quinta-feira, 2 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 91ª PARTE

A VIDA ETERNA NÃO PASSA DE UM CONTO DE FADAS PARA CONSOLAR QUEM TEM MEDO DO ESCURO.

O princípio segundo o qual nada vem do nada é intuitivo, mas nem sempre se aplica a escalas cosmológicas ou quânticas. A própria física quântica é um cipoal de fenômenos contraintuitivos — como partículas surgindo do vácuo quântico — e a singularidade só pode ser explicada por uma teoria capaz de conciliá-la com a gravidade.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Depois de incontáveis debates, polêmicas e intensos lobbies, o Supremo estabeleceu novos critérios para os chamados penduricalhos a juízes e integrantes do Ministério Público. Na prática, a soma das verbas pode elevar a remuneração em até R$ 32.456,32 além do salário mensal e chegar a 70% do teto.

Os juízes brasileiros recebem, em média, mais do que seus pares em países do primeiro mundo e concluiu que todos os estratos de renda — do início ao topo da carreira — são mais elevados por aqui. Segundo estudo da Transparência Brasil, 98% dos magistrados analisados tiveram rendimentos acima do teto constitucional em 2025 — dos cerca de 15 mil contracheques, mais de 13 mil eram R$ 100 mil acima do teto e em quase 4 mil os valores extrateto ultrapassaram R$ 1 milhão no acumulado anual.

Como diria Boris Casoy, "É UMA VERGONHA".


Uma das primeiras versões da Teoria das Cordas — a solução matemática mais elegante criada até agora para esclarecer questões nebulosas como essa — pressupunha a existência de 26 dimensões, mas não explicava a matéria bariônica, apenas os bósons. Outras versões posteriores desaguaram na Teoria M, que apresenta conceitos como supercordas e supersimetria e reduz o número de dimensões para onze — sete além das três espaciais e uma temporal que já conhecemos.


O problema é que essas hipotéticas dimensões adicionais devem ser tão pequenas que os aceleradores de partículas atuais não conseguem comprovar sua existência experimentalmente. Isso seria possível reduzindo-se a distância entre duas partículas ao comprimento de Planck (cerca de um bilionésimo de um bilionésimo de um bilionésimo de metro), mas nem o Grande Colisor de Hádrons (LHC) consegue medir forças atrativas ou repulsivas em distâncias inferiores ao diâmetro de um próton (8,33 x 10⁻¹⁶ m). 


Se desvios (vazamentos) no comportamento esperado da força eletromagnética nos experimentos já realizados tivessem sido constatados o LHC os detectaria. No entanto, os resultados foram os mesmos previstos pelo Modelo Cosmológico Padrão, que dispensa dimensões extras para explicá-los. Talvez a história fosse outro se os testes fossem feitos em escalas de 10⁻¹⁹ m até o número de Planck, mas isso exigiria uma quantidade de energia muito superior à dos aceleradores de partículas atuais. 


Além de funcionar lindamente na matemática, a Teoria das Cordas explica a gravidade quântica num cenário que os cientistas chamam de universo holográfico, onde a própria ação da gravidade poderia gerar as demais forças naturais. Como ainda não há evidências da existência de outras dimensões além das que conhecemos, os pesquisadores vêm buscando respostas em hipóteses mais fáceis de testar, como a Teoria de Tudo.

Quando dizemos que tudo veio do nada, precisamos ter em mente que, na cosmologia, “nada” pode significar ausência de matéria, de espaço-tempo, ou mesmo um vácuo quântico repleto de flutuações. Mas mesmo no vácuo existem flutuações de energia que podem dar origem a partículas que aparecem e desaparecem logo em seguida. Embora isso pareça uma simples abstração matemática tais partículas já foram detectadas em inúmeros experimentos.

 

Alguns físicos acreditam que o Universo surgiu de uma flutuação do vácuo em que a energia positiva da matéria foi cancelada pela energia negativa da gravidade. Outros — entre os quais Stephen Hawking — sustentam que o surgimento espontâneo do Universo é possível dentro da física quântica, mesmo que num campo altamente especulativo.


Era de Planck — o instante mais primitivo do universo, 10−4310^{-43} 10−43 segundos após o Big Bang — marca o ponto onde toda a física conhecida entra em colapso. Nessa escala extrema, a relatividade geral, que descreve a gravidade como a curvatura suave e contínua do espaço-tempo, colide frontalmente com a mecânica quântica, que impõe flutuações inevitáveis e uma natureza discreta à realidade. O próprio espaço-tempo passa a "espumar", tornando conceitos como antes, depois e causalidade desprovidos de sentido.

