terça-feira, 31 de março de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 90ª PARTE

IMPERFEIÇÃO É BELEZA, LOUCURA É GENIO. ANTES SER RIDÍCULO DO QUE ABORRECIDO.  

A chave para as viagens no tempo pode ser os buracos de minhoca, as cordas cósmicas, os loops temporais, o multiverso ou a teoria dos muitos mundos, entre outros.

Os buracos de minhoca são "atalhos" que conectam pontos diferentes no espaço-tempo, neste ou em outro universo, no presente ou em outro ponto da linha do tempo, permitindo viajar entre eles quase instantaneamente.

As cordas cósmicas são hipotéticas linhas unidimensionais de energia que teriam se formado durante a fase de criação do Universo. A interação entre duas cordas cósmicas poderia criar campos de tempo distorcido que permitiria contornar as limitações da relatividade no tocante às viagens temporais. 


Os loops temporais são conceitos físicos nos quais o tempo é fechado sobre si mesmo, podendo ser associados às curvas temporais fechadas (CTCs) — previstas como soluções matematicamente válidas da relatividade, mas altamente especulativas à luz da física clássica. Nesse caso, o espaço-tempo se curva de tal maneira que um viajante retornaria ao próprio passado e reviveria a mesma sequência de eventos até conseguir alterar o curso das coisas ou mudar sua própria compreensão da realidade. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Após cinco pedidos formulados pela defesa, Moraes, escorado em razões médicas mas impulsionado por fatores políticos, concedeu a Bolsonaro a prisão domiciliar por 90 dias. Ao atribuir esse caráter "temporário", o ministro proporcionou alívio momentâneo ao condenado — e a si mesmo — num instante em que a PF transferiu Daniel Vorcaro para da cela convencional para a sala VIP que abrigava o "mito" antes de sua transferência para a Papudinha. Nas próximas semanas, saberemos se o ex-banqueiro incluirá em seu acordo de delação premiada suas conexões no Supremo, arrastando para o miolo do escândalo o próprio Moraes, Toffoli e Nunes Marques.

O desdobramento do caso compõe o pano de fundo do futuro prisional de Bolsonaro. Para preservar a fama de "xerife" combalida pelos fatos, Xandão cercou o preso de medidas cautelares.

Em seu despacho, o ministro mencionou a necessidade de proteger o "mico" do risco de sepse e de "infecções, além de vincular as visitas a Michelle e a outros moradores da casa a uma autorização prévia. Na prática, sua excelência se livrou da pecha de algoz de um preso debilitado, inibiu o discurso bolsonarista da vitimização e, de quebra, proibiu o "imbrochável" de transferir para sua luxuosa residência o comitê eleitoral que funcionava a todo vapor na Papudinha. 

Em 90 dias, Moraes poderá recolher da conjuntura razões para optar entre o rigor médico e a flexibilização política. Façam suas apostas.


A teoria do multiverso sugere que existem inúmeros universos além do nosso, cada um com suas próprias realidades e possibilidades. Assim, alguém que viajasse para o passado não retornaria ao seu próprio universo, mas a um universo alternativo, com uma realidade paralela e suas próprias regras do tempo.


A teoria dos muitos mundos sugere que cada decisão ou evento quântico cria uma ramificação do Universo que representa uma realidade distinta. Isso significa que um viajante poderia interagir com versões alternativas de eventos e criar novas linhas do tempo sem alterar a original.


Questionado sobre o que havia antes do Big Bang, Stephen Hawking respondeu que essa indagação fazia tanto sentido quanto perguntar o que existe ao norte do Polo Norte. Se o próprio tempo começou com o Big Bang, não há que falar em “antes”, pois espaço e tempo formam uma estrutura única desde a singularidade inicial.


Para montar esse quebra-cabeça é preciso entender que o Big Bang não foi uma explosão que aconteceu em algum lugar. Não houve um “ponto no espaço” estourando, mas o espaço inteiro começando a se expandir. Tempo, espaço, energia, matéria — tudo veio no mesmo pacote inicial. Assim, não há que falar em "antes" disso, já que o próprio significado da palavra "ontem" depende da existência do tempo.


