segunda-feira, 28 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 120ª PARTE

HAY PERSONAS QUE, ADEMÁS DE NO HACERNOS COMPAÑÍA, NOS ROBAN LA SOLEDAD.

Vimos no capítulo anterior que a Teoria das Cordas busca unificar todas as forças fundamentais da natureza a partir de duas ideias ousadas: a de que todas as partículas são minúsculos filamentos de energia em permanente vibração; e a de que existem outras dimensões além das quatro conhecidas (três espaciais e uma temporal). Nesse contexto, o Universo seria uma gigantesca sinfonia em que cada modo de vibração das "cordas" corresponde a uma partícula diferente. 


A beleza matemática faz dessa proposta a principal candidata à tão sonhada Teoria de Tudo, mas o problema é que as hipotéticas cordas são tão pequenas que nenhuma tecnologia disponível é capaz de detectá-las — daí parte da comunidade científica considerá-la uma elegante construção teórica que carece de confirmação experimental. Nas versões atuais da Teoria das Supercordas, o Universo teria dez dimensões, e em sua formulação mais abrangente — conhecida como Teoria M — teria onze. Mas a pergunta que se coloca é: se essas dimensões existem, por que não conseguimos percebê-las?


Para entender melhor, imagine uma formiga caminhando sobre uma mangueira de jardim. Vista de longe, parece que ela só pode seguir adiante ou voltar para trás, mas ela pode igualmente andar ao redor da mangueira, explorando uma dimensão que passa despercebida para um observador distante. E a Teoria das Cordas sugere algo semelhante: as dimensões extras não estariam escondidas em algum lugar do cosmos, mas seriam extremamente pequenas e "enroladas" sobre si mesmas, tornando-se invisíveis na escala em que vivemos. 


Se essa hipótese estiver correta, o Universo pode ser muito mais complexo do que imaginamos, e é justamente nesse ponto que a história fica mais intrigante: se essas dimensões adicionais abrem caminho para uma das ideias mais fascinantes da física moderna, então a possibilidade de outros universos coexistirem ao lado do nosso é no mínimo plausível.


Até aqui, tratamos as dimensões extras apenas como um ingrediente necessário para que a Teoria das Cordas funcionasse, mas elas conduzem a uma consequência muito mais surpreendente: na Teoria M, as cordas deixam de ser os únicos protagonistas e passam a dividir o palco com objetos com várias dimensões, chamados branas (do inglês membranes), que podem ser imaginadas como superfícies que se estendem pelo espaço em diferentes números de dimensões.


Algumas branas se parecem com linhas, outras com folhas, outras ainda com volumes de dimensões superiores, impossíveis de visualizar intuitivamente. Segundo essa perspectiva, o próprio Universo pode ser uma dessas branas, ou seja, tudo o que conhecemos, das galáxias, estrelas, planetas, seres vivos e até nós mesmos — estaria confinado à superfície de uma gigantesca membrana cósmica mergulhada em um espaço de dimensões superiores.


Supõe-se que as branas podem coexistir muito próximas umas das outras em uma dimensão que não conseguimos perceber, e embora pareçam vizinhas em um espaço de dimensões superiores, são completamente inacessíveis para quem vive confinado dentro de uma delas — assim como duas páginas contíguas de um livro estão separadas por uma espessura minúscula, mas um personagem desenhado em uma das páginas jamais conseguiria atravessar para a outra.


Se isso estiver correto, é possível que existam inúmeros universos, cada qual com suas próprias propriedades físicas. Alguns poderiam ser praticamente idênticos ao nosso, e outros, tão diferentes que nem mesmo átomos ou estrelas conseguiriam existir. 


Vale salientar que tudo isso permanece no campo das hipóteses. Até o momento, não existe qualquer evidência experimental da existência de branas ou de outros universos. Trata-se de uma consequência matemática de alguns modelos da Teoria M, ainda distante de uma confirmação observacional. Como acontece com tantas ideias da física de fronteira, a elegância da teoria é inegável, mas a natureza ainda não revelou se ela corresponde à realidade. Por outro lado, a simples possibilidade de o Universo ser apenas uma entre inúmeras "membranas" cósmicas já basta para ampliar nossa perspectiva. 


Achávamos que a Terra fosse o centro de tudo até descobrirmos que ela é apenas um planeta entre bilhões. Agora, surge a hipótese de nosso Universo ser apenas um entre incontáveis outros. E, se isso parece extraordinário, espere pelo próximo capítulo, porque a viagem está apenas começando.


Continua…