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sábado, 5 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 115ª PARTE

SPACE BENDS, TIME BREAKS (O ESPAÇO SE CURVA, O TEMPO PARA). 


Vimos que nem toda a evolução havida desde a invenção da roda até os tempos atuais permitiu que a ciência explicasse a natureza do tempo, que acomodasse numa única equação matemática a teoria da relatividade e a mecânica quântica, e que viajar para o futuro depende somente de conseguirmos construir espaçonaves capazes de singrar o cosmos em velocidades próximas à da luz, levar os astronautas até as proximidades do horizonte de eventos de um buraco negro, ou então atravessar um buraco de minhoca.


Voltar ao passado, todavia, é mais complicado, pois esbarra numa série de obstáculos impostos pelas leis da física clássica — sem falar que o simples desembarque do viajante numa época pretérita bastaria para alterar os acontecimentos e criar um "novo futuro", como explica o célebre paradoxo do avô. 


A boa notícia é que segundo o físico Lorenzo Gavassino, uma combinação da teoria da relatividade geral com a mecânica quântica e a termodinâmica sugere que é possível viajar para o passado sem criar contradições. Para não estender demais este texto, vou deixar para detalhar o Paradoxo do Avô e a Teoria das Cordas numa próxima postagem, até porque, quando escrevemos sobre esses assuntos, cada pena puxada traz uma galinha inteira.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

André Mendonça levantou o tapete. Mandou ouvir a PGR sobre o mau cheiro. O procurador-geral Paulo Gonet opinou pela anulação da imundície. Apontou "dupla nulidade", sob o pretexto de que a Polícia Federal e a Procuradoria não pediram a vassoura. E o plenário do Supremo não autorizou a faxina nas relações de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro.
A coisa se encaminha para mais um acobertamento de rotina. Mas a turma do abafa precisará responder a uma pergunta singela: "E a sujeira?". O que fazer com as mensagens endereçadas a Moraes? Com o pedido de proteção? Com os apelos para que intercedesse junto aos chefes da PF, da PGR e do BC? Com a pergunta de Vorcaro a Moraes sobre se deveria sair do país pouco antes de ser preso?
Gonet aparece no relatório que Mendonça encomendou à PF como parte do detrito. Numa mensagem, manda um advogado amigo dizer a Vorcaro que está "com saudade". Confirma presença num evento patrocinado pelo banqueiro mafioso em Londres: "Oba! Tomara que tenha charuto e Macallan". Pede a inclusão do filho, Pedro Gonet, no convescote.
A liberalidade metodológica, quando é muita, acaba engolindo os donos. O tapete do Supremo ficou pequeno. O resort vendido por Toffoli ao cunhado de Vorcaro já vaza pelas bordas. Com Moraes, o excesso tende a tornar tudo insignificante, exceto a pergunta: "E a sujeira?"

Embora nossa compreensão do tempo se baseie na física newtoniana, a teoria da relatividade desafia o pressuposto intuitivo de que os acontecimentos progridem linearmente do passado para o futuro, sugerindo que o espaço-tempo pode se comportar de formas bizarras, como demonstram os buracos negros (cuja existência já foi comprovada).

Como dito no post anterior, uma curva temporal fechada permitiria a um viajante do tempo seguir caminhos diferentes sem alterar o futuro, já que a criação de uma linha do tempo alternativa a cada decisão tomada tornaria a volta ao passado factível. Por outro lado, essa teoria ainda não foi comprovada experimentalmente, e sem múltiplos universos e LTAs, o efeito borboleta poderia gerar um loop infinito de causas e consequências.

Einstein bem que tentou, mas não conseguiu desenvolver uma equação capaz de descrever a realidade inteira. Outros físicos seguiram seus passos — entre os quais Stephen Hawking —, mas nenhum deles teve melhor sorte, e a busca por uma regra fundamental escondida por trás da diversidade do universo continua. E não faltam teorias que visam elucidar essa questão, sendo a Teoria de Tudo uma das mais promissoras.

Por muito tempo, falar sobre universos paralelos foi tabu entre a comunidade científica, mas não há nada como o tempo para passar, e teorias que se baseiam na hipotética existência de multiversos têm seus defensores e seus detratores. Mas os universos paralelos não são teorias em si, e sim previsões de determinadas teorias que sustentam a existência de fenômenos impossíveis de ser observados — como os buracos de minhoca, que continuam no campo das conjecturas embora "façam parte do pacote" da relatividade geral de Einstein, e o mesmo acontece com os universos paralelos em teorias como a inflação infinita, e talvez até na mecânica quântica.

A existência de universos paralelos foi defendida por cientistas do quilate de Stephen Hawking e Neil deGrasse Tyson, mas o problema é que o tema suscita muita confusão, sobretudo porque não se sabe de qual tipo de universo paralelo se está falando. Para facilitar, o livro Our Mathematical Universe, do cosmólogo Max Tegmark, dividiu os universos paralelos em quatro níveis diferentes. Vamos a eles:

O Multiverso de Nível 1, também conhecido como Quilted, é todo o cosmos que está tão longe que sua luz ainda não teve tempo de chegar até nós, embora o Big Bang tenha ocorrido há cerca de 13,8 bilhões de anos. A propósito, o universo "observável" é uma esfera com raio de 49 bilhões de anos-luz, conhecida como Esfera Hubble, e tudo que fica fora dela pode ser considerado outro universo.

Esse nível fica mais interessante quando paramos para pensar que existem apenas finitas maneiras de rearranjar as partículas do universo observável. Significa dizer que se pudéssemos singrar o cosmos por tempo suficiente, acabaríamos nos deparando com um clone da Terra com cópias idênticas dos terráqueos, da mesma forma que um macaco digitando aleatoriamente em um teclado por um período de tempo infinito acabará escrevendo a obra completa de Shakespeare. Vale destacar que esse nível do universo obedece às leis da física clássica e às constantes cosmológicas conhecidas, de modo que, pelo menos, em teoria, poderemos alcançá-lo quando e se desenvolvermos tecnologia avançada o suficiente para isso.

