SE CIVILIZAÇÕES AVANÇADAS CRIARAM MUITAS SIMULAÇÕES COM SERES CONSCIENTES, É MAIS PROVÁVEL QUE ESTEJAMOS VIVENDO DENTRO DE UMA DESSAS SIMULAÇÕES DO QUE NA REALIDADE BASE.
A franquia Matrix explora um futuro distópico onde a realidade que conhecemos é, na verdade, um sistema de inteligência artificial chamado "Matrix". Thomas Anderson, — conhecido pelo apelido Neo e atormentado por falhas na sua realidade — é contatado por Morpheus e Trinity para invadir a simulação, recrutar e treinar "despertados". Morpheus oferece a Neo a escolha entre duas pílulas: a azul (para continuar na ilusão) e a vermelha (para descobrir a verdade). Ao escolher a pílula vermelha, o programador acorda em um mundo devastado e descobre que as máquinas dominam o planeta, mantendo os corpos humanos em cápsulas para extrair energia (bioeletricidade).
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Em fevereiro, o primogênito do refugo da escória da humanidade esperava chegar ao final do primeiro semestre triunfante. Hoje, às vésperas da convenção que formalizará sua postulação presidencial, ele ainda não tem vice nem coligação e tropeça em notícias ruins: Ciro Nogueira, mandachuva do PP, confirmou que a legenda ficará neutra — posição que deve ser adotada também pelo União Brasil. Bobi Filho está proibido de visitar Bibo Pai, continua rompido com a madrasta e é assombrado pelo fantasma do caso Master.
Advogado do capetão golpista, o filho do pai emitiu, em abril do ano passado, três notas fiscais para empresas vinculadas ao esquema do Master. Duas delas — de R$ 500 mil cada — foram canceladas, mas a terceira, também de R$ 500 mil, foi efetivamente recebida pelo hoje pré-candidato, que alega ter anulado duas notas porque não aceitou trabalhar para a consultoria Copenhagen, usada por Vorcaro para remunerar seus contatos. Quanto à terceira nota, que resultou no pagamento de R$ 500 mil pela empresa Contábil Corrêa, o menino prodígio afirmou ter prestado "serviços advocatícios", mas não exibiu o documento e tampouco esclareceu a natureza do trabalho.
O rebento do mico havia pedido 30 dias para divulgar a prestação de contas dos R$ 61 milhões que mordeu de Vorcaro. Isso foi há dois meses e quatro dias. E nada! Agora, cavalga um novo enredo malcheiroso além do Dark Horse. Se suspeição matasse, o caráter desse elemento já teria recebido meia dúzia de pontes de safena. Mas político brasileiro tem sete vidas, e por isso sua candidatura presidencial vai sobrevivendo ao acúmulo de suspeitas.
Isso cheira a ficção, mas e se nosso Universo for mesmo um gigantesco holograma, como afirmam pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, Universidade de Waterloo e Instituto Perimeter, no Canadá, Lecce e Universidade de Salento, na Itália, que publicaram um estudo sobre o assunto no periódico Physical Review Letters após constatarem que uma das explicações para a formação do Universo cabe direitinho em um modelo de duas dimensões (2D)?
Essa é uma entre as mais de 10 mil pesquisas sérias relacionadas ao conceito do Universo Holográfico, criado pelo físico Leonard Susskind nos anos 1990. Só que, até onde se sabe, o cosmos é formado por três dimensões espaciais (altura, profundidade e largura) e uma quarta, de natureza temporal. Dito isso, como ele poderia funcionar com uma dimensão a menos (sendo que é só olhar para a frente para ver que tudo ao nosso redor é em 3D)?
Imagine que tudo o que você vê, sente e ouve em três dimensões (mais a sua percepção de tempo), na verdade, emana de um campo plano de duas dimensões. A ideia é semelhante à dos hologramas comuns, nos quais uma imagem em 3D está decodificada em uma superfície plana, como o holograma de um cartão de crédito. A diferença é que agora é o Universo inteiro que está decodificado. Mas isso não significa que estamos vivendo agora em um holograma, e sim que isso pode ter acontecido no surgimento do Universo, há quase 14 bilhões de anos.
Como mencionado em dezenas de oportunidades, a ciência sabe muito, mas não sabe tudo, e ainda não foi capaz de conciliar o modelo da mecânica quântica (que regula o universo das coisas menores do que um átomo) com o modelo da relatividade geral (aquela mesma proposta por Einstein, que regula os corpos gigantescos como estrelas e planetas). Isso fica especialmente evidente ao se tentar descrever o surgimento do Universo, quando, segundo a teoria do Big Bang, toda a massa e energia existentes estavam contidas em um único ponto menor do que uma ervilha, mas com densidade infinita.
Em outras palavras, existem duas físicas que falam línguas diferentes, já que a mesma gravidade que explica tão bem o comportamento dos planetas, por exemplo, não funciona para explicar o comportamento de partículas subatômicas. No entanto, uma teoria que tenta fazer as duas físicas conversarem é conhecida como gravidade quântica.
De acordo com o físico italiano Carlo Rovelli, apesar de ainda não ter sido comprovada experimentalmente (como muita coisa na física teórica), essa teoria é a que melhor explica a realidade que nos cerca, pois para a gravidade quântica não existe o espaço-tempo. Segundo esta concepção de mundo, tudo seria formado por campos quânticos — compostos pelas partículas que, como os fótons, por exemplo, não precisam do espaço-tempo para lhes servir de suporte porque eles próprios são o espaço-tempo.
