quarta-feira, 19 de agosto de 2026

DE VOLTA À TEORIA DE TUDO

A PIOR FORMA DE DESIGUALDADE É TENTAR TORNAR AS COISAS DESIGUAIS IGUAIS.

Vimos que a Teoria das Cordas busca conciliar a relatividade geral com a mecânica quântica, e que os conceitos da primeira não se aplicam ao mundo subatômico nem os da segunda descrevem adequadamente os grandes corpos celestes.


De certo modo, é como se existissem duas linguagens diferentes para descrever o universo: uma explica o comportamento da gravidade e de objetos gigantescos, como estrelas, planetas e galáxias; a outra descreve as partículas fundamentais da matéria, como os quarks e os léptons


Einstein passou boa parte de sua vida buscando uma teoria capaz de unificar as forças conhecidas da natureza, mas morreu sem obter sucesso em seu intento. Desde então, inúmeros físicos vêm perseguindo o mesmo objetivo, mas ninguém encontrou (pelo menos até agora) uma formulação matemática que concilie plenamente a relatividade geral com a mecânica quântica.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Nem Lula nem Flávio. O protagonista do primeiro dia da campanha de 2026 foi Jair Bolsonaro. Trancado no calabouço domiciliar, banido das urnas e das redes sociais, ele não esteve em nenhum ato político neste domingo. Mas estreou na sucessão presidencial de 2026 assombrando, como um egun mal-despachado, o estádio de Vila Euclides e a orla de Copacabana

No estádio, em São Bernardo, o molusco indigesto discursou como se o adversário não fosse o filho do pai, mas o pai do filho. A certa altura, ecoou a pergunta que o eleitor faz a seus botões: "Por que Lula quer um novo mandato?" 

Segundo o macróbio, é para evitar a volta da extrema direita consubstanciada na gestão desastrosa da pandemia sob Bolsonaro. E empilhou indicadores para comparar seu governo ao do antecessor.

Em horário quase simultâneo, o primogênito do refugo da escória da humanidade discursou na orla de Copacabana como um boneco vestido pelo seu ventríloquo, trajando camiseta idêntica à que o genitor usava no dia em que foi esfaqueado, na vitoriosa campanha de 2018. Nela, lia-se: "Meu partido é o Brasil". Rodou áudios antigos do golpista (hoje em prisão domiciliar), e sapateando sobre a memória do rei do futebol, admitiu ser coadjuvante: "É difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé."

Entre todos os estrategistas da eleição, Bolsonaro foi o mais bem-sucedido. Tornou a direita refém de um preso por tentativa de golpe. Transformou um herdeiro biológico num anti-Lula competitivo. Qualquer que seja o resultado, sairá ganhando. Se o filho derrotar o xamã petista, o capitão golpista ganha a anistia. Se seu clone for derrotado, manterá o título de principal líder da oposição. Em qualquer hipótese, esse maldito egum mal-despachado continuará assombrando o país.


Para o físico teórico Leonard Susskind, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, uma possível ligação pode estar nos célebres buracos de minhoca. A existência desses fenômenos ainda não foi comprovada, mas acredita-se que ele surjam nas imediações ou profundezas dos buracos negros e conectem dois pontos do espaço-tempo, não necessariamente no mesmo universo nem na mesma linha temporal.


A equação é simples: ER = EPR — o “E” e o “R” se referem a Albert Einstein e Nathan Rosen, que publicaram um estudo descrevendo os supostos atalhos em 1935 — daí esses fenômenos terem sido batizados de “ponte de Einstein-Rosen”. O outro lado da equação inclui o "P", que remete ao físico Boris Podolsky, com quem os outros dois cientistas escreveram um outro estudo que descreve o entrelaçamento quântico.


Observação: O entrelaçamento quântico descreve como duas partículas diferentes podem se comportar de maneira idêntica, independentemente da distância que as separa. Um estudo recente explorou um cenário hipotético no qual partículas entrelaçadas poderiam corresponder matematicamente a buracos negros conectados por um buraco de minhoca — o que embasaria a "teoria de tudo", com a qual Einstein sempre sonhou.


