quarta-feira, 17 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — OS DEZ (OU QUINZE?) MANDAMENTOS

PER ASPERA AD ASTRA.

O fato de a Bíblia ser uma compilação de lendas e relatos fantásticos não diminui sua influência — mas não devemos confundir mitos com evidências factuais.


O literalismo religioso leva à aceitação de dogmas e crenças arcaicas em detrimento de descobertas científicas, o que dá razão, cada qual à sua maneira, a dois iconoclastas do século XX: a Einstein, que teria afirmado não ter certeza sobre a infinitude do universo, mas estar convicto da infinitude da estupidez humana; e a Saramago, cujo romance premiado com o Nobel sugere que o pior tipo de cegueira é a mental.


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Daniel Vorcaro foi tirado do isolamento do presídio federal de Brasília no pressuposto de que colaboraria com a Justiça, mas suas duas propostas de delação foram rejeitadas. 

Instado a decidir onde vai enfiar o preso, o relator da encrenca, ministro André Mendonça, terá que desagradar a alguém, pois ninguém quer hospedar o ex-banqueiro em Brasília.

No momento, Vorcaro está trancado numa sala especial da Superintendência da PF em Brasília — mesma em que ficou Bolsonaro —, mas a PF requisitou sua transferência para uma cela comum. Ele poderia ser devolvido ao presídio federal, mas seus gestores alegam que a unidade foi concebida para isolar chefes de facções criminosas, não presos temporários.

Chamado de Papudinha, o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF seria uma alternativa, mas ele abriga o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, subornado por Vorcaro, que negocia um acordo de delação, e o comando do presídio alega informalmente que não consegue garantir a ausência de contato entre corrupto e corrompido.

André Mendonça percebe que tirar gênios da garrafa é mais fácil do que colocá-los de volta. No limite, pode manter Vorcaro sob os cuidados da PF, autorizando a realocação do preso numa cela convencional, no mesmo prédio. Só não faria sentido enviar o ex-quase-futuro-delator para a prisão domiciliar, como deseja a defesa.

A conferir.


O conhecimento é uma ferramenta e, como tal, seu impacto está nas mãos do usuário. Experimentos heterodoxos — parte deles publicados em periódicos revisados por pares, parte ignorados pelo establishment científico — sugerem que o crescimento de plantas, o comportamento de animais em cativeiro e até processos celulares podem responder à presença e à intenção humanas de maneiras que nossos modelos ainda não explicam satisfatoriamente.


Se o mantra "a mente domina a matéria" é mais do que uma frase de efeito extraída dos livros de autoajuda é uma questão em aberto — sobretudo quando a física quântica demonstra que, no mundo subatômico, a simples intenção de observar uma partícula altera seu comportamento. Se esse princípio opera apenas na escala do elétron ou ressoa em níveis maiores da realidade é algo que a ciência ainda não comprovou.


Controlar o "verdadeiro poder do pensamento" exige treinamento, e a história sugere que pouquíssimos indivíduos se tornaram verdadeiros mestres nisso — e esse pode ser o elo perdido entre a ciência moderna e o misticismo antigo. A história abençoou a humanidade com Buda, Jesus, Maomé e outras mentes profundamente iluminadas, cuja compreensão dos mistérios espirituais e intelectuais pode superar muito do que hoje chamamos de entendimento. No entanto, os livros mais estudados do mundo são justamente os menos compreendidos.


Einstein e Hawking foram gênios modernos reverenciados por seus pares, mas quase ninguém lê Ptolomeu, Pitágoras e Arquimedes — apesar de seu conhecimento científico ser impressionante. Os antigos egípcios dominavam na prática princípios que a ciência ocidental levaria milênios para formalizar — como se o conhecimento fosse uma roda que a humanidade insiste em reinventar. E o trabalho dos primeiros alquimistas era suficientemente sofisticado para ser considerado precursor do que hoje chamamos de química.


Toda cultura tem seu próprio livro sagrado — para os cristãos, a Palavra é a Bíblia; para os muçulmanos, o Alcorão; para os judeus, a Torá; e assim por diante. No fundo, todos guardam estruturas semelhantes e sobreviveram a tantas turbulências ao longo de milênios graças a suas alegorias, simbolismos e parábolas — que escondem, segundo seus intérpretes mais atentos, um vasto acervo de conhecimentos até hoje incompreendidos, já que a linguagem usada pelos profetas para compartilhar seus segredos seria deliberadamente cifrada.


O que hoje chamamos de Bíblia — mais especificamente o Novo Testamento — consolidou quatro evangelhos canônicos: os de Mateus, Marcos, Lucas e João. Mas isso está longe de ser o quadro completo. Nos primeiros séculos do cristianismo, circularam dezenas de evangelhos apócrifos — entre os quais os de Tomé, Filipe, Maria Madalena e Judas. Em outras palavras, o cristianismo primitivo era mais plural do que a versão "oficial" que chegou até nós.


O Evangelho segundo Marcos diz: "A vós é dado saber os mistérios… mas… todas essas coisas se dizem por parábolas." Os Provérbios advertem que as palavras dos sábios são "enigmas". O Evangelho de João anuncia: "Falarei em parábolas… e direi coisas ocultas", enquanto Coríntios afirma que as parábolas têm duas camadas de significado.


