sexta-feira, 29 de maio de 2026

O BIG BANG TEM UM "ANTES"?

PERGUNTAR O QUE HAVIA ANTES DO BIG BANG É COMO QUERER SABER O QUE EXISTE ACIMA DO POLO NORTE.

Se o espaço-tempo é uma superfície fechada sem fronteiras, como definiu Stephen Hawking, então o conceito de "antes" não faz sentido, Dito isso, especular sobre o que havia antes da grande expansão é como discutir o que existe ao norte do Polo Norte. 

Segundo Albert Einstein, o Universo e a estupidez humana são infinitos. Talvez por isso algumas pessoas confundem perseverança com teimosia. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Bolsonarinho superestimou a foto com Trump. Imaginando que esconderia atrás da fumaça obtida em Washington a crise provocada pela relação promíscua com Daniel Vorcaro ateou na campanha, não se deu conta de que usar o trumpismo como cortina de fumaça é como brincar dentro de um paiol.

Se o PT tivesse que organizar a agenda do rival em Washington, não faria melhor. O primogênito do refugo da escória da humanidade foi à Casa Branca com o irmão Dudu Bananinha e se comparsa Paulo Figueiredo — chefes do departamento anti-Brasil que o bolsonarismo mantém nos Estados Unidos. 

Na conversa com os repórteres, o pré-candidato tentou fugir das perguntas sobre Vorcaro, mas foi desmentido pelo governador bolsonarista Tarcísio de Freitas, que soou como um aliado da onça a 7.700 quilômetros de distância: "Tem muitas questões que ele precisa explicar." O ministro André Mendonça, outro amigo da Famiglia Bolsonaro, mandou a PF à cobertura do bolsonarista Cláudio Castro. Os mais de R$ 3 bilhões desviados sob Castro do Rioprevidência para o Master carbonizam o lero-lero segundo o qual não há dinheiro público nos milhões que o Dark Potro pediu a Vorcaro para investir no filme Dark Horse. Haja cortina de fumaça para tantas labaredas.

Ao tratar Trump como cabo eleitoral, os bolsonaristas convidam Lula a desenrolar novamente a bandeira da soberania.

Um estudo conduzido pelos renomados matemáticos Ghazal Geshnizjani, do Perimeter Institute, Jerome Quintin, da Universidade de Waterloo, e Eric Ling, da Universidade de Copenhague, analisou a singularidade do período anterior ao Big Bang à luz da relatividade geral. A teoria atualmente dominante na comunidade científica sustenta que o Universo nasceu há 13,8 bilhões de anos, expandindo-se exponencialmente numa fração de segundo, impulsionado por uma forma de energia que se opõe à gravidade, e o estudo questiona se a singularidade do Big Bang tal como descrita hoje é realmente um fenômeno físico ou apenas um artefato matemático. 

Para esclarecer essa questão, considera-se a função matemática 1/x. Quando x se aproxima de zero, a função torna-se indefinida — ou seja, não pode ser calculada. Se a singularidade do Big Bang funcionasse de forma análoga, seria apenas uma ilusão matemática, sem correspondência com a realidade física. Uma comparação útil é o meridiano de Greenwich: se houvesse uma função baseada em "1/longitude", ela seria indefinida naquele ponto (longitude zero). 

Fisicamente, não há nada de anômalo nas regiões atravessadas por essa linha imaginária. O problema seria trivial — bastaria reposicionar o ponto de referência zero. Por essa lógica, se a singularidade do Big Bang fosse apenas um artefato matemático similar, o Universo poderia ser descrito consistentemente sem recorrer a ela, mediante uma simples redefinição dos parâmetros iniciais.

Algo semelhante já foi observado nas análises matemáticas de buracos negros. Uma das primeiras equações sobre esse tipo de objeto foi publicada em 1916 por Karl Schwarzschild, e apontava uma singularidade no horizonte de eventos. Anos depois, ao empregar outro sistema de coordenadas, o astrônomo Arthur Eddington demonstrou que essa singularidade não estava ali, mas em outro ponto.

Em contraste, o centro de um buraco negro não pode ser eliminado por uma simples mudança de coordenadas. Ali, a densidade e a curvatura do espaço-tempo tornam-se genuinamente infinitas — uma singularidade real. A proposta do trio de pesquisadores é justamente investigar se a singularidade do Big Bang se assemelha ao centro de um buraco negro — um ponto final inevitável — ou se está mais próxima de um horizonte de eventos: um limite aparente que desaparece quando se muda a forma de descrever o espaço-tempo.

Talvez o Big Bang não seja o “começo de tudo”, mas apenas o limite do que nossas equações conseguem enxergar sem entrar em curto-circuito. A singularidade, nesse caso, diria menos sobre a origem do Universo e mais sobre os limites da nossa matemática — e da nossa imaginação. 

Sempre que a ciência encontra uma parede, há quem insista em atravessá-la a marretadas metafísicas. E aí voltamos a Einstein: se o Universo é infinito, a nossa disposição para forçar respostas onde talvez só caiba silêncio parece disputar seriamente o segundo lugar.