O princípio segundo o qual nada vem do nada é intuitivo, mas nem sempre se aplica a escalas cosmológicas ou quânticas. A própria física quântica é um cipoal de fenômenos contraintuitivos — como partículas surgindo do vácuo quântico — e a singularidade só pode ser explicada por uma teoria capaz de conciliá-la com a gravidade.
Depois de incontáveis debates, polêmicas e intensos lobbies, o Supremo estabeleceu novos critérios para os chamados penduricalhos a juízes e integrantes do Ministério Público. Na prática, a soma das verbas pode elevar a remuneração em até R$ 32.456,32 além do salário mensal e chegar a 70% do teto.
Os juízes brasileiros recebem, em média, mais do que seus pares em países do primeiro mundo e concluiu que todos os estratos de renda — do início ao topo da carreira — são mais elevados por aqui. Segundo estudo da Transparência Brasil, 98% dos magistrados analisados tiveram rendimentos acima do teto constitucional em 2025 — dos cerca de 15 mil contracheques, mais de 13 mil eram R$ 100 mil acima do teto e em quase 4 mil os valores extrateto ultrapassaram R$ 1 milhão no acumulado anual.
Como diria Boris Casoy, "É UMA VERGONHA".
Uma das primeiras versões da Teoria das Cordas — a solução matemática mais elegante criada até agora para esclarecer questões nebulosas como essa — pressupunha a existência de 26 dimensões, mas não explicava a matéria bariônica, apenas os bósons. Outras versões posteriores desaguaram na Teoria M, que apresenta conceitos como supercordas e supersimetria e reduz o número de dimensões para onze — sete além das três espaciais e uma temporal que já conhecemos.
O problema é que essas hipotéticas dimensões adicionais devem ser tão pequenas que os aceleradores de partículas atuais não conseguem comprovar sua existência experimentalmente. Isso seria possível reduzindo-se a distância entre duas partículas ao comprimento de Planck (cerca de um bilionésimo de um bilionésimo de um bilionésimo de metro), mas nem o Grande Colisor de Hádrons (LHC) consegue medir forças atrativas ou repulsivas em distâncias inferiores ao diâmetro de um próton (8,33 x 10⁻¹⁶ m).
Se desvios (vazamentos) no comportamento esperado da força eletromagnética nos experimentos já realizados tivessem sido constatados o LHC os detectaria. No entanto, os resultados foram os mesmos previstos pelo Modelo Cosmológico Padrão, que dispensa dimensões extras para explicá-los. Talvez a história fosse outro se os testes fossem feitos em escalas de 10⁻¹⁹ m até o número de Planck, mas isso exigiria uma quantidade de energia muito superior à dos aceleradores de partículas atuais.
Além de funcionar lindamente na matemática, a Teoria das Cordas explica a gravidade quântica num cenário que os cientistas chamam de universo holográfico, onde a própria ação da gravidade poderia gerar as demais forças naturais. Como ainda não há evidências da existência de outras dimensões além das que conhecemos, os pesquisadores vêm buscando respostas em hipóteses mais fáceis de testar, como a Teoria de Tudo.
Quando dizemos que tudo veio do nada, precisamos ter em mente que, na cosmologia, “nada” pode significar ausência de matéria, de espaço-tempo, ou mesmo um vácuo quântico repleto de flutuações. Mas mesmo no vácuo existem flutuações de energia que podem dar origem a partículas que aparecem e desaparecem logo em seguida. Embora isso pareça uma simples abstração matemática tais partículas já foram detectadas em inúmeros experimentos.
Alguns físicos acreditam que o Universo surgiu de uma flutuação do vácuo em que a energia positiva da matéria foi cancelada pela energia negativa da gravidade. Outros — entre os quais Stephen Hawking — sustentam que o surgimento espontâneo do Universo é possível dentro da física quântica, mesmo que num campo altamente especulativo.
A gravidade quântica descreve um tipo de realidade física que seria uma espécie de precursor quântico do espaço e do tempo, mas a física ainda não encontrou um exemplo confirmado de algo que surgiu literalmente do nada. A procura por esse santo graal deu azo a explicações sobrenaturais, a modelos cíclicos do Universo e à Teoria do Multiverso, segundo a qual infinitos universos, cada qual com suas próprias leis, coexistem uns com os outros.