Não por acaso, os monges cristãos estudaram incansavelmente as Escrituras, e os místicos e cabalistas judeus se debruçaram sobre o Velho Testamento durante séculos. O matemático, físico, astrônomo, alquimista e teólogo Isaac Newton — descrito por seus contemporâneos como um "filósofo natural" — escreveu mais de um milhão de palavras na tentativa de decifrar o verdadeiro significado das Escrituras.


Sir Francis Baconque era rosa-cruz e escreveu A Sabedoria dos Antigos — esteve envolvido no projeto da Bíblia King James em que medida exatamente, os historiadores ainda debatem, mas ficou tão convencido de que as Escrituras continham um significado cifrado que criou seus próprios códigos, estudados até hoje. Até mesmo o poeta iconoclasta William Blake sugeriu em seus versos que devemos ler nas entrelinhas: "Nós dois lemos a Bíblia dia e noite, mas tu lês negro onde eu leio branco."


Ao contrário das tábuas com os mandamentos, a formação do cânon não caiu do céu: foi um longo processo que envolveu debates teológicos, disputas políticas e interesses institucionais. Segundo o Êxodo 19–20 e 31–34, o Deus do Velho Testamento entregou a Moisés duas tábuas de pedra com os dez mandamentos. Mas uma anedota clássica do humor judaico, encenada por Mel Brooks no filme History of the World, Part I (1981), condensa com ironia cirúrgica toda a arbitrariedade desse processo: Moisés desce do Monte Sinai carregando três tábuas e anuncia solenemente: "O Senhor, Deus de Israel, deu-vos estes quinze..." — e aí uma das tábuas escorrega e se despedaça no chão — "...dez mandamentos!"

O texto bíblico alimenta essa imaginação porque narra de fato a quebra das tábuas: quando Moisés desce o monte e encontra o povo adorando o Bezerro de Ouro, ele as arremessa com raiva (Êxodo 32:19). Depois, Deus manda esculpir um segundo par (Êxodo 34), que seria a versão guardada na Arca da Aliança.


Ou seja, há de fato duas versões das tábuas na narrativa bíblica — o que torna a piada de Brooks ainda mais inteligente, pois brinca com um elemento que já está no texto original. Continua…

terça-feira, 16 de junho de 2026

OS DINOSSAUROS, A RAINHA ELIZABETH II E A LONGEVIDADE

O IMPOSSÍVEL É UMA POSSIBILIDADE QUE AINDA NÃO SE CONFIRMOU.

Baseados nas previsões do astrólogo francês Michel de Nostradamus, os arautos da desgraça trombetearam que o mundo acabaria na virada do primeiro para o segundo milênio. Como não acabou, reagendaram o Armagedom para 21/12/2012  que foi outro furo n'água. Inconformados com o fiasco, disseram que o terremoto que abalou o Japão no início de 2024 foi um presságio da calamidade que ainda está por vir (talvez se referindo às eleições de outubro). 


Seja como for, algumas coincidências curiosas chamam a atenção. Cito o exemplo do peixe-remo gigante  também conhecido como peixe do fim do mundo — encontrado por mergulhadores taiwaneses em 2023, que o folclore japonês classifica como Mensageiro do Palácio do Deus do Mar e considera como prenúncio de terremoto ou tsunami. 


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A PEC que reduz a maioridade penal foi aprovada pela CCJ da Câmara e seguirá agora para as próximas etapas de tramitação no Congresso. Num país polarizado como esta pobre banânia, é natural que a mudança tenha defensores e detratores, além de envolver questões constitucionais relevantes. 

Eu, particularmente, sou favorável à moção. A meu ver, menores infratores, sobretudo quando cometem crimes bárbaros — como atirar na vítima para roubar um celular — é um criminoso como outro qualquer. Além disso, os famigerados "direitos humanos" devem contemplar pessoas de bem, e não meliantes da pior catadura, como sói acontecer em nossa anedótica republiqueta.    

Para especialistas, o debate não pode ser tratado apenas sob a perspectiva do endurecimento das penas. Estamos diante de uma discussão que alcança princípios constitucionais fundamentais e exige uma avaliação técnica sobre os impactos jurídicos e sociais da medida. Muitos lembram que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê medidas socioeducativas que incluem privação de liberdade. Mas é aquela velha história: a PM prende o "di menor" que roubou um celular e o delegado solto o "menininho", que deixa o DP antes de a vítima terminar de formalizar a queixa e o boletim de ocorrência ser lavrado. 

Por outro lado, em que pesem as posições políticas ou ideológicas envolvidas, trata-se de um tema que exige responsabilidade institucional, rigor técnico e compromisso com soluções que preservem os direitos fundamentais e contribuam efetivamente para o enfrentamento da violência. 

 
Nostradamus previu que "a Terra se tornaria mais árida e sujeita a grandes inundações". Para gáudio de seus sectários, o aquecimento global contribuiu para a ocorrência de incêndios "em todo o mundo",  e "algumas partes do mundo" ficaram literalmente submersas por causa de um aumento igualmente atípico dos índices pluviométricos. Sem falar que os últimos anos foram os mais quente já registrados, e que os próximos deve ser ainda ainda mais quentes. 


Mudando de um ponto a outro, o professor de biogerontologia molecular João Pedro de Magalhães acredita que o envelhecimento humano pode ter sido influenciado negativamente pelos... dinossauros! Não fosse por eles, afirma o cientista, nós provavelmente viveríamos 200 anos sem apresentar sinais evidentes de velhice. Cotudo, por trás da ideia polêmica que culpa os dinossauros pelo envelhecimento dos mamíferos está o conceito de "gargalo da longevidade". 
 
