quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O TEMPO PERGUNTOU AO TEMPO QUANTO TEMPO O TEMPO TEM…

… E O TEMPO RESPONDEU QUE NÃO TEM TEMPO PRA DIZER AO TEMPO QUE O TEMPO DO TEMPO É O TEMPO QUE O TEMPO TEM.


Não sabemos se o tempo existe realmente ou se não passa de uma criação humana destinada a explicar o dia e a noite, as fases da lua e outras sazonalidades. Ainda assim, consideramos o tempo o pano de fundo de uma sucessão de eventos em que o ontem determina o que acontece hoje e o hoje determina o que acontece amanhã.


Sabemos que o tempo não flui da mesma maneira para todas as pessoas em todos os lugares devido aos efeitos da dilatação do tempo e da dilatação gravitacional. Num carro a 180 km/h, esses efeitos são imperceptíveis, mas os relógios atômicos dos satélites GPS que orbitam a Terra adiantam 38 microssegundos por dia, sendo — 7 microssegundos a menos devido à velocidade e 45 microssegundos a mais devido à gravidade. 


Pelo mesmo motivo, o tempo passa mais devagar ao nível do mar do que no topo do Everest — como foi comprovado experimentalmente por relógios atômicos posicionados a alturas diferentes. Já numa espaçonave a 99,9999999% da velocidade da luz, a dilatação do tempo reduz milhares de anos terrestres a poucos segundos, tornando viagens de centenas ou milhares de anos-luz praticamente instantâneas (no referencial dos astronautas).


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Uma eleição de fim e de começo. Fim de um ciclo para o lulismo — seja o xamã petista reeleito ou não, essa é sua última corrida eleitoral —, potencialmente para o bolsonarismo — caso Flávio Rachadinha perca, o que sobra para o empreendimento familiar? —, e do começo de uma transição para a política nativa digital, que pede candidatos com a cabeça naturalmente nessa era. Mas os candidatos mais visados, prediletos e, ao mesmo tempo, mais rejeitados nas pesquisas não compareceram, alegando razões estratégicas de proteção mútua. 
Por óbvio, as ausências foram exploradas livremente com variações entre críticas e grosserias, com a desvantagem de os alvos não estarem ali para exigir direito de resposta a ofensas pessoais que claramente feriam as regras do embate.
A resposta à clássica pergunta sobre quem ganhou o debate depende do ponto de vista. Sob o prisma da captura de atenção e produção de cortes para a internet, Renan Santos (Missão) se deu bem, já que há público para espetáculo de insultos. Mas no aspecto da apresentação de credenciais para o papel de estadista, nenhum dos três pareceu apto a despertar no eleitorado a motivação para ultrapassar a barreira das torcidas organizadas por afeições e aversões.
É possível que Renan ganhe pontos nas pesquisas pelo viés recreativo. Caiado e Cury não estiveram à altura da empreitada presidencial nem da tarefa de sacudir o cenário sedimentado. O molusco abjeto e o senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias não quiseram se expor aos ataques dos adversários e ao risco de perder pontos no topo das preferências. Evitaram se enfrentar, sonegando ao eleitorado a chance da comparação sem o filtro da propaganda. Mas isso talvez não mexa na conta do custo-benefício: Collor, FHC e Lula eram favoritos quando escolheram não ir a debates iniciais e, ainda assim, ganharam eleições seguidas. Agora que há mais fanáticos que convictos, um abalo por causa de ausências e desempenho dos presentes soa improvável.
Aguardemos as pesquisas para ver qual foi a percepção do público. Mas fica a impressão de que, ao fugir do contraditório, os preferidos não confiam nos respectivos tacos, têm medo dos nanicos e menosprezam o discernimento do eleitor.

No livro Our Mathematical Universe, o cosmólogo Max Tegmark compara o cosmos a uma "colcha" formada por 10^118 (dez elevado a 118) retalhos, cada qual com suas próprias leis físicas, constantes específicas e um número colossal de partículas subatômicas (da ordem de 1 quatrigintilhão). Nosso universo é um desses "retalhos" e se estende em todas as direções por 42 bilhões de anos-luz (397.350.679.848.393.625.305.088 km). 


Para efeito de comparação, a soma dos grãos de areia de todas as praias da Terra é estimada em 10ˆ22 (ou 10 sextilhões, no sistema de numeração curta usado no Brasil), enquanto os 13,8 bilhões de anos transcorridos desde o Big Bang correspondem a cerca de 10ˆ17 segundos (ou 100 quatrilhões).


Falamos em milhões, bilhões e trilhões com a naturalidade de quem não tem a menor ideia do que essas grandezas significam. Contar em voz alta de zero a um milhão demoraria 23 dias, mas seriam necessários 230 anos para contar até 1 bilhão. Um bilhão de segundos corresponde a 31 anos e 8 meses, mas demora-se mais pronunciar os números conforme eles aumentam (levamos um segundo para dizer "2" e cinco para dizer "1.987.789"), sem falar que, como as pessoas precisam dormir, comer e satisfazer outras necessidades fisiológicas, a contagem ficaria limitada a 16 horas por dia.


Concluída essa (não tão breve) introdução, passamos ao cerne desta matéria, começando por lembrar que a imensidão do cosmos levou os astrônomos e astrofísicos a medirem as distâncias em unidades astronômicas (UA) — uma UA equivale à distância média entre a Terra e o Sol, que varia de 149,5 milhões de km no ponto mais próximo da estrela a 152,1 milhões no ponto mais distante —, ao passo que um ano-luz — distância que a luz percorre no vácuo ao longo de um ano — equivale a cerca de 9,5 trilhões de km.


Embora a luz se propague no vácuo com uma velocidade uniforme e constante de 299.792,5 km/s, ela demora 8 minutos e 13 segundos para percorrer a distância entre o Sol e a Terra e 4,24 anos para vir de Proxima Centauri, que fica a 40,2 trilhões de quilômetros do nosso sistema solarQuando ouvimos o termo ano-luz, nossa mente tende a subestimar completamente o que ele realmente significa. Parece apenas mais uma unidade de medida, como quilômetros ou milhas, que podemos visualizar e compreender. Mas não se trata de uma distância comum, como veremos no próximo capítulo.


Até lá.