Para entender o Multiverso de Nível 2 é preciso compreender a Teoria da Inflação Cósmica, segundo a qual existiu um momento de inflação imensa e quase instantânea logo depois do Big Bang. Todavia, diferentemente de uma bolha de sabão, que ocupa espaço em um ambiente externo, o Universo não precisa de um exterior para se expandir. Uma teoria elegante, proposta por Stephen Hawking, é a da fronteira sem fronteira — um modelo de tempo imaginário no qual o cosmos seria como a superfície da Terra: finito, mas sem uma borda nem uma singularidade inicial.

Conforme Einstein estabeleceu em sua teoria da relatividade geral, pressão negativa gera gravidade repulsiva. Assim, uma substância em estado de inflação cósmica produz uma antigravidade que a explode, e a energia que essa antigravidade usa para expandir cria massa suficiente para que ela duplique de tamanho e continue a duplicar de novo e de novo. Ou seja, cria-se um universo inteiro sem tomar lugar de qualquer outra coisa, e assim diversos espaços infinitos poderiam existir dentro de um espaço finito.

Observação: Não se sabe porque as constantes cósmicas do universo têm os valores que têm, mas sabe-se que isso é fundamental para que tudo exista como conhecemos. O físico Alan Lightman explica no livro The Accidental Universe que se a quantidade de energia escura do nosso universo fosse um pouquinho diferente, a vida nunca poderia ter surgido.

Em suma, o Multiverso de Nível 2 é um conjunto de universos tecnicamente incomunicáveis, já que cada um deles é infinito, apesar de ocupar um espaço finito se visto de fora. Mas a aceitação desse nível de multiverso depende da aceitação geral da própria Teoria da Inflação Eterna, que sugere boas soluções para vários outros problemas misteriosos. Aliás, trata-se da melhor hipótese que temos para resolver um dos problemas mais misteriosos do nosso próprio Universo: o da “afinação” (ou fine-tuning). 

Diferente dos outros dois, o Multiverso de Nível 3 é o "queridinho" das obras de ficção científica e do imaginário popular. Segundo a interpretação de Copenhague, proposta por Niels Bohr e Werner Heisenberg, antes de ser observada, cada partícula se comporta também como onda e está em um estado de superposição quântica — ou seja, em dois ou mais locais ao mesmo tempo. Mas quando observamos essa partícula/onda, ela "escolhe" um local único para se mostrar como partícula. Mas uma teoria alternativa que está ganhando cada vez mais atenção é a chamada Interpretação dos Muitos Mundos, proposta por Hugh Everett em 1957.

Segundo essa teoria, a onda jamais entra em colapso, de modo que todas as possibilidades de localização seriam igualmente verdadeiras, criando uma infinidade de bifurcações quânticas, cada uma dando origem a um universo paralelo, onde tudo que pode acontecer acontece em algum lugar. Ou seja – existem milhões de versões de cada um de nós vivendo em universos ligeiramente ou totalmente diferentes, e cada vez que tomamos uma decisão, um clone de nós toma a decisão oposta em algum universo paralelo.

No famoso experimento do gato de Schrödinger, o gato está em um estado de superposição quântica — vivo e morto ao mesmo tempo —, e seu futuro só é decidido no momento em que a caixa é aberta (obrigando a partícula a decidir se decai ou não). Na Interpretação de Everett, no entanto, o universo se separa em dois, e o gato está vivo num deles e morto no outro, sem jamais interagirem um com o outro.

A ideia de que milhões de universos paralelos existem parece absurda, mas não é mais incoerente do que a possibilidade de uma partícula se comportar como onda, estar em vários locais ao mesmo tempo e mudar de estado de modo totalmente randômico quando é observada (como disse Richard Feynman, "ninguém realmente compreende a mecânica quântica").

Os cientistas avessos à Interpretação dos Muitos Mundos se escoram na Navalha de Occam — a explicação mais simples tende a ser a verdadeira — já que seria complicado adicionar infinitos universos paralelos para justificar a existência do nosso. Mas trata-se apenas de uma maneira diferente de olhar para os mesmos dados e os mesmos resultados, já que as equações que admitem a existência desses universos já existem.

Por último, mas não menos importante, resta dizer que o Multiverso de Nível 4 engloba todos os multiversos dos níveis 1, 2 e 3 numa única estrutura matemática infinitamente complexa, e que aceitar essas hipóteses sobre a maneira como a realidade se comporta vai de encontro (e não ao encontro) a nosso instinto fundamental de acreditar que somos o centro do universo.

Esse tipo de egocentrismo natural pode até ser socialmente repulsivo, mas é a nossa configuração padrão, impressa nos nossos circuitos desde o nascimento. Mesmo porque nunca tivemos uma experiência da qual não fomos o centro absoluto. Mas talvez o multiverso incomode porque reduz a existência de cada um à sua insignificância, e o ser humano tem dificuldade em aceitar a ideia de que ele não é essencialmente especial.

Continua…

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O TEMPO PERGUNTOU AO TEMPO QUANTO TEMPO O TEMPO TEM — (PENÚLTIMA PARTE)

O CONHECIMENTO É LIMITADO, MAS A IMAGINAÇÃO ENVOLVE O MUNDO. 

Vimos que a ciência está historicamente repleta de ideias tidas como impossíveis até que novos conhecimentos revelaram caminhos inesperados. Vimos também que a propulsão de dobra — ideia associada há décadas ao sonho de reduzir distâncias entre estrelas — não afronta as equações relativísticas quanto à velocidade da luz, pois consiste basicamente em mover a região ao redor da espaçonave, comprimindo o espaço à frente e expandindo-o para trás. 


Um estudo recente publicado na revista Classical and Quantum Gravity tem como principal mudança em relação ao modelo anterior a geometria da bolha de dobra — que, em vez de concentrar a energia exótica em um único anel circular ao redor da nave, organiza essa energia em três ou quatro segmentos tubulares posicionados ao redor da fuselagem, visando manter o interior da espaçonave calmo e plano enquanto a parte externa realiza o trabalho de distorcer o espaço-tempo.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O cenário político-eleitoreiro está ainda mais vomitativo do que em 2022 e 2018. Haja Plasil! Venho pensando em deixar de incluir essas resenhas nas minhas postagens, pelo menos até passarem as eleições. Mas ainda não bati o martelo, de modo que vamos em frente.

