A FICÇÃO DE HOJE PODE SER A CIÊNCIA DE AMANHÃ.
Quando falamos em miniaturização, logo nos vem à mente o clássico Viagem Fantástica, no qual cientistas encolhem um submarino e sua tripulação para um tamanho microscópico para navegar pela corrente sanguínea de um diplomata e salvar sua vida. Todavia, esta postagem tem menos a ver com ficção e mais com as mudanças tecnológicas de meados do século passado a esta parte. Senão vejamos.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Flávio Rachadinha Bolsonaro esperou até o último dia do prazo para o registro das candidaturas para definir que o deputado estadual Alfredo Gaspar ocupará a vaga de vice-presidente em sua chapa. A decisão veio depois que o Republicanos, o PP e a federação entre União Brasil optaram pela neutralidade.
Ex-promotor de Justiça, ex-procurador-geral de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, Gaspar foi eleito deputado federal em 2022 e ganhou projeção nacional como relator da CPMI do INSS. Na convenção, Flávio destacou a trajetória do parlamentar na área de segurança pública, sua atuação na comissão e a representatividade de Alagoas e do Nordeste na chapa, bem como lembrou que o deputado pediu a prisão de Lulinha e ressaltou que o vice representa “o Nordeste de fato”. A escolha frustrou a expectativa de parte do PL, que defendia o nome de uma mulher para vice..
Segundo aliados, o ex-presidente golpista e atualmente presidiário Jair Bolsonaro aprovou a indicação (é público e notório que, sem o aval de Bibo Pai, Bobi Filho não solta sequer um peido).
A definição ocorreu de forma acelerada: na terça-feira o deputado havia sido oficializado pelo PL como candidato ao Senado por Alagoas e, menos de 24 horas depois, deixou a disputa estadual para ser anunciado como candidato a vice-presidente, e comprou uma passagem de última hora para Brasília.
Integrantes do bolsonarismo avaliam que o parlamentar tem baixo potencial eleitoral, não amplia a presença da chapa entre o eleitorado feminino e tampouco reduz a resistência de parte do mercado financeiro à candidatura de Flávio. Nos bastidores, dirigentes do PL classificam Gaspar como um nome de pouca projeção nacional e sem capacidade de agregar votos. Isso sem falar que Gaspar é alvo de um pedido de investigação da PF no STF por suspeita de estupro de vulnerável — uma adolescente de 13 anos que teria engravidado —, além de alegações de tentativa de suborno para manter a família em silêncio e do suposto desvio de R$ 6 milhões em emendas parlamentares.
A ex-primeira dama e madrasta de Flávio não compareceu ao anúncio da escolha do vice na chapa do enteado porque, de acordo com a senadora Damares Alves, estava fazendo almoço para o marido, que se encontra em prisão domiciliar.
E viva o povo brasileiro.
Nossa realidade se parece cada vez mais com o desenho animado Os Jetsons, criado por William Hanna e Joseph Barbera e lançado em 1962, na esteira do sucesso de Os Flintstones, que retratava a vida de uma família da idade da pedra. No seriado futurista, os criadores teorizavam como seria viver em 2062, com carros voadores, robôs e outras tecnologias incríveis.
Como a vida imita a arte, as videochamadas — corriqueiras para a família Jetson, mas que não passavam de ficção científica em 1962 — foram fundamentais durante a pandemia da Covid. Os televisores de telas finíssimas, comuns nos dias atuais, também não existiam na década de 60. Além de mostrar as horas, os relógios funcionavam como videofones e controlavam dispositivos domésticos — coisa que só se tornou possível no mundo real após o lançamento do Samsung Galaxy Gear.
Observação: O primeiro relógio "inteligente" foi o Seiko Ruputer (1998), que dispunha de processador de 8 bits a 3.6 MHz, 128 kB de RAM, 2 MB de armazenamento, tela de quartzo líquido (monocromática) de 102 x 64 pixels e um joystick em miniatura, que permitia interagir com o software interno. O gadget oferecia calendário com agenda, calculadora e games, mas sua baixa autonomia e a escassez de aplicativos decepcionaram os consumidores.
Em alguns episódios, Jane, a matriarca da família, ativava um pequeno robô que aspirava a casa os modernos aspiradores inteligentes. Já a robô-faxineira Rosey era um sonho de consumo que pode virar realidade em breve: a Aeolus Robotics já anunciou um robô doméstico com formato humanoide semelhante ao do desenho.
