… E O TEMPO RESPONDEU QUE NÃO TEM TEMPO PRA DIZER AO TEMPO QUE O TEMPO DO TEMPO É O TEMPO QUE O TEMPO TEM.
Não sabemos se o tempo existe realmente ou se não passa de uma criação humana destinada a explicar o dia e a noite, as fases da lua e outras sazonalidades. Ainda assim, consideramos o tempo o pano de fundo de uma sucessão de eventos em que o ontem determina o que acontece hoje e o hoje determina o que acontece amanhã.
Sabemos que o tempo não flui da mesma maneira para todas as pessoas em todos os lugares devido aos efeitos da dilatação do tempo e da dilatação gravitacional. Num carro a 180 km/h, esses efeitos são imperceptíveis, mas os relógios atômicos dos satélites GPS que orbitam a Terra adiantam 38 microssegundos por dia, sendo — 7 microssegundos a menos devido à velocidade e 45 microssegundos a mais devido à gravidade.
Pelo mesmo motivo, o tempo passa mais devagar ao nível do mar do que no topo do Everest — como foi comprovado experimentalmente por relógios atômicos posicionados a alturas diferentes. Já numa espaçonave a 99,9999999% da velocidade da luz, a dilatação do tempo reduz milhares de anos terrestres a poucos segundos, tornando viagens de centenas ou milhares de anos-luz praticamente instantâneas (no referencial dos astronautas).
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Para efeito de comparação, a soma dos grãos de areia de todas as praias da Terra é estimada em 10ˆ22 (ou 10 sextilhões, no sistema de numeração curta usado no Brasil), enquanto os 13,8 bilhões de anos transcorridos desde o Big Bang correspondem a cerca de 10ˆ17 segundos (ou 100 quatrilhões).
Falamos em milhões, bilhões e trilhões com a naturalidade de quem não tem a menor ideia do que essas grandezas significam. Contar em voz alta de zero a um milhão demoraria 23 dias, mas seriam necessários 230 anos para contar até 1 bilhão. Um bilhão de segundos corresponde a 31 anos e 8 meses, mas demora-se mais pronunciar os números conforme eles aumentam (levamos um segundo para dizer "2" e cinco para dizer "1.987.789"), sem falar que, como as pessoas precisam dormir, comer e satisfazer outras necessidades fisiológicas, a contagem ficaria limitada a 16 horas por dia.
Concluída essa (não tão breve) introdução, passamos ao cerne desta matéria, começando por lembrar que a imensidão do cosmos levou os astrônomos e astrofísicos a medirem as distâncias em unidades astronômicas (UA) — uma UA equivale à distância média entre a Terra e o Sol, que varia de 149,5 milhões de km no ponto mais próximo da estrela a 152,1 milhões no ponto mais distante —, ao passo que um ano-luz — distância que a luz percorre no vácuo ao longo de um ano — equivale a cerca de 9,5 trilhões de km.
Embora a luz se propague no vácuo com uma velocidade uniforme e constante de 299.792,5 km/s, ela demora 8 minutos e 13 segundos para percorrer a distância entre o Sol e a Terra e 4,24 anos para vir de Proxima Centauri, que fica a 40,2 trilhões de quilômetros do nosso sistema solar. Quando ouvimos o termo ano-luz, nossa mente tende a subestimar completamente o que ele realmente significa. Parece apenas mais uma unidade de medida, como quilômetros ou milhas, que podemos visualizar e compreender. Mas não se trata de uma distância comum, como veremos no próximo capítulo.
Até lá.