Eleições têm dois tipos de candidatos: os que fazem poeira e os que comem poeira. O psiquiatra Augusto Cury continua engolindo a poeira levantada pelos favoritos Lula e Flávio Bolsonaro, mas já começa a enxergar no retrovisor após quebrar a barreira dos dois dígitos, enquanto Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos ^tem 4%, 3% e 2%, respectivamente.

As pesquisas empurram o filho do presidiário para uma encruzilhada: ele ainda é o anti-Lula mais competitivo, mas sua vitória está longe de ser assegurada. Aos poucos, Cury vai deixando de ser um mero soluço. As novas rodadas da Quaest e do Datafolha vão mostrar se o fenômeno Cury também aparece em pesquisas presenciais ou se está concentrado nas sondagens telefônicas e digitais.

Na pesquisa Real Time, Lula continua à frente no primeiro turno. Mas perdeu terreno no cenário de segundo turno. Em um mês, sumiram os três pontos de vantagem sobre Flávio. Os dois estão agora numericamente empatados em 44%. Quer dizer: a sucessão continua aberta ao imponderável.


Vimos também que pode ser mais fácil viajar no tempo para o futuro do que avançar além do nosso próprio quintal cósmico, pois é enorme a distância que separa uma viagem a velocidades próximas à da luz — que é representada pela letra"c" e equivale a aproximadamente 1,08 bilhão de km/h — à do objeto mais veloz lançado pela NASA até agora, que atingiu 0,064% de "c" em dezembro de 2024, quando a sonda se aproximou a apenas 6,1 milhões de km da superfície solar. A essa velocidade, uma viagem de ida a Proxima Centauri — o sistema estelar mais próximo do nosso — levaria cerca de 6.600 anos.  


A história ensina que ideias abstratas podem levar séculos ou até milênios para se tornarem ferramentas práticas. No estágio atual, "c" segue como uma fronteira muito mais teórica do que tecnológica para a exploração espacial, e a nova proposta melhora a forma de pensar a bolha de dobra, mas o salto entre matemática, energia negativa, controle seguro e viagem real continua imenso.


Voltando ao que dizíamos sobre a imensidão do cosmos, o que observamos no céu noturno é uma gravação atrasada do passado, que varia conforme a distância e o tempo que a luz leva para percorrê-la. Quando olhamos para a Lua, vemos como ela era 1,3 segundo antes; quando olhamos para o Sol, vemos como ele era cerca de 8 minutos atrás. 


Nosso sistema estelar vizinho mais próximo está a 4,37 anos-luz de nós, o que significa que a luz que vemos iniciou sua jornada há mais de 4 anos. Já quando olhamos para Betelgeuse — gigante vermelha na constelação de Órion, que fica a cerca de 550 anos-luz da Terra, o que vemos é a luz emitida quando os europeus ainda viviam na Idade Média, e a luz que nos chega desde Andrômeda — a maior galáxia espiral vizinha da Via Láctea, que fica a 2,5 milhões de anos-luz — partiu de lá quando os primeiros hominídeos começaram a caminhar eretos na África.


Olhar para o espaço profundo não é observar o universo, é assistir a um filme de fantasmas cósmicos, já que uma parcela significativa das estrelas que vemos brilhando no céu já explodiram, colapsaram em buracos negros ou se apagaram há séculos ou milênios, embora a notícia de sua morte ainda não tenha chegado até nós. Além disso, a expansão do universo a uma velocidade superluminal, graças a algo misterioso chamado "energia escura", está empurrando o tecido do espaço-tempo para fora em todas as direções, e quanto mais distante uma galáxia está de nós, mais rápido ela parece se afastar. 


Observação: Note que não são as galáxias que estão se afastando mais rápido que a luz — até porque isso violaria as leis da física — e sim o espaço entre elas que vem se expandindo cada vez mais depressa. Para entender melhor, pense no cosmos como uma bexiga de borracha e nas galáxias como a inscrição "Feliz Aniversário". À medida que a bexiga enche, a distância entre as letras aumenta, não por mudarem de lugar, mas por acompanharem a expansão causada pela pressão do ar no interior da bexiga.


Isso cria o que chamamos de horizonte de eventos cósmico, e qualquer coisa além dessa linha não pode ser alcançada, não importa o quanto nossa tecnologia avance. Centenas de bilhões de galáxias já foram perdidas, e mais galáxias cruzam essa fronteira e desaparecem da nossa realidade observável a cada segundo — ou seja, o território do universo disponível para nós está encolhendo ativamente, prendendo-nos numa ilha cósmica enquanto a maré sobe. 


E se isso não bastasse, algumas estimativas sugerem que a parte observável do universo contém cerca de dois trilhões de galáxias. O problema é que não sabemos qual é a extensão real do cosmos além dessa região iluminada pela luz que teve tempo de chegar até nós desde o Big Bang. O universo pode ser muito maior do que imaginamos, talvez centenas, milhares ou até infinitas vezes mais vasto que a fração infinitesimal que conseguimos observar.


Em outras palavras, tudo o que a humanidade já viu — cada estrela, planeta, nebulosa, galáxia e aglomerado galáctico catalogado até hoje — pode corresponder apenas a uma minúscula gota em um oceano cuja dimensão permanece desconhecida. E, como veremos mais adiante, algumas hipóteses vão ainda mais longe: sugerem que o nosso universo talvez seja apenas um entre inúmeros outros.


Continua…

terça-feira, 1 de setembro de 2026

O TEMPO PERGUNTOU AO TEMPO QUANTO TEMPO O TEMPO TEM... (3ª PARTE)

O CAOS É UMA ORDEM POR DECIFRAR.

De acordo com as equações relativísticas de Einstein, a massa de um objeto aumenta à medida que ele se aproxima da velocidade da luz — que é representada pela letra "c" e equivale a aproximadamente 1.08 bilhão de km/h. A 90% de "c", a massa é 2,3 vezes maior do que em repouso; a 99%, 7 vezes; e a 99,9%, 22 vezes.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Lula já tentou de tudo para deslanchar nas pesquisas, mas, por enquanto, tudo não quis nada com ele, que continua numericamente à frente, porém sentindo o bafo do filho do presidiário no cangote. 

