sexta-feira, 24 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE A TEORIA DE TUDO E OS RELÓGIOS ATÔMICOS

NÃO FAÇA DA VIDA UM RASCUNHO, POIS VOCÊ PODE NÃO TER TEMPO DE PASSÁ-LA A LIMPO.

Enquanto a relatividade geral descreve a gravidade como uma curvatura do espaço-tempo, a mecânica quântica governa o mundo macroscópico e a Teoria M busca unificar tudo na mesma equação matemática. 

Segundo essa teoria — que é considerada por muitos uma candidata à Teoria de Tudo, o tempo deixa de ser um ingrediente básico do universo e, assim como a temperatura da água, que surge do movimento coletivo de bilhões de moléculas, assoma somente em sistemas formados por muitas partículas que interagem entre si.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

As indefinições na formação de chapas na abertura do período das convenções partidárias tiveram destaque no noticiário, mas não são elas os problemas reais das candidaturas. As questões de fato complicadas são as fragilidades que assolam as campanhas, cada qual à sua maneira. Embora gigantesco, o desafio de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos é um só: crescer para chegar ao segundo turno. Já os dois que, em tese, estão lá por indicação das pesquisas, têm muitos obstáculos pela frente. As rejeições atingem ambos, mas os obstáculos do molusco eneadáctilo são menores que os do rachadista dos panetones, filho do mico golpista de araque — mas ainda assim difíceis de transpor.

A lista começa pelo governo mal avaliado, que se reflete na resistência do pessoal da frente ampla de 2022 em repetir a adesão que garantiu a vitória no olho mecânico. Envereda pelo medo da repetição, agora sem o fator da esperança que motivou o eleitorado em outras ocasiões. A dificuldade encontra forte barreira nos palanques em São Paulo e Minas Gerais, os maiores colégios eleitorais. À falta de opções, sobrou ao PT marcar posição com candidaturas próprias, cujo êxito não é impossível, mas extremamente difícil e com potencial de impactar negativamente a reeleição do presidente.

O cardápio de embaraços ao (ainda) candidato do PL é mais extenso e parrudo. Inclui as relações com Daniel Vorcaro e possíveis novas revelações, desconfiança da qual decorre o dado da pesquisa Quaest de que só 25% das pessoas acreditam na vitória do filho do pai.

As tribulações se expressam nas hesitações da direita e no consequente aperto para fazer alianças; aparecem no pragmático corpo mole de Tarcísio de Freitas (Republicanos), passam pelo palanque cheio de ligações criminosas no Rio e encontram poderoso revés no atrito com a madrasta Michelle, vista como a mulher mais poderosa do país em que a maioria do eleitorado é de mulheres.


Embora pareça contraintuitiva, essa ideia é sustentada por modelos matemáticos extremamente rigorosos e levada a sério por inúmeros físicos teóricos. Mas a questão é que, caso não exista no nível mais fundamental da realidade, então o tempo não passa de uma ilusão construída por nosso cérebro para organizar o caos que nos cerca. Alguns filósofos acreditam que ele deixa de fazer sentido quando não existe uma consciência capaz de percebê-lo, ao passo que outros argumentam que é tão real quanto o espaço e existe independentemente de qualquer observador.

Esse debate, que está longe de chegar a um consenso, atravessa tanto a filosofia quanto a física moderna. Mas é no mundo concreto do dia a dia que entra a fascinante experiência dos relógios atômicos, que, por serem baseados na frequência com que os elétrons do césio-133 mudam de nível de energia (9.192.631.770 vezes por segundo), podem levar mais de um bilhão de anos para atrasar ou adiantar um único segundo.

Se dois relógios atômicos idênticos fossem posicionados lado a lado, ambos marcariam exatamente a mesma hora. Mas bastaria um deles ser colocado sobre um móvel ou levado para o andar de cima da casa para que esse sincronismo deixasse de existir. Em outras palavras, se o tempo fosse como algo universal e absoluto, igual para tudo e para todos, esses relógios permaneceriam sincronizados para sempre, independentemente de onde estivessem ou de como se movessem. Como isso não acontece, resta saber o que eles medem, já que não conseguem se manter sincronizados quando submetidos a condições ligeiramente diferentes.

Uma das respostas possíveis é a inexistência de um tempo único, em que cada objeto, sistema ou relógio tem seu próprio ritmo moldado pelo ambiente, movimento e posição no espaço. Como a ideia de uma infinidade de tempos diferentes — um para cada relógio, pessoa, objeto — é difícil de administrar e cheia de paradoxos, a conclusão a que alguns físicos chegaram é a de que o tempo, como quantidade universal, simplesmente não existe.

Segundo o paradoxo dos gêmeos — um dos experimentos mentais mais famosos da física moderna — dois irmãos univitelinos começam a história exatamente no mesmo lugar, mas um embarca em uma nave capaz de viajar a velocidades próximas à da luz e o outro permanece na Terra. Quando se reencontram, percebem que o gêmeo que permaneceu na Terra está mais velho do que o irmão viajante, donde se conclui que o tempo depende da velocidade com que cada um se move e do ambiente gravitacional em que está inserido.

Voltando aos relógios atômicos, se dois dispositivos idênticos forem colocados em ambientes diferentes, eles passarão a marcar tempos diferentes, pois o que eles estão medindo não é um tempo universal, mas sua duração moldada pelo movimento e pela posição no espaço-tempo. Um relógio no cume de uma montanha — onde a gravidade é ligeiramente menor do que ao nível do mar — adianta cerca de 80 microssegundos por dia em relação a outro posicionado no litoral.

Esse fenômeno afeta diretamente algumas tecnologias que usamos todos os dias, como o GPS do celular: se os efeitos das dilatações temporal e gravitacional não fossem levados em conta, os cálculos de posição acumulariam erros que logo chegariam a vários quilômetros. Mas a pergunta é: so tempo não é absoluto, o que muda em nossa compreensão do universo?

A resposta fica para o próximo capítulo.