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sexta-feira, 9 de maio de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 26ª PARTE

POLÍTICOS CORRUPTOS SÃO COMO MERCADOS DE PEIXE, COM CUJO MAU CHEIRO OS ELEITORES, INCOMPETENTES E DESPREPARADOS, LOGO SE ACOSTUMAM.

 

Para manter um buraco de minhoca atravessável seria preciso que uma forma exótica de matéria exercesse pressão negativa suficiente para impedir que as paredes do "túnel" colapsassem sobre si mesmas e desabassem em um buraco negro. Alguns efeitos quânticos produzem energia negativa em pequenas escalas — caso do Efeito Casimir e do Princípio da Incerteza de Heisenberg —, mas extrapolar isso para o nível macroscópico e acumular uma quantidade suficiente dessa energia para estabilizar o "atalho cósmico" é um enorme desafio teórico e tecnológico.

Observação: Energia negativa e matéria exótica são coisas diferentes.  A primeira é um efeito quântico específico, e a segunda engloba qualquer substância capaz de gerar repulsão gravitacional. Assim, a energia negativa pode ser um tipo de matéria exótica, mas nem toda matéria exótica se baseia exclusivamente em energia negativa.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Há na pauta da Câmara vários projetos relevantes, como a regulamentação das redes sociais, a definição de regras para o uso da IA, a previdência dos militares e a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. No entanto, desde o retorno do recesso de fim de ano, os parlamentares desperdiçam suas energias com um debate vexatório sobre a anistia aos golpistas. Eis senão quando os brasileiros são pegos de surpresa pela criação de 18 vagas adicionais na Câmara.
Em agosto de 2023, a pedido do Pará, o STF ordenou que o número de deputados federais por unidade federativa fosse revisto para adequar a representação ao aumento populacional captado pelo Censo Demográfico de 2022. 
A readequação poderia ser feita por meio da redistribuição das atuais 513 vagas entre os 26 estados e o Distrito Federal. Nessa hipótese, sete estados teriam um número menor de deputados, entre eles a Paraíba do presidente da Câmara, Hugo Motta, que perderia duas vagas. Optou-se pela solução mais cara. 
Alega-se que o custo adicional — R$ 64,4 milhões — será absorvido pelo orçamento da própria Câmara. Balela: cada deputado dispõe de uma cota de R$ 38 milhões em emendas orçamentárias; com 18 novas cadeiras, serão mais R$ 684 milhões em emendas, totalizando uma despesa extra de R$ 748,6 milhões por ano. 
A mudança foi aprovada por 270 votos a 207. A lista de votação está disponível na Internet. Em 2026, vote nas putas. Como se vê, votar nos filhos delas não resolve.

Mesmo um buraco de minhoca mantido aberto com matéria exótica poderia sofrer instabilidades que fariam sua garganta se fechar rapidamente. A própria presença de observadores dentro do túnel poderia amplificar as flutuações quânticas, levando ao colapso da estrutura. Ainda que a física teórica admita a possibilidade de existirem buracos de minhoca atravessáveis, a prática não oferece maneiras de construí-los. Mas Einstein não disse que o impossível só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário?
 
O físico teórico Kip Thorne e seus colegas do Caltech acreditam que, se um buraco de minhoca pode ser criado, ele também pode ser transformado em uma máquina do tempo. Para isso, uma de suas extremidades precisaria ser rebocada até uma estrela de nêutrons e colocada perto de sua superfície. A intensa gravidade da estrela tornaria o tempo mais lento próximo à abertura, criando uma diferença temporal entre as duas bocas que aumentaria gradualmente. Se essa diferença fosse de dez anos, alguém que atravessasse o túnel sairia pelo outro lado dez anos no futuro, e ao fazer o caminho inverso, esse alguém voltaria ao passado, chegando antes mesmo de ter partido — mas não poderia retornar a um ponto anterior à criação do buraco de minhoca.
 
A existência de buracos de minhoca ainda não foi comprovada, mas os buracos negros permaneceram por décadas no campo das especulações até serem finalmente detectados e fotografados. Assim, se os buracos de minhoca realmente existirem e forem tão comuns quanto as estrelas — como sugerem diversos astrofísicos —, detectá-los pode ser apenas uma questão de... tempo.
 