O ex-presidiário ainda acredita que a fé na reeleição pode remover montanhas, mas decidiu empurrar enquanto reza. Há um certo desespero em sua pareceria com com os presidentes do Senado e da Câmara. Até outro dia, Alcolumbre e Motta eram chamados nas redes sociais petistas de "inimigos do povo"; na última quarta-feira, almoçaram com o macróbio no Alvorada e, ato contínuo, anunciaram o destravamento da pauta eleitoral do anfitrião no Congresso. 

Será aprovada na semana que vem a MP que extinguiu a taxa das blusinhas. E devem avançar a proposta que cria a escala de trabalho 5 X 2 e a PEC da Segurança Pública.

Noutros tempos, a parceria seria vista como sinal de força; hoje, é apenas um penúltimo esforço para abrir frestas para boas notícias num noticiário monopolizado pelas traficâncias de Lulinha. 

Depois de desembrulhar bondades eleitorais estimadas em cerca de R$ 200 bilhões, Lula recorre até a aliados da onça para lidar com a montanha que o separa do quarto mandato. Alcolumbre e Motta cobrarão o seu preço.


Na velocidade da luz, mesmo a massa ínfima de uma simples partícula se torna infinita e requer energia igualmente infinita para continuar a acelerar. E como não existe energia infinita em nosso Universo, temos uma barreira física codificada nas próprias leis da realidade, certo? Talvez não. Um grupo de cientistas propôs uma versão redesenhada da chamada "bolha de dobra", que poderia, em tese, transportar uma espaçonave por meio da distorção do espaço-tempo. O problema é que a quantidade de energia negativa necessária, os riscos de controle e os prazos estimados em até milhares de anos esbarram num obstáculo elementar: ainda não sabemos como produzir os ingredientes físicos exigidos pelo modelo, especialmente grandes quantidades dessa energia.


Embora nossa tecnologia tenha evoluído mais nos últimos 200 anos do que desde a invenção da roda à Revolução Industrial, e, por mais que avancemos nas próximas décadas — ou séculos —, dificilmente alcançaremos a velocidade da luz e, consequentemente, conseguiremos cruzar a fronteira que nos separa das estrelas. Mesmo que construíssemos uma nave capaz de alcançar 99% de "c", teríamos de lidar com um fenômeno relativístico conhecido como dilatação do tempo, segundo o qual o tempo desacelera para objetos em movimento em relação a observadores estacionários. Por outro lado, cruzar o Atlântico em pouco mais de 3 horas — como fazia o supersônico Concorde em 2003 — era inconcebível em 1500, quando Cabral levou 44 dias para vir de Portugal a Pindorama, e inimaginável no início do século XX, quando os irmãos Wright e Santos Dumont provaram que um artefato mais pesado que o ar era capaz de decolar, voar e pousar por meios próprios.   


Os hipotéticos tripulantes de uma nave viajando a 99% de "c" rumo a uma estrela a 50 anos-luz de distância demorariam 7 anos para chegar lá, mas 50 anos se passariam no mundo estático que eles haviam deixado para trás. E caso retornassem à Terra, seus contemporâneos estariam mortos e a civilização inteira teria evoluído além do reconhecimento. Mas volto a lembrar que as leis da física criam obstáculos para nos impedir de sair do Sistema Solar. É o caso da nuvem de Oort, que se estende de cerca de 2 mil UAs até 100 mil UAs. Como uma UA equivale a 150 milhões de quilômetros, a fronteira gravitacional do nosso sistema solar fica a quase 1,6 anos-luz do Sol. Viajando a cerca de 60 mil km/h, a sonda Voyager I percorreu em 47 anos apenas 0,002 ano-luz — uma fração minúscula da distância que nos separa dos confins do Sistema Solar. Nessa toada, ela deve levar mais 300 anos para alcançar a borda interna da nuvem de Oort e outros 30 mil anos para transpô-la. 


Diante disso, a pergunta que se impõe é: se não conseguimos sequer escapar do nosso próprio sistema solar, que dirá alcançar outras galáxias? E a resposta é "talvez". Afinal, não há nada como o tempo para passar (vide o que escrevi no terceiro parágrafo sobre Cabral, Santos Dumont e os irmãos Wright), e uma nova arquitetura para um motor de dobra — ideia associada há décadas ao sonho de reduzir distâncias entre estrelas — vem sendo desenvolvida. Ela não faz a nave ultrapassar localmente o limite imposto pela física moderna, mas move a região ao redor dela, comprimindo o espaço à frente e expandindo o espaço atrás. 


Esse estudo, assinado pelo engenheiro aeroespacial Harold “Sonny” White e pelos coautores Jerry Vera, Andre Sylvester e Leonard Dudzinski, ligados à Casimir, Inc., descreve “bolhas de dobra cilíndricas com interior plano para nacelas” e foi publicado na revista Classical and Quantum Gravity. A comparação com a ficção científica aparece de forma inevitável, especialmente pela semelhança com as nacelas gêmeas da USS Enterprise, mas o modelo refina a arquitetura da bolha, embora ainda dependa de condições que a ciência atual não consegue reproduzir em escala útil para uma espaçonave.


O ponto nevrálgico continua sendo transformar equações consistentes em algo fisicamente possível. Ainda que as leis da física impeçam que uma mísera partícula contendo massa alcance a velocidade da luz, nos conceitos de propulsão de dobra a nave não é empurrada como um foguete comum, mas carregada por uma bolha que altera a geometria do espaço ao seu redor. A lógica pode ser comparada a uma esteira rolante de aeroporto, na qual as pessoas que sobem chegam antes das demais não porque correm, mas porque a superfície sob seus pés também está em movimento. Na proposta de dobra espacial, essa “esteira” seria o próprio espaço-tempo e a região à frente da nave seria comprimida, enquanto a região atrás dela se expandiria, fazendo com que a bolha avançasse sem que a espaçonave dentro dela ultrapassasse localmente a velocidade da luz. 