Observação: Segundo o filósofo canadense Ian Hacking, as únicas causa mortis admissíveis são as que constam da lista de Bertillon. Dito isso, morrer de velhice seria "ilegal". Curiosamente, a causa mortis anotada na certidão de óbito da rainha Elizabeth II foi... "velhice".  


Durante a Era Mesozóica (entre 250 milhões a 65 milhões de anos atrás), os mamíferos eram pequenos, noturnos e tinham vida curta, e a necessidade de se reproduzirem como coelhos no cio teria causado a perda ou a inativação dos genes associados à longevidade e impactando a forma como envelhecemos. Além disso, é
 possível ver na natureza exemplos incríveis de regeneração em algumas espécies de animais, como lagartixas e salamandras  habilidades desnecessárias para os primeiros grupos de mamíferos, que estavam mais preocupados em fugir dos predadores e se reproduzirem do que em se regenerar para alongar suas expectativas de vida. 


Magalhães destaca ainda que, ao contrário de todos os mamíferos, incluindo os humanos, répteis e anfíbios não apresentam sinais significativos de envelhecimento biológico, e embora seja apenas uma hipótese, o fato de o câncer ser mais frequente nos mamíferos devido ao rápido processo de envelhecimento não pode ser desconsiderado. Mesmo entre os mamíferos existem exemplos de longevidade (em comparação com a dos humanos). As baleias da Groenlândia, por exemplo, vivem mais de 200 anos, e algumas espécies de tubarões (que não são mamíferos, mas enfim) chegam a 500 anos. Existe também uma espécie de esponja da Antártida com idade estimada em 15.000 anos, e outra, na China, com 11.000, ao passo que a expectativa média de vida dos ratos é de apenas 2 anos.

 
Os cientistas não sabem qual é o tempo máximo que um ser humano pode viver na Terra. A expectativa média, que era de 47,1 anos em 1950, aumentou para 73,4 anos em 2023 e deve chegar a 82,1 anos em 2100. A francesa Jeanne Calment, que morreu em 4 de agosto de 1997, viveu 122 anos e 164 dias, e a espanhola Maria Branyas, hoje 117 anos, tornou-se a pessoa mais velha do mundo. Mas isso pode mudar em breve.


Após analisaram dados históricos e atuais de mortalidade em 19 países desenvolvidos – entre os quais a Austrália, o Canadá, a França, o Japão, Portugal e EUA –, David McCarthy, da University of Georgia, e Po-Lin Wang, da University of Southern Florida,  constataram que os registros de longevidade vêm aumentado lentamente nos últimos anos, com destaque para os nascidos entre 1900 e 1950, que estão experimentando um adiamento da mortalidade sem precedentes, mas ainda são jovens demais para quebrar recordes de longevidade.


Como se vê, enquanto alguns focam a morte, outros apostam na longevidade. 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — DOGMAS VERSUS CIÊNCIA

QUANDO SE ENTREGA A CHAVE DO GALINHEIRO ÁS RAPOSAS, PERDE-SE O DIREITO DE RECLAMAR DO SUMIÇO DAS GALINHAS.

Vimos que fé e ciência não são mutuamente excludentes quando mantidas cada qual no seu quadrado. 
Enquanto os dogmas pedem fé inquestionável, a ciência busca evidências e procura comprová-las por meio de experimentos. A interpretação literal da Bíblia alimenta o criacionismo, que ignora o conhecimento acumulado nos últimos séculos. Assim, os "fiéis" acreditam — entre outras falácias e delírios — que Deus iniciou a criação do mundo e de tudo o que nele existe às 9h00 da manhã do dia 23 de outubro de 4004 a.C. conforme o bispo irlandês James Ussher anotou em "The Annals of the World".

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Todo economista sério conhece a solução: reformas estruturais, cortes de despesas, privatizações, redução drástica do tamanho do Estado. O melhor programa social é o trabalho, e isso depende de um ambiente mais competitivo, com menos burocracia e insegurança jurídica, menores taxas de juros, mão de obra mais qualificada e infraestrutura decente. Investir nisso, no entanto, é intolerável para a esquerda, que vive dos votos dos mais pobres e ignorantes.

A velha imprensa precisa parar de achar que o PT erra tentando acertar. O petismo aposta na desgraça econômica justamente porque ela produz dependência estatal. É por isso que o lulismo sempre promove esse populismo explosivo. Quebrar o país para se manter no poder é a estratégia política da esquerda.

Infelizmente, a alternativa ao quarto mandato do macróbio eneadáctilo continua sendo — pelo menos até o momento — o filho do golpista presidiário. Em 2018 e 2022, a tão sonhada terceira via tentou furar a bolha da polarização, mas não conseguiu. E dificilmente conseguirá desta vez, já que, em vez de se unirem, os demais pré-candidatos guerreiam entre si. A exemplo da récua de muares que atende por eleitorado, os "candidatos alternativos" emulam Pandora a cada eleição. A diferença é que a primeira mulher criada pelos deuses da mitologia grega abriu a caixa que guardava todos os males — doenças, misérias, inveja, ódio e a morte — uma única vez, e o fez movida não pela incompetência, mas pela curiosidade.

Insistir no mesmo erro esperando obter um acerto é a melhor definição de imbecilidade que conheço.