Observação: É possível que civilizações alienígenas avançadas tenham se valido de buracos de minhoca para visitar a Terra em diversos momentos da história e ajudando na construção das pirâmides de Gizé, de Stonehenge, das linhas de Nazca e de outras obras monumentais que, com a tecnologia disponível na época, seriam tão implausíveis quanto a criação do mundo segundo o Gênesis. Aliás, se você não acredita em aliens, não deixe de ler esta sequência.  
 
Mesmo que as limitações tecnológicas sejam superadas, construir uma máquina do tempo abriria uma verdadeira caixa de Pandora de paradoxos causais. Se um viajante volta no tempo para um momento anterior ao nascimento de seu pai e mate seu avô paterno, ele não nasceria e, portanto, não poderia viajar ao passado para matar o avô. No entanto, a despeito de existirem restrições ao que se pode fazer no passado, a coerência causal não impede as viagens no tempo.
 
Mesmo sem paradoxos, viajar no tempo pode gerar situações estranhas. Suponha que alguém dê um salto de um ano para o futuro, leia um artigo na Scientific American sobre um novo teorema matemático, anote os detalhes e volte ao presente para ensiná-lo a um matemático, que escreve um artigo sobre o assunto para a mesma revista. Surgem então algumas questões intrigantes: De onde veio a informação sobre o teorema? Ele simplesmente surgiu do nada? O viajante apenas leu sobre ele, e o autor do artigo apenas recebeu a informação do viajante?

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

BURACOS DE MINHOCA ATRAVESSÁVEIS (CONTINUAÇÃO)

MELHOR UM FIM HORROROSO AINDA DO QUE UM HORROR SEM FIM.

No filme Superman, o protagonista volta ao passado voando no sentido oposto ao da rotação da Terra a uma velocidade superior à da luz. Em tese, isso poderia funcionar no mundo real, mas na prática a teoria é outra.

Nada com matéria pode se mover mais rápido que a luz no vácuo (299.792.458 m/s), lembrando que os fótons são partículas sem massa e sem peso. Mas ir além da velocidade da luz talvez não baste para voltarmos ao passado, já que, em nível macroscópico, a seta do tempo aponta sempre para o futuro. Mas isso não quer dizer que jamais poderemos assistir ao desembarque de Cabral e sua trupe em Pindorama, por exemplo.

Buracos de minhoca são distorções no espaço-tempo causadas por objetos supermassivos. Acredita-se que eles possam funcionar como atalhos cósmicos, encurtando a distância entre dois pontos, neste ou em outro universo, no presente ou em outro momento da linha do tempo.

Observação: Para entender isso melhor, imagine uma folha de papel com um X na margem superior um Y na inferior. Se a folha for dobrada ao meio, os pontos X e Y podem ser trespassados por um alfinete. Assim, um buraco de minhoca permitiria ir de um ponto a outro no espaço-tempo em questão de segundos, mesmo que, numa linha reta, a distância entre eles fosse de milhares de anos-luz.

Ao contrário dos buracos negros, que já foram avistados e fotografados, os buracos de minhoca ainda são uma projeção teórica. Mas Carl Sagan ensinou que "ausência de evidência não é necessariamente evidência de ausência", e vários cientistas — incluindo o descobridor do sistema heliocêntrico, o pai da desinfecção, o criador da imunoterapia e o proponente da deriva continental — foram alvo de chacota até o tempo provar que eles estavam certos. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA 

Escorado numa decisão do STF, o presidente Lula disse que o avanço do Congresso Nacional sobre o Orçamento da União é "uma loucura" — e com razão, já que as emendas parlamentares representarem quase 24% do bolo orçamentário. Igualmente fora de esquadro foi a demora do Lula presidente em constatar o que o Lula candidato externou ao apontar o absurdo da sistemática no manejo daqueles recursos. Na época, o palanque ambulante prometeu dar um jeito na desordem mediante tratativas com o Parlamento, mas em um ano e meio de governo fez vista grossa à continuidade da metodologia repaginada do orçamento secreto vetado pelo STF em 2022.

A desvantagem na correlação de forças entre Executivo e Legislativo explica a atitude do xamã petista, mas a justifica num político tido, havido e autoproclamado ás no exercício do convencimento e o mais experiente dos governantes desde Tomé de Souza.

A impressão que se tem é de que o presidente tem medo de um Parlamento diante do qual suas celebradas qualidades de articulador são insuficientes. E ele não é o único a pisar em ovos. Em recente entrevista, o presidente do TCU, Bruno Dantas, qualificou os abusos como um "descuido" do Congresso (o que não se justifica, pois ali há distração, o foco é total nos interesses de suas excelências).

