sexta-feira, 30 de outubro de 2026

A VERDADE (AINDA) ESTÁ LÁ FORA — PARTE 6

NOSSO SOL É UMA ENTRE MAIS DE 100 BILHÕES DE ESTRELAS NA VIA LÁCTEA, RAZÃO PELA QUAL É MUITA PRESUNÇÃO ACHAR QUE SOMOS OS ÚNICOS SERES DO UNIVERSO.

Em 2017, o objeto interestelar Oumuamua — cujo nome havaiano significa “mensageiro de longe que chega primeiro” — atravessou o Sistema Solar em uma trajetória altamente hiperbólica, deixando a comunidade científica perplexa.


O astrônomo Avi Loeb, de Harvard, argumentou que ele poderia ter atingido altas velocidades a partir de uma vela solar criada por uma civilização extraterrestre — uma hipótese polêmica, sem dúvida, mas formulada por um cientista com décadas de carreira acadêmica e centenas de artigos publicados.


O enredo ganhou um novo capítulo em julho de 2025, quando um terceiro objeto interestelar, o 3I/ATLAS, foi detectado aproximando-se do Sistema Solar a cerca de 217.000 km/h, vindo aproximadamente da direção da constelação de Sagitário. Loeb levantou a hipótese de que características do objeto poderiam ser compatíveis com uma origem tecnológica, embora essa interpretação esteja longe de ser consensual. Como costuma acontecer quando se mexe com extraterrestres, a discussão rapidamente ultrapassou as fronteiras da astronomia e entrou no território da especulação.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA




Em setembro de 2023, a NASA publicou o relatório elaborado por sua equipe independente de estudo sobre UAPs — os chamados fenômenos anômalos não identificados. O documento reconheceu que há relatos de testemunhas consideradas confiáveis, entre elas aviadores militares, sobre objetos ou fenômenos que não conseguiram identificar. Isso, porém, está muito longe de constituir uma confirmação de tecnologia extraterrestre: a NASA deixou claro que não encontrou evidências conclusivas de que os UAPs tenham origem alienígena. Ainda assim, a possibilidade de fenômenos ou tecnologias desconhecidas continua sendo uma questão legítima de investigação científica.

Na audiência histórica de julho de 2023 no Congresso americano — uma das mais importantes discussões públicas sobre o assunto em décadas —, David Grusch, ex-oficial de inteligência dos EUA, declarou sob juramento que, segundo informações que havia recebido, o governo americano possuiria veículos de origem não humana “intactos e parcialmente intactos”. Suas afirmações provocaram enorme repercussão, embora não tenham sido acompanhadas, publicamente, de evidências físicas que permitissem confirmar tais alegações.


Já o comandante David Fravor, veterano da Marinha americana, descreveu o objeto que avistou em 2004 como muito superior às tecnologias conhecidas à época e relatou características de voo que, segundo ele, não correspondiam a nenhuma aeronave convencional. O chamado “Tic Tac” tornou-se desde então um dos casos mais conhecidos da história recente dos UAPs.


É fato que a NASA colocou astronautas na Lua e enviou sondas para o espaço interestelar. Também é fato que o rover Perseverance encontrou, em um antigo leito fluvial marciano, uma formação rochosa posteriormente batizada de “Cheyava Falls”, cujas características químicas e mineralógicas podem ser compatíveis com processos biológicos ocorridos no passado. A rocha contém moléculas orgânicas à base de carbono, minerais como a vivianita e estruturas que despertaram especial interesse dos pesquisadores. Essas características foram consideradas possíveis bioassinaturas — isto é, sinais que podem ter origem biológica —, mas ainda não constituem prova de que Marte tenha abrigado vida.


Por outro lado, nenhuma tecnologia desenvolvida até agora permitiu cruzar o cosmos a velocidades próximas à da luz ou criar atalhos no espaço-tempo que possibilitem percorrer milhões ou bilhões de quilômetros em questão de minutos — ao menos até onde sabemos. Mas basta manter a mente aberta para admitir a possibilidade de existirem civilizações muito mais desenvolvidas que a nossa e, portanto, capazes de dominar tecnologias que hoje sequer conseguimos imaginar. Afinal, a história da ciência e da tecnologia está repleta de coisas que pareciam impossíveis até deixarem de sê-lo.


