Sentindo-se invadida em sua autonomia no caso do INSS, a PF pediu providências à Advocacia-Geral da União contra um aperto de parafusos promovido pelo ministro André Mendonça, relator no inquérito sobre o caso do INSS.
Semanas atrás, os investigadores pediram a Mendonça para abrir novo inquérito contra Lulinha — um desdobramento da investigação sobre o assalto contra os aposentados. De plantão na chefia do Supremo durante o recesso do Judiciário, Alexandre de Moraes enviou a solicitação ao setor de distribuição do tribunal, para a escolha de um novo relator. Por uma trapaça do sistema eletrônico do Supremo, Mendonça foi sorteado pelo algoritmo para relatar também o novo inquérito.
Em privado, o combo de pastor e ministro se queixa de falta de transparência da PF. Incomodou-se por não ter sido informado de um troca-troca na equipe de investigadores. Agora, a PF foi como que intimada pelo acaso a se ajustar à vigilância do magistrado, que, nunca é demais lembrar, ganhou a toga por indicação do ex-presidente golpista.
Nosso sistema solar é um conjunto de corpos celestes formado por 8 planetas, centenas de satélites e um sem-número de asteroides, meteoros e objetos transnetunianos que orbitam o Sol unidos pela força da gravidade. Mas nenhuma teoria explica a contento o que é a gravidade em sua essência nem como ela atua no domínio quântico.
No macrocosmo das estrelas, planetas e objetos cotidianos, a relatividade geral a descreve não como uma força misteriosa à distância, mas como a curvatura do espaço-tempo causada pela presença de massa e energia, e explica fenômenos como a órbita de Mercúrio, o desvio da luz pelas estrelas, a detecção das ondas gravitacionais e até o funcionamento do GPS. Já na mecânica quântica, que rege o microcosmo dos átomos e partículas subatômicas, os elétrons, fótons e quarks se comportam também como ondas, e o vácuo apresenta flutuações energéticas intensas.
Como a relatividade geral e a mecânica quântica usam linguagens matemáticas distintas e princípios fundamentais diferentes, tentar descrever a gravidade em escalas quânticas — dentro de um buraco negro ou nos primeiros instantes do Big Bang, por exemplo — faz com que as equações entrem em colapso, até porque os efeitos quânticos da gravidade são incrivelmente fracos e só se tornam relevantes em escalas inimaginavelmente pequenas — como a Escala de Planck, que é um trilhão de trilhões de vezes menor do que um próton.
Investigar a gravidade quântica é comparável a tentar medir a altura de uma montanha sentindo a vibração de um único átomo em sua base, mas ainda assim existem ensaios brilhantes, como a Teoria das Cordas e a Gravidade Quântica em Loop. A primeira sugere que as partículas fundamentais são minúsculas cordas vibrantes cuja vibração dá origem à gravidade, mas, além de exigir um universo com mais de três dimensões espaciais, ela depende da existência de uma partícula gravitacional chamada Gráviton, que ainda não foi detectada. Já a segunda postula que o espaço-tempo não é contínuo, mas formado por diminutos laços que criam uma estrutura granular.
Conciliar essas duas ideias e formular uma teoria unificada é um dos maiores desafios da física teórica contemporânea, e enquanto não surgirem evidências experimentais extremamente difíceis de obter, continuaremos sem saber qual é a natureza quântica da gravidade. Por outro lado, essa incapacidade de unificar o muito grande e o muito pequeno não nos impede de mapear o sistema solar com precisão surpreendente — porque, na escala dos planetas, a relatividade geral funciona perfeitamente.
É nessa escala intermediária, entre o quântico e o cosmológico, que habitamos e exploramos um sistema planetário que se formou na Via Láctea a partir da condensação da matéria originada de explosões de supernovas antigas, estende-se por mais de 5 bilhões de quilômetros e tem como "vizinho de porta" o sistema triplo Alpha Centauri, que fica a 41,3 trilhões de quilômetros daqui e é um dos alvos prioritários na busca por vida extraterrestre (não estou falando de vida microbiana, mas de "vida inteligente").
Como as demais estrelas, nosso Sol é um reator de fusão nuclear que gera luz e calor convertendo hidrogênio em hélio. Embora seja de tamanho médio, ele é considerado estrela de 5ª grandeza porque, se colocado a uma distância padrão de 32,6 anos-luz da Terra, seu brilho intrínseco seria relativamente fraco, a despeito de seu tamanho ser suficiente para conter 1,3 milhões de planetas iguais ao nosso.
Em 2006, o rebaixamento de Plutão a objeto transnetuniano reduziu o número de planetas a oito, embora os cientistas trabalhem com a possibilidade de um hipotético "Planeta X" orbitar o Sol a uma distância 20 vezes maior que Netuno. Dos 8 planetas remanescentes, quatro são internos e rochosos — Mercúrio, Vênus, Terra e Marte — e quatro são externos e gasosos — Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Os primeiros orbitam o Sol antes do cinturão de asteróides, onde estão dispersos destroços de um material que nunca chegou a formar um planeta. A Terra é o maior dos planetas internos e Júpiter, o maior dos gigantes gasosos e, consequentemente, do Sistema Solar.
Se realmente existir, o Planeta X teria entre 5 e 10 vezes a massa da Terra, o que o coloca numa faixa intermediária entre planetas rochosos grandes e gigantes gasosos — uma classe de planeta que, curiosamente, não existe no nosso sistema solar atual, mas é extremamente comum em outros sistemas planetários observados pela astronomia. Além disso, ele estaria a cerca de 500 unidades astronômicas do Sol (uma UA equivale à distância do Sol à Terra), com uma órbita que levaria de 10 mil a 20 mil anos para ser completada.
Quanto à origem, os astrônomos Konstantin Batygin e Michael Brown sugeriram que o planeta misterioso pode ser o núcleo de um gigante gasoso que foi ejetado de sua órbita original por Júpiter durante a formação do Sistema Solar — o que explicaria tanto seu tamanho quanto sua órbita extremamente excêntrica e distante.
Continua…