O uso do Supremo como muro de arrimo ocorreu também no caso da desoneração das folhas de pagamento, quando o Planalto se escorou em liminar do ministro Cristiano Zanin para obter um trunfo na mesa de negociações com os congressistas. 

A corte também procura amenizar os efeitos de suas decisões, defendendo negociação em torno da exigência de nitidez no trato das emendas. É de se perguntar como poderia o conceito de transparência abrigar o sentido de meio-termo.

 
Um novo estudo sugere que uma compreensão mais aprimorada da gravidade pode comprovar a existência desses "túneis cósmicos", mas daí a usá-los para cortar caminho vai uma longa distância (sem trocadilho). Mesmo que a força gravitacional do horizonte de eventos do buraco negro que hospeda o buraco de minhoca não fechasse a passagem antes que qualquer objeto conseguisse transpô-la, a radiação Hawking certamente causaria sua destruição.
 
Num artigo baseado teoria da gravidade híbrida — que permite maior flexibilidade nas relações entre matéria/energia e espaço/tempo — o físico João Luís Rosa sustentou a possibilidade de criar um buraco de minhoca estável e atravessável usando 
algum tipo de matéria exótica. Segundo ele, a energia negativa da matéria escura poderia estabilizar o túnel pelo tempo suficiente para a travessia, mas o problema é que a existência de matéria exótica no universo ainda é mera suposição.

Ocorre que a matemática usada para teorizar os buraco de minhoca é baseada na Relatividade Geral, que não é compatível com a física quântica — o que não quer dizer que as equações de Einstein estejam erradas, mas que alguma coisa está faltando —, e a suposta existência de matéria exótica é limitada à escala quântica. 

Ainda assim, o cosmólogo lusitano acredita que os efeitos gravitacionais necessários para garantir a atravessabilidade do atalho cósmico aconteçam naturalmente com a modificação da gravidade, dispensando as propriedades gravitacionais repulsivas da matéria exótica. "Modifique a gravidade e você poderá viajar com segurança por um buraco de minhoca para o que quer que esteja do outro lado", ele afirmou em entrevista ao site UFO. 

Ainda segundo Rosa, a teoria da gravidade modificada será comprovada pelo estudo das estrelas próximas de Sagitário A* — buraco negro supermassivo com cerca de 35 milhões de quilômetros de diâmetro que foi descoberto em 1974 no centro da Via Láctea. 

Como disse Einstein, "o impossível só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário".

sábado, 20 de setembro de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 47ª PARTE — QUANDO A VIDA IMITA A ARTE

NUNCA ACENDA UM FOGUEIRA QUE VOCÊ NÃO SEJA CAPAZ DE APAGAR.

Os romances futurísticos de Júlio Verne anteciparam em mais de um século a alunissagem da Apollo 11 e os submarinos movidos a energia nuclear, sugerindo que a ficção de hoje pode ser a ciência de amanhã.

Em meados dos anos 1980, em seu único romance de ficção — Contato —, o cientista planetário e autônomo Carl Sagan narra a saga da personagem interpretada por Jodie Foster, que recebe instruções de uma civilização extraterrestre para a construção de uma nave capaz de viajar pelo hiperespaço através de um buraco de minhoca. 


Sagan pediu a seu colega Kip Thorne que investigasse se sua ideia do atalho no espaço-tempo estava cientificamente correta, e a conversa deu origem a um artigo que detalha o formalismo matemático da Relatividade Geral tendo como solução a geometria de um túnel no espaço-tempo ligando duas regiões remotas do Universo. 

 

Observação: Thorne concluiu que a "garganta" do buraco de minhoca deveria ser preenchida com matéria exótica — um tipo hipotético de matéria com massa negativa ou densidade de energia negativa — para permanecer aberta, o que, à luz das leis conhecidas, contraria o princípio da conservação de energia. Mas Einstein ensinou que o impossível só é impossível até alguém provar o contrário, e Arthur C. Clarke, que a única maneira de descobrir os limites do possível é ir além deles rumo ao impossível.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Ao transformarem sua obsessão pela autoproteção num processo de deformação das estruturas arquitetônicas de Niemeyer, nossos caríssimos deputados fizeram do Congresso um bunker que o crime organizado jamais imaginou obter. 