Para a ciência, a evolução das espécies e a formação de estrelas e planetas ocorreram ao longo de 13,8 bilhões de anos. Nosso sistema solar surgiu há 5 bilhões de anos, e a Terra, há 4,54 bilhões de anos. A família dos Hominídeos despontou há 20 milhões de anos, o gênero Homo, há 2,5 milhões de anos, e o Homo sapiens, há 300 mil anos. Não se trata de conjecturas, mas de estimativas baseadas em descobertas arqueológicas e no estudo de ossos e crânios encontrados por paleontólogos.

As religiões deveriam oferecer conforto espiritual e respostas a questões como o propósito e o sentido da vida, mas o literalismo resulta na negação de descobertas científicas como a evolução e o aquecimento global, entre outras questões vitais para o futuro da humanidade.

Antes de chegarem ao papiro, os conceitos contidos nos primeiros textos védicos foram transmitidos oralmente durante séculos e preservados mediante métodos mnemônicos de recitação cruzada, onde cada sílaba tinha uma entonação matemática precisa. Quando esses textos foram finalmente compilados, o mundo viu nascer uma das maiores bibliotecas do pensamento humano.

Lamentavelmente,, a tradição oral védica sobreviveu quase intacta por milênios graças à memória rigorosa, ao passo que os registros físicos foram destruída por incêndios, enchentes e outras catástrofes naturais, ou então se tornaram reféns de governantes despóticos e líderes religiosos mais preocupado com a manutenção do poder institucional do que com a busca da verdade, para quem o conhecimento da plebe ignara era uma ameaça à nova ordem, e destruir os textos era a maneira de "desmemoriar" a população para facilitar a dominação.

Na Índia, a Grande Biblioteca de Nalanda foi queimada no século XII por invasores — reza a lenda que a quantidade de manuscritos era tão vasta que a biblioteca queimou por três meses seguidos. A Biblioteca de Alexandria é, talvez, o símbolo máximo dessa tragédia cultural — uma lenta agonia causada por uma conjunção de fatores, entre os quais os conflitos geopolíticos — que resultaram em sucessivas guerras pelo poder —, o fanatismo e a intolerância.

Com a ascensão do cristianismo como religião oficial do Império Romano, o conhecimento contido em Alexandria foi visto como "pagão" e perigoso — e destruído pela "negligência" de governantes que pararam de financiar os estudiosos e a manutenção dos rolos (sem investimento, os escribas pararam de copiar os textos antigos, e papiro, por ser um material orgânico, apodrece se não for cuidado).

Com o desaparecimento de milhares de rolos, perderam-se as obras completas de Aristarco de Samos — que já propunha o heliocentrismo 1.800 anos antes de Copérnico —, textos de Sófocles, Eurípides e Ésquilo, bem como mapas antigos e registros de navegação que poderiam ter antecipado a era das descobertas em séculos. Foi como se a humanidade tivesse sofrido uma amnésia coletiva: o que os Vedas salvaram através do som, Alexandria perdeu no silêncio das cinzas.

Mas o mais revoltante é que muitos dos que destruíram essas bibliotecas o fizeram em nome de uma "religião", embora certamente carecessem da "fé" que busca a verdade e respeita a criação intelectual. Se um texto antigo oferecia uma visão que não exigia intermediários ou que contrastava com a convenção social estabelecida, era rotulado como herético ou perigoso. Assim, em nome do poder ou de uma suposta "pureza" da fé, variações regionais dos textos foram destruídas com vistas à imposição de uma versão única que servisse ao status quo.

O dano causado pela perda de nossa "infância intelectual" em fogueiras de vaidade e ignorância é tão lamentável quanto irreparável. O pouco que restou foi recuperado por meio da arqueologia e da filologia. No caso dos Vedas, a tradição oral acabou sendo a "nuvem de backup" mais segura da antiguidade: enquanto o papiro queimava e a tinta desbotava, o som e a métrica eram passados de mestre para discípulo, sobrevivendo onde a pedra e o papel falharam.

É ingenuidade achar que o apagamento da memória decorre apenas de causas naturais — na maioria das vezes ele é perpetrado por quem detém o poder —, e o mesmo fenômeno de controle que vitimou Alexandria se repetiu de forma ainda mais insidiosa na sistematização da Bíblia. O que hoje o senso comum aceita como uma unidade indivisível é, em essência, o resultado de uma curadoria política e arbitrária realizada por "religiosos" poderosos, que se autoconcederam o poder de decidir o que era sopro divino e o que era "conhecimento nocivo". A pretexto de proteger os fiéis de heresias, esses editores da fé filtraram a pluralidade das experiências espirituais primitivas e descartaram textos que ofereciam uma visão de transcendência direta, sem a necessidade de pedágios institucionais.

O que foi sacrificado não foram meros pergaminhos, mas a própria liberdade do pensamento em busca do sagrado. Ao canonizar uma versão e demonizar as outras, as lideranças inescrupulosas não só moldaram uma religião; como também criaram um cerco intelectual: aquilo que ia contra o establishment ou empoderava o indivíduo fora das amarras da convenção social foi rotulado como apócrifo e condenado ao esquecimento. 

Assim, a "pureza" da fé tornou-se o álibi perfeito para uma das maiores operações de silenciamento da história, garantindo que o mapa nunca fosse maior do que o território permitido pelo palácio. No entanto, quando se entrega às raposas a chave do redil perde-se o direito de reclamar do sumiço das ovelhas.