Esse tipo de abordagem remonta à proposta de 1994, frequentemente citada como o documento métrico sobre propulsão de dobra. Desde então, o maior desafio tem sido conciliar a elegância matemática com limitações físicas extremamente rígidas, mas um dos pontos que mais chama a atenção no novo artigo é o foco na habitabilidade da bolha. No caso de uma missão tripulada, não bastaria mover uma espaçonave pelo espaço-tempo, seria preciso também garantir que a região interna não submetesse os astronautas a distorções gravitacionais perigosas, como as chamadas forças de maré, que podem criar efeitos muito mais severos do que as marés oceânicas observadas na Terra e tornar inviável a presença humana dentro da nave. 


Além disso, os autores defendem uma condição de “planicidade interior”, na qual a cabine permanece matematicamente plana em termos de espaço-tempo, ainda que a estrutura externa da bolha esteja altamente distorcida. Essa estabilidade é fundamental para navegação, relógios, suporte à vida e funcionamento normal das leis físicas dentro da espaçonave. Mesmo sendo uma proposta teórica, ela mira uma exigência que qualquer sistema real precisaria enfrentar. No entanto, o maior entrave para qualquer motor de dobra é a energia negativa.


Observação: Energia negativa e matéria exótica são coisas diferentes. A primeira é um efeito quântico específico, e a segunda engloba qualquer substância capaz de gerar repulsão gravitacional. A energia negativa pode ser um tipo de matéria exótica, mas nem toda matéria exótica se baseia exclusivamente em energia negativa.


A energia negativa aparece em quantidades mínimas em configurações quânticas muito específicas, e ampliá-la para o tamanho de uma espaçonave está muito além das capacidades atuais. E a crítica não é apenas tecnológica: uma análise de 1997 de Michael J. Pfenning e L. H. Ford aplicou limites quânticos às bolhas de dobra e concluiu que essa energia teria de ser comprimida em uma camada extremamente fina, com exigências totais de energia consideradas fisicamente inalcançáveis.


Também permanece em aberto a questão de saber se o universo fornece massa negativa ou energia negativa em uma forma utilizável. O astrofísico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, argumentou que a energia do vácuo associada à expansão cósmica é tão diluída que nem mesmo um cubo com cerca de 19 quilômetros de lado seria suficiente para manter uma lâmpada de 100 watts acesa por um minuto inteiro. Ele também escreveu que nenhuma física conhecida pode dar origem a um objeto com massa negativa, e esse ponto amplia ainda mais a distância entre o conceito de velocidade máxima possível no Universo e uma nave real.


A história da ciência está repleta de ideias que pareciam impossíveis até que novos conhecimentos revelassem caminhos inesperados. A questão é saber se a propulsão de dobra pertence à categoria dos problemas difíceis ou à dos problemas impossíveis. E essa diferença pode levar muito tempo para ser descoberta. Em contrapartida, talvez seja mais fácil viajar no tempo do que para as estrelas. Afinal, a relatividade já permite "viajar para o futuro", embora ainda não tenhamos sido capazes de atravessar nosso próprio quintal cósmico.


Continua…

terça-feira, 28 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE O BIG BANG

O ETERNO NOS CRIOU À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, MAS DEVE TER ERRADO ALGUM INGREDIENTE OU O TEMPO DE COZIMENTO, POIS NOS TORNAMOS DEUSES DE MERDA.

Vimos que os físicos Fred Hoyle, Thomas Gold e Hermann Bondi levantaram a hipótese de que o universo não teria começo nem fim; que Hoyle ironizou a ideia de toda a matéria ter surgido em um "grande estrondo", que a ironia pegou e o termo Big Bang foi adotado pela imprensa, embora tudo tenha começado não como uma grande explosão, mas como uma expansão cósmica há quase 14 bilhões de anos, cujos efeitos ainda podem ser observados através do desvio para o vermelho na luz das galáxias distantes.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Numa homenagem à imprestabilidade, o PL oficializou a escolha do primogênito do refugo da escória da humanidade como candidato à Presidência em uma convenção em São Paulo com direito a discurso do filho do pai com referências a si próprio como "o filho mais velho do capitão". A convenção contou com um recado do primeiro-ministro de Israel, que afirmou que o filho do pai é um grande defensor do Brasil, e com a presença do presidente da Argentina, que veio especialmente para a convenção e chamou o ministro Alexandre de Moraes de "lixo careca" por negar a autorização para que ele visitasse o golpista, que cumpre pena em prisão domiciliar humanitária. . 

Também marcaram presença o governador Tarcísio de Freitas, puxa-saco do Messias, de Valdemar Costa Neto, ex-presidiário do Mensalão e presidente do PL, e do senador Rogério Marinho — outro que morreria afogado se Bolsonaro tomasse um banho de assento —, além de uma série de congressistas e candidatos do PL. 

Estavam no palco ainda o prefeito de São Paulo e candidatos a governador pelo PL, como Sergio Moro, o ex-herói nacional que passou a vergonha nacional e disputa o governo do Paraná. O evento nauseabundo começou com o hino nacional e 22 segundos de silêncio em alusão à suposta tentativa de calar a direita no Brasil, nas palavras do cerimonialista. 

A ex-primeira-dama e madrasta não participou presencialmente do evento, alegando estar em casa cuidando do "seu galego", e tampouco elogiou o enteado-candidato mas pediu que Deus abençoe e proteja sua candidatura e desejou força para a família dele para cumprir a missão com a lealdade que nosso povo merece (pausa para as gargalhadas).  

Os sinais de isolamento do stronzino foram evidenciados pela ausência dos presidentes nacionais dos demais partidos — embora o PL queira repetir a coligação de Bolsonaro em 2022 com a federação União Brasil-PP e o Republicanos, as legendas sinalizaram preferir a neutralidade desta vez.

A falta de uma coligação deixou a chapa sem candidato a vice — a expectativa era de que partidos aliados indicassem um nome, de preferência uma mulher. Em seu discurso, Tarcísio, que foi preterido pelo filho do pai para concorrer ao Planalto, disse que o senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias estava ali não pelo sobrenome, mas por ser uma pessoa que vai honrar o pai e o legado e será o maior presidente da história (pausa para o Plasil).

O governador puxa-saco de presidiário aproveitou para criticar o PT e pedir ao público que busque votos e convença os indecisos: "não tem espaço mais para o cansaço, a gente não pode mais se poupar, são 70 dias de trabalho e sacrifício".

Em resumo, mudaram as moscas, mas a merda continua sendo rigorosamente a mesma.