Essa imoralidade havia sido extinta em 2001, sob pressão social, porque resultava em impunidade. Mas, como o escorpião da fábula, suas insolências são incapazes de agir contra a própria natureza, e escolheram um momento estratégico para matar futuras ações penais, beneficiando desde assaltantes das verbas federais das emendas até Eduardo Bolsonaro, indiciado por tramar contra o Judiciário e o interesse nacional nos Estados Unidos.

Noutros tempos, o crime organizado financiava a eleição de seus representes. Confirmando-se a blindagem, os criminosos comprarão seus próprios mandatos. O bunker congressual é tão extraordinário que estimula o PCC a ocupar o Congresso sem intermediários.

Se esse acinte não for barrado no Senado, as cuias dos plenários do Congresso — a da Câmara com as bordas viradas para o céu, e a do Senado, emborcada para baixo— serão abrigos fortificados para proteger criminosos.

  

Desde o artigo proposto por Sagan, cientistas vêm buscando soluções para criar um buraco de minhoca atravessável sem recorrer a algum tipo de matéria exótica — cuja existência ainda não foi comprovada. Especula-se que exista uma ligação com a matéria escura, que representaria cerca de 27% da composição do Universo, mas não se sabe se ela possui as propriedades necessárias para manter um túnel estável. 


Observação: Se a gravidade é uma força exclusivamente atrativa e diretamente proporcional à massa dos corpos, como formulou Isaac Newton em 1687, então a matéria exótica produz o efeito inverso, ou seja, tem caráter "repulsivo". O problema é que criar um buraco de minhoca que não contrarie as leis da natureza exige uma reformulação da Relatividade Geral.


O Universo observável se estende em todas as direções por 42 bilhões de anos-luz (cerca de 397 quatrilhões de quilômetros), e a estrela mais próxima do nosso sistema solar — Proxima Centauri — fica a 4,26 anos-luz de distância (cerca de 40 trilhões de quilômetros). Isso significa que, com a velocidade da luz, uma viagem até lá levaria mais de 4 anos para chegar até lá, e a sonda mais veloz lançada pela NASA até agora atingiu "modestos" 692 mil km/h (0,064% da velocidade da luz).


Resumo da ópera: Quando se trata de viagens interestelares (ou mesmo no tempo), os buracos de minhoca são nossa melhor chance, já que supostamente interligam sistemas e estrelas muito distantes. A questão é que ainda não se descobriu uma maneira de criar buracos de minhoca atravessáveis. E mesmo mantido aberto com matéria exótica, o túnel cósmico poderia sofrer instabilidades que fariam sua garganta se fechar rapidamente — sem falar que a presença de observadores em seu interior poderia amplificar as flutuações quânticas, levando ao colapso da estrutura. 

 

Enfim, quem viver verá. 

terça-feira, 18 de novembro de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 55ª PARTE

NÃO SABENDO QUE ERA IMPOSSÍVEL, FOI LÁ E FEZ.

Os hipotéticos buracos de minhoca — também conhecidos como pontes Einstein-Rosen — são tidos como "atalhos cósmicos". Supostamente localizados nas proximidades ou no fundo dos buracos negros, eles interligam dois pontos distantes, neste ou em outro Universo, no presente ou em outro momento da linha do tempo.

 

Mais de um século antes de os buracos negros emergirem das soluções de Schwarzschild para as equações relativísticas de Einstein, o cientista inglês John Michell propôs a existência de "estrelas escuras" (em 1783). O astrônomo francês Pierre-Simon de Laplace publicou conclusão similar em seu livro Exposition du Système du Monde (1796), mas o primeiro exemplar somente foi fotografado pelo Horizon Telescope em 2019. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A investigação sobre o assalto de R$6 bilhões contra os velhinhos aposentados ainda nem terminou e já surge no noticiário outra perversão: o endividamento de crianças. Adultos contraíram cerca de R$12 bilhões em empréstimos consignados em nome de menores que deveriam proteger. 

Portadora da Síndrome de Down, a menina Clara, de sete anos, recebe auxílio de um salário mínimo e está pendurada no consignado com uma dívida de R$38 mil, contraída por uma tia materna que detinha sua guarda legal.

A contratação de empréstimos por pais, curadores, tutores ou procuradores das crianças foi autorizada pelo INSS em 2022, sob Bolsonaro. As instituições financeiras poderiam ter soado o alarme, mas não costumam mexer no time que está perdendo no INSS. Assim, a aberração sobreviveu à chegada de Lula e só foi interrompida há quatro meses — não por opção do governo, mas por ordem da Justiça. 