Continua…

domingo, 14 de junho de 2026

O FRIO CHEGOU — DÁ-LHE CAIPIRINHA!

UM ALCOÓLATRA É ALGUÉM DE QUEM VOCÊ NÃO GOSTA E QUE BEBE TANTO QUANTO VOCÊ.


Cerveja e caipirinha são unanimidades nacionais, embora, de uns tempos a esta parte, os brasileiros venham consumindo cada vez mais vinho ― aliás, há excelentes vinhos nacionais, ainda que a preços não raro superiores ao dos importados, mas isso é outra história.


Segundo a Organização Mundial da Saúde, a parcela da população brasileira que é chegada num “birinaite” (cerca de 60%) consome, em média, o equivalente a 15 litros de álcool por ano. No que tange à caipirinha, muitos acham que basta esmagar limão com açúcar, adicionar gelo e cachaça, mexer, e pronto. Mas tudo nesta vida tem sua ciência, e esse drinque não é exceção.


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A exemplo do que fez no passado — e foi imitado por um poste chamado Dilma — Lula quer porque quer um quarto mandato. E está quebrando o país para se reeleger.

Não se trata de incapacidade (embora a capacidade do molusco eneadáctilo seja discutível), mas de método, de projeto deliberado do PT para se manter no poder. Um editorial recente do Estadão lembrou que "petista usa truques contábeis para esconder o aumento cavalar de despesas" — numa alusão às malfadadas pedaladas fiscais da mulher sapiens", — "mas a conta da dívida pública explosiva sempre chega”. Ainda segundo o jornal, somente neste ano foram nada menos do que 33 medidas diferentes, somando a incrível marca de R$ 215 bilhões em aumento de despesas ou redução de receitas”. Mas o problema não está nos gastos em si, e sim no timing e nos truques para ocultá-los, fazendo parecer que o arcabouço fiscal continua em pé e saudável. 

Os petistas não erram tentando acertar. Eles apostam na desgraça econômica justamente porque ela produz dependência estatal. É por isso que o lulismo — uma máquina de criar dependência resgatando o velho voto de cabresto — sempre promove esse populismo explosivo. Como consequência disso tudo, temos o empobrecimento permanente de boa parcela da população, que vota na esquerda populista perpetuando um círculo vicioso. Enquanto isso, aqueles com poupança acumulada se beneficiam dos altos retornos oferecidos por um governo perdulário e irresponsável.

O rentismo prospera no Brasil justamente porque o populismo é a regra nas finanças públicas. Com cerca de 17 anos de petismo desde 2003, não poderia ser diferente. A esquerda fode os mais pobres, endivida o Estado de forma insustentável, e depois reclama dos investidores que exigem elevados retornos para financiar o Estado falido. Como resultado inexorável do esquerdismo, os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres.


Comecemos pela origem, que remonta ao ano de 1918, época em que a gripe espanhola campeava solta. Dizem os estudiosos e curiosos que alguém resolveu unir o útil ao agradável e criou uma receita de xarope que levava limão, alho, mel e um pouco de cachaça ― antigamente, era comum usar álcool para acelerar o efeito dos medicamentos. Daí para “outro alguém” eliminar o alho e substituir o mel por açúcar (para reduzir a acidez do limão) foi um pulo.


Hoje em dia, muita gente substitui o limão por abacaxi, caju, kiwi, maracujá, morango e outras frutas, além de trocar a tradicional cachaça por destilados “mais nobres”, como gim, rum, saquê, tequila, uísque, vodca e afins..


Observação: Convém ter em mente que pinga, cachaça e aguardente são termos largamente utilizados como sinônimos, mas aguardente é o nome que se dá a qualquer bebida obtida a partir da fermentação de vegetais doces, e cachaça, a aguardente de cana-de-açúcar. Já o termo pinga é usado vulgarmente como sinônimo de cachaça, e sua origem remonta ao tempo dos engenhos, época em que os escravos eram encarregados da destilação da aguardente e o vapor que se condensava no teto pingava sobre eles… Seja como for, toda cachaça é aguardente, mas nem toda aguardente é cachaça.


No que diz respeito à receita perfeita de caipirinha, bem, fazendo uma analogia com o futebol (outra preferência nacional), é como escalar a seleção ― ou seja, cada um tem suas preferências. Mas o que importa, mesmo, é seguir algumas regrinhas básicas:


― Embora o limão galego e o siciliano apresentem excelentes resultados, a receita tradicional leva mesmo o tahiti. Mais importante que o tipo de limão é escolher frutos de casca lisa e fina, que costumam ser mais sumarentos, e evitar os muito moles, que provavelmente estão “passados”.


― Descascar ou não o limão vai do gosto de cada um, mesmo porque o amargor não provém da casca, mas da columela (o “miolo branco da fruta"). O importante é cortar o limão ao meio, mas não de forma transversal, como fazemos quando cortamos laranjas para espremer, e sim longitudinal (ao comprido). Depois, devemos cortar as metades pela metade, de modo a facilitar a remoção da parte branca — ou cortar o limão em rodelas e remover o miolo de cada uma delas, que também fica bom.


― Segundo os especialistas, deve-se macerar a fruta no próprio copo (evitando, portanto, o uso de coqueteleiras), colocar as bandas da fruta com a polpa virada para cima e evitar macerar demais a casca, que pode resultar num indesejável gosto amargo, cobrir com açúcar e socar com um pilão apenas o suficiente para liberar o sumo, pois socar demais também resulta em amargor, mesmo que se tenha tomado as precauções anteriores. Além disso, é recomendável usar copos baixos e de boca larga, como os do tipo “Ilhabela”.


