O UNIVERSO PODE SER INFINITO, MAS A MENTE HUMANA DESENHA SEUS LIMITES.
Ao revisitarem as equações relativísticas de Albert Einstein, publicadas no início do século XX, pesquisadores chegaram a uma conclusão que parece saída de ficção científica: em certos universos, seria possível enviar mensagens para o passado.
A ideia abre espaço para imaginar conversas em tempo real com outras formas de vida sencientes — caso existam —, independentemente da distância. Em outras palavras, as equações do físico alemão revelam atalhos secretos pelos quais sinais podem atravessar o cosmo.
Curiosamente, isso não depende da mecânica quântica nem do famoso “emaranhamento fantasmagórico” entre partículas, mas nasce da física clássica, na versão relativística apresentada em 1905. Einstein, aliás, sempre foi cético em relação a certos aspectos da mecânica quântica. É fascinante perceber que suas próprias ideias sobre a relatividade restrita podem produzir fenômenos semelhantes à “ação à distância” que tanto o intrigava. Por outro lado, convém esclarecer: enviar sinais para o passado não significa inverter a seta do tempo.
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Alexandre de Moraes ligou o botão do foda-se. Incapaz de refutar as suspeitas, passou a operar no modo desespero e a se mostrar capaz de tudo para matar as provas que o ligam a Daniel Vorcaro. Sem despir a toga, comporta-se como qualquer investigado em apuros: cola em André Mendonça a pecha de juiz parcial.
Suprema ironia: Moraes enfiou Mendonça no inquérito das fake news — aquele que Dias Toffoli abriu há quase oito anos, a pretexto de investigar os inimigos da suprema corte. Acusa-o de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Sustenta que o colega atua como investigador, direciona investigações e se mete até na negociação de delações.
O objetivo primordial de Moraes está mal disfarçado atrás de uma expressão técnica. Ele insinua que houve "quebra da cadeia de custódia das provas". Usa em causa própria o bordão preferido de investigados indefensáveis. Serve para semear tumulto em inquéritos, para colher futuras nulidades processuais.
Com sua vingança, Moraes realiza o pesadelo da perda de autoridade. Realiza também o sonho de autoridades e políticos comprados por Vorcaro.
A história mostra que a implosão de inquéritos conduz a acordos que restauram a imoralidade. A diferença é que agora as provas não são as únicas vítimas. O produto final é o cadáver do próprio Supremo.
A física descreve futuro e passado de forma simétrica, embora nossa experiência humana os diferencie. Assim, o fenômeno não altera nossa vivência temporal, mas pode permitir, por exemplo, que um sinal enviado da Terra ao meio-dia chegue a Proxima Centauri antes mesmo desse horário.
Quem assistiu à trilogia “De Volta para o Futuro” pode pensar em paradoxos, mas os cientistas garantem: não se trata de universos paralelos nem da interpretação de muitos mundos da mecânica quântica. É pura relatividade. Ainda assim, o debate sobre múltiplos universos permanece vivo, especialmente quando se discute a energia escura — esse valor incrivelmente pequeno que desafia explicações em um universo único.
Alguns físicos acreditam que apenas a hipótese de muitos mundos pode dar conta desse mistério. Outros a consideram absurda. Mas descartar de plano seria precipitado: se um fenômeno não puder ser explicado em um único universo, talvez seja preciso recorrer a essa teoria. Mas é importante não confundir ciência com espiritualidade: a física pode dialogar com a filosofia, mas não deve ser usada como base para crenças místicas. O livre-arbítrio, por exemplo, continua em debate entre filósofos e físicos, e a balança parece pender para a ideia de que não existe.
Einstein dizia que a distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão persistente. Essa afirmação é tão filosófica quanto científica. E mostra como física e filosofia podem se encontrar — ainda que muitos físicos resistam a esse diálogo. Outras ideias especulativas sugerem regiões do cosmos onde o tempo corre na direção oposta. Já as mais convencionais imaginam o Big Bang como um início altamente ordenado, seguido pelo aumento da entropia. Mas por que o começo foi tão ordenado?
Essa pergunta desafia a física há décadas. A teoria das cordas, que busca unir a mecânica quântica à gravidade, pode fornecer a resposta, mas ainda carece de comprovação experimental. E o mesmo vale para qualquer teoria que tente conciliar os dois pilares da física moderna: a quântica, precisa no micromundo das partículas, e a relatividade geral, precisa no macromundo das estrelas e galáxias. Já o Modelo Padrão continua a explicar com precisão os dados dos aceleradores de partículas, mas ainda há mistérios: não sabemos o que é a matéria escura, responsável pela maior parte da gravidade do universo, nem a energia escura, que acelera sua expansão.
Esses enigmas mostram que a física está longe de ser um edifício completo. E talvez isso seja sua maior beleza: sempre haverá perguntas em aberto, sempre haverá vertigens de perspectiva. Como disse Niels Bohr, quem não fica chocado ao aprender mecânica quântica pela primeira vez é porque não a entendeu.
A física nos arranca o chão e nos mostra que, sob a superfície, existe um mundo radicalmente diferente daquele que experimentamos no cotidiano. É nesse abismo de possibilidades que mora a verdadeira aventura intelectual: compreender que o tempo, o espaço e até o passado podem ser muito mais maleáveis do que ousamos imaginar.
