A IMAGINAÇÃO É MAIS IMPORTANTE QUE O CONHECIMENTO.
John Michell e Pierre-Simon Laplace propuseram em 1783 e 1796, respectivamente, a existência de "estrelas escuras", mas o conceito moderno de buraco negro surgiu da Relatividade Geral, teorizada por Einstein em 1915. Karl Schwarzschild encontrou a solução matemática em 1916, mas, ironicamente, foi quem Einstein popularizou o tema — inclusive na ficção científica — seis décadas antes de o telescópio Event Horizon capturar a imagem real de uma singularidade existente na galáxia Messier 87, a 53 milhões de anos-luz da Terra (cerca de 503,5 quatrilhões de quilômetros).
Observação: A despeito do que já foi dito sobre buracos negros nesta sequência, revisitar o assunto em nível de detalhes pode esclarecer eventuais dúvidas remanescentes, mesmo porque não é fácil entender o que ocorre dentro do horizonte de eventos — ou ponto sem retorno — desses estranhos corpos celestes.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
A crise em nossas mais altas cortes ganhou a aparência de uma tempestade perfeita. No Supremo, atualmente acossado pelo escândalo do Master, a maioria dos ministros resiste à edição de um código de ética; no STJ, denúncias de assédio contra o ministro Marco Buzzi, adicionaram um fator sexual a uma ziquizira que submetia a corte ao desgaste de uma investigação da PF sobre venda de sentenças nos gabinetes de três dos seus ministros.
Afastado cautelarmente de suas atividades por tempo indeterminado, Buzzi perdeu acesso ao gabinete e ao carro oficial, mas manteve intacto o salário de R$44 mil mensais e ficou liberado para dedicar 100% do seu tempo à saúde e à formulação da defesa que terá que apresentar à sindicância do STJ, ao CNJ, e ao STF, que analisa as denúncias sob a ótica criminal.
No âmbito administrativo, a pena máxima é a aposentadoria compulsória, com remuneração integral, já que o acusado só perde o salário se for condenado criminalmente. Portanto, espera-se que os fatos prevaleçam sobre o corporativismo.
A força gravitacional dos buracos negros resulta da quantidade absurda de massa que eles concentram numa região extremamente pequena. Quando essa densidade se torna infinita, a gravidade e outras grandezas físicas tendem igualmente ao infinito. Como as leis da física clássica não se aplicam a esses "infinitos", surgem singularidades no espaço-tempo.
Alguns físicos ainda duvidam da existência de buracos negros supermassivos — talvez porque reconhecer a existência de singularidades implica aceitar que a física tem um limite. Mas ainda que não seja possível ver um buraco negro diretamente (pois nem mesmo a luz escapa de seu horizonte de eventos), não faltam evidências de que eles existem, de pistas matemáticas a detecções indiscutíveis.
Um artigo publicado por Stephen Hawking e Roger Penrose, amplamente aceito pela comunidade científica, demonstra que qualquer objeto submetido a um colapso gravitacional extremo tende a formar uma singularidade ao se transformar em um buraco negro. Nas estrelas, esse colapso é temporariamente contido porque os átomos de elementos leves, como hidrogênio e hélio, passam por fusão nuclear contínua, produzindo uma pressão dirigida de dentro para fora. A gravidade, por sua vez, atua no sentido oposto, comprimindo a matéria e impedindo que a estrela se desintegre.
Observação: Quando o “combustível” do núcleo estelar se esgota, a pressão interna diminui, mas a massa e a gravidade continuam pressionando a matéria em direção ao centro da estrela. Quando essa massa ultrapassa 20 massas solares, a gravidade cria um poço gravitacional do qual nem mesmo a luz consegue escapar. Tudo isso acontece em segundos, mas resulta numa explosão de raios gama tão poderosa quanto toda a energia liberada pela estrela ao longo de toda sua vida.
As ondas gravitacionais — ondulações no espaço-tempo causadas por eventos cataclísmicos que percorrem todo o Universo — são indícios ainda mais concretos da existência dos buracos negros, já que instrumentos sofisticados, como o LIGO, podem detectar essas ondas, permitindo que os cientistas descrevam os objetos que lhes deram origem.
Estrelas binárias que orbitam umas às outras em espiral tendem a se tornar buracos negros que continuam existindo em dupla, e a interação gravitacional entre eles cria ondulações no espaço-tempo antes mesmo de uma eventual colisão. Em um sistema com mais de duas estrelas binárias, uma se torna um buraco negro e a outra continua em sua forma original ou se se transforma em anã branca.
Existem muitos tipos de galáxias ativas — como quasares, seyfert e radiogaláxias — cada qual com uma intensidade de radiação emitida. A maioria dos astrônomos acredita que esse fenômeno seja causado por buracos negros supermassivos, e que uma a cada dez galáxias ativas produza um jato relativístico de partículas energéticas perpendicular ao disco e em direções opostas. Embora a Via Láctea não seja uma galáxia ativa, o fato de as estrelas mais próximas do seu núcleo girarem a até 8% da velocidade da luz sugere que elas orbitam algo extremamente pequeno e massivo.
Continua...