― Se você está de dieta e não resistir a uma boa caipirinha, substituir o açúcar por adoçante não fará grande diferença, pois as calorias provêm do álcool — como se sabe, bebidas destiladas são extremamente calóricas; uma dose de cachaça chega facilmente a 150 kcal.


― Caipirinha morna, ninguém merece, mas convém usar gelo de água mineral ou filtrada e colocar os cubos no copo depois de macerar o limão com o açúcar (vale também adicionar um pouco de gelo picado, mas só se a ideia for “enfraquecer” um pouco a bebida), e só então acrescentar a cachaça ou o destilado de sua preferência.


― Se for servir várias pessoas (como num churrasco com amigos, por exemplo), o preparo individual se torna por demais trabalhoso. Nesse caso, você pode adiantar o expediente preparando a bebida numa coqueteleira, transferi-la para para uma jarra e completar com gelo, lembrando que o resultado nunca fica igual.


― A escolha da cachaça também vai da preferência de cada um, mas o mais importante é usar um produto de boa qualidade ― ou seja, fugir daquelas cachaças “mata-pinguço”, que cheiram como o etanol que usamos para abastecer o carro. Ao contrário do que muita gente pensa, pode-se perfeitamente usar cachaça de alambique, dita “artesanal”. O problema é o “custo benefício”, já que uma aguardente dessa categoria pode custar tanto ou até mais que um bom uísque.


Receitas mais sofisticadas podem agradar muita gente, mas tenha em mente que determinadas combinações produzem melhores resultados. Experimente misturar hortelã com frutas cítricas ou ácidas e pimenta com as mais doces, mas tome cuidado para não abusar de ervas muito aromáticas, como manjericão e alecrim, que podem deixar o sabor do drinque “intenso” demais.


Destilados como cachaça, vodca e saquê têm características distintas, e combinam melhor com determinadas frutas. A pinga vai muito bem com limão, lima-da-pérsia e jabuticaba, por exemplo, enquanto o saquê deve ser reservado para frutas mais delicadas e menos ácidas, como kiwi, uva verde e morango. Já a vodca é versátil e combina com quase tudo, exceto frutas cremosas, como mamão ou banana… mas quem vai fazer caipirinha de mamão ou banana?


Para concluir, confira as receitas abaixo:


Macere a polpa de 1/2 maracujá azedo com dois talos de capim-limão e açúcar, complete com gelo e rum branco e decore com folhas de capim-limão.


Macere de 8 a 12 jabuticabas com casca e caroço (deixando algumas inteiras), complete com gelo e cachaça e mergulhe um picolé de limão no copo.


Congele 6 bagos de uva Itália (verde) e oito de uva niágara (roxa). Feito isso, macere 4 colheres (sopa) de graviola fresca (com as sementes) com uma de açúcar, junte as uvas congeladas e complete com gelo e cachaça.


Macere uma carambola fatiada e pedaços de abacaxi com açúcar, acrescente um cravo da índia inteiro e folhas de manjericão (sem amassar). Complete com gelo e vodca.


Consuma com moderação (se conseguir).

sábado, 13 de junho de 2026

CUIDADO COM AS FRAUDES

QUANDO A ESMOLA É DEMAIS O SANTO DESCONFIA. 

A “paternidade” do correio eletrônico costuma ser atribuída a Ray Tomlinson, que criou para si o primeiro endereço de email (tomlinson@bbn-tenexa) e passou a enviar mensagens aos colegas da universidade, ensinando-os a utilizar o novo recurso. 

Até surgimento dos aplicativos de mensagens e das redes sociais, o email era o serviço mais popular da Internet. Atualmente, mesmo sem o protagonismo de outrora, ele continua sendo utilizado no ambiente corporativo, sem falar que precisamos de um endereço eletrônico para fazer logon em sistemas, websites e aplicativos, preencher cadastros e formulários, realizar compras online e assim por diante.

Apesar de as plataformas de mídia social terem se tornado mais eficientes quando o assunto é nos bombardear com anúncios patrocinados, mensagens de spam e scam continuam chegando às nossas caixas postais. E por se disseminarem a uma velocidade sem precedentes, esses conteúdos acabam criando o ambiente perfeito para golpistas lançarem campanhas fraudulentas a um custo irrisório.

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O Brasil tem muitos problemas, e a cada nova eleição ressurge um problema que os brasileiros não sabiam que tinham antes que as campanhas o criassem: a religião.

Quatro dias depois da apropriação da Marcha de Jesus pelo filho do refugo da escória da humanidade, o PT borrifou na conjuntura eleitoral uma carta aos evangélicos — como Lula havia feito em 2022. Ao mesmo tempo que puxa a brasa cristã para a sardinha de Lula, a epístola petista sustenta que a mensagem de Jesus orna com a pauta progressista.

O número de vertentes religiosas é espantoso, e o mais espantoso é que todas alegam ter linha direta com o Todo-Poderoso, embora tenham sido erguidas sobre sangue e ossos dos que se recusaram a aceitar a ideia de Deus que elas pregam.

Toda sociedade tem uma religião, toda religião tem um propósito social e toda cerimônia religiosa tem um ritual. Cada religião é a verdade sagrada para quem a professa, mas não passa de fantasia para os seguidores das demais. E não há crença, por mais estúpida que seja, que não tenha fiéis seguidores dispostos a pegar em lanças para defendê-la.