A dificuldade em unificar essas duas teorias — cada uma extraordinariamente precisa no seu domínio — é tanto matemática quanto conceitual. Quantizar a gravidade pelos métodos convencionais produz infinitos irremovíveis, e as candidatas à chamada Teoria de Tudo, como a Teoria das Cordas e a Gravidade Quântica em Loop, ainda carecem de verificação experimental. O que torna o problema ainda mais profundo é a possibilidade de que espaço e tempo não sejam fundamentais, mas propriedades emergentes de algo mais básico — e que a grande teoria unificadora não una a física que conhecemos, mas dissolva as próprias categorias com que a pensamos.

O que essas teorias ensaiam, cada uma à sua maneira, é algo ainda mais desconcertante: o espaço e o tempo talvez não sejam o palco da realidade, mas sim o seu produto — propriedades emergentes de processos quânticos mais primitivos, sem nome e sem analogia no mundo que conhecemos. Se isso estiver correto, a Teoria de Tudo não seria uma equação que descreve o universo, mas uma linguagem inteiramente nova, capaz de falar sobre aquilo que existe antes mesmo de existir um "onde" ou um "quando".

  

A gravidade quântica descreve um tipo de realidade física que seria uma espécie de precursor quântico do espaço e do tempo, mas a física ainda não encontrou um exemplo confirmado de algo que surgiu literalmente do nada. A procura por esse santo graal deu azo a explicações sobrenaturais, a modelos cíclicos do Universo e à Teoria do Multiverso, segundo a qual infinitos universos, cada qual com suas próprias leis, coexistem uns com os outros.


Inspirado por uma conexão matemática curiosa entre um universo inicial quente e denso e um universo final frio e vazio, o físico Roger Penrose postulou a chamada cosmologia cíclica conformada, na qual os estados iniciais e finais se tornam matematicamente idênticos quando levados aos seus limites. Isso significa que o Big Bang pode ter surgido de um "quase nada" — mais exatamente do resquício de um universo anterior onde toda a matéria foi tragada por buracos negros e transformada em fótons dispersos num imenso vazio.


Para resolver esse paradoxo — já que esse "nada" ainda seria um tipo de "algo", como um universo físico desprovido de estrutura, e o estado frio e vazio, o mesmo estado quente e denso visto sob outra perspectiva — a solução, segundo Penrose, seria uma transformação geométrica que altere o tamanho e mantenha a forma. Como tanto o conceito de tamanho como o próprio tempo deixam de fazer sentido em estados extremos, o estado frio e vazio existiria eternamente numa linha do tempo própria, enquanto o estado quente e denso habitaria uma nova linha temporal. 


Mesmo que essa hipótese se comprove no futuro, a pergunta filosófica permanece: de onde veio a própria realidade física? De ciclos infinitos, cada um gerando o próximo com variações quânticas aleatórias, ou de um único ciclo repetido eternamente como um universo que retorna sempre ao mesmo ponto e reproduz a si mesmo?

 

Penrose sugere que cada ciclo do universo é único — o que abriria a possibilidade de detectarmos vestígios do ciclo anterior na radiação cósmica de fundo que observamos hoje. Ele afirma ter encontrado essas marcas nos dados coletados pela sonda espacial Planck, que mapeou com alta precisão essa radiação remanescente do Big Bang, e que certos padrões circulares identificados nos mapas seriam ecos de buracos negros supermassivos que existiram no ciclo anterior. Mas essas conclusões ainda são alvo de intenso debate entre os físicos.


Há, naturalmente, uma dimensão que escapa à física — e que talvez só a linguagem do mito consiga tocar. A ideia de um universo que nasce, se expande, se apaga e renasce carrega uma ressonância que antecede qualquer equação. Na mitologia nórdica, Jörmungandr, a serpente filha de Loki, morde a própria cauda — e esse gesto circular não sustenta apenas o equilíbrio do mundo, mas figura algo que a cosmologia moderna redescobre à sua maneira: que o tempo talvez não tenha começo nem fim, apenas dobras. Se o universo é de fato um loop eterno, então toda pergunta sobre a origem se transforma numa outra — e talvez mais vertiginosa — sobre o retorno.


A pergunta "de onde viemos?" é mais antiga do que imaginamos. As teorias são muitas, mas todas nos levam de volta ao ponto de partida. À luz da física clássica, o que havia “antes” do Big Bang — e, consequentemente, antes do advento do tempo — é nada. Vale destacar que, apesar do que o nome sugere, o Big Bang não foi uma grande explosão, e sim a expansão do próprio espaço-tempo. E se o tempo é uma das dimensões do Universo, falar “antes do tempo” é como falar no norte do Polo Norte — como bem salientou Stephen Hawking


Assim como não há latitude maior que 90 graus norte, não existe um “antes” do Big Bang, mesmo porque “antes” é um termo temporal, e tanto o tempo quanto o espaço nasceram com o Big Bang. Uma solução elegante proposta pelo próprio Hawking é a da fronteira sem fronteira — um modelo de tempo imaginário no qual o Universo seria como a superfície da Terra: finito, mas sem uma borda nem uma singularidade inicial. Se o tempo simplesmente se curva e emerge suavemente, não há que falar em um “antes” do momento zero. 