Inspirado por uma conexão matemática curiosa entre um universo inicial quente e denso e um universo final frio e vazio, o físico Roger Penrose postulou a chamada cosmologia cíclica conformada, na qual os estados iniciais e finais se tornam matematicamente idênticos quando levados aos seus limites. Isso significa que o Big Bang pode ter surgido de um "quase nada" — mais exatamente do resquício de um universo anterior onde toda a matéria foi tragada por buracos negros e transformada em fótons dispersos num imenso vazio.
Para resolver esse paradoxo — já que esse "nada" ainda seria um tipo de "algo", como um universo físico desprovido de estrutura, e o estado frio e vazio, o mesmo estado quente e denso visto sob outra perspectiva — a solução, segundo Penrose, seria uma transformação geométrica que altere o tamanho e mantenha a forma. Como tanto o conceito de tamanho como o próprio tempo deixam de fazer sentido em estados extremos, o estado frio e vazio existiria eternamente numa linha do tempo própria, enquanto o estado quente e denso habitaria uma nova linha temporal.
Mesmo que essa hipótese se comprove no futuro, a pergunta filosófica permanece: de onde veio a própria realidade física? De ciclos infinitos, cada um gerando o próximo com variações quânticas aleatórias, ou de um único ciclo repetido eternamente como um universo que retorna sempre ao mesmo ponto e reproduz a si mesmo?
Penrose sugere que cada ciclo do universo é único — o que abriria a possibilidade de detectarmos vestígios do ciclo anterior na radiação cósmica de fundo que observamos hoje. Ele afirma ter encontrado essas marcas nos dados coletados pela sonda espacial Planck, que mapeou com alta precisão essa radiação remanescente do Big Bang, e que certos padrões circulares identificados nos mapas seriam ecos de buracos negros supermassivos que existiram no ciclo anterior. Mas essas conclusões ainda são alvo de intenso debate entre os físicos.
Há, naturalmente, uma dimensão que escapa à física — e que talvez só a linguagem do mito consiga tocar. A ideia de um universo que nasce, se expande, se apaga e renasce carrega uma ressonância que antecede qualquer equação. Na mitologia nórdica, Jörmungandr, a serpente filha de Loki, morde a própria cauda — e esse gesto circular não sustenta apenas o equilíbrio do mundo, mas figura algo que a cosmologia moderna redescobre à sua maneira: que o tempo talvez não tenha começo nem fim, apenas dobras. Se o universo é de fato um loop eterno, então toda pergunta sobre a origem se transforma numa outra — e talvez mais vertiginosa — sobre o retorno.
A pergunta "de onde viemos?" é mais antiga do que imaginamos. As teorias são muitas, mas todas nos levam de volta ao ponto de partida. À luz da física clássica, o que havia “antes” do Big Bang — e, consequentemente, antes do advento do tempo — é nada. Vale destacar que, apesar do que o nome sugere, o Big Bang não foi uma grande explosão, e sim a expansão do próprio espaço-tempo. E se o tempo é uma das dimensões do Universo, falar “antes do tempo” é como falar no norte do Polo Norte — como bem salientou Stephen Hawking.
Assim como não há latitude maior que 90 graus norte, não existe um “antes” do Big Bang, mesmo porque “antes” é um termo temporal, e tanto o tempo quanto o espaço nasceram com o Big Bang. Uma solução elegante proposta pelo próprio Hawking é a da fronteira sem fronteira — um modelo de tempo imaginário no qual o Universo seria como a superfície da Terra: finito, mas sem uma borda nem uma singularidade inicial. Se o tempo simplesmente se curva e emerge suavemente, não há que falar em um “antes” do momento zero.
Resumo da ópera: Perguntar o que havia antes do Big Bang é tentar estender um conceito (tempo) para um domínio onde ele simplesmente não existe. Em outras palavras, seria o mesmo que perguntar qual é a cor do número 7. Mas isso não muda o fato de que algumas perguntas que parecem sem sentido no presente acabam fazendo sentido depois que a física avança.
Continua…