A melhor maneira de prever o futuro de um país é observando o modo como trata seus velhos e suas crianças. Não é à toa que o Brasil se tornou o mais antigo país do futuro do mundo.

 

Os buracos de minhoca seguem envoltos nas brumas da especulação, mas, como já aconteceu várias vezes na astrofísica, o que vale hoje pode ser refutado amanhã. A fusão nuclear, por exemplo, foi considerada uma reação exclusiva do Sol até a detonação da primeira bomba de hidrogênio liberar energia equivalente a 10 megatons de TNT. 


Einstein revolucionou a física ao demonstrar que o espaço e o tempo formam uma estrutura única e indissociável (espaço-tempo), que tudo é relativo no Universo (com exceção da velocidade da luz), e que o tempo desacelera conforme a velocidade do observador aumenta — como bem ilustra o paradoxo dos gêmeos. 

 

Os fótons viajam no vácuo a cerca de 300.000 km/s por serem partículas de luz e não possuírem massa. Partículas com massa exigem quantidades crescentes de energia para acelerar, e sua massa tende ao infinito na velocidade da luz, exigindo energia igualmente infinita para continuar acelerando. Curiosamente, os táquions nascem superluminais, ganham velocidade à medida que perdem energia e se movem no sentido inverso ao da seta do tempo. Quando eles se movem — e eles sempre se movem mais rápido que a luz —, sua energia e seu momento são reais e positivos, mesmo que sua massa de repouso seja imaginária. Isso é matematicamente possível porque as transformações relativísticas envolvem fatores que "cancelam" a natureza imaginária da massa quando a velocidade supra a da luz. 


Os táquions ainda não foram observadas experimentalmente, mas pesquisadores da Universidade de Varsóvia propuseram uma extensão da teoria relatividade especial para explorar sua possível existência. Se ela for confirmada, eles violariam o Princípio da Causalidade, dando azo a paradoxos tão complexos quanto o do Avô e exigindo a reformulação das Transformações de Lorentz. Mas isso é outra história e fica para uma outra vez.

 

A sonda espacial mais rápida lançada pela NASA atingiu 692 mil km/h em dezembro do ano passado. Essa velocidade equivale a 0,064% da velocidade da luz, e é suficiente para ir da Terra à Lua em menos de uma hora e ao Sol em cerca de 10 dias. No entanto, uma viagem até Gaia BH1 — o buraco negro mais próximo da Terra — levaria cerca de 2,5 milhões de anos. Talvez haja um buraco de minhoca por lá, mas não temos como enviar uma missão tripulada para conferir, até porque os efeitos da dilatação temporal só são significativos em velocidades próximas à da luz, e nossa hipotética espaçonave precisaria se mover a 99,9999999999% dessa velocidade para que a viagem de quase dois milhões e meio de anos (pelo tempo terrestre) durasse alguns minutos para os astronautas. 

 

Supondo que essa viagem fosse possível e que existisse um buraco de minhoca em Gaia BH1, seria necessária uma quantidade imensa de matéria exótica (com densidade de energia negativa) para mantê-lo atravessável. E não se sabe se esses "túneis" atraem matéria por uma boca e a devolvem pela outra ou se ambas as bocas apenas "engolem", prendendo a matéria ficaria num loop insano até destruí-la no ponto central.

 

Observação: Matéria exótica é um termo usado na física teórica para descrever substâncias com propriedades incomuns, como densidade de energia negativa ou massa negativa — capazes de gerar efeitos gravitacionais repulsivos. Já a "matéria escura" é uma forma invisível de matéria que interage gravitacionalmente, mas não emite luz nem possui, até onde se sabe, propriedades exóticas. Um exemplo clássico de energia negativa é o Efeito Casimir, descoberto em 1948, segundo o qual a densidade de energia em certas regiões do espaço pode ser menor que a do vácuo. 

 

Alguns cientistas acreditam que, em determinadas situações, os efeitos gravitacionais extremos e a geometria complexa do espaço-tempo no interior dos buracos de minhoca fariam com que a viagem demorasse mais do que se fosse feita diretamente pelo espaço. Ir da Terra a Marte, coisa que a sonda Mars Insight fez em menos de 6 meses, poderia levar mais de 50 anos através de um hipotético buraco de minhoca. 

