domingo, 28 de junho de 2026

CARNE ASSADA COMO MANDA O FIGURINO

UNS GOSTAM DO OLHO, OUTROS, DA REMELA

Tem gente que prefere comer mato a degustar uma picanha malpassada ou um medalhão de filé vermelhinho por dentro. Mas os carnívoros inveterados não resistem ao "poder de sedução" de uma carne assada suculenta, tostadinha por fora e macia por dentro. Nesse caso, minha sugestão é usar coxão-duro, mas quem quiser economizar uns trocados usar cortes de segunda — como paleta, músculo ou peito. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


No grande teatro da miséria humana, a esperança é a moeda de troca mais valiosa, e o desespero funciona como o ingresso VIP para um espetáculo de ilusões. 

Operam nesse palco duas máquinas implacáveis de moer pobre: o dízimo cobrado sob a ameaça do fogo eterno e as famigeradas bets, que acenam com a riqueza instantânea a um clique de distância.

Urge acabar com a isenção fiscal para templos e impor limites draconianos às casas de apostas, ambos exploradores da fé e da agonia que operam sob a batuta de malandros, embusteiros, vigaristas e enganadores, que seduzem os incautos com promessas cintilantes para esvaziar seus bolsos e suas almas no apagar das luzes. 

É fascinante observar como os mecanismos de transferência de renda dos mais vulneráveis para os mais espertos são idênticos. Vendem-se promessas sem qualquer garantia, de milagres divinos inquestionáveis ao sorteio cego do algoritmo. O apelo emocional é sempre covarde e fisga o indivíduo pela jugular do sonho. Quem lucra de verdade são lideranças que vivem do suor alheio enquanto desfilam em jatinhos e carros de luxo e transformam o altar e a internet em palcos lucrativos. 

Podem ser pastores com suas roupas, relógios e carros cintilantes ou influenciadores digitais ostentando desde a camisa do seu time do coração até jatinhos e iates caríssimos. Quando a promessa falha, a isenção de responsabilidade é imediata e cínica. Para a igreja, a desculpa é a vontade de Deus ou a falta de fé do irmão. Para a plataforma de apostas, a justificativa é a falta de sorte naquela noite. 

Os números dessa falsa alquimia são estarrecedores e pintam um retrato sombrio do nosso Brasil. Em 2025, o mercado legal de apostas online atraiu mais de 25 milhões de brasileiros e teve uma receita bruta absurda de R$ 37 bilhões. Do outro lado do balcão da fé, as cifras também assustam: Investigações apontaram que apenas a Igreja Universal do Reino de Deus movimentou cerca de R$ 42 bilhões em doações bancárias em um período de quatro anos e meio.

Não é por acaso que o Censo de 2022 revelou que o Brasil possui mais de 579 mil estabelecimentos religiosos — número que supera com folga a soma de todas as escolas e hospitais do país. 

Sob a lente da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, percebemos a gravidade do fenômeno: tanto o templo quanto o aplicativo funcionam como telas em branco para a projeção da nossa Sombra e do nosso anseio inato por salvação.

O indivíduo esmagado pela desigualdade e pela falta de perspectiva projeta no líder religioso ou na roleta virtual a figura do salvador mágico. Essa criança eterna dentro de nós recusa o trabalho árduo da realidade e implora por um resgate fantástico. As bets e a teologia da prosperidade alimentam essa fantasia infantil oferecendo uma alquimia corrompida que promete transformar o chumbo do sofrimento diário no ouro da riqueza instantânea.

O resultado físico e simbólico dessa exploração é percebido pela quantidade de sintomas mentais e, consequentemente, físicos. Os corpos adoecem pela ansiedade crônica da aposta perdida. Os estômagos são corroídos pela culpa religiosa asfixiante. As mentes se fragmentam pelo endividamento, e as famílias se rompem em silêncio — afinal, quem não aposta é excluído da roda de amigos modernos e quem não devolve o dízimo é expulso do rebanho sagrado. 

A exploração é normalizada sob o disfarce perverso de ajuda ou entretenimento. O mesmo fiel que condena a aposta como um jogo de azar pecaminoso senta-se na primeira fileira do culto da prosperidade, esperando que seus R$50 se multipliquem magicamente por obra do Espírito Santo. Um deposita na conta do pastor pela promessa de cura e riqueza. O outro deposita no site sediado em um paraíso fiscal pela promessa de retorno financeiro imediato. Ambos saem mais pobres e sangrados por uma indústria do vício. 