A crença num Deus cabo eleitoral é perversão de valores cristãos. Não sei se Deus existe, mas sei que o Deus partidário não existe, embora os políticos o recriem a partir de sua própria imagem e semelhança e lhe roguem não que seja feita a Sua Vontade, mas que Ele mande para o inferno as vontades do candidato adversário.

À esquerda ou à direita, a conversão da fé em plataforma eleitoral é um dos fenômenos mais nocivos da política contemporânea.

De acordo com dados da Federal Trade Commission, cerca de 70% das pessoas contatadas por meio de golpes em mídias sociais registram perdas que somam bilhões de reais. Parte do problema está no fato de que distinguir anúncios legítimos de falsificações se torna mais difícil a cada dia. Ofertas mirabolantes — como produtos de grife vendidos a preços incrivelmente baixos — são, no mínimo, suspeitas, mas continuam ludibriando um número significativo de consumidores. Portanto, se a oferta parece boa demais para ser verdade, o ideal é verificar diretamente no site oficial da marca antes de informar os dados do cartão de crédito.

Sempre que clicar em um anúncio, verifique se o endereço exibido na barra do navegador começa com “https”. A ausência do “s” indica que o site não utiliza uma conexão segura e criptografada. Na dúvida, faça uma busca no Google e encontre você mesmo o site verdadeiro. As plataformas de mídia social estão repletas de promoções com brindes ou descontos superiores a 50%, mas a experiência ensina que, quando a esmola é demais, até o santo desconfia.

Expressões como “estoque limitado” ou “oferta exclusiva por tempo determinado” são projetadas para pressionar potenciais vítimas a agir sem refletir. Um forte indício de fraude é a rapidez com que os golpistas solicitam dados de pagamento. Se lhe pedirem informações financeiras antes de fornecer detalhes concretos sobre um produto ou serviço, convém pôr as barbas de molho.

Mesmo quando a oferta parecer legítima, evite utilizar cartão de débito ou efetuar pagamentos via Pix. Prefira gerar um cartão virtual, com numeração, validade e código de segurança limitados a uma única transação, a um número específico de compras ou a um prazo determinado. A emissão é feita pelo próprio usuário por meio do aplicativo do banco ou da administradora, e as despesas são lançadas normalmente na fatura do cartão físico.

Golpistas também criam perfis falsos que imitam empresas reais, reproduzindo logotipos, descrições e identidade visual. Muitos chegam a comprar seguidores falsos para parecer convincentes à primeira vista. Um dos principais indícios está no nome de usuário: letras extras, grafias incomuns ou sublinhados estranhos costumam surgir porque o nome verdadeiro já pertence à marca legítima. Outro fator importante é a taxa de interação. Contas falsas frequentemente exibem milhares de seguidores, mas quase nenhuma curtida ou comentário autêntico em suas publicações.

Se você encontrar um anúncio ou perfil de vendas com os comentários desativados, ligue o desconfiômetro. Em condições normais, as marcas desejam incentivar perguntas e feedback público, pois isso gera confiança. Para golpistas, porém, a possibilidade de consumidores alertarem uns aos outros é contraproducente, motivo pelo qual desativam completamente os comentários. Há exceções, naturalmente, mas publicações comerciais costumam permitir interação aberta.

Também convém desconfiar de avaliações excessivamente positivas. Se diversos comentários apresentarem estilos de escrita semelhantes, entusiasmo exagerado e poucos detalhes concretos, desistir da compra pode proteger tanto o seu bolso quanto suas informações pessoais.

A ausência de hashtags (#) em conteúdos promocionais também deve levantar suspeitas. Vendedores de falsificações evitam deliberadamente essas marcações, pois elas atraem a atenção tanto das empresas legítimas quanto dos moderadores das plataformas. Anúncios autênticos geralmente incluem a indicação clara de conteúdo “patrocinado”, sobretudo em redes como o Instagram, sinalizando que a publicação passou por algum nível de verificação antes de ser exibida.

Anúncios fraudulentos podem apresentar aparência visual profissional, mas frequentemente revelam gramática descuidada, frases mal construídas ou erros de digitação. Marcas legítimas prezam pelo profissionalismo; já os golpistas costumam agir rápido demais para se preocupar com o acabamento. Se a linguagem parecer estranha, mal traduzida ou inadequada, vale confiar na própria intuição e evitar fornecer qualquer informação pessoal.

Lembre-se: cautela e canja de galinha (se me desculpam o pleonasmo) nunca fizera mal a ninguém.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — O ANTIGO TESTAMENTO E OS CONTOS DA CAROCHINHA

NEM TODO ARGUMENTO INTERESSANTE É CONVINCENTE.

A despeito de a literatura bíblica não ser jornalismo nem registrar os fatos em tempo real, criacionistas e seguidores das religiões abraâmicas sustentam que Deus criou o mundo e tudo o que nele existe em seis dias e descansou no sétimo. O arcebispo irlandês James Ussher, autor de The Annals of the World, o Criador teria iniciado os trabalhos às 9h da manhã de 23 de outubro de 4004 a.C.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O ministro Edson Fachin informou na última segunda-feira que funcionará até novembro o grupo de trabalho constituído por ele no Conselho Nacional de Justiça para discutir a encrenca dos super salários no Judiciário.