 

Não é de hoje se busca harmonizar os buracos de minhoca com a física quântica. Uma proposta intrigante sugere que esses túneis e o emaranhamento quântico estão ligados pela equação ER = EPR — em que ER se refere às pontes de Einstein-Rosen e EPR, ao paradoxo de Einstein-Podolsky-Rosen. Em outras palavras, o emaranhamento quântico e os supostos atalhos cósmicos seriam duas manifestações distintas de um mesmo fenômeno físico fundamental. 

 

Tudo isso pode parecer roteiro de filme de ficção científica, mas não se pode perder de vista que inúmeras teorias revolucionárias — como a do heliocentrismo, da desinfecção, da imunoterapia e da deriva continental — foram vistas como delírios até que o tempo provasse que elas estavam certas.

Continua... 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

DE VOLTA À TEORIA DE TUDO

A PIOR FORMA DE DESIGUALDADE É TENTAR TORNAR AS COISAS DESIGUAIS IGUAIS.

Vimos que a Teoria das Cordas busca conciliar a relatividade geral com a mecânica quântica, e que os conceitos da primeira não se aplicam ao mundo subatômico nem os da segunda descrevem adequadamente os grandes corpos celestes.


De certo modo, é como se existissem duas linguagens diferentes para descrever o universo: uma explica o comportamento da gravidade e de objetos gigantescos, como estrelas, planetas e galáxias; a outra descreve as partículas fundamentais da matéria, como os quarks e os léptons. 


Einstein passou boa parte de sua vida buscando uma teoria capaz de unificar as forças conhecidas da natureza, mas morreu sem obter sucesso em seu intento. Desde então, inúmeros físicos vêm perseguindo o mesmo objetivo, mas ninguém encontrou (pelo menos até agora) uma formulação matemática que concilie plenamente a relatividade geral com a mecânica quântica.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Nem Lula nem Flávio. O protagonista do primeiro dia da campanha de 2026 foi Jair Bolsonaro. Trancado no calabouço domiciliar, banido das urnas e das redes sociais, ele não esteve em nenhum ato político neste domingo. Mas estreou na sucessão presidencial de 2026 assombrando, como um egun mal-despachado, o estádio de Vila Euclides e a orla de Copacabana

No estádio, em São Bernardo, o molusco indigesto discursou como se o adversário não fosse o filho do pai, mas o pai do filho. A certa altura, ecoou a pergunta que o eleitor faz a seus botões: "Por que Lula quer um novo mandato?" 

Segundo o macróbio, é para evitar a volta da extrema direita consubstanciada na gestão desastrosa da pandemia sob Bolsonaro. E empilhou indicadores para comparar seu governo ao do antecessor.

Em horário quase simultâneo, o primogênito do refugo da escória da humanidade discursou na orla de Copacabana como um boneco vestido pelo seu ventríloquo, trajando camiseta idêntica à que o genitor usava no dia em que foi esfaqueado, na vitoriosa campanha de 2018. Nela, lia-se: "Meu partido é o Brasil". Rodou áudios antigos do golpista (hoje em prisão domiciliar), e sapateando sobre a memória do rei do futebol, admitiu ser coadjuvante: "É difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé."

Entre todos os estrategistas da eleição, Bolsonaro foi o mais bem-sucedido. Tornou a direita refém de um preso por tentativa de golpe. Transformou um herdeiro biológico num anti-Lula competitivo. Qualquer que seja o resultado, sairá ganhando. Se o filho derrotar o xamã petista, o capitão golpista ganha a anistia. Se seu clone for derrotado, manterá o título de principal líder da oposição. Em qualquer hipótese, esse maldito egum mal-despachado continuará assombrando o país.


Para o físico teórico Leonard Susskind, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, uma possível ligação pode estar nos célebres buracos de minhoca. A existência desses fenômenos ainda não foi comprovada, mas acredita-se que ele surjam nas imediações ou profundezas dos buracos negros e conectem dois pontos do espaço-tempo, não necessariamente no mesmo universo nem na mesma linha temporal.


A equação é simples: ER = EPR — o “E” e o “R” se referem a Albert Einstein e Nathan Rosen, que publicaram um estudo descrevendo os supostos atalhos em 1935 — daí esses fenômenos terem sido batizados de “ponte de Einstein-Rosen”. O outro lado da equação inclui o "P", que remete ao físico Boris Podolsky, com quem os outros dois cientistas escreveram um outro estudo que descreve o entrelaçamento quântico.