Resumo da ópera: Perguntar o que havia antes do Big Bang é tentar estender um conceito (tempo) para um domínio onde ele simplesmente não existe. Em outras palavras, seria o mesmo que perguntar qual é a cor do número 7. Mas isso não muda o fato de que algumas perguntas que parecem sem sentido no presente acabam fazendo sentido depois que a física avança. 


Continua…

quarta-feira, 1 de abril de 2026

GOOGLE LIBERA FUNÇÃO PREMIUM DO GEMINI

FELICIDADE SÓ SE ACHA EM MOMENTOS DE DESCUIDO.


O Google ampliou o acesso à Personal Intelligence — sua IA voltada a oferecer uma experiência mais customizada — a usuários gratuitos do Gemini no aplicativo, no Chrome e no Modo IA.


A ferramenta se destaca pelas respostas mais relevantes que fornece por levar em conta detalhes das preferências de texto, fotos e vídeos sem que o usuário precise especificar isso no prompt.


Entre as tarefas realizadas pela novidade estão a solução de problemas técnicos de produtos — mesmo que a pessoa não lembre qual comprou —, o gerenciamento de agendas apertadas, a criação de roteiros de viagem personalizados e a descoberta de um novo hobby conforme os seus interesses. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Durante a ditadura, a direita era mais organizada. Qualquer um podia ser presidente da República, desde que tivesse quatro estrelas. Excluindo-se os hotéis, restavam os generais. Hoje, a patente é desnecessária. Mas Ronaldo Caiado achou que seria uma boa ideia se apresentar ao eleitor como vinho da safra do capitão-golpista, e na véspera do aniversário de 62 anos do golpe militar de 64, expôs sua prioridade: "Meu primeiro ato será a anistia ampla, geral e irrestrita". Associou o perdão de Bolsonaro e seus comparsas à tese da pacificação. Teve a má ideia de vincular o gesto a Juscelino Kubitschek.

JK anistiou oficiais da Aeronáutica e do Exército que tentaram impedir a sua posse ou derrubar o seu governo. No golpe de 1964, oficiais perdoados se vincularam à deposição de João Goulart — e Juscelino foi um dos primeiros políticos a ter os direitos cassados.

Caiado inaugurou uma despolarização criativa. Bateu mais num polo do que no outro. Para Lula, pancadaria. Para o filhote do capitão, insinuações vagas. Questionado se Bobi Filho seria o alvo de suas referências à inexperiência, evitou dar nome à imperícia. "Meu pai disse que não se aprende a governar sentado na cadeira de presidente", limitou-se a dizer.

Para desafiar Lula, Caiado precisa ultrapassar Flávio. Surfando duas ondas — a impopularidade do governo petista e a fragilidade do arranjo familiar do bolsonarismo —, tenta beliscar votos na direita e no centro como uma espécie de Frankenstein ideológico. Não se deu conta de que o surfe só funciona no mar. Na política, além de não conduzirem ao segundo turno, as manobras do surfista morrem na praia.


Inicialmente, a Personal Intelligence estará disponível para todos os usuários do Modo IA nos Estados Unidos, e no Gemini, pelo aplicativo dedicado. No Chrome, a liberação será gradual. Por enquanto, a empresa ainda não confirmou quando o recurso será disponibilizado para usuários de outros países, como o Brasil (clique aqui para mais detalhes).


Para aproveitar a ferramenta — quando ela aparecer no menu, naturalmente — basta ter uma conta pessoal no Google

terça-feira, 31 de março de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 90ª PARTE

IMPERFEIÇÃO É BELEZA, LOUCURA É GENIO. ANTES SER RIDÍCULO DO QUE ABORRECIDO.  

A chave para as viagens no tempo pode ser os buracos de minhoca, as cordas cósmicas, os loops temporais, o multiverso ou a teoria dos muitos mundos, entre outros.

Os buracos de minhoca são "atalhos" que conectam pontos diferentes no espaço-tempo, neste ou em outro universo, no presente ou em outro ponto da linha do tempo, permitindo viajar entre eles quase instantaneamente.

As cordas cósmicas são hipotéticas linhas unidimensionais de energia que teriam se formado durante a fase de criação do Universo. A interação entre duas cordas cósmicas poderia criar campos de tempo distorcido que permitiria contornar as limitações da relatividade no tocante às viagens temporais. 