A despeito da imprecisão, o nome Big Bang se espalhou pelo mundo como um bordão irresistível. Em 1993, a revista Sky and Telescope organizou um concurso para substituir o nome e recebeu 13.099 sugestões de 41 países, mas nenhuma convenceu a banca de jurados, que incluía o astrônomo Carl Sagan. Assim, o nome permaneceu, e Hoyle entrou para a história como o homem que batizou uma teoria na qual nunca acreditou.

Faltou dizer que um esforço para melhorar as comunicações por rádio, um ruído vindo do espaço e alguns físicos teóricos formaram uma improvável conjunção de fatores que ajudou a comprovar o principal pilar da cosmologia moderna, embora não explique que existia antes da "grande expansão" e sustente que as leis da física clássica não se aplicam àquele momento inicial. Essa lacuna deu origem a alternativas como a Teoria M, segundo a qual existem inúmeros universos paralelos, e a colisão entre dois deles teria gerado toda a matéria e energia que compõem o nosso Universo. Algumas correntes sustentam que espaço e tempo sempre existiram, e que a grande expansão não foi o ponto inicial de tudo, mas o resultado do colapso entre diferentes dimensões — nesse caso, a explosão primordial — que teria dado origem múltiplos universos que surgiram como bolhas em um caldo cósmico de possibilidades. Essas ideias já foram consideradas pura ficção científica, mas hoje ensejam debates sérios entre físicos teóricos, que tentam conciliar a Relatividade com a Mecânica Quântica por meio de hipóteses como a de que o nosso universo seria apenas uma "membrana" flutuando em um espaço de dimensões superiores imperceptíveis para nossos sentidos. A questão é que aquilo que chamamos de “realidade” seria apenas um entre incontáveis cenários possíveis, com leis físicas diferentes, constantes variadas e talvez até versões alternativas de nós mesmos em outras configurações do espaço-tempo. Na esteira desse raciocínio, o Big Bang deixaria de ser o "início de tudo" e se tornaria apenas um episódio em uma história muito maior — uma entre trilhões de páginas de uma história que ninguém escreveu, mas que insiste em se desenrolar. Ainda que tudo isso não passe de hipóteses, são hipóteses escoradas em equações, observações indiretas e modelos matemáticos complexos, e para muitos físicos a elegância de uma teoria é quase tão sedutora quanto sua capacidade de ser testada. É nesse limite entre o rigor e o devaneio que a ciência avança. Aliás, a verdadeira "beleza" da ciência não está nas respostas, mas nas novas perguntas que cada resposta suscita. Dito isso, o que veio antes do tempo? O que existe fora do espaço? O nada é mesmo nada ou apenas algo que ainda não fomos capazes de entender? A física como a conhecemos deixa de fazer sentido nos primeiros 5,39 × 10⁻⁴⁴ segundos contados do "início" do universo — intervalo conhecido como tempo de Planck. Nesse limite extremo, a gravidade e a mecânica quântica tornam-se incompatíveis. Conforme o universo se expandiu e esfriou — por volta de 10⁻⁶ segundos após o Big Bang — sopa densa e quente de quarks e glúons começou a formar prótons e nêutrons. Assim, quando falamos que “tudo veio do nada”, devemos ter em mente que, na cosmologia, “nada” pode significar ausência de matéria, de espaço-tempo ou mesmo um vácuo quântico repleto de flutuações. Segundo a Teoria Quântica de Campos, mesmo no vácuo existem atividades físicas — flutuações de energia que podem dar origem a partículas que logo desaparecem. Por mais que esse cenário pareça uma abstração matemática, essas partículas foram detectadas em inúmeros experimentos. Algumas hipóteses sugerem que o Universo pode ter surgido de uma flutuação do vácuo, com energia total zero — em que a energia positiva da matéria seria cancelada pela energia negativa da gravidade. Stephen Hawking e outros físicos exploraram a ideia de que o surgimento espontâneo do Universo seria possível dentro da física quântica —, mas não devemos perder de vista que estamos falando de um campo altamente especulativo. Voltando no tempo até a chamada Era de Planck — que ocorreu um décimo de milionésimo de um trilionésimo de um trilionésimo de um trilionésimo de segundo após o Big Bang — deparamo-nos com um limite onde nossas melhores teorias entram em colapso e próprio espaço-tempo sofre flutuações quânticas. E como a mecânica quântica governa o micromundo das partículas, e a relatividade geral, o universo em grande escala, unificá-las exige um Teoria de Tudo. Segundo a Teoria das Cordas e a Gravidade Quântica em Loop, espaço e tempo seriam conceitos emergentes como ondas na superfície de um oceano profundo, e o que chamamos de espaço-tempo seria o resultado de processos quânticos ainda mais fundamentais. Isso fica ainda mais interessante quando tentamos entender que, na Era de Planck, o espaço e o tempo deixam de fazer sentido e a causalidade se desintegra. As principais candidatas à "teoria da gravidade quântica" descrevem um tipo de realidade física que estaria ocorrendo no tal "momento primordial" — uma espécie de precursor quântico do espaço e tempo. Mas a física ainda não encontrou um exemplo confirmado de algo surgindo literalmente do nada — a procura por esse "santo graal" deu azo a explicações sobrenaturais, a modelos cíclicos do Universo e à Teoria do Multiverso, segundo a qual infinitos universos coexistem, cada qual com suas próprias leis e histórias. Inspirado por uma conexão matemática curiosa entre um universo inicial quente e denso e um universo final frio e vazio, Roger Penrose, ganhador do Nobel de Física em 2020, propôs a chamada cosmologia cíclica conformada, na qual os estados iniciais e finais se tornam matematicamente idênticos quando levados aos seus limites. Em outras palavras, o Big Bang pode ter surgido de um "quase nada", isto é, do resquício de um universo anterior onde toda a matéria teria sido consumida por buracos negros e transformada em fótons dispersos num imenso vazio. Mesmo assim, esse "nada" ainda seria um tipo de "algo", ainda que fosse um universo físico desprovido de estrutura. O paradoxo aqui é que esse estado frio e vazio pode ser o mesmo que o estado quente e denso visto sob outra perspectiva. A solução, segundo Penrose, poderia ser uma transformação geométrica complexa, que altera o tamanho, mas não a forma — já que tanto o conceito de tamanho como o próprio tempo podem deixar de fazer sentido em estados extremos. O estado frio e vazio existiria eternamente numa linha do tempo própria, enquanto o estado quente e denso habitaria uma nova linha temporal. Ainda que essa hipótese se comprove no futuro, a pergunta filosófica mais profunda ainda permanece: de onde veio a própria realidade física? De ciclos infinitos, cada um gerando o próximo com variações quânticas aleatórias? Ou de um único ciclo, repetido eternamente, como um universo que retorna sempre ao mesmo ponto, reproduzindo a si mesmo? Ao sugerir que cada ciclo do universo é único, Penrose abre a possibilidade de detectarmos vestígios do ciclo anterior na radiação cósmica de fundo que observamos hoje. Ele e seus colegas afirmam ter encontrado essas marcas nos dados coletados pelo satélite Planck, que mapeou com alta precisão essa radiação remanescente do Big Bang, e que, certos padrões circulares identificados nos mapas poderiam ser ecos de buracos negros supermassivos que existiram no ciclo anterior. Ainda que essas conclusões ainda sejam alvo de intenso debate entre os cientistas, um dia encontrarmos uma forma natural de transformar a cosmologia cíclica de múltiplos ciclos para um único ciclo fechado, e assim nosso Universo poderia ser um loop contínuo do Big Bang ao vazio e de volta ao Big Bang, num renascimento perpétuo do mesmo multiverso quântico onde tudo que pode acontecer acontece, e acontece de novo, de novo e de novo. Na mitologia nórdica, a serpente Jörmungandr, filha de Loki,, morde a própria cauda, criando o círculo que sustenta o equilíbrio do mundo. Como se vê, a pergunta "de onde viemos?" pode ser mais antiga do que imaginamos. As teorias são muitas, mas, ao fim e ao cabo, talvez todas nos levem de volta ao ponto de partida.

