quarta-feira, 28 de outubro de 2026

A VERDADE (AINDA) ESTÁ LÁ FORA — PARTE 5

A VIDA EM OUTROS PLANETAS É REAL E FAZ PARTE DA EVOLUÇÃO ESPIRITUAL — CHICO XAVIER.

Embora devesse ser uma evidência objetiva, a fotografia sempre foi um dos grandes problemas da ufologia. Isso se deve ao fato de que uma foto registra apenas aquilo que atingiu o filme ou o sensor, ou seja, não explica o que provocou a imagem em questão. 


Em julho de 1952, o fotógrafo da Guarda Costeira americana Shell Alpert registrou quatro pontos luminosos em formação sobre Salem, Massachusetts. A foto se tornou uma das imagens clássicas da história dos OVNIs e está preservada pela Biblioteca do Congresso americano,


Diversas análises do caso feitas ao longo dos anos levantaram hipóteses como dupla exposição e reflexos no vidro da janela. O próprio histórico do episódio mostra que diferentes análises chegaram a interpretações distintas. Em outras palavras, até uma fotografia autêntica pode ser uma evidência ambígua. 


Isso fica ainda mais evidente quando aparecem imagens deliberadamente falsificadas, como a foto das espaçonaves capturadas pela câmera do mecânico Paul Villa, de Albuquerque, nos anos 1960, que disse ter sido contatado telepaticamente por seres extraterrestres. As fotos foram posteriormente alvo de críticas relacionadas ao tamanho aparente e à perspectiva dos objetos, levantando a hipótese de que se tratava de modelos em miniatura.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA



Vale destacar que a história dos OVNIs não é composta apenas por fenômenos inexplicados, mas também por enganos, interpretações equivocadas, brincadeiras, fraudes e pessoas sinceramente convencidas de terem visto algo extraordinário, o que torna a investigação muito mais difícil. Mas a história fica realmente interessante quando deixamos as fotografias antigas e chegamos aos casos envolvendo militares e sensores modernos.


Em 2004, durante exercícios da Marinha americana na costa da Califórnia, pilotos de F/A-18 encontraram um fenômeno que posteriormente ficou associado ao chamado Incidente Nimitz. Anos depois, vídeos registrados pelos sensores das aeronaves vieram a público, e, em 2020, o próprio Departamento de Defesa americano confirmou oficialmente a autenticidade dos três deles — um registrado em 2004 e dois em 2015 — e afirmou que os fenômenos mostrados permaneciam classificados como não identificados.


Uma coisa é alguém filmar uma luz no céu com um celular, outra é um sensor militar registrar um fenômeno durante uma operação de treinamento, mas mesmo nesse caso precisamos resistir à tentação de completar a história com aquilo que gostaríamos que estivesse nela. Um vídeo autêntico prova que as imagens não foram adulteradas, mas não prova a natureza do objeto filmado, nem que suas aparentes manobras desafiaram as leis da Física.


Para chegar a essa conclusão é necessário conhecer perfeitamente a posição, a distância, a velocidade, o movimento do sensor, as condições atmosféricas e todas as demais variáveis envolvidas. Por outro lado, isso não torna os vídeos menos interessantes, apenas os coloca no lugar correto: são dados a serem investigados, não certificados de origem extraterrestre.


Deixemos de lado por um instante os discos voadores propriamente ditos e foquemos a possibilidade de encontrar vida em algum planeta ou satélite do nosso Sistema Solar ou nos incontáveis exoplanetas espalhados pelo Universo observável.  


Em abril de 2025, observações do Telescópio Espacial James Webb colocaram novamente o exoplaneta K2-18 b no centro das atenções. Pesquisadores anunciaram indícios de moléculas como sulfeto de dimetila (DMS) e dissulfeto de dimetila (DMDS) em sua atmosfera — substâncias que, na Terra, estão associadas principalmente a processos biológicos.


A manchete parecia pronta: “James Webb encontra sinais de vida alienígena.” Só que a ciência é menos cinematográfica. Os próprios pesquisadores foram cautelosos ao tratar o resultado como possível bioassinatura, e análises posteriores questionaram a robustez estatística da detecção. Um estudo publicado posteriormente chegou a apontar que não havia evidência suficiente para confirmar a presença de DMS e DMDS na atmosfera do planeta. Dito isso, K2-18 b não nos entregou uma prova de vida microbiana e muito menos um ET, mas talvez mais valioso: uma hipótese que pode ser testada.


É assim que a ciência deveria funcionar. Não precisamos acreditar. Precisamos observar, medir, repetir e tentar derrubar a própria hipótese. Se ela sobreviver, teremos algo muito mais interessante do que uma história de ficção científica. Aliás, poucos nomes representam melhor essa mudança de atitude do que o astrônomo e ufólogo J. Allen Hynek.


Hynek trabalhou como consultor científico do Projeto Blue Book e, inicialmente, encarava muitos relatos com bastante ceticismo. Com o tempo, porém, ele passou a defender uma investigação mais rigorosa dos casos que permaneciam sem explicação, e sua contribuição mais importante talvez não tenha sido afirmar que os extraterrestres estavam chegando, e sim insistir que um fenômeno não deve ser descartado simplesmente porque sua explicação ainda não foi encontrada. 

Essa é uma diferença sutil, mas fundamental, mesmo porque dizer “não sei o que é” não significa dizer “é uma nave alienígena”, mas simplesmente “não sei o que é.” E por vezes essa é a resposta mais científica que podemos dar.


O Brasil também tem seu quinhão de histórias, que não é pequeno. O Arquivo Nacional guarda dezenas de quilos de documentos relacionados a ocorrências investigadas pela Aeronáutica ao longo das décadas, incluindo descrições, croquis, fotografias e relatórios. Entre esses documentos está o material do SIOANI — Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados, que funcionou no antigo IV Comar, em São Paulo, entre 1969 e 1972, bem como registros de episódios notórios, como o Caso Trindade, o ET de Varginha e a Operação Prato, entre outros.


Continua…