quinta-feira, 18 de junho de 2026

NEWTON E A RELIGIÃO

A RELIGIÃO É O QUE FAZ A HUMANIDADE ACREDITAR QUE O SOFRIMENTO É UMA VIRTUDE.

Reza a lenda que o famoso episódio da maçã levou o matemático, físico, astrônomo, alquimista, teólogo e escritor Isaac Newton a concluir que uma força exercida pela Terra "puxa" os objetos em direção ao solo. 

Verdade ou não, as célebres leis de Newton descrevem um mundo que não diferencia o passado do futuro, embora uma das características mais evidentes seja a direcionalidade do tempo. Além disso, no livro Princípios Matemáticos da Filosofia Natural, publicado em 1687, ele esclareceu uma série de questões, mas trouxe novos problemas que intrigam os cientistas até hoje.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Têm sido frequentes as notícias sobre a justificada preocupação do governo com o crescimento da oposição nas pesquisas de intenção de votos, mas no ambiente palaciano não se compreende as razões para tal e, de maneira contraditória, se busca emplacar a ideia de que a eleição pode ser resolvida no primeiro turno em favor do candidato à reeleição..
Ou esses autores querem enganar alguém, ou estão empenhados em enganar a si mesmos. 
Os governistas não entendem por que os benefícios sociais e a retórica do presidente não têm o mesmo efeito de antes, e tampouco se conformam com o fato de escândalos de corrupção caírem no colo do Planalto, sendo que gente do governo anterior teve participação até maior. Mas bastaria uma leitura desprovida de miopia deliberada para esclarecer as dúvidas. 
No primeiro caso, os leitores compreenderiam que o personagem Lula cansou. Não renovou o texto nem a cenografia de um repertório dos anos 1980 que passou por algumas adaptações, mas tenta vender a saga do desempregado que deu certo, mas com a plumagem do migrante vindo do Nordeste, que viu no sindicalismo uma oportunidade e venceu como presidente da República.
O macróbio fala a linguagem do povo simples, compreende suas dificuldades porque já sofreu com elas. Ignora, contudo, que essa conversa colava com os pais (quiçá, os avós), mas não emociona os filhos mais interessados em se afastar desse tipo de identificação. No capítulo dos escândalos, o descolamento só seria possível se não houvesse ninguém da atual gestão enroscado no Banco Master e nas fraudes do INSS, e caso os hoje oposicionistas já não tivessem sido aliados de governos do PT. Ajudaria também se o partido não tivesse estrelado o mensalão e o petrolão e, com isso, perdido o tal do lugar de fala da época em que pregava a ética da política.
Como se vê, não é um mistério difícil de se desvendar. Basta querer enxergar para compreender.

Newton costuma ser lembrado por ter descrito a gravidade e ajudado a consolidar a física moderna. Mas ele também se dedicou intensamente ao campo religioso, pois via a natureza como um caminho para compreender a ação de Deus na história. Além de professor e membro da Royal Society, o britânico foi um estudioso da Bíblia e de textos sagrados, cronologias e debates doutrinários. Registros indicam que ele investigou a Trindade, a natureza de Cristo e a história da Igreja — e por divergir das posições oficiais de sua época, manteve parte de seus escritos teológicos em sigilo, embora buscasse conciliar análise histórica, leitura rigorosa das Escrituras e raciocínio lógico.

Sua crença em um universo ordenado sustentava a ideia de que fenômenos físicos podiam ser descritos por leis gerais. Para ele, a regularidade dos movimentos planetários era evidência de uma organização racional do cosmos, compatível com um propósito divino. Em seus estudos teológicos, aplicou métodos semelhantes aos usados na ciência, comparando traduções, calculando períodos históricos e buscando coerência interna. Assim, o mesmo espírito analítico presente na mecânica, na óptica e na matemática aparecia em sua leitura das Escrituras e da história.

Ao tratar a teologia como um campo de investigação sistemática, Newton utilizou procedimentos próximos ao “método científico” para buscar padrões, relações temporais e estruturas lógicas nos textos sagrados, aproximando o estudo da Bíblia de uma pesquisa histórica e crítica. Nesse processo, algumas práticas se destacavam como centrais em sua abordagem religiosa e intelectual conjunta.

Entre os aspectos mais comentados de sua religiosidade está o interesse por profecias apocalípticas. Em manuscritos publicados séculos depois, o cientista sugere que trechos de Daniel e do Apocalipse apontariam para um marco em torno do ano de 2060. Essa previsão, formulada no contexto religioso dos séculos XVII e XVIII, não descreve o fim absoluto da existência, mas o encerramento de uma era histórica e o início de uma nova fase de paz — ele via a história como organizada em ciclos divinos, reconstruídos por meio de análise minuciosa das Escrituras.

A religião moldou o modo como Newton encarava a pesquisa científica, reforçando a expectativa de encontrar regularidade nas leis da natureza e sentido na história humana. Sua fé em um Deus racional sustentava a confiança em um cosmos inteligível. Hoje, embora sejam mais lembrados pelas contribuições à física clássica, seus manuscritos teológicos mostram que ele dedicou grande parte do tempo à interpretação bíblica, e por isso permanece como exemplo de um período em que ciência e fé caminharam entrelaçadas na busca de compreensão do mundo natural e espiritual

No fim das contas, Newton mostrou que o universo obedece a leis matemáticas rigorosas, mas, curiosamente, deixou para a humanidade a tarefa de decidir se deve obedecer às leis da física ou às interpretações humanas do divino.

A gravidade puxa todos os corpos para o chão, mas a fé puxa mentes para direções bem menos previsíveis.