Observação: O entrelaçamento quântico descreve como duas partículas diferentes podem se comportar de maneira idêntica, independentemente da distância que as separa. Um estudo recente explorou um cenário hipotético no qual partículas entrelaçadas poderiam corresponder matematicamente a buracos negros conectados por um buraco de minhoca — o que embasaria a "teoria de tudo", com a qual Einstein sempre sonhou.


Em tese, uma nave ou qualquer outro objeto que atravessasse um buraco de minhoca levaria alguns segundos para percorrer uma distância que, em linha reta pelo cosmos, demoraria séculos ou milênios. No entanto, atravessar um desses atalhos cósmicos para encontrar o loop temporal implicaria cruzar o horizonte de eventos e escapar da intensa atração gravitacional do buraco negro — algo que exigiria uma velocidade superior à da luz (1.079.252.848,8 km/h), sem mencionar que a aproximação do horizonte de eventos causaria um efeito chamado “espaguetificação”, que esticaria progressivamente o corpo dos astronautas devido às diferenças extremas de gravidade entre uma região e outra.


A teoria da relatividade admite a existência de loops de tempo nos quais um evento pode estar tanto no passado quanto no futuro. Na opinião de vários físicos teóricos, a força gravitacional dos buracos negros pode criar curvas fechadas do tipo tempo, levando a conexões com diferentes momentos da história do universo. Por outro lado se o hipotético buraco negro surgiu após o período Jurássico, de nada adiantaria utilizá-lo para degustar um filé de brontossauro com Fred Flintstone.

 

Teoricamente, processos determinísticos (não-aleatórios) em um número arbitrário de regiões no continuum espaço-tempo demonstram como as curvas fechadas do tipo tempo podem se encaixar nas regras do livre-arbítrio e da física clássica. Ademais, a matemática confirma a possibilidade de viajar no tempo e sustenta que as ações dos viajantes não criariam paradoxos — segundo a Interpretação dos Muitos Mundos, o resultado ocorreria numa linha de tempo diferente, evitando que o “presente” dos viajantes fosse alterado. 


Estudos da mecânica quântica sugerem que multiversos paralelos podem existir no mesmo espaço-tempo, e à medida que se realiza um experimento quântico com diferentes resultados possíveis, cada resultado ocorre em um universo diferente. Outra teoria sobre o multiverso sustenta que o cosmos é uma bolha e a existência de inúmeros universos-bolha imersos num mar energizado e em eterna expansão. Mas nenhuma dessas teorias conseguiu determinar em que tipo de universo estamos inseridos.

 

As viagens no tempo são tratadas com ceticismo por boa parte da comunidade científica, mas a história está repleta de exemplos de pioneiros cujas ideias foram ridicularizadas até que o tempo provasse que elas estavam certas. Isso aconteceu com Nicolau Copérnico e o geocentrismo, com Joseph Lister e a desinfecção, com Alfred Wegener e a teoria da deriva continental. Parafraseando um epigrama atribuído a Einstein, "o impossível só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário". 


Resumo da ópera: Se ER = EPR estiver correto, o entrelaçamento quântico — a "ação fantasmagórica à distância" que tanto perturbava Einstein pode criar a "conectividade espacial" que "costura o espaço-tempo" — sem essas conexões, a estrutura sólida e confiável do espaço-tempo seria produto das propriedades espectrais do entrelaçamento. Para os pesquisadores, essa é a base da teoria segundo a qual a gravidade quântica é capaz de unificar as forças da natureza.


Os físicos ainda têm um longo caminho para provar a equivalência entre buracos de minhoca e entrelaçamento. O sonho de ficção de um buraco de minhoca atravessável não está nem perto da realidade, ou seja, não passa de um experimento mental. Por outro lado, uma das ideias mais férteis e elegantes da física do século XXI é a de que o espaço-tempo em si pode emergir do entrelaçamento quântico. 


Ironicamente, Einstein, que nunca aceitou o entrelaçamento quântico, e, como dito no início deste post, passou boa parte da vida tentando unir a relatividade e a mecânica quântica, mas não obteve sucesso — talvez porque a pista estivesse escondida em dois artigos que ele próprio ajudou a escrever, e que hoje formam os dois lados dessa possível equação unificadora.