A metáfora do Polo Norte é um exemplo em que a lógica dá nó no cérebro, mas fica mais fácil de entender se considerarmos que Hawking propôs um universo sem "ponto inicial" nem "singularidade infinita". Segundo ele, o tempo no começo do cosmos se comportaria como a latitude perto dos polos, diminuindo gradualmente até um limite geométrico, e não até uma trinca na realidade onde tudo descamba para o infinito. Nesse contexto, o tempo não começa; ele simplesmente se curva.


Talvez alguém ainda surja com uma teoria da gravidade quântica em que o antes do Big Bang deixe de ser uma impossibilidade conceitual e se torne um campo legítimo de investigação. Até lá, não existe nada ao norte do Polo Norte nem ao sul do Polo Sul, mas a física não seria física se não oferecesse meia dúzia de modelos alternativos no reino das hipóteses, onde tudo é possível e nada é comprovado. Se nos balizarmos pelo modelo padrão, que realmente tem evidências robustas, perguntar o que havia antes não faz sentido, já que o tempo e o universo nasceram ao mesmo tempo (se me concedem o trocadilho).


Mas, de novo, vale lembrar que várias perguntas começaram absurdas e terminaram inaugurando novas áreas da ciência. Dito isso, a questão não é descabida, apenas prematura, de modo que convém deixar a porta aberta. Vai que o futuro da física resolve surpreender.


Continua…

segunda-feira, 30 de março de 2026

AS QUERELAS DO BRASIL

EXISTEM APENAS DOIS TIPOS DE PESSOAS: AS QUE CONCORDAM COMIGO E AS QUE ESTÃO ERRADAS.


A polarização na política sempre existiu, mas nunca foi tão desbragada quanto nas duas últimas disputas presidenciais. Depois que a "abertura lenta, gradual e segura" pôs fim a três décadas de jejum de urna, os brasileiros voltaram a escolher seu presidente.


Embora o cardápio da eleição solteira de 1989 listasse 22 postulantes — entre os quais Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola —, o eleitorado tupiniquim, que repete a cada pleito o que Pandora fez uma única vez, enviou para o segundo turno um caçador de marajás demagogo e populista e um ex-metalúrgico populista e demagogo. 


Lula concorreu à Presidência em 1989, 1994 e 1998, foi eleito em em 2002 e reeleito em 2006, a despeito do escândalo do Mensalão. Em 2010, transformou uma nulidade em "gerentona de araque" para manter aquecida a poltrona que ele pretendia reconquistar em 2014, mas o "poste" gostou da brincadeira e insistiu em disputar a reeleição. Por motivos que agora não vêm ao caso, o criador se resignou a apoiar a criatura, que afundou o país e foi impichada em 2016 (pelo conjunto da obra; as folclóricas "pedaladas fiscais" foram apenas um pretexto para penabundar a incompetente insolente e arrogante). 


Com a deposição da "mulher sapiens", Michel Temer passou de vice titular, mas seu prometido ministério de notáveis se revelou de uma notável confraria de corruptos. O primeiro a cair foi Romero Jucá, com apenas uma semana no cargo. Na sequência, demitiram-se — ou foram demitidos — Fabiano Silveira, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima, entre outros ministros e assessores presidenciais investigados na Justiça ou acusados de corrupção por delatores na Lava-Jato


Para encurtar a história, quando a conversa de alcova nada republicana que manteve nos porões do Jaburu, em maio de 2017, com o dono da JBS, Temer pensou em renunciar, mas foi demovido da ideia pelo deputado Carlos Marun, seu fiel escudeiro, que também se encarregou de comprar votos das marafonas da Câmara em número suficiente para salvar o presidente das flechadas de Janot


Observação: O patético hipopótamo dançarino foi o relator da CPI da JBS, embora tivesse recebido R$ 103 mil em doações do frigorífico e sido acusado de beneficiar uma empresa de software em contratos de R$ 16,6 milhões.