Continua...

sexta-feira, 22 de maio de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 107ª PARTE — UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

TUDO PARECE IMPOSSÍVEL ATÉ QUE SEJA FEITO.

Como foi dito ao longo dos mais de 100 capítulos desta sequência sobre viagens no tempo, o fruto mais cobiçado da árvore da relatividade ainda não foi colhido porque exige viajar a uma velocidade próxima à da luz ou transpor um buraco de minhoca atravessável.


Para levar qualquer partícula com massa à velocidade máxima possível no Universo, um grupo de cientistas propôs uma versão redesenhada da chamada "bolha de dobra" — estrutura teórica que poderia transportar uma espaçonave por meio da distorção do espaço-tempo. O problema é que a quantidade de energia negativa necessária, os riscos de controle e os prazos estimados em até milhares de anos esbarram num empecilho elementar: ainda não sabemos produzir os ingredientes físicos exigidos pelo modelo, especialmente grandes quantidades de energia negativa.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Um senador pedindo dinheiro ao operador de escandalosa fraude financeira, a quem trata de "irmão", é tudo menos uma transação corriqueira "de um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai". A conversa abre o baú de esqueletos com potencial de mudar o rumo desta eleição, pois evidencia a relação de proximidade de um candidato a presidente com um personagem cujos golpes envolvem dinheiro público, a quem ele cobra colaboração para a produção de uma peça de propaganda milionária, a ser usada em sua campanha eleitoral.
Não há nada de privado nisso. Há, sim, o flagrante de agressão ao interesse público no qual se inscreve, além do descrito acima, o fato de o pretendente a comandar a nação ter mentido aos correligionários e, sobretudo, aos que até agora o indicavam como favorito nas pesquisas de intenções de votos. O impacto negativo na candidatura está posto, faltando apenas medir a extensão do estrago para esclarecer se o filho do golpista consegue se livrar do enrosco, se terá de sair de cena da disputa presidencial ou se prosseguirá mesmo tendo de arrastar essa corrente.
A rapidez com que companheiros do PL consideraram o tiro como mortal, a reação fragiliza a retaguarda do candidato e cria um rombo na estratégia de defesa já prejudicada pela negativa inicial seguida pelo desmentido nos áudios. Sendo o destino moleque travesso, o pai que lhe assegura ascensão com o capital do sobrenome o coloca na contingência de um tombo fatal.


Vale relembrar que a massa aumenta com a velocidade, torna-se infinita na velocidade da luz (representada pela letra "c" e equivalente a cerca de 1,08 bilhão de km/h) e requer energia igualmente infinita para continuar acelerando. Os efeitos da dilatação do tempo só são sensíveis em velocidades próximas a "c". A 99,999% dessa velocidade, um corpo fica 224 vezes mais pesado; a 99,99999999%, o aumento é de 70 mil vezes; a 99,999999999999999999981%, um segundo no referencial do viajante equivale a 2,5 anos no tempo terrestre, como bem demonstra o paradoxo dos gêmeos. 


Em um cenário mais moderado, chegar a nossa vizinha estelar mais próxima, que dista 4,37 anos-luz da Terra, viajando a 99,9999999% de "c" levaria mais de 4 anos terrestres, mas, no referencial dos astronautas, teriam transcorrido menos de duas horas. Mas a nova proposta de motor de dobra que redesenha a bolha espaço-temporal reacendeu o debate sobre viagens com velocidades próximas a "c".


A proposta envolve uma nova arquitetura para um motor de dobra — ideia associada há décadas ao sonho de reduzir distâncias entre estrelas — que não faz a nave ultrapassar localmente o limite imposto pela física moderna, mas tenta mover a região ao redor dela, comprimindo o espaço à frente e expandindo o espaço atrás.


Assinado pelo engenheiro aeroespacial Harold “Sonny” White e pelos coautores Jerry Vera, Andre Sylvester e Leonard Dudzinski, ligados à Casimir, Inc., o estudo descreve “bolhas de dobra cilíndricas com interior plano para nacelas” e foi publicado na revista Classical and Quantum Gravity. A principal mudança do novo modelo está na geometria da bolha de dobra — em vez de concentrar a energia exótica em um único anel circular ao redor da nave, a proposta organiza essa energia em segmentos tubulares separados, posicionados ao redor da fuselagem como naceles. Os autores analisam configurações com dois, três ou quatro segmentos espaçados em torno da bolha, visando manter o interior da espaçonave calmo e plano enquanto a parte externa realiza o trabalho de distorcer o espaço-tempo.


