quinta-feira, 6 de agosto de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE MARTE

MARTE, PEQUENO E MISTERIOSO, NA VASTIDÃO DO COSMOS TUA AURA RUBRA DESPERTA FASCINAÇÃO QUAL JÓIA PERDIDA.

Antes de abordar os planetas "externos" — assim considerados Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, que ficam situados além do cinturão de asteroides — cabe dedicar mais alguns parágrafos a Marte, que é frequentemente tratado como nosso "vizinho de porta", mas não chega a ser tão próximo assim.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Nada é mais assombroso na conjuntura política atual do que a normalidade que reveste as reações dos envolvidos em inquéritos da PF.. Escândalos brotam de fatos que provocam espanto, ferindo a rotina como uma lâmina afiada. Nas explicações dos encrencados, o que fere é a normalidade. O absurdo ganha uma admirável naturalidade.

Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, disse achar "normal" ter recebido dinheiro de Roberta Luchsinger, a lobista do Careca do INSS, quando ocupava o estratégico cargo de chefe de gabinete de Lula. Foi apenas um "empréstimo", disse ele. A defesa de Lulinha sustenta ser "normal" que o primogênito do macróbio eneadáctilo tenha viajado às custas do careca tóxico para conhecer um empreendimento de cannabis medicinal em Portugal.

Já o senador e candidato competitivo à Presidência — falo do primogênito do refugo da escória da humanidade — diz não haver nada demais em pedir dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar a cinebiografia de seu papai. Outro senador, o petista Jaques Wagner, unha e carne com Lula, considerou normalíssimo pedir a Augusto Lima, sócio de Vorcaro, que lhe comprasse um apartamento de luxo.

Nenhum espelho reflete melhor a imagem de um homem do que as suas palavras. É como se os protagonistas de inquéritos intimassem a plateia a fazer papel de boba, suprimindo dos seus hábitos o ponto de exclamação. 

O brasileiro comum é compelido a concluir que algo de muito anormal precisa ocorrer para restabelecer a sanidade nacional. Um bom começo seriam investigações criminais rigorosas e bem feitas, capazes de interromper o ciclo de impunidade. Infelizmente, isso é um sonho impossível, pelo menos enquanto mais da metade do eleitorado se dividir entre o sujo e o mal lavado.


Em sua aproximação máxima com a Terra, Marte permanece a cerca de 54,6 milhões de km, e Vênus, em sua melhor aproximação, pode ficar a apenas 38 milhões de km. E quando eles se alinham do mesmo lado do Sistema Solar — fenômeno conhecido como conjunção inferior — a distância que os separa diminui consideravelmente. 

Marte, por sua vez, fica mais próximo da Terra durante as chamadas oposições favoráveis, quando ambos se encontram do mesmo lado do Sol e relativamente próximos em suas órbitas. Mas mesmo nessas ocasiões o planeta vermelho permanece mais distante do que Vênus em sua melhor aproximação. 

Mal comparando, é como morar em um condomínio onde o vizinho da casa ao lado (Vênus) às vezes encosta tanto que quase bate à nossa porta, enquanto o morador do bloco da frente (Marte), embora famoso e fotogênico, mantém sempre uma distância respeitável.

Observação: Estudos recentes indicam que Mercúrio é, em média, mais próximo não apenas da Terra, mas também dos demais planetas do Sistema Solar, uma vez que, por orbitar o Sol mais rapidamente, ele passa mais tempo relativamente próximo das órbitas dos outros planetas.

Marte pode ser o queridinho da ficção científica e o candidato favorito para futuras colônias humanas, mas, quando o assunto é proximidade, Vênus leva a medalha de prata, e Mercúrio, discretamente, acaba ficando com o ouro. No fim das contas, o planeta vermelho é como aquele vizinho simpático que vive aparecendo nos filmes, mas mora alguns quarteirões adiante. Quem realmente toca a campainha com mais frequência é Vênus.

Com temperaturas capazes de derreter chumbo e uma atmosfera sufocante, talvez seja mais prudente deixar uma visita a Vênus no campo da imaginação. Ou, como diria o porteiro do cosmos: "vizinho próximo nem sempre é sinônimo de boa companhia".

Finda esta breve complementação, passaremos aos quatro planetas "externos" — que eram 5 até 2006, quando Plutão foi rebaixado a planeta anão (ou objeto transnetuniano), e podem voltar a ser caso a existência do hipotético "Planeta X", que supostamente orbita o Sol a uma distância 20 vezes maior que Netuno, venha a se confirmar. 

Se realmente existir, esse planeta teria entre 5 e 10 vezes a massa da Terra, o que o coloca numa faixa intermediária entre planetas rochosos grandes e gigantes gasosos — uma classe de planeta que, curiosamente, não existe no nosso sistema solar atual, mas é extremamente comum em outros sistemas planetários observados pela astronomia. Além disso, ele estaria a cerca de 500 unidades astronômicas do Sol (uma UA equivale à distância do Sol à Terra), com uma órbita que levaria de 10 mil a 20 mil anos para ser completada.

Continua...