Quando se trata de retratar o futuro em produções audiovisuais, o maior clichê são os carros voadores, que têm presença garantida nos mundo dos Jetsons. Na vida real, ainda não os vemos cruzando o céu, mas a promessa já existe: além do Gênesis X1, da startup cearense Vertical Connect, modelos da Eve — empresa de mobilidade aérea urbana da Embraer — devem ser lançados no mercado brasileiro ainda este ano.
Se as tecnologias exibidas no desenho encantavam os telespectadores pela funcionalidade, o Jetpack ganhava as crianças pelo viés da diversão: colocar uma mochila nas costas e voar, como fazia o menino Elroy, era o sonho de consumo dos pequenos espectadores. Mas essa tecnologia existe desde 2021, quando a empresa JetPack Aviation vendeu várias unidades para militares de um país do sudeste asiático.
Quanto às viagens espaciais, um estudo baseado no voo dos albatrozes avalia a possibilidade de aproveitar os ventos gerados pelo Sol para alcançar cerca de 2% da velocidade da luz — o que permitiria a espaçonaves futuras ultrapassar os limites do sistema solar sem propulsores. É uma ideia ainda teórica, mas não muito diferente do que já pareceu impossível antes. Aliás, as sondas Voyager, lançadas pela NASA em 1977, já cruzaram a fronteira do espaço interestelar — o primeiro passo, ainda que minúsculo, na exploração de outros sistemas solares.
Mudando o foco para a informática (conhecida inicialmente como "cibernética"), o ábaco e outras tábuas de contar foram criados não se sabe ao certo se pelos sumérios, chineses e antigos egípcios mais de 4 mil anos antes da Era Cristã, mas não restam dúvidas de que eles foram os antepassados mais remoto dos computadores.
Os gigantescos mainframes (que atendiam por "cérebros eletrônicos" e ocupavam salões inteiros, embora tivessem menos poder de processamento do que uma calculadora eletrônica atual) surgiram na primeira metade do século passado. O primeiro modelo de grande escala foi o ENIAC, que pesava 30 toneladas e tinha 18 mil válvulas que precisavam ser substituídas à razão de uma a cada dois minutos, mas capaz de realizar apenas 5 mil somas, ou 357 multiplicações, ou 38 divisões simultâneas por segundo. Além disso, seu armazenamento era suficiente apenas para manipular os dados envolvidos na tarefa em execução, ou seja, qualquer modificação exigia que os programadores corressem de um lado para outro da sala, desligando e religando centenas de fios.
Os primeiros computadores totalmente transistorizados foram os IBM 1401 e 7094, lançados nos anos 1950. Em 1964, a TEXAS INSTRUMENTS criou o circuito integrado (CI), composto por conjuntos de transistores, resistores e capacitores. Na década seguinte, a INTEL agrupou vários circuitos integrados num único "microchip", propiciando a construção de equipamentos de pequeno porte, como o PET 2001 — lançado em 1976 e tido como o primeiro microcomputador pessoal — e os Apple I e II — este já com unidade de disco flexível.
A computação pessoal surgiu no início dos anos 1960, começou a se popularizar mais de 20 anos depois, mas foi de vento em popa a partir do lançamento do iPhone pelo visionário Steve Jobs, que estimulou o desenvolvimento de "computadores de mão". Depois de ganharem novos recursos e funções, esses gadgets se tornaram um complemento dos PCs tradicionais e, mais recentemente, um substituto dos desktops e notebooks — a não ser quando a tarefa requer monitor de grandes dimensões, teclado e mouse físico e maior capacidade de memória e armazenamento, Atualmente, mesmo numa republiqueta de bananas como a nossa, há dois dispositivos digitais por habitante e mais de 250 milhões de celulares ativos.
Resumo da ópera: milhares de anos separam a invenção do ábaco do surgimento dos gigantescos mainframes, mas, a partir de então, bastaram algumas décadas para os computadores pessoais serem criados e diminuírem de preço e de tamanho, mas crescessem em poder de processamento e variedade recursos, tornando-se ultraportáteis e indispensáveis. Mas nem tudo foram flores nesse jardim.
Continua…