Acabou que o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil concluiu seu mandato-tampão como um "pato manco" e transferiu a faixa presidencial para o combo de mau militar e parlamentar medíocre que derrotou o títere de Lula — que não tinha o mesmo carisma que o titereiro —, tornou-se o pior mandatário desde Tomé de Souza e foi sentenciado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.


Observação: Temer chegou a ser preso em março de 2019, mas foi solto dias depois por ordem do desembargador Ivan Athié, do TRF-2 — que ficou afastado do cargo durante sete anos por suspeitas de corrupção.


A polarização esteve presente em todos os capítulos da nossa história, mas o quadro se agravou quando o Planalto passou a ser disputado pelo PT e pelo PSDB. Ainda assim, as campanhas eram relativamente civilizadas, pois mortadelas e coxinhas se tratavam como adversários políticos, não como inimigos figadais. Nas duas últimas disputas pelo Planalto, no entanto, o antagonismo exacerbado impediu que uma candidatura alternativa competitiva se consolidasse. 


Em 2018, Ciro Gomes acabou em terceiro lugar, com míseros 3,04% dos votos válidos no segundo turno. Em 2022, Henrique Mandetta, João Dória, Sérgio Moro, Eduardo Leite, Aldo Rebelo, Luciano Bivar e André Janones desistiram antes do início da corrida eleitoral. Simone Tebet ficou em terceiro lugar, com 4,16% dos votos. Soraya Thronicke, Sofia Manzano, Vera Lúcia e Padre Kelmon obtiveram resultados inexpressivos.


Como era esperado, a disputa ficou entre Lula e Bolsonaro, e o desempregado que deu certo venceu o mandrião aspirante a golpista pela menor diferença de votos desde a redemocratização (menos de 2%). Durante a campanha, o ex-presidiário "descondenado" tripudiou: "Agora quem acabou foi o PSDB". Em resposta, os tucanos disseram que o PT passou anos tentando reescrever a história, semeando o ódio, perseguindo adversários, dividindo a sociedade e montando uma usina de fake news.


No debate promovido pela Band em outubro de 2022, o Lula vociferou que "nomear amigo e companheiro para o Supremo é retrocesso" (referindo-se a Nunes Marques e André Mendonça, indicados por Bolsonaro). Eleito, indicou seu ministro da Justiça, Flávio Dino, e seu advogado particular Cristiano Zanin — e ainda teve o desplante de negar a relação de amizade com o causídico, que esteve em seu casamento com Janja e a quem chamou de "amigo" em entrevista à BandNews


Faltando pouco mais de seis meses para o primeiro turno das próximas eleições, o alto nível de rejeição popular ao xamã do PT e ao sobrenome Bolsonaro animou alguns partidos com a possibilidade de finalmente romper a polarização. O PSD de Gilberto Kassab apresentou três governadores como potenciais postulantes, mas Ratinho Jr — o mais competitivo dos três — desistiu de última hora.


A despeito da fama de bom gestor, de uma administração aprovada por cerca de 80% dos paranaenses e apoio de várias lideranças, Ratinho Jr voltou atrás, movido por uma conjunção de fatores, incluindo as investigações sobre a venda da subsidiária de telecomunicações da Copel e as conexões com Nelson Tanure —suposto sócio oculto de Vorcaro nas traficâncias do Master. Mas a filiação de Sérgio Moro ao PL também pesou: até então, o governador paranaense achava que faria seu sucessor com facilidade, mas o ex-herói nacional já aparece como franco favorito nas pesquisas. 


Os índices de desaprovação do governo federal e o derretimento da popularidade de Lula sugerem que ele é "bananeira que deu cacho", mas engana-se quem pensa que o pontifex maximus da Petelândia é carta fora do baralho. Segundo as pesquisas, cerca de 33% dos entrevistados não se declaram petistas nem bolsonaristas, 26% não votaram no em Lula nem em Bolsonaro na eleição passada — ou votaram e se arrependeram, —, 27% escolheram o macróbio mas não se identificam como de esquerda, e 18% dos que votaram no "mito" dos anencéfalos não se reconhecem como de direita.


