quarta-feira, 29 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE A TEORIA DE TUDO

O TEMPO SE DOBRA; O ESPAÇO SE QUEBRA.

O fato de o tempo não ser universal nem fixo afronta nossa noção de simultaneidade, já que dois eventos que parecem acontecer ao mesmo tempo para um observador podem não parecer simultâneos para outro. Voltando ao exemplo do trem (capítulo anterior), se dois relâmpagos atingirem a locomotiva e o último vagão ao mesmo tempo, ambas as descargas parecerão simultâneas para quem está na plataforma e sucessivas para quem está no trem em movimento.


Embora tenha sido considerada inicialmente absurda, essa ideia abriu caminho para toda a física moderna — da mecânica quântica à cosmologia, da compreensão dos buracos negros ao estudo da origem do universo, e continua valendo quase um século depois. Mas a questão que se coloca é: se o tempo não é universal e cada qual segue sua própria linha temporal, a possibilidade de se desviar, pegar atalhos ou fazer o caminho inverso permitiria voltar ao passado?


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Guindado por Bolsonaro a uma poltrona do Supremo sob o argumento de que o tribunal precisava de um ministro "terrivelmente evangélico", André Mendonça rodou a toga, na última quinta-feira, e serviu ao filho do pai o pão que o Tinhoso amassou ao autorizar a Polícia Federal a abrir inquérito para investigar o financiamento de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse. 
Dono do próprio tempo, Mendonça poderia ter agido na segunda-feira. Caprichoso, optou por tomar a decisão às vésperas da convenção que formalizou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. 
O início da investigação vinha sendo travado por um empecilho burocrático. Uma ação do deputado petista Lindbergh Farias pedia que a encrenca ficasse com Alexandre de Moraes, acusado de perseguição pelo clã Bolsonaro. Sob aplausos da família, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, transferiu o caso para a mesa de Mendonça, relator do caso Master. 
Mendonça é "irmão em Cristo" da amiga evangélica Michelle Bolsonaro, que vive às turras com o enteado Flávio. Nos bastidores, aliados do candidato enxergaram digitais da madrasta no despacho do ministro, mas o rigor com que Mendonça trata o senador petista Jaques Wagner, também arrastado para o caldeirão do Master, enfraquece o argumento. 
Por uma trapaça do azar, a decisão de Mendonça chegou ao noticiário no mesmo dia em que o rebento do refugo da escória da humanidade pendurou nas redes um vídeo se desculpando com Michelle, que, em meio à crise. foi questionada por repórteres sobre o áudio em que o enteado pediu dinheiro a Vorcaro, e se limitou a dizer que a pergunta deveria ser dirigida ao primogênito do capetão — que teve a oportunidade de se explicar, mas preferiu administrar o problema a golpes de barriga. 
Diante das crises que desidratam o projeto político da família Bolsonaro, os operadores da campanha tentavam calafetar as janelas do comitê, porém, assombrados com o rigor de Mendonça, passaram a temer que a investigação vaze pelas frestas do birô eleitoral, recém-transferido para São Paulo, durante toda a campanha. A cúpula do PL receia que a sangria se torne hemorrágica.

A física moderna trata a viagem no tempo para o futuro como uma consequência direta das leis do universo, pois quanto mais rápido algo ou alguém se move, mais lentamente o tempo passa para esse alguém em relação a um observador parado. Para entender melhor, a velocidade da luz — representada pela letra "c" considerada o limite máximo no universo — equivale a 299.792.458 m/s. Viajando a 99% de "c" e voltando à Terra depois de 5 dias, um hipotético astronauta encontraria seus familiares e amigos 35 dias mais velhos.


Vale ressaltar que a diferença (fator de Lorentz) cresce à medida que o viajante se aproxima de "c." A 99,9999%, os mesmos 5 dias na nave representam cerca de 9 anos na Terra, e a 99,99999999%, a quase 1.000 anos. Com energia suficiente, seria possível cruzar galáxias inteiras numa questão de minutos, enquanto milhares de anos se passariam na Terra. 


Observação: Teoricamente, o fator de Lorentz não tem limite, mas qualquer objeto com massa precisa de energia para ser acelerado, e, na velocidade da luz, a energia necessária para ele continuar acelerando seria infinita.


Não se trata de ficção científica, mas de evidências comprovadas experimentalmente: partículas subatômicas aceleradas em laboratórios vivem mais tempo do que se estivessem paradas, e relógios atômicos colocados em aviões viajando a grandes velocidades atrasam exatamente como a relatividade prevê.


Colher o fruto mais ambicionado da árvore da relatividade — ou seja, viajar no tempo — é admissível à luz das leis da física; se não o fazemos na prática, é porque o custo é altíssimo: para que a dilatação do tempo seja realmente significativa, é preciso atingir velocidades muito próximas à da luz, e nossas tecnologias de propulsão ainda não o permitem. 


sonda espacial mais veloz lançada pela NASA cravou "modestos" 693 mil km/h (ou 0,0643 da velocidade da luz) no final de 2024 — e isso porque se aproveitou da gravidade solar. A essa velocidade, seria possível ir da Terra à Lua em meia hora, a Marte em 15 dias e aos confins do Sistema Solar em pouco menos de 3 anos, mas uma viagem de ida a Alpha Centauri levaria mais de 6 mil anos.


Resumo da ópera: viajar para o futuro, embora seja possível em teoria, é impraticável com os recursos de que dispomos atualmente. Mas o que realmente mexe com a imaginação é a ideia de voltar para o passado, pois aí as coisas ficam mais complicadas, como veremos no próximo capítulo.


Continua...