sábado, 13 de junho de 2026

CUIDADO COM AS FRAUDES

QUANDO A ESMOLA É DEMAIS O SANTO DESCONFIA. 

A “paternidade” do correio eletrônico costuma ser atribuída a Ray Tomlinson, que criou para si o primeiro endereço de email (tomlinson@bbn-tenexa), nos anos 1970, e passou a enviar mensagens aos colegas da universidade, ensinando-os a utilizar o novo recurso. 

Até surgimento dos aplicativos de mensagens e das redes sociais, o email era o serviço mais popular da Internet. Atualmente, mesmo sem o protagonismo de outrora, ele continua amplamente utilizado no ambiente corporativo. Além disso, ainda precisamos de um endereço eletrônico para fazer logon em sistemas, websites e aplicativos, preencher cadastros e formulários, realizar compras online e assim por diante.

Assim, mensagens de spam e scam continuam chegando às nossas caixas postais, apesar de as plataformas de mídia social terem se tornado mais eficientes quando o assunto é bombardear usuários com anúncios patrocinados. Esses conteúdos se disseminam a uma velocidade sem precedentes e acabam criando o ambiente perfeito para golpistas lançarem campanhas fraudulentas a um custo irrisório.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O Brasil tem muitos problemas, e a cada nova eleição ressurge um problema que os brasileiros não sabiam que tinham antes que as campanhas o criassem: a religião.

Quatro dias depois da apropriação da Marcha de Jesus pelo filho do refugo da escória da humanidade, o PT borrifou na conjuntura eleitoral uma carta aos evangélicos — como Lula havia feito em 2022. Ao mesmo tempo que puxa a brasa cristã para a sardinha de Lula, a epístola petista sustenta que a mensagem de Jesus orna com a pauta progressista.

O número de vertentes religiosas é espantoso, e o mais espantoso é que todas alegam ter linha direta com o Todo-Poderoso, embora tenham sido erguidas sobre sangue e ossos dos que se recusaram a aceitar a ideia de Deus que elas pregam.

Toda sociedade tem uma religião, toda religião tem um propósito social e toda cerimônia religiosa tem um ritual. Cada religião é a verdade sagrada para quem a professa, mas não passa de fantasia para os seguidores das demais. E não há crença, por mais estúpida que seja, que não tenha fiéis seguidores dispostos a pegar em lanças para defendê-la.

A crença num Deus cabo eleitoral é perversão de valores cristãos. Não sei se Deus existe, mas sei que o Deus partidário não existe, embora os políticos o recriem a partir de sua própria imagem e semelhança e lhe roguem não que seja feita a Sua Vontade, mas que Ele mande para o inferno as vontades do candidato adversário.

À esquerda ou à direita, a conversão da fé em plataforma eleitoral é um dos fenômenos mais nocivos da política contemporânea.

De acordo com dados da Federal Trade Commission, cerca de 70% das pessoas contatadas por meio de golpes em mídias sociais registram perdas que somam bilhões de reais. Parte do problema está no fato de que distinguir anúncios legítimos de falsificações se torna mais difícil a cada dia. Ofertas mirabolantes — como produtos de grife vendidos a preços incrivelmente baixos — são, no mínimo, suspeitas, mas continuam ludibriando um número significativo de consumidores. Portanto, se a oferta parece boa demais para ser verdade, o ideal é verificar diretamente no site oficial da marca antes de informar os dados do cartão de crédito.

Sempre que clicar em um anúncio, verifique se o endereço exibido na barra do navegador começa com “https”. A ausência do “s” indica que o site não utiliza uma conexão segura e criptografada. Na dúvida, faça uma busca no Google e encontre você mesmo o site verdadeiro. As plataformas de mídia social estão repletas de promoções com brindes ou descontos superiores a 50%, mas a experiência ensina que, quando a esmola é demais, até o santo desconfia.

Expressões como “estoque limitado” ou “oferta exclusiva por tempo determinado” são projetadas para pressionar potenciais vítimas a agir sem refletir. Um forte indício de fraude é a rapidez com que os golpistas solicitam dados de pagamento. Se lhe pedirem informações financeiras antes de fornecer detalhes concretos sobre um produto ou serviço, convém pôr as barbas de molho.

Mesmo quando a oferta parecer legítima, evite utilizar cartão de débito ou efetuar pagamentos via Pix. Prefira gerar um cartão virtual, com numeração, validade e código de segurança limitados a uma única transação, a um número específico de compras ou a um prazo determinado. A emissão é feita pelo próprio usuário por meio do aplicativo do banco ou da administradora, e as despesas são lançadas normalmente na fatura do cartão físico.

Golpistas também criam perfis falsos que imitam empresas reais, reproduzindo logotipos, descrições e identidade visual. Muitos chegam a comprar seguidores falsos para parecer convincentes à primeira vista. Um dos principais indícios está no nome de usuário: letras extras, grafias incomuns ou sublinhados estranhos costumam surgir porque o nome verdadeiro já pertence à marca legítima. Outro fator importante é a taxa de interação. Contas falsas frequentemente exibem milhares de seguidores, mas quase nenhuma curtida ou comentário autêntico em suas publicações.

Se você encontrar um anúncio ou perfil de vendas com os comentários desativados, ligue o desconfiômetro. Em condições normais, as marcas desejam incentivar perguntas e feedback público, pois isso gera confiança. Para golpistas, porém, a possibilidade de consumidores alertarem uns aos outros é contraproducente, motivo pelo qual desativam completamente os comentários. Há exceções, naturalmente, mas publicações comerciais costumam permitir interação aberta.

Também convém desconfiar de avaliações excessivamente positivas. Se diversos comentários apresentarem estilos de escrita semelhantes, entusiasmo exagerado e poucos detalhes concretos, desistir da compra pode proteger tanto o seu bolso quanto suas informações pessoais.

A ausência de hashtags (#) em conteúdos promocionais também deve levantar suspeitas. Vendedores de falsificações evitam deliberadamente essas marcações, pois elas atraem a atenção tanto das empresas legítimas quanto dos moderadores das plataformas. Anúncios autênticos geralmente incluem a indicação clara de conteúdo “patrocinado”, sobretudo em redes como o Instagram, sinalizando que a publicação passou por algum nível de verificação antes de ser exibida.

Anúncios fraudulentos podem apresentar aparência visual profissional, mas frequentemente revelam gramática descuidada, frases mal construídas ou erros de digitação. Marcas legítimas prezam pelo profissionalismo; já os golpistas costumam agir rápido demais para se preocupar com o acabamento. Se a linguagem parecer estranha, mal traduzida ou inadequada, vale confiar na própria intuição e evitar fornecer qualquer informação pessoal.

Lembre-se: cautela e canja de galinha (se me desculpam o pleonasmo) nunca fizera mal a ninguém.