Somados, esses grupos representam 71% do total de votos, e, pelo menos em tese, podem ser conquistados por qualquer candidato — o núcleo duro da polarização é formado por apenas 11% e 18% de esquerdistas e direitistas convictos, respectivamente, de modo que existe espaço para uma candidatura de terceira via.


Os extremos fazem barulho nas redes sociais, pautam a cobertura da mídia, alimentariam o algoritmo. Há “avenida enorme” para uma candidatura de centro (não confundir com o Centrão adesista) neste ano, mas cabe aos interessados priorizar a defesa da democracia, a reorganização dos programas sociais e um plano de desenvolvimento centrado nas novas tecnologias e novas relações de trabalho.


A questão é que quase todo tema polêmico — como a “taxa das blusinhas”, a PEC da Segurança Pública e até a CPMI do INSS — se torna refém da polarização no Congresso. Ainda não se sabe o que o PSD pretende fazer nas áreas da economia e da segurança pública. O MDB, dividido como sempre em alas, se preocupa mais com querelas paroquiais e a disputa para a Câmara dos Deputados — cujo resultado é decisivo para a divisão dos bilionários fundos eleitoral e partidário. Já o PSDB, que governou o país por dois mandatos com FHC, perdeu quadros, capilaridade nacional e capacidade de dialogar com o eleitorado. 


Observação: Geraldo Alckmin, que foi quatro vezes governador de São Paulo pelo PSDB, disputou a Presidência em 2006 — e foi derrotado por Lula no segundo turno — e em 2018 — quando amargou um vexatório quarto lugar. Apesar de ter dito que eleger o petista era o mesmo que reconduzir um criminoso à cena do crime, filiou-se ao PSB para concorrer à vice na chapa encabeçada pelo ex-adversário — talvez achando que essa seria sua única de aboletar na poltrona mais cobiçada do Palácio do Planalto. Só que faltou combinar com O Ceifador, sem falar que que o diabo detesta concorrência.


A maioria dos analistas políticos estima que a eleição deste ano será decidida pelos eleitores considerados independentes. No escrete eleitoral de Lula, nunca houve uma preocupação com a hipótese de uma candidatura de centro ganhar corpo a ponto de chegar ao segundo turno, mas, há apreensão com a possibilidade de os escândalos de corrupção sob investigação — especialmente do caso do Banco Master e da roubalheira contra aposentados e pensionistas do INSS — alterarem esse cenário.


Flávio Bolsonaro trabalha para que o centro e a direita não apresentem concorrentes — além de sugerir Ratinho Jr como seu vice, o filho do pai mandou emissários sondarem Ronaldo Caiado e Romeu Zema para o posto. Contrariando a tradição familiar de verborragia, o senador das rachadinhas tem economizado nas palavras, deixando Lula se desgastar sozinho com os problemas da administração federal. Nos últimos dias, defendeu a criação do Ministério da Segurança Pública — ideia que foi sugerida por petistas, mas rejeitada por Lula


Na semana passada, Xandão autorizou a prisão domiciliar humanitária para o atual presidiário mais famoso desta banânia por um prazo inicial de 90 dias. Mesmo obrigado a usar tornozeleira eletrônica e proibido de acessar redes sociais e de gravar áudios ou vídeos, o condenado estará mais à vontade para ajudar na organização da campanha do primogênito, que tenta se vender com a roupagem de "moderado".


Resumo da ópera: No início deste século, ainda predominava a crença de que, na democracia, os moderados prevalecem — e moderam os radicais. Houve até quem acreditasse na possibilidade de juntar os melhores quadros do PT e do PSDB para contribuir com um governo capaz de modernizar o país. Hoje, mesmo os quadros reconhecidamente ponderados se mantêm abrigados sob os guarda-chuvas da polarização para continuarem relevantes no xadrez político, e, em determinadas situações, os extremistas estão conseguindo radicalizar os moderados.


Caberá ao eleitor decidir qual caminho irá seguir, e a exemplo do que ocorreu nas últimas campanhas, o caminho do centro continua acidentado e sem uma liderança clara.