Em tese, uma nave ou qualquer outro objeto que atravessasse um buraco de minhoca levaria alguns segundos para percorrer uma distância que, em linha reta pelo cosmos, demoraria séculos ou milênios. No entanto, atravessar um desses atalhos cósmicos para encontrar o loop temporal implicaria cruzar o horizonte de eventos e escapar da intensa atração gravitacional do buraco negro — algo que exigiria uma velocidade superior à da luz (1.079.252.848,8 km/h), sem mencionar que a aproximação do horizonte de eventos causaria um efeito chamado “espaguetificação”, que esticaria progressivamente o corpo dos astronautas devido às diferenças extremas de gravidade entre uma região e outra.


A teoria da relatividade admite a existência de loops de tempo nos quais um evento pode estar tanto no passado quanto no futuro. Na opinião de vários físicos teóricos, a força gravitacional dos buracos negros pode criar curvas fechadas do tipo tempo, levando a conexões com diferentes momentos da história do universo. Por outro lado se o hipotético buraco negro surgiu após o período Jurássico, de nada adiantaria utilizá-lo para degustar um filé de brontossauro com Fred Flintstone.

 

Teoricamente, processos determinísticos (não-aleatórios) em um número arbitrário de regiões no continuum espaço-tempo demonstram como as curvas fechadas do tipo tempo podem se encaixar nas regras do livre-arbítrio e da física clássica. Ademais, a matemática confirma a possibilidade de viajar no tempo e sustenta que as ações dos viajantes não criariam paradoxos — segundo a Interpretação dos Muitos Mundos, o resultado ocorreria numa linha de tempo diferente, evitando que o “presente” dos viajantes fosse alterado. 


Estudos da mecânica quântica sugerem que multiversos paralelos podem existir no mesmo espaço-tempo, e à medida que se realiza um experimento quântico com diferentes resultados possíveis, cada resultado ocorre em um universo diferente. Outra teoria sobre o multiverso sustenta que o cosmos é uma bolha e a existência de inúmeros universos-bolha imersos num mar energizado e em eterna expansão. Mas nenhuma dessas teorias conseguiu determinar em que tipo de universo estamos inseridos.

 

As viagens no tempo são tratadas com ceticismo por boa parte da comunidade científica, mas a história está repleta de exemplos de pioneiros cujas ideias foram ridicularizadas até que o tempo provasse que elas estavam certas. Isso aconteceu com Nicolau Copérnico e o geocentrismo, com Joseph Lister e a desinfecção, com Alfred Wegener e a teoria da deriva continental. Parafraseando um epigrama atribuído a Einstein, "o impossível só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário". 


Resumo da ópera: Se ER = EPR estiver correto, o entrelaçamento quântico — a "ação fantasmagórica à distância" que tanto perturbava Einstein pode criar a "conectividade espacial" que "costura o espaço-tempo" — sem essas conexões, a estrutura sólida e confiável do espaço-tempo seria produto das propriedades espectrais do entrelaçamento. Para os pesquisadores, essa é a base da teoria segundo a qual a gravidade quântica é capaz de unificar as forças da natureza.


Os físicos ainda têm um longo caminho para provar a equivalência entre buracos de minhoca e entrelaçamento. O sonho de ficção de um buraco de minhoca atravessável não está nem perto da realidade, ou seja, não passa de um experimento mental. Por outro lado, uma das ideias mais férteis e elegantes da física do século XXI é a de que o espaço-tempo em si pode emergir do entrelaçamento quântico. 


Ironicamente, Einstein, que nunca aceitou o entrelaçamento quântico, e, como dito no início deste post, passou boa parte da vida tentando unir a relatividade e a mecânica quântica, mas não obteve sucesso — talvez porque a pista estivesse escondida em dois artigos que ele próprio ajudou a escrever, e que hoje formam os dois lados dessa possível equação unificadora.