Em decisão controversa, o Supremo havia determinado que nenhum juiz poderia receber mais do que R$ 78,8 mil, mas manteve os super salários inconstitucionais transitoriamente permitidos, até que o Congresso legislasse acerca do tema. Como os parlamentares deram de ombros, surge agora o grupo de trabalho de Fachin — lembrando que, na administração pública, grupo de trabalho é um conjunto de pessoas nomeadas por uma autoridade para protelar a resolução de um problema grave. 

Flávio Dino chamou as perversões salariais do Judiciário de "Império dos penduricalhos", e Gilmar Mendes disse que o teto de R$ 46,3 mil mensais "virou piso, e um piso muito ordinário." Embalado pela inação do Congresso, o grupo de trabalho do CNJ dá ao que é ordinário uma aparência de extraordinária normalidade.


O Velho Testamento é um conjunto de lendas, mitos e tradições culturais transmitidos oralmente por várias gerações até por volta de 1200 a.C., quando foram compilados supostamente por Moisés, a quem se atribui a autoria do Pentateuco. O primeiro livro da Bíblia judaico-cristã começa com a palavra bereshit (“no princípio”, em hebraico) e narra a origem da vida, do mundo e do povo que o líder dos judeus errantes teria guiado pessoalmente pelo deserto do Sinai até a terra que Jeová supostamente prometera a Abraão e seus descendentes.

A certa altura, o líder dos judeus errantes estendeu seu cajado e o Mar Vermelho se abriu, permitindo que ele e seu povo o atravessassem — para, em seguida, fechar-se sobre os soldados egípcios que os perseguiam. Em outro momento, instruído a falar com uma rocha para que dela brotasse água, Moisés bateu nela com o cajado e atribuiu a si próprio a autoria do milagre. Como castigo pela desobediência, o deus rancoroso e vingativo do Velho Testamento permitiu que ele avistasse Canaã do alto do Monte Nebo (na atual Jordânia), mas o proibiu de nela entrar.


Embora dominasse os segredos das águas, o velho Moishe não fez bom uso do GPS que Jeová supostamente lhe forneceu: vagou pelo deserto do Sinai durante 40 anos para percorrer cerca de 600 km até Canaã. Ainda segundo a narrativa bíblica, ele morreu aos 120 anos, e Josué assumiu a liderança dos hebreus pelo restante da jornada.


Delírios e fantasias à parte, nosso Universo tem 13,78 bilhões de anos, e a Terra, 4,5 bilhões de anosOs primeiros microrganismos surgiram há cerca de 3,5 bilhões de anos, os primatas, há 65 milhões de anos, e os primeiros hominídeos, há 20 milhões de anos. A separação entre os ramos que levaram aos humanos e aos chimpanzés ocorreu entre 6 e 8 milhões de anos atrás. O gênero Homo surgiu há cerca de 2,5 milhões de anos. O Homo Sapiens evoluiu do Homo Erectus há 300 mil anos, e o Sahelanthropus Tchadensis foi o precursor de uma linhagem de primatas iniciada pelo Orrorin tugenensis, que foi o primeiro hominídeo bípede.

O cosmo inteiro foi construído com os mesmos “tijolos”: átomos de hidrogênio que se agregaram para formar estrelas — e estas, ao explodirem, deram origem a elementos mais pesados. Apesar da diversidade de planetas em nosso sistema solar, seus vulcões, oceanos e planícies são compostos pelos mesmos materiais básicos que formam a Terra. Por razões que a ciência ainda não conseguiu explicar plenamente, a combinação desses elementos inertes deu origem a bactérias, protozoários e organismos mais complexos, que, mais adiante, evoluíram para plantas e animais.

Uma hipótese chamada panspermia (do grego: “sementes em todo lugar”) propõe que micro-organismos — ou seus precursores químicos — poderiam viajar pelo espaço em asteroides, cometas ou meteoros, “semeando” a vida em planetas com condições favoráveis. A ideia possui variantes e um respaldo científico moderado: não é consenso, mas também não é fringe science. No caso da Terra, isso poderia ter ocorrido há cerca de 3,5 bilhões de anos.

A pergunta que se impõe é: se a vida veio de outro lugar, como surgiu lá, e como eventuais micro-organismos sobreviveriam a milhões de anos no espaço, à radiação, ao calor da entrada na atmosfera e ao impacto contra o solo?

O cenário mais aceito é o de que o espaço tenha fornecido ingredientes químicos essenciais para a vida (uma versão mais moderada da hipótese), porém uma versão mais ousada — que ainda carece de evidência definitiva — sustenta a chegada de organismos vivos em meteoritos.

Em favor dessa hipótese, a NASA identificou, em 1996, estruturas no meteorito marciano ALH84001 que alguns cientistas interpretaram como possíveis microfósseis. O debate permanece aberto, mas a descoberta demonstrou que rochas marcianas chegaram à Terra. O meteorito de Murchison (Austrália, 1969) continha mais de 90 aminoácidos, incluindo alguns presentes na biologia terrestre. Açúcares, bases nitrogenadas do DNA e até estruturas semelhantes a membranas lipídicas também já foram encontrados em meteoritos.

Resumo da ópera: a abiogênese terrestre é uma hipótese plausível — experimentos como o de Miller-Urey (1953) demonstram que moléculas orgânicas complexas podem surgir espontaneamente em condições primitivas —, e a panspermia permanece como possibilidade científica legítima. A conferir...

Continua…