O TEMPO É LENTO DEMAIS PARA QUEM O ESPERA, RÁPIDO DEMAIS PARA QUEM O TEME, LONGO DEMAIS PARA QUEM O LAMENTA E CURTO DEMAIS PARA QUEM O CELEBRA.
Se, como vimos no capítulo anterior, Morgan Robertson descreveu um evento que ainda não havia ocorrido, então esbarramos em uma das questões mais perturbadoras da física: a natureza do tempo.
Se a consciência não-local realmente existe, então ela opera fora das restrições temporais lineares. Nesse contexto passado, presente e futuro coexistem não como uma linha onde nos movemos de um ponto a outro, mas como um mapa completo onde todos os momentos já existem.
Pode parecer mera especulação mística, mas a física quântica admite que, em certas condições experimentais, o efeito pode preceder a causa, e que partículas separadas por distâncias astronômicas podem reagir instantaneamente umas à outras, como se a distância espacial não desempenhasse qualquer papel.
A pergunta que se coloca é: se o espaço pode ser uma ilusão, por que o tempo também não poderia?
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Durante a sessão que tratou da eleição de um governador-tampão para o Rio de Janeiro, o ministro Luiz Fux, incomodado com as críticas generalizadas contra os políticos do Estado, vestiu uma toga justa em seus pares insinuando que, como macacos, eles se sentam em cima do próprio rabo e falam mal dos rabos alheios.
Fux, que se transferiu para a 2ª Turma do Supremo depois de proferir o único voto dissonante no julgamento que condenou Bolsonaro por tentativa de golpe, lembrou que alguns colegas não participaram dos julgamentos do mensalão e do petrolão e misturou perversões antigas às novas — INSS e Master — para realçar que os escândalos não são monopólio do Rio. Insinuou ainda o eminente magistrado que as conexões com Daniel Vorcaro proporcionarão o encontro de algumas togas com o diabo: "Se esses políticos tiverem que ir para o inferno, irão acompanhados de altas autoridades", disse.
O embate ocorreu após Flávio Dino, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes debaterem a depravação moral do Rio. Dino lembrou que cinco governadores passaram pela cadeia, um sofreu impeachment e o último renunciou para não ser cassado. Gilmar disse que até 44 deputados estaduais estão no bolso do jogo do bicho. Moraes lembrou que as digitais autoridades digitais fluminenses se imprimiram no assassinato de Marielle Franco.
O escritório da mulher de Moraes recebeu R$ 80 milhões do banco; a empresa de Dias Toffoli foi sócia de fundos da rede de Vorcaro num resort; Gilmar viajou num jato do dono do falecido banco; e a consultoria que assessorava o Master subcontratou o escritório de advocacia de um filho de Nunes Marques.
Tantas conexões ajudam a explicar o silêncio que se instalou depois que Fux tratou o plenário do Supremo como antessala do inferno. Mas convenhamos: se o Brasil não fosse uma republiqueta de bananas e os brasileiros não fossem um povo de merda, nenhum dos atuais 10 ministros do STF, dos 513 deputados e dos 81 senadores escaparia da vassoura. E o mesmo se aplica ao chefe do Executivo e seus comparsas ministros de Estado.
Triste Brasil.
Talvez Robertson simplesmente sintonizou sua "antena cerebral" numa frequência onde o naufrágio do Titanic já existia como informação acessível — não por ele ser capaz de prever o futuro, mas porque, do ponto de vista da consciência não-local, existe apenas o “agora eterno”, que contém tudo o que foi, é e será. Mas se admitirmos que o futuro já existe na matriz informacional, ainda há espaço para mudá-lo? Ou será que todos executamos um roteiro já escrito achando que estamos improvisando?
O cérebro como antena suscita questões que transcendem a neurociência e invadem o território da filosofia, da ética e até da teologia. Se a consciência não é “local”, mas “universal”, então a morte é basicamente o desligamento de um receptor. E se isso não prova a imortalidade da alma, ao menos oferece uma estrutura conceitual na qual a hipótese faz sentido. E falando em sentido, seria o “sexto sentido” que atribuímos à percepção extrassensorial o efeito do cérebro sintonizando informações captadas de outras “estações”?
Quando uma pessoa tem um “palpite”, é como o rádio do carro captar uma interferência de outra emissora. Na maioria das vezes, essa interferência não passa de estática, mas, em alguns casos, o cérebro “sintoniza várias estações claramente”. É o que parece ocorrer com pessoas que afirmam ouvir vozes internas, como em certos quadros psiquiátricos — incluindo a esquizofrenia e alguns transtornos dissociativos.
Se pensarmos no cérebro como um aparelho de rádio com um dial físico giratório, esbarrar acidentalmente nesse botão pode dessintonizar nossa emissora preferida e nos fazer ouvir chiados ou misturar com a música a voz de um locutor de outra estação, como nas linhas cruzadas do tempo em que as ligações telefônicas eram analógicas.
Nos casos de precognição, é possível que uma “transmissão de rádio” crie ecos e diferenças temporais que funcionam como um déjà vu. E as evidências de retrocausalidade — influências retroativas anômalas na cognição e nas emoções — sugerem que, ao menos em algumas interpretações, o futuro pode influenciar o passado.
Para resumir a ópera, conceitos como o entrelaçamento quântico e a decoerência quântica descortinam um Universo onde todas as coisas existem a todo momento em todo lugar, e oferecem explicações lógicas para “anomalias paranormais” como a percepção extrassensorial, a precognição, as experiências de quase morte (EQMs), as experiências extracorpóreas e a síndrome de Savant adquirida (que ocorre quando a pessoa desenvolve habilidades inusitadas após sofrer um trauma cerebral, e já foi documentada várias vezes pela medicina).
Ainda seguindo a metáfora do rádio, para se tornar um atleta é preciso treinar, treinar e treinar. Ao treinar, a pessoa vai “configurando” o cérebro para receber informações da consciência universal de maneira mais clara e consistente, traduzindo-as em distensões e contrações musculares que lhe permitem executar melhor suas atividades esportivas. Em outras palavras, o treino “clareia o sinal” que o cérebro está recebendo.
O cérebro de algumas pessoas parece predisposto a receber determinados sinais que as tornam atletas de elite, virtuoses e gênios. Algo semelhante ocorre com os portadores de Asperger ou Autismo, cujas “antenas” dão acesso a habilidades e entendimentos notáveis, embora dificultem a execução de tarefas rotineiras. Mal comparando, é como usar binóculo: o que está distante fica nítido, mas o que está próximo fica desfocado.
Se a consciência não-local existir como uma matriz informacional acessível, talvez os estorninhos estejam todos "consultando o mesmo banco de dados" simultaneamente e reagindo à mesma informação no mesmo instante. Robertson teria acessado informações sobre um evento futuro presente nessa matriz atemporal, e os savants adquiridos, a porções da consciência universal normalmente bloqueadas, mas que um trauma cerebral lhes facultou o acesso.
Isso nos leva à seguinte pergunta: o que acontece quando essa “antena” se quebra?
Continua...