A comparação com a ficção científica aparece de forma inevitável, especialmente pela semelhança com as nacelas gêmeas da USS Enterprise. Harold White afirmou ao The Debrief que essa semelhança “não é meramente estética”, reforçando a tentativa de aproximar a matemática da dobra espacial de algo mais palpável para a engenharia. O ponto central, no entanto, continua sendo transformar equações consistentes em algo fisicamente possível. O modelo refina a arquitetura da bolha, mas ainda depende de condições que a ciência atual não consegue reproduzir em escala útil para uma espaçonave.


Como dito acima, a física moderna não admite que uma nave com massa seja simplesmente acelerada até superar a velocidade da luz. Quanto mais perto um objeto chega desse limite, maior é a energia necessária para continuar acelerando, sem que essa exigência se estabilize. Mas os conceitos de propulsão de dobra buscam uma saída diferente. A nave não seria empurrada como um foguete comum, mas carregada por uma bolha que altera a geometria do espaço ao seu redor. 


A lógica pode ser comparada a uma esteira rolante de aeroporto, na qual a pessoa sobe e, mesmo sem andar mais rápido do que todos ao redor, chega antes porque a superfície sob seus pés também está em movimento. Na proposta de dobra espacial, essa “esteira” seria o próprio espaço-tempo. A região à frente da nave seria comprimida, enquanto a região atrás dela se expandiria, permitindo que a bolha avançasse sem que a espaçonave dentro dela ultrapassasse localmente a velocidade da luz. Esse tipo de abordagem remonta à proposta de 1994, frequentemente citada como o documento métrico sobre propulsão de dobra. Desde então, o maior desafio tem sido conciliar a elegância matemática com limitações físicas extremamente rígidas.


Um dos pontos que chama atenção no novo artigo é o foco na habitabilidade da bolha. Não basta mover uma espaçonave pelo espaço-tempo; uma missão tripulada também precisa garantir que a região interna não submeta os astronautas a distorções gravitacionais perigosas, como as associadas às chamadas forças de maré. Em escala extrema, elas poderiam criar efeitos muito mais severos do que as marés oceânicas observadas na Terra, tornando inviável a presença humana dentro da nave. Por isso, os autores defendem uma condição de “planicidade interior”: a cabine permanece matematicamente plana em termos de espaço-tempo, ainda que a estrutura externa da bolha esteja altamente distorcida.


Essa estabilidade é fundamental para navegação, relógios, suporte à vida e funcionamento normal das leis físicas dentro da espaçonave. Mesmo sendo uma proposta teórica, ela mira uma exigência que qualquer sistema real precisaria enfrentar. No entanto, o maior entrave para qualquer motor de dobra é a energia negativa.. Ela aparece em quantidades mínimas em configurações quânticas muito específicas, mas ampliá-la para o tamanho de uma espaçonave está muito além das capacidades atuais. A crítica não é apenas tecnológica. Uma análise de 1997 de Michael J. Pfenning e L. H. Ford aplicou limites quânticos às bolhas de dobra e concluiu que a energia negativa teria de ser comprimida em uma camada extremamente fina, com exigências totais de energia consideradas fisicamente inalcançáveis.


Também permanece aberta a questão de saber se o universo fornece massa negativa ou energia negativa em uma forma utilizável. O astrofísico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, argumentou que a energia do vácuo associada à expansão cósmica é tão diluída que nem mesmo um cubo com cerca de 19 quilômetros de lado seria suficiente para manter uma lâmpada de 100 watts acesa por um minuto inteiro. Ele também escreveu que, até onde se sabe, nenhuma física conhecida pode dar origem a um objeto com massa negativa. Esse ponto torna a distância entre a teoria da velocidade da luz e uma nave real ainda mais ampla.


Ainda que o problema da energia seja resolvido, uma bolha de dobra ainda precisa ser iniciada, guiada e interrompida com segurança. Uma análise técnica posterior aponta que, em casos superluminais, a tripulação poderia enfrentar um “problema de horizonte”, ficando incapaz de criar ou controlar a bolha de dentro dela. Outro risco está no comportamento da bolha ao atravessar partículas no espaço. Um estudo de 2012 sugeriu que partículas poderiam ficar presas e acumuladas, liberando energia intensa quando a bolha desacelerasse perto do destino. Esse tipo de efeito transforma a ideia de atalho cósmico em um problema de segurança, já que a bolha não precisa apenas chegar rápido; ela tem de evitar danos à nave, à tripulação e ao ambiente próximo ao ponto de chegada.


A distância entre os métodos atuais e uma viagem próxima à velocidade da luz continua enorme. Loeb observa que foguetes humanos ainda não chegaram a 0,1% de "c", o que mantém a estrela mais próxima a milênios de viagem com a tecnologia de que dispomos atualmente. O impacto mais realista desses estudos, no curto prazo, está em transformar ideias de propulsão de dobra em perguntas testáveis, e um dos desafios é descobrir como detectar uma minúscula distorção artificial do espaço-tempo em laboratório, mesmo em escalas microscópicas.


Também existem pesquisas paralelas buscando alternativas à energia negativa. Erik Lentz propõe soluções de dobra espacial no estilo sóliton usando energia positiva, enquanto outros pesquisadores investigam motores de dobra físicos mais lentos que a luz como ponto de partida mais plausível. Nenhuma dessas abordagens chegou perto de um projeto concreto, mas elas mantêm ativo o debate sobre o que a relatividade geral permite e sobre o que a natureza realmente tolera.


O prazo para que esse tipo de física se transforme em tecnologia útil permanece incerto. Sabine Hossenfelder já apontou que ideias abstratas podem levar “talvez 1.000 ou 5.000 anos” para se tornarem ferramentas práticas, caso isso algum dia aconteça. No estágio atual, a velocidade da luz segue como uma fronteira muito mais teórica do que tecnológica para a exploração espacial. 


A nova proposta melhora a forma de pensar a bolha de dobra, mas o salto entre matemática, energia negativa, controle seguro e viagem real ainda permanece imenso.


Continua...