoio de outros estados para combater a revolução, Vargas classificou o movimento de separatista.
Desde 1822, quando o Brasil se libertou do jugo português, vez por outra surgem movimentos separatistas aqui e acolá. Segundo o site do Movimento São Paulo Livre — que luta por tornar o estado uma unidade independente —, existem documentos que comprovam que o rei de Portugal era alertado para vigiar de perto os paulistas, devido a seu “excessivo amor à liberdade”.
Ainda existem grupos que visam separar seus estados ou regiões dos demais, e alguns pontos em comum os levam a se unir pela mesma causa, qual seja lutar pela independência regional ou estadual, hoje proibida por cláusula pétrea Constituição Federal. Movimentos separatistas de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Roraima, Paraná e Rio Grande do Sul formaram em 2016 uma Aliança Nacional visando mudar a Constituição e permitir a independência. Em junho do ano seguinte, nove desses grupos publicaram o Manifesto dos Movimentos Independentistas do Brasil, assinado por representantes de entidades que defendem a separação das regiões Sul, Nordeste e Norte e os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.