segunda-feira, 1 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE RELIGIÃO X CIÊNCIA

COSTUMAMOS ACHAR QUE O PIOR VAI ACONTECER PORQUE, QUANDO NÃO ACONTECE, O QUE É RUIM NOS PARECE RAZOÁVEL.


Vimos no capítulo anterior que a possibilidade de existir um “ser superior” é plausível, mas entre admitir essa hipótese e acreditar num "criador" que distribui livre-arbítrio, recompensa os virtuosos e pune os pecadores estende-se um abismo conceitual cuja travessia exige um considerável exercício de fé, pois qualquer pessoa minimamente inclinada ao questionamento refutaria a promessa de passar a eternidade tocando harpa num paraíso celestial ou assando no braseiro de um suposto “anjo caído”. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, em vigor há quase quatro meses, vem dificultando o gerenciamento da crise provocada pelos áudios e mensagens trocados entre Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro sobre o repasse de R$ 61 milhões para o filme “Dark Horse”.

Desde 29 de janeiro, por decisão de Moraes, o ex-presidiário do mensalão e dono do PL, Valdemar Costa Neto, está proibido de se encontrar com o ex-presidente golpista, que está cumprindo 27 anos e três meses de prisão em regime temporariamente domiciliar.

Segundo aliados, o presidente do PL prefere Michelle a Flávio, mas nunca vai admitir em público e nem contrariar Bolsonaro, pois foi o capital eleitoral do ex-presidente quem lhe deu a maior parte da bancada e, portanto, dos fundos públicos aos quais seu partido tem direito.

Como os dois não podem conversar, Bolsonaro só tem acesso a informações sobre o cenário político pela imprensa, pelos filhos e pela mulher, Michelle, que não se dão bem e na prática disputam o espólio político de Jair.

Mesmo considerando que seria muito difícil o refugo da história da humanidade desistir da candidatura do filho em favor da mulher, lideranças do PL acreditam que ele poderia mudar de avaliação se pudesse discutir o caso em detalhes com aliados de confiança.

Para integrantes da legenda, Moraes “segue usando sua caneta para impedir comunicações e estratégias do PL”, o que em momentos críticos como o atual pode ser fatal para a direita. O impacto do escândalo já se reflete nas pesquisas eleitorais, como revelou o Datafolha no dia 22, ao apontar que Lula superou numericamente o adversário nas simulações de segundo turno (47% a 43%) na esteira do caso “Dark Horse”. No levantamento anterior, com a maioria das entrevistas realizadas antes do escândalo vir à tona, os dois estavam tecnicamente empatados, com 45%.

Antes de entrar na mira de Moraes e ser proibido de se encontrar com Bolsonaro, Valdemar chegou a atuar em parceria com o ministro do STF, que o chamou de “grande parceiro da Justiça Eleitoral” numa audiência reservada na sede do Tribunal Superior Eleitoral.

Pelo visto, a parceria não existe mais.


Questionar crenças enraizadas é fundamental. Somente pela reflexão se alcança uma espiritualidade mais ampla e profunda. Ainda assim, religiões de diferentes tradições continuam a apresentar tais narrativas como certezas inquestionáveis — embora elas raramente sobrevivam intactas a um escrutínio crítico. No espírito filosófico de Aristóteles, duvidar é o primeiro passo rumo à compreensão. Muito antes dele, Homero e Horácio já insinuavam que o desejo de permanecer na memória coletiva advém do medo inevitável da morte. Séculos depois, Platão ensinou no Mito da Caverna que a sabedoria começa quando ousamos desconfiar das sombras que tomamos por realidade.


Toda religião é verdade absoluta para quem a professa e mera fantasia para sectários de outras crenças. Em pleno século XXI, doutrinas improváveis continuam a mobilizar multidões dispostas a defender rituais e liturgias como se delas dependesse o equilíbrio do Universo. A história, porém, demonstra que convicções sobrevivem menos pela força das evidências e mais pelo conforto emocional que oferecem.


No Brasil — e em tantos outros lugares — ideias desacreditadas há séculos continuam sendo impulsionadas por desinformação, algoritmos complacentes e comunidades digitais fechadas em si mesmas. O terraplanismo talvez seja o exemplo mais emblemático. Ao observar eclipses lunares e mudanças na posição das estrelas conforme a latitude, Aristóteles concluiu há mais de 2 mil anos que a Terra era esférica — o que foi posteriormente confirmada por fotografias orbitais, satélites artificiais e missões espaciais.


Em Ensaio sobre a cegueira, o escritor português José Saramago ensinou que o pior tipo de cegueira é a mental, pois impede as pessoas de enxergar o que está diante delas. Sob essa perspectiva, a Terra plana deixa de ser apenas um equívoco científico para revelar a extraordinária capacidade humana de abraçar teorias estapafúrdias que a realidade insiste em contradizer — afinal, aceitar que a Terra é redonda requer apenas observação.


Deixando de lado essa e outras teses negacionistas, é curioso observar que, escudados durante séculos num ceticismo arrogante, luminares de alto coturno tratam as ciências antigas como superstições ignorantes. Todavia, após avançar às cegas pela história, a comunidade científica se deparou com uma encruzilhada há muito sugerida por textos antigos, calendários primitivos e até pelas estrelas.


Aos olhos dos não iniciados, as descobertas da ciência noética se confundem com prodígios de magia. Mas mito e magia se tornam realidade quando consideramos o potencial ainda não explorado da mente humana. Segundo os pesquisadores noéticos, o pensamento, quando adequadamente direcionado, é capaz de interagir com sistemas físicos mensuráveis.


Não se trata de truques de salão destinados a impressionar plateias crédulas, mas de investigações conduzidas sob condições controladas, cujos resultados sugerem uma interação entre a consciência e a matéria que, se confirmada em toda a sua extensão, indica que nossos pensamentos não só interpretam o mundo físico como participam dele, produzindo efeitos que alcançam até o domínio subatômico.


Talvez nossa mente não seja apenas uma espectadora da realidade, mas também — e sobretudo — sua principal arquiteta.


Continua…