Essa máquina usa algoritmos e bônus de boas-vindas ou se blinda com isenções fiscais e absoluta falta de transparência. A igreja, na sua defesa, ainda oferece o amparo social de uma cesta básica e o calor de uma oração compartilhada. A plataforma de apostas nos deixa apenas com o brilho frio da tela do celular na madrugada.

A diferença real é que uma usa Deus como fiador inquestionável da ilusão e a outra usa o acaso matemático. A saída para esse labirinto não é escolher qual explorador tem a melhor lábia ou a melhor interface. O problema central não é a dicotomia entre igreja e aposta. A verdadeira engrenagem é um país profundamente desigual e carente de educação financeira e de letramento teológico.

É preciso dizer que Malaquias 3:10 nunca foi um recibo de depósito bancário com garantia de salvação e prosperidade, apesar da ameaça de que reter os recursos de dízimos e oferendas equivale a roubar a Deus. Precisamos de reflexão crítica e de uma regulação séria. De novo: urge acabar com a farra da isenção fiscal para templos que operam como corporações financeiras, bem como impor limites draconianos às casas de apostas que lucram com o vício.

Enquanto não tivermos educação universal e de qualidade que incentive o pensamento crítico, o autoconhecimento e a autonomia, e enquanto não houver salários dignos e uma distribuição de renda menos criminosa, os mercadores de ilusão seguirão prosperando. Enquanto escolas e hospitais perderem de goleada para templos e cassinos virtuais, sempre haverá um espertalhão vendendo um pedaço do céu para quem já vive no inferno da sobrevivência diária.


Note que, para a carne criar uma crosta dourada, que ajuda a preservar seus sucos naturais, é preciso selá-la antes de adicionar líquidos, bem como cozinhá-la lentamente em fogo baixo — para que as fibras se quebrem gradualmente, resultando em uma textura macia, suculenta e fácil de fatiar ou desfiar. 


Adicionar caldo de carne, água quente ou molho durante o cozimento ajuda a manter a umidade e a intensificar o sabor da receita, e virar a carne ocasionalmente faz com que ela cozinhe de maneira uniforme. Se usar panela de pressão, o processo fica mais rápido, mas ainda assim é importante respeitar o tempo necessário para atingir a maciez ideal.


Dito isso, você vai precisar de:


— 1,5 kg de coxão duro (ou peito, músculo, paleta, etc.) em peça;

— Duas colheres (sopa) de óleo;

— Uma cebola grande fatiada;

— Quatro dentes de alho picados;

— Dois tomates picados;

— Duas folhas de louro;

— Uma xícara (chá) de molho de tomate;

— Duas xícaras (chá) de água quente ou caldo de carne;

— Sal, pimenta-do-reino e cheiro-verde a gosto.


Tempere a carne com sal e pimenta-do-reino, deixe descansar por 30 minutos (para absorver melhor os sabores), aqueça uma panela grande (prefira as de ferro fundido e fundo grosso) com o óleo ou azeite e sele a peça por todos os lados. 


Observação: Se puder, tempere a carne na véspera e deixe na geladeira de um dia pro outro. Isso faz uma diferença enorme no sabor, pois o sal e a pimenta penetram melhor na peça. Mas lembre-se de tirar da geladeira 30 minutos antes de selar, para que a carne retome a temperatura ambiente.


Retire a carne e refogue a cebola e o alho na mesma panela, aproveitando os sabores que ficaram no fundo, acrescente os tomates, o molho de tomate e as folhas de louro, misturando bem.


Volte a carne para a panela e adicione a água quente ou o caldo até cobrir cerca de metade da peça., tampe e cozinhe em fogo baixo por aproximadamente 2 horas, virando a peça de tempos em tempos. 


Observação: Se preferir usar panela de pressão, cozinhe por cerca de 50 minutos (contados a partir do momento em que a válvula começar a liberar vapor).


Quando a carne estiver macia e o molho encorpado, desligue o fogo e deixe descansar por 10 minutos antes de fatiar.


Finalize com cheiro-verde e sirva acompanhada de batatas coradas, fritas, arroz branco ou outro acompanhamento de sua preferência — como uma salada verde, para "não dizer que não falei das flores".


Bom apetite.