Causa espécie o fato de milhões de pessoas no mundo inteiro continuarem acreditando que a Terra é plana e negando qualquer possibilidade de vida extraterrestre, mesmo quando confrontadas com a avalanche de imagens que demonstram a esfericidade do planeta e com os incontáveis avistamentos de OVNIs que alimentam o debate sobre o assunto. Não se nega a esses bocórios o direito de viver dentro de suas bolhas, orbitando certezas que desafiam a gravidade da lógica. Como disse alguém mais sábio, pode-se derrotar 40 sábios com um único argumento, mas 400 argumentos não bastam para convencer um idiota daquilo que lhe salta aos olhos.


Se não há evidências de universos paralelos, tampouco se pode afirmar que eles não existam. Afinal, as equações da mecânica quântica, combinadas às da relatividade geral, já nos brindaram com inúmeras “previsões mirabolantes” para a época, posteriormente confirmadas por experimentos de laboratório e observações astronômicas. A título de ilustração, a expedição comandada por Pedro Álvares Cabral levou 44 dias para navegar de Lisboa até o que viria a ser o litoral sul da Bahia, enquanto hoje qualquer voo comercial atravessa o Atlântico em menos de dez horas.


No que concerne à vida extraterrestre, porém, a história é outra. Se existem dezenas de sextilhões de estrelas no Universo observável, e muitas delas são orbitadas por exoplanetas, a Terra seria pouco mais que um minúsculo grão de areia numa praia de dimensões cósmicas. Dito isso, é muita pretensão afirmar que nenhuma forma de vida tenha se desenvolvido em alguns desses corpos celestes. Não estou falando necessariamente de vida inteligente, mas tampouco essa possibilidade deve ser descartada.


Desde que o primeiro exoplaneta em torno de uma estrela semelhante ao Sol foi descoberto, há cerca de 30 anos, milhares deles vêm sendo identificados orbitando não apenas estrelas semelhantes à nossa, mas também anãs vermelhas e outros tipos de astros. Graças a missões como Kepler e TESS, a NASA Exoplanet Archive já registrou milhares de exoplanetas confirmados, e outros milhares de candidatos aguardam confirmação. Para explorar dados detalhados sobre esses mundos, pode-se consultar o Painel de Descobertas da NASA.


Há desde mundos pequenos e rochosos, como a Terra, até gigantes gasosos maiores que Júpiter. Há também os chamados “Júpiteres quentes”, “super-Terras” — planetas geralmente maiores e mais massivos que a Terra — e “mini-Netunos”, versões menores dos gigantes gasosos que conhecemos. Existem ainda sistemas em que planetas orbitam duas estrelas ao mesmo tempo e até planetas que giram em torno de remanescentes de estrelas mortas. Tudo somado e subtraído, há provavelmente centenas de bilhões de planetas somente na Via Láctea, sobre os quais ainda sabemos relativamente pouco.


Observação: Com lançamento previsto para 2027, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman deverá ampliar significativamente a busca e o estudo de exoplanetas, utilizando diferentes métodos de detecção. Já a Missão ARIEL, da Agência Espacial Europeia, com lançamento previsto para 2029, terá como uma de suas principais tarefas estudar as atmosferas de exoplanetas, investigando sua composição, nuvens e neblinas.


Em meados do século passado, durante uma conversa descontraída com alguns colegas, o físico italiano Enrico Fermi levantou uma pergunta que atravessaria gerações: “Onde está todo mundo?" Considerando que existe um número astronômico — sem trocadilho — de estrelas somente na Via Láctea, e que muitas delas constituem sistemas planetários, não se pode descartar a possibilidade de alguns desses exoplanetas reunirem condições propícias ao surgimento da vida e de essa vida, em algum momento, evoluir para formas inteligentes e tecnologicamente avançadas.


Se formos um pouco mais além e considerarmos que algumas dessas hipotéticas civilizações são muito mais desenvolvidas que a nossa, como negar a possibilidade de extraterrestres viajarem pelo cosmos em busca de outros mundos? O surgimento da vida, da forma como a conhecemos, é um processo extremamente complexo, que precisa superar inúmeras barreiras, sobretudo quando tomamos a Terra como exemplo de um planeta habitável.


Por outro lado, se outras civilizações alcançaram um estágio de desenvolvimento semelhante ao nosso, por que não conseguimos detectar sinais de rádio ou de outro tipo de tecnologia alienígena avançada, como aqueles que nós mesmos somos capazes de produzir?


Continua…