Os loops temporais são conceitos físicos nos quais o tempo é fechado sobre si mesmo, podendo ser associados às curvas temporais fechadas (CTCs) — previstas como soluções matematicamente válidas da relatividade, mas altamente especulativas à luz da física clássica. Nesse caso, o espaço-tempo se curva de tal maneira que um viajante retornaria ao próprio passado e reviveria a mesma sequência de eventos até conseguir alterar o curso das coisas ou mudar sua própria compreensão da realidade. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Após cinco pedidos formulados pela defesa, Moraes, escorado em razões médicas mas impulsionado por fatores políticos, concedeu a Bolsonaro a prisão domiciliar por 90 dias. Ao atribuir esse caráter "temporário", o ministro proporcionou alívio momentâneo ao condenado — e a si mesmo — num instante em que a PF transferiu Daniel Vorcaro para da cela convencional para a sala VIP que abrigava o "mito" antes de sua transferência para a Papudinha. Nas próximas semanas, saberemos se o ex-banqueiro incluirá em seu acordo de delação premiada suas conexões no Supremo, arrastando para o miolo do escândalo o próprio Moraes, Toffoli e Nunes Marques.

O desdobramento do caso compõe o pano de fundo do futuro prisional de Bolsonaro. Para preservar a fama de "xerife" combalida pelos fatos, Xandão cercou o preso de medidas cautelares.

Em seu despacho, o ministro mencionou a necessidade de proteger o "mico" do risco de sepse e de "infecções, além de vincular as visitas a Michelle e a outros moradores da casa a uma autorização prévia. Na prática, sua excelência se livrou da pecha de algoz de um preso debilitado, inibiu o discurso bolsonarista da vitimização e, de quebra, proibiu o "imbrochável" de transferir para sua luxuosa residência o comitê eleitoral que funcionava a todo vapor na Papudinha. 

Em 90 dias, Moraes poderá recolher da conjuntura razões para optar entre o rigor médico e a flexibilização política. Façam suas apostas.


A teoria do multiverso sugere que existem inúmeros universos além do nosso, cada um com suas próprias realidades e possibilidades. Assim, alguém que viajasse para o passado não retornaria ao seu próprio universo, mas a um universo alternativo, com uma realidade paralela e suas próprias regras do tempo.


A teoria dos muitos mundos sugere que cada decisão ou evento quântico cria uma ramificação do Universo que representa uma realidade distinta. Isso significa que um viajante poderia interagir com versões alternativas de eventos e criar novas linhas do tempo sem alterar a original.


Questionado sobre o que havia antes do Big Bang, Stephen Hawking respondeu que essa indagação fazia tanto sentido quanto perguntar o que existe ao norte do Polo Norte. Se o próprio tempo começou com o Big Bang, não há que falar em “antes”, pois espaço e tempo formam uma estrutura única desde a singularidade inicial.


Para montar esse quebra-cabeça é preciso entender que o Big Bang não foi uma explosão que aconteceu em algum lugar. Não houve um “ponto no espaço” estourando, mas o espaço inteiro começando a se expandir. Tempo, espaço, energia, matéria — tudo veio no mesmo pacote inicial. Assim, não há que falar em "antes" disso, já que o próprio significado da palavra "ontem" depende da existência do tempo.


A metáfora do Polo Norte é um exemplo em que a lógica dá nó no cérebro, mas fica mais fácil de entender se considerarmos que Hawking propôs um universo sem "ponto inicial" nem "singularidade infinita". Segundo ele, o tempo no começo do cosmos se comportaria como a latitude perto dos polos, diminuindo gradualmente até um limite geométrico, e não até uma trinca na realidade onde tudo descamba para o infinito. Nesse contexto, o tempo não começa; ele simplesmente se curva.


Talvez alguém ainda surja com uma teoria da gravidade quântica em que o antes do Big Bang deixe de ser uma impossibilidade conceitual e se torne um campo legítimo de investigação. Até lá, não existe nada ao norte do Polo Norte nem ao sul do Polo Sul, mas a física não seria física se não oferecesse meia dúzia de modelos alternativos no reino das hipóteses, onde tudo é possível e nada é comprovado. Se nos balizarmos pelo modelo padrão, que realmente tem evidências robustas, perguntar o que havia antes não faz sentido, já que o tempo e o universo nasceram ao mesmo tempo (se me concedem o trocadilho).


Mas, de novo, vale lembrar que várias perguntas começaram absurdas e terminaram inaugurando novas áreas da ciência. Dito isso, a questão não é descabida, apenas prematura, de modo que convém deixar a porta aberta. Vai que o futuro da física resolve surpreender.


Continua…