AUSÊNCIA DE EVIDÊNCIA NÃO É EVIDÊNCIA DE AUSÊNCIA. No entendimento de Newton, "o tempo absoluto, verdadeiro e matemático, sem relação a nada de exterior, escoa uniformemente e se chama duração". Kant, por seu turno, via o tempo como a estrutura pela qual percebemos nossos próprios estados mentais. Já as equações relativísticas de Einstein revelaram que tempo e espaço formam uma única estrutura, e que a dilatação do tempo decorre tanto da velocidade quanto da gravidade.
Sectários das religiões abraâmicas e criacionistas acreditam no Gênesis e no bispo irlandês James Ussher, segundo os quais Deus criou o mundo e tudo que nele existe em sete dias contados a partir das 9h da manhã de 23 de outubro de 4004 a.C.
Quando disse que os idiotas dominariam o mundo (não pela capacidade, mas pela quantidade), Nelson Rodrigues esqueceu que boa parte dele pertence ao imprestáveis. Falando nessa escumalha, Dudu "Bananinha" Bolsonaro virou réu por articular sanções dos Estados Unidos para intimidar ministros do Supremo e está na bica de ser condenado.
O julgamento vai revirar um baú que inclui a revogação dos vistos de oito togas, as sanções da Lei Magnitsky e o tarifaço de 50% de Trump contra exportações do Brasil, revogado posteriormente, e a condenação vai doer na campanha do irmão mais velho, cuja visita à Casa Branca levou a calopsita alaranjada a ameaçar o Brasil com novo tarifaço.
Nada é certo neste mundo, a não ser a mania do clã Bolsonaro de morder qualquer desejo sem antes se certificar de que não tem um anzol oculto. A família do mito digere tudo o que vem de Trump, das iscas aos anzóis, mesmo sabendo que não vão lhes fazer bem.
Ainda sobre imprestáveis, a calopsita alaranjada enfrenta a crise dos 'Três Ps'. Faltam-lhe paz, prudência e popularidade. EUA e Irã anunciaram ter chegado a um acordo preliminar a ser assinado nesta sexta-feira, mas nem por isso o conflito desaparecerá no Oriente Médio, a sensatez brilhará em Washington e o alarme da impopularidade será desligado na Casa Branca.
A obscuridade é denunciada pela ausência de detalhes. Seria arriscado descartar imprevistos até o momento da assinatura, e ainda mais temerário desconsiderar o risco de novo curto-circuito nos 60 dias previstos para o arremate do acordo.
A precariedade do arranjo foi realçada por Israel ao realizar na segunda-feira novo ataque contra o Líbano. Netanyahu está preso aos compromissos de Trump por grilhões de barbante, e o acerto é incerto, de resto, porque o Irã não parece disposto a erradicar seu programa nuclear — principal pretexto para o início da guerra.
Seduzido por Netanyahu, o chefe da Casa Branca arrastou os Estados Unidos para a guerra imaginando que conquistaria o troféu de uma mudança de regime no Irã. Descobriu que há males que vêm para pior. O assassinato do aiatolá Ali Khamenei deflagrou uma transição da teocracia sanguinolenta para o poder militarizado, submetido às conveniências da temível Guarda Revolucionária.
Se comprimíssemos toda a história do Universo em um único ano — o famoso "calendário cósmico" de Carl Sagan —, toda a história humana registrada caberia nos últimos 10 segundos do dia 31 de dezembro. Considerando que a vida humana média é de 80 anos, isso representa uma proporção de aproximadamente 1 para 170 milhões em relação à idade do Universo — daí o tempo astronômico ser incomensuravelmente maior do que aquele que experimentamos no cotidiano.
Nosso sistema solar se formou há cerca de 5 bilhões de anos, e a Terra, aproximadamente 500 milhões de anos depois. Os dinossauros foram extintos há cerca de 66 milhões de anos, no limite entre os períodos Cretáceo e Paleogeno, provavelmente em consequência do impacto de um asteroide na região do atual México (cratera de Chicxulub).
Falamos em milhões, bilhões e trilhões com a naturalidade de quem não tem a menor ideia do que essas grandezas significam. A título de contextualização, 66 milhões de anos correspondem a aproximadamente 2 quatrilhões de segundos. Como contar em voz alta de zero a um milhão demoraria cerca de 23 dias, chegar a um bilhão levaria entre 153 e 230 anos — a estimativa varia porque, embora um bilhão de segundos corresponda a pouco mais de 31 anos, os números se tornam progressivamente mais longos de pronunciar, além do que as pessoas precisam dormir, comer e satisfazer outras necessidades fisiológicas, e isso limitaria a contagem a cerca de 16 horas por dia.
A Solar Parker Probe — sonda espacial mais veloz já lançada pela NASA — alcançou 692 mil km/h (cerca de 0,064% da velocidade da luz) no final de 2024, impulsionada pela gravidade solar. Vale destacar que a luz se propaga no vácuo a aproximadamente 300 mil km/s, e que essa é a velocidade limite no Universo — segundo Einstein, nada contendo massa pode atingir essa velocidade, pois, à medida que um objeto acelera, sua massa aumenta, tendendo ao infinito conforme se aproxima da velocidade da luz.
Ainda assim, a 692 mil km/h seria possível ir da Terra a Netuno em menos de 9 meses — façanha notável se considerarmos que a Voyager II demorou 12 anos e a New Horizons, 8,5 anos para percorrer distâncias comparáveis.
Concluída esta introdução, a pergunta que se impõe é: se os demais planetas do nosso sistema solar e suas respectivas luas são inabitados, como explicar os avistamentos de UAPs (Unidentified Aerial Phenomena) que não podem ser catalogados como balões meteorológicos, drones, ilusões de óptica ou projetos secretos desenvolvidos pelos EUA, Rússia ou China?
Continua…