Além do tempo e do espaço, a teoria elimina também o universo infinitamente pequeno, menor do que as partículas subatômicas, onde a mecânica quântica atua. Assim, as relações espaciais que tecem o espaço curvo de Einstein são as mesmas interações que tecem as relações entre os sistemas elementares da mecânica quântica — que se tornam compatíveis quando se conclui que espaço e tempo são aspectos de um campo quântico que podem viver mesmo sem serem escorados num espaço externo.
Como se vê, o cosmos é um lugar fascinante e nada óbvio. E o mais interessante da gravidade quântica é que ela prevê que, se eliminarmos uma dimensão, podemos eliminar também a gravidade, tornando os cálculos muito mais fáceis. Com esta ideia em mente, os pesquisadores desenvolveram um modelo com duas dimensões (mais o tempo) para explicar como o princípio do holograma poderia explicar os acontecimentos do Big Bang e suas consequências.
Vale reforçar que eles estão longe de provar que o nosso Universo era um holograma no começo, mas o fato de as evidências observacionais do mundo real explicarem partes faltantes das leis da física em duas dimensões significa que não devemos descartar a ideia. Por outro lado, nenhum de nós é um desenho animado vivendo em um mundo sem profundidade. Segundo Niayesh Afshordi, da Universidade de Waterloo, talvez não vivamos em um holograma, mas podemos ter saído de um. Seja como for, até prova em contrário o Universo tem três dimensões.
Dada a quantidade de universos criados, a ideia encontra eco nos trabalhos tanto de filósofos contemporâneos como David Chalmers, da Universidade de Nova York, quanto de filósofos clássicos como Platão — com sua alegoria da caverna — e modernos como Descartes, para quem não podemos confiar cegamente em nossas percepções. Por exemplo, o resultado de uma final de copa do mundo pode ser o mesmo para os dois países, mas dificilmente quem perdeu vai ter a mesma percepção daquele que ganhou (pergunte a um torcedor alemão se ele ficou triste com o 7x1). Tem-se aí duas realidades alternativas baseadas em um único fato.
A Hipótese da Simulação ficou ainda mais conhecida em 2016, quando o magnata Elon Musk, CEO da SpaceX, disse que fazemos parte de um mundo simulado e que a nossa realidade poderia ser só uma entre muitas. Mas a tecnologia de hoje é muito mais avançada do que há dez anos, quando agíamos como neandertais e usávamos o Orkut, tínhamos que ir ao banco pagar boletos, ou passávamos madrugadas baixando músicas na internet.
A questão que os filósofos propõem é exatamente esta: a humanidade poderia evoluir a ponto de criar uma inteligência que vivesse em um mundo simulado e que fosse capaz de ter consciência? Há quem diga que já chegamos a esse nível, e que fazemos parte desse imenso game que seria a realidade que nos cerca, manipulados por seres avançados de um universo “acima” do nosso.
Em um podcast do jornal The Guardian, Chalmers afirma que seria impossível conseguirmos qualquer prova desta teoria, por causa de um simples fator: qualquer evidência que a gente consiga pode ser ela própria uma simulação. Mas isso não nos impede de caçá-las. Como afirmou o cosmólogo do MIT Max Tegmark, quanto mais aprendemos sobre o nosso Universo, mais ele parece ser baseado nas leis da matemática, pois elas apenas refletem os códigos de computadores em que foram escritas.
Mas nem todos concordam. A física teórica Lisa Randall, da Universidade Harvard, afirma que usar a Hipótese da Simulação como desculpa para eventos que dão errado, como a cerimônia do Oscar ou a eleição de Donald Trump, é uma forma de abdicar das responsabilidades. Segundo ela, seria mais frutífero focar no que podemos fazer para evitar os erros e melhorar o mundo do que atribuir resultados indesejáveis a forças externas incontroláveis.
Na física, não se consegue provar de fato uma teoria, apenas excluir teorias alternativas. Então, não se pode afirmar que nenhuma teoria da física é absolutamente correta (ou incorreta) porque não se tem acesso a todos os níveis de informação. O fato de vivermos em um jogo de videogame não significaria que a realidade não existe, apenas que ela seria feita de informação.
O problema é que, caso a hipótese se confirmasse e todos descobríssemos que somos feitos de bits, teríamos dilemas morais muito mais complexos para resolver. Por exemplo, a entidade que criou a nossa realidade poderia ser um deus ou apenas hackers em um Universo ‘acima’ do nosso. E não há razão para pensarmos nesta inteligência superior como superpoderosa só porque ela controla o que fazemos.
Ou talvez não se trate de videogame, mas de algo mais autônomo, que não precisa necessariamente de um controlador. Em uma simulação, colocamos as leis da física e da natureza e criamos um Universo, mas não interferimos no que criamos, apenas colocamos os princípios fundamentais e observamos.
Outra questão a ser respondida seria: uma inteligência artificial consciente é menos humana do que um ser humano de verdade — ou pelo menos o que consideramos humano? Como afirmou um dos robôs do parque de Westworld quando foi confrontado com a sua “falta de humanidade”: “A dor existe na mente; ela é sempre imaginada. Então qual é a diferença entre a minha dor e a sua, entre você e eu?”
