quinta-feira, 13 de agosto de 2026

AINDA SOBRE VÊNUS

AS NUVENS DO CÉU — O CÉU DO INFINITO EU DE NENHUM LUGAR.

Enquanto quase todos os planetas parecem obedecer à mesma coreografia cósmica, dois deles resolveram desafiar a regra: Vênus e Urano giram “ao contrário” dos demais — como engrenagens defeituosas num mecanismo celeste que deveria funcionar em perfeita harmonia.

Como vimos no post do último dia 5, seis dos oito planetas do nosso sistema solar orbitam o Sol no mesmo sentido da rotação da estrela, que é anti-horário — as exceções são Vênus e Urano, que têm "rotação retrógrada".

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Em desvantagem junto ao eleitorado feminino, o Plano A de Flávio Rachadinha era fechar um acordo com o PP e indicar a senadora Tereza Cristina para a vice. Deu errado. O Plano B era atrair o Republicanos e anunciar Daniela Marques, ex-presidente da Caixa, como número 2. Falhou. O Plano C era seduzir o Podemos e fazer da presidente do partido, Renata Abreu, a companheira de chapa. Novo malogro.

Abandonado pelas legendas do centrão, o filho do refugo da escória da humanidade descobriu que lhe faltava um plano de contingência. Obrigado a olhar para dentro do seu próprio partido, percebeu que lhe faltava no PL uma mulher de destaque. Improvisou um Plano D nas coxas e escolheu como candidato a vice um deputado de biografia mais que duvidosa.

O improviso foi realçado por uma postagem. Na noite da véspera, o escolhido, que havia informado nas redes sociais que disputaria uma vaga no Senado, foi empurrado para a cena nacional graças ao papel que exerceu como relator da CPI do INSS. Rejeitado pela comissão, seu relatório incluiu Lulinha no rol de indiciados. Seu papel na campanha será desgastar Lula, fustigando o primogênito do petista. As mulheres ficaram em segundo plano.

A escolha também desprezou uma questão essencial: a qualificação de quem poderá assumir a Presidência. Num país em que três vices assumiram o comando do país desde o fim da ditadura — Sarney, Itamar e Temer — é uma temeridade.


Para Urano, as hipóteses mais aceitas são: 1) a inclinação axial de 97,77° faz seu eixo de rotação ficar quase perpendicular ao plano orbital e "rolar" em torno do Sol; 2) a colisão com um grande objeto ter "derrubado" o planeta de lado e formado os 29 satélites que o orbitam a partir de pedaços de matéria ejetados, que foram se acumulando gradualmente.

Especula-se ainda que Urano pode ter sofrido mais de um impacto massivo no início de sua história, o que explicaria tanto seu ângulo axial quanto a órbita equatorial de suas luas — que giram em torno de Urano no mesmo plano do equador dele, o que é curioso, já que o planeta está "deitado".

No caso de Vênus, supõe-se que uma ou mais colisões com asteroides de grande porte alteraram seu sentido de rotação, ou que ele seja "puxado" pela gravidade solar e "empurrado" ao mesmo tempo por ondas gigantes, como num cabo de guerra, daí sua rotação ser não apenas retrógrada, mas também extremamente lenta — um dia venusiano dura 243 dias terrestres. Em contraste, sua órbita ao redor do Sol leva 225 dias terrestres. Isso significa que um dia é mais longo do que um ano — uma curiosidade sem paralelo no Sistema Solar. Isso sem mencionar que, devido à rotação invertida, o Sol nasce no oeste e se põe leste — um céu literalmente “ao contrário” do nosso.

Estar na superfície de Vênus seria como estar no fundo de um oceano muito, muito quente, com temperaturas superiores a 450 °C — calor suficiente para derreter chumbo. E o principal culpado não é o Sol, mas o efeito estufa descontrolado provocado pela densa atmosfera de dióxido de carbono, que retém o calor como um cobertor espesso ao redor do planeta. Além disso, a pressão atmosférica na superfície venusiana é cerca de 90 vezes maior do que a que experimentamos na Terra, equivalente à encontrada a 900 metros de profundidade nos oceanos terrestres.

Outro detalhe curioso: apesar de ser o segundo planeta a partir do Sol, Vênus é o mais quente em termos de temperatura média. Embora Mercúrio fique mais próximo do Sol, a ausência de atmosfera provoca variações brutais de temperatura (de 430 °C no lado iluminado a −180 °C no lado noturno), enquanto Vênus mantém a maior média térmica do Sistema Solar — 475 °C de forma constante, dia e noite, em qualquer ponto da superfície, como uma estufa perfeita e infernal.

Vênus é o astro mais brilhante do céu noturno depois da Lua, e por isso foi chamado de "Estrela da Manhã" ou "Estrela da Tarde" por diversas culturas ao longo da história — a depender de em qual parte de sua órbita se encontrava ao ser observado. Os maias chegaram a construir templos alinhados com seu movimento, tão importante era o planeta em sua cosmologia.

Visto da Terra, Vênus parece belo, sereno e brilhante, um farol delicado no céu noturno. Sob suas nuvens eternas, no entanto, esconde-se um verdadeiro apocalipse atmosférico em rotação lenta — uma lembrança cósmica de que aparência e realidade nem sempre orbitam juntas.

Como se vê, o Universo também sabe